RASTOS DA VISITA PAPAL

RASTOS DA VISITA PAPAL

RASTOS DA VISITA PAPAL

Apos a visita de Papa Francisco à Moçambique e a sua carinhosa recepção por parte dos fiéis da Igreja Católica e de muitos outros, fazemos um balanço da visita a partir da conversa que o Papa teve com os jornalistas no avião na sua viagem de volta para Roma.

Francisco levava na sua “bagagem de mão”, uns objectivos essenciais para o País, entre outros: a implementação duma paz duradoura, o cuidado com o meio ambiente, o diálogo inter-religioso e a visão de uma Igreja aberta e que se solidarize com as últimas fronteiras da sociedade num mundo globalizado, mas justo.

Paz

De facto, Ele nos disse: “Em Moçambique fui semear sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que tanto sofreu no passado recente por causa de um longo conflito armado e que na passada Primavera foi vítima de dois ciclones que causaram danos muito graves.” Depois, clamou perante as autoridades: “Não à violência que destrói, sim à paz e à reconciliação.” Papa Francisco reconheceu que o processo de paz foi fruto dum trabalho de conjunto com a comunidade internacional: “a reconciliação é o melhor caminho para enfrentar as dificuldades que tendes como Nação… Vós tendes uma missão valorosa e histórica a cumprir! Que não cessem os esforços, enquanto houver crianças e adolescentes sem educação, famílias sem tecto, operários sem trabalho, camponeses sem terra, de alcançar uma verdadeira reconciliação que os leva a esperança e a dignidade. Estas são as armas da paz.”

Terra Mãe

Certamente pensando no facto de Moçambique, entre 2001 e 2008, ter perdido 3 milhões de hectares de floresta — um total de 11% da sua área florestal (Madagáscar perdeu 3,63 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 21%), declarou que “A defesa da terra é também a defesa da vida, que reclama atenção especial quando se constata uma tendência à pilhagem e espoliação, guiada por uma ânsia de acumular que, em geral, não é cultivada sequer por pessoas que habitam estas terras, nem é motivada pelo bem comum do vosso povo. Uma cultura de paz implica um desenvolvimento produtivo, sustentável e inclusivo, onde cada moçambicano possa sentir que este país é seu, e no qual possa estabelecer relações de fraternidade e equidade com o seu vizinho e com tudo o que o rodeia”.

Visita em Tempo oportuno

Tendo observado que o Papa estava a visitar Moçambique preste a começar a campanha eleitoral, Francisco respondeu, já no avião, de regresso a Roma: “Não foi um erro, foi uma opção decidida livremente, porque a campanha eleitoral começou nestes dias e foi eclipsada pelo processo de paz. O importante era ajudar a consolidar este processo. E isto é mais importante do que uma campanha que ainda não começou. Ao fazer o balanço, é necessário consolidar o processo de paz. E também me reuni com os dois opositores políticos, para sublinhar que o importante era isso e não para animar o presidente, mas para sublinhar a unidade do país.”

A sociedade civil

Ao Papa foram endereçadas duas cartas por parte de algumas organizações da sociedade civil para o ajudar a fazer uma leitura atenta de Moçambique.

… “As Organizações da Sociedade Civil, Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), o Centro de Integridade Pública (CIP) e o Observatório do Meio Rural (OMR), apresentam-lhe as melhores boas vindas a Moçambique… Na sua visita, Santo Padre, temos a esperança que haja meditação e que se reze a Deus para que a nossa Pátria retome caminhos da justiça, da democracia, do Estado de Direito, da defesa dos mais pobres num processo de desenvolvimento sustentável e socialmente cada vez mais justo e equitativo. As suas intervenções deverão assinalar um marco para que o Governo de Moçambique possa ser mais respeitoso, justo e com um modelo de desenvolvimento, com e para o Povo moçambicano, e não para uma elite minoritária as vezes corrupta”.

Outra carta, assinada pela organização Amnistia Internacional e outras entidades, apresentava a situação dos direitos humanos no País e pediu ao papa Francisco para que “ a visita de sua Santidade a Moçambique possa representar uma genuína oportunidade para o Governo Moçambicano de reafirmar o próprio compromisso na defesa dos direitos humanos assim como está consagrada na Constituição da República”.

Percorrendo os caminhos da Paz

O Papa deixou-nos umas dicas para poder alcançar uma boa qualidade de vida: “Nós não devemos ser triunfalistas nestas coisas. O triunfo é a paz. Não temos o direito de ser triunfalistas, porque a paz ainda é frágil no seu país, tal como é frágil no mundo. A paz deve ser tratada da mesma forma como se tratam as coisas recém-nascidas, como as crianças, com muita, muita ternura, com muita delicadeza, com muito perdão, com muita paciência, para fazê-la crescer e ser robusta. É o triunfo do país: a paz é a vitória do país, é preciso entender isso… E isso vale para todos os países, que se destroem com a guerra. As guerras destroem, fazem perder tudo”.

Pedimos a todos os homens e as mulheres de boa vontade de percorrer os caminhos da Paz para que todos os moçambicanos tenham uma vida digna e saudável.

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