O papel das matronas

O papel das matronas

Por Judite Macuacua Pinto

No nosso País, as Matronas, nas Comunidades Rurais, desempenham um papel muito importante, no tocante à ajuda que prestam às jovens mulheres a dar à luz.

Na sua maioria, são mulheres de uma idade avançada, respeitáveis, influentes e experientes quanto à matéria da maternidade, nas suas respectivas comunidades ou no seio familiar.

Infelizmente, a sua figura, embora muitas vezes esquecida e inexistente em muitos países, em Moçambique, sobretudo nas zonas desprovidas de unidades sanitárias, continua a ser considerada um Património da Humanidade e uma das profissões mais antigas.

Muitos partos que acontecem fora do hospital, é graça a estas mulheres humildes e sem conhecimento académico, mas que se fazem valer pelas suas experiências de mães.

Aliás, segundo alguns relatos populares e históricos, desde os tempos primórdios, estas sempre foram assistentes das parturientes durante o trabalho do parto e no momento de expulsão.

Segundo Marcela Bueno, Neuropsicóloga Brasileira, à semelhança do que acontece noutros países, em Moçambique, principalmente nas zonas rurais, cabe às Matronas, proporcionar às futuras mães, cuidados e a atenção que necessitam, desde o momento de concepção até que se termine o puerpério.

Além disso, é responsabilidade destas mulheres, a instrução às jovens mães, sobre os primeiros cuidados com o bebé.

Por outro lado, as Matronas, em algumas situações excepcionais, no seu âmbito de actuação, podem ser solicitadas em algumas Unidades Sanitárias existentes na Comunidade, nas famílias ou mesmo para um atendimento domiciliar particular.

A Matrona na gravidez

Mais adiante, a nossa fonte refere que, a Matrona, é responsável por preparar o corpo da futura mãe para a gestação (planeamento), o adequado seguimento da gravidez e o parto seja natural ou de cesárea. E também ajuda a aplicar medidas de emergência, caso seja necessário.

Além disso, auxilia a gestante nas muitas mudanças emocionais, escutando e respondendo as inúmeras dúvidas, tais como os temores frente ao parto, a dor, a prematuridade, a morte súbita, os problemas que podem ocorrer a um recém-nascido e também apoiando-a em todas as etapas.

No momento do parto

Por vezes, nas Comunidades próximas de algum centro de saúde, as Matronas são solicitadas para acompanhar as grávidas, ao hospital e as levam à sala de dilatação, onde são atendidas durante todo o período de dilatação e expulsão. Se ao longo deste momento, aparecer alguma complicação, a Matrona avisa a Obstetra ou a Parteira para entrar em acção.

Assim, quando chegar o momento adequado, se encarrega de avisar o anestesista, caso a gestante o exija. Caso contrário, actua em todo o período expulsivo.

Apos o nascimento

Ainda de acordo com a Marcela, chegada a esta etapa, a Matrona, na Comunidade ou no seio familiar, ainda tem o papel de controlar a mãe e o bebé, durante as 3 horas posteriores à expulsão, sinónimo da responsabilidade que as Matronas assumem em todas as etapas.

 

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BOX ROSTO DA MULHER

Violência Doméstica

… Durante o tempo do Coronavirus alertamos toda a sociedade para os potenciais aumentos da frequência e do grau de violência contra mulheres e crianças. Com efeito, de todo o mundo surgem indícios de aumento da violência doméstica e violência contra crianças devido à insegurança e ao confinamento domiciliar forçado. O nosso País não é excepção, pois o convívio quotidiano prolongado e forçado em casa pode propiciar o agravamento de actos de violência contra as mulheres, dada a estrutura hierarquizada e autoritária das relações de poder desiguais em casa. Essa violência pode ser não só física como sexual e psicológica, havendo fortes probabilidades de se estender também às crianças e com particular incidência nas crianças de sexo feminino. As cidadãs e os cidadãos, bem como as autoridades dos bairros, devem ser mobilizadas/os para estar atentas/os e para intervir em caso de suspeita de violência, mesmo dentro das casas, pois assim se poderão salvar vidas e a integridade física de mulheres e crianças. (Comunicado da associação Mulheres ComVida)

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