O Cuidado à Vida e o Medo de Mahindra

O Cuidado à Vida e o Medo de Mahindra

A pandemia da COVID-19 está desnorteando muitas nações e milhares de povos. Apesar dessa realidade ainda se verifica gente que vai obrigar que seja solicitado o “mahindra”, viatura da Polícia da República de Moçambique, mais conhecida pela sigla, PRM, para que aprendam a se cuidar.

Acompanhando as notícias e unindo-me em oração com o povo de Manaus, no Brasil, bateu no meu peito uma grande dor e preocupação!
Até quando o cuidado à vida precisará sempre do mahindra para se verificar a ordem? Qual é o real problema de muitas pessoas que não se cuidam nem cuidam dos outros ao ponto de obrigar a intervenção policial? O que é necessário para que um povo aprenda a se cuidar e evite coisas piores?

Com vista a desenvolver o tema desta crónica, vamos discutir alguns temas que acredito que estejam a faltar para que um povo não precise de “força maior”, de chicote ou chamboco nas suas ações.

1. Amor à vida

O cuidado que cada mãe e pai tem para que a sua criança nasça com muita saúde, cresça bem e tenha longa vida, deve também haver uma escola familiar que quando falamos da vida também envolve a saúde, a alimentação e toda forma de viver que permite que a pessoa humana viva bem, cresça bem e chegue a terceira idade, viver se possível até aos 100 anos de vida.

Não obstante ao esforço de muitos pais, temos observado que há gente que perdeu o sentido da vida.
O hedonismo invadiu no meio de muitos grupos sociais. O prazer é trocado pela alegria. O outro é visto como última prioridade.

1.1. Ética do Cuidado

Algumas pessoas pensam que são donas da vida e podem fazer o que quiserem. Por exemplo, temos muitas pessoas que bebem o álcool muito mal, fumam muito mal e ao serem questionadas dizem que a vida é delas por isso fazem o que quiserem.

Na compreensão da ética do cuidado, a vida é um dom e cada um é protagonista e responsável em cuidar a sua vida e a vida da natureza, dos outros.

Cuidar significa, inicialmente, saber o que a pessoa deve fazer e não deve fazer para que não coloque a vida em perigo.

Cuidar significa ser prudente suficientemente para que a vida não corra nenhum risco.
Um exemplo prático é a condução de um carro em que se aprende que “se beber não conduza” ou “se dirige o carro não beba”. Está claro que não há combinação entre o carro e o álcool. Porém, verificamos nas ruas das cidades muitos acidentes provocados por motoristas bêbados.

Outro exemplo, é sobre o actual cenário mundial, covid-19. As instruções do sector da saúde sobre o uso de máscara, evitar aglomerações desnecessárias em festas nocturnas, baladas e boates etc.

Cuidar é ter um carinho para que algo não se estrague e tenha muito tempo de vida. Existe uma obrigação moral para que todos tenhamos o cuidado à vida. Todos somos responsáveis de um do outro. Todos somos e formamos único ecossistema. Por isso viva e deixe o outro a viver.

1.2. Ética da liberdade e responsabilidade

Ser livre é antes de tudo ser responsável pelas suas próprias ações. É assumir as consequências das suas atitudes. No dia a dia não é isso que verificamos, pois tem gente que clama pela liberdade mas vive a libertinagem. Tem gente que pensa que é responsável mas nunca assume os danos provocados pelas suas ações.

Ser livre é cumprir com as obrigações e lutar pelos seus direitos.

Ser livre é viver de acordo com as orientações da sociedade.

Ser livre é se importar pelo bem comum.

Ser responsável é fazer parte de uma sociedade e viver os ideais da mesma.
Ser responsável é tomar uma decisão, executar uma ação e avaliar se foi um acto bom ou mau.

Ser responsável é viver o direito e dever moral.
Ser responsável é permitir que a consciência seja guia das as ações quotidianas.

Embora muita gente saiba dos temas sobre a liberdade e responsabilidade, observamos o clamor de muita gente que de facto segue na contra mão da vida.

Exemplo prático de gente que pensa que luta pela liberdade, mas não, é o grupo pró republicano, nos Estados Unidos, que invadiu o Capitólio, símbolo da democracia. Criaram caos e provocaram mortes.
Usaram da libertinagem e não foram responsáveis suficientes para ver que consequências teriam a partir daquele acto macabro.

2. Amor à pátria e ao concidadãos

Se estiver num país rico ou pobre, neste momento da pandemia, todo cuidado é pouco. Por isso deve investir no respeito com os outros. Cada um deve seguir “ao pé da letra” se possível, as orientações do governo e os agentes da saúde.

Amar a terra própria não é somente defender a pátria da guerra e dos invasores. Mas também e fundamentalmente, é lutar contra a pandemia que cada dia dizima milhares de amigos, familiares e vizinhos.
Abra os olhos e siga o caminho certo por um minuto e salvarás tua vida e a vida dos outros.

O assunto amor à pátria não é para todos. É urgente que haja educação cívica para que se aprenda sobre a cidadania.

Numa altura em que Manaus, Brasil, precisa urgentemente de oxigênio, algumas pessoas desviam esse produto precioso e necessário para salvar a vida de muitos pacientes. Será que essa gente ama a pátria?

Não é hora de rir nem debochar a ninguém, mas unir esforços para lidar com a Covid-19.

Deve haver união para cuidar uns dos outros mas também para denunciar aqueles que desviam os bens do Estado necessários para salvar vidas.

É preciso e urgente denunciar os que brincam com a saúde pública.

Enfim, desperte e viva! Cuide e ame!
Ser feliz é estar bem com os outros.

Ser livre é cumprir com os deveres e lutar pelos direitos de todos.
Ser responsável é assumir as consequências das suas ações.

Cuidar é amar e respeitar ao outro.

Acredito que se o que discutimos um pouco acima cada um poder analisar e o que for possível implementar nunca vamos accionar a vinda dos “tios de mahindra” a polícia militar nem vamos perder tantos amigos devido à Covid-19.Deus te cuide e te abençoe.

Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.

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