Perdoar: acto de amor

Perdoar: acto de amor

Uma das coisas mais difíceis numa convivência é o perdão.

Os mais fortes encontram nessa virtude um espaço para expressar sua nobreza.

Enquanto os mais fracos revelam o rancor e a vingança quando são feridos, injuriados e ofendidos.

Admiro imensamente quem tem o dom do perdão e o encorajo que continue a doar sempre o amor escondido no seu coração.

A meu ver, o perdão é mais saboroso quando vem de alguém que teria condições de retaliar a pessoa que o ofendeu.

Por exemplo, quando um pai é roubado pelo filho, pesa embora haja condições de castiga-lo, toma uma atitude de perdoa-lo. Esse pai mostra ser mais nobre que o filho.

A esposa traída, com todas as condições de vingar-se, sendo ela bonita ou capaz ou apta, todavia, decide livremente perdoar o traidor, o fraco, está a revelar o quanto ela é mais poderosa por usar uma arma que atinge o coração que é o Perdão.

Nos últimos dias tenho observado que muita gente usa as redes sociais para difamarem, caluniarem e até acusarem injustamente figuras públicas.

A forma mais fácil de expressar o ódio, a raiva contra alguém são as redes sociais ou simplesmente via telefone.

Em contexto como Moçambique onde muita gente quer ser ouvida suas opiniões, sugiro que usemos gentilmente as ideias e posturas pessoais para não provocar o que acompanhamos há pouco tempo.

Dois jovens já identificados, sentindo-se engasgadospor algo que o chefe do Estado fez , usaram as redes sociais para injuriarem.

A forma democrática e de liberdade de expressão não deve ser confundida, pois onde termina o meu direito está o direito do outro, logo observo o dever e os outros exigem de mim o respeito.

Toda pessoa humana tem sua dignidade a ser respeitada e quando se trata de símbolo de um país como presidente e outras figuras públicas, saibamos proferir as palavras.

Por outro lado, não deve haver confusão, não é pelo facto de ser uma figura pública que não deve ser criticada ou ouvir opinião diferente mas deve haver uma linguagem própria para se dirigir ao visado.

Não é meramente usar dos insultos que as coisas podem ser resolvidas.

Havendo compreensão da parte ofendido, o perdão acontece sem necessariamente se importar qual foi a intenção do agressor.
Como muita gente continuará a usar as redes sociais para expressarem suas ideias, abaixo apresento algumas sugestões para uma convivência salutar na família, na sociedade e numa mação.

*1. Linguagem apropriada*

Não basta falar, mas deve se saber o que pretende-se falar, o objectivo, a finalidade e o meio a usar.

Não basta saber escrever, mas é fundamental saber como escrever para não ser motivo de escândalo nem ofender os outros.

A seleção de palavras principalmente quando são dirigidas a figuras públicas são cruciais.
Ter aulas breves de eloquência acredito ser necessário e indispensável numa comunicação.

Deve haver também o mínimo senso crítico para que a pessoa não morra de ingenuidade.

 

2. Ética e Respeito

A pessoa humana merece o respeito, mas algumas pessoas não cultivam a ética e talvez ignoram os valores morais. Por isso deve haver sempre a educação cívica e moral.

Deve se incentivar a prática da cidadania para que a convivência seja fraterna e nunca se traduza o outro como inimigo.

Na verdade o estranho sempre incomoda mas para haja uma sociedade pacífica deve haver acolhimento e respeito.

3. Escuta e Compreensão

A atitude que acompanhamos há pouco tempo em Moçambique que o presidenteFilipe Nyusi chamou e perdoou os jovens que o ofenderam, deve ter iniciado pela escuta e compreensão.
A escuta quebra qualquer preconceito.
A escuta abre nova visão sobre o outro pois a pessoa é ouvida o que exatamente sente.
A escuta exige do ofendido um coração de misericórdia e o agressor, por sua vez deve ter humildade e deve dizer a verdade.

Não adianta mentir se quer ser escutado e compreendido.

Não importa a relevância do problema, deve haver vontade de superar cada obstáculo atingir a meta.

4. Arrependimento, remorso e perdão

No encontro histórico entre uma figura pública e seus agressores aprendemos algo que valha a pena mencionar: é o espírito de arrependimento e remorso dos agressores.
Os jovens assumiram culpa, isto é, são maduros e capazes de dar outro passo.

A atitude nobre veio do pai, Nyusi escutou-os, compreendeu toda história sem somente ouvir de terceiros.
Nyusi sabe o que é ser pai e sabe que os jovens são imperativos.
No fundo, Nyusi entendeu que na aflição tudo acontece porque cada um usa seu caminho.

Manifesto parabéns ao Nyusi, como um pai, que não se limita em intimidar e usar sua força e poder, mas dá chance para o filho crescer: errar, assumir a culpa, pedir perdão e prometer não cometer mais o crime.

Oh, jovens, pai é pai. Mesmo que não compre pão Sufi ciente, ele continua sendo pai.
Que o gesto de Nyusi seja uma aula sapiencial de muitas figuras públicas.
A lição dada valeu um ano de aulas presenciais e dois anos de aulas on-line.

Jovens, devem aprender como chorar sem ofender os adultos.
Não adianta ser agressivo, esse mundo tem leis a serem respeitadas.

Voltemos ao assunto principal, Perdoar como um acto de amor.
Nunca diga que amas se não sabes perdoar.
No entanto, não faça do perdão como saída para perpetuar tuas ofensas contra os outros.

Perdoar sempre e pedir que o outro seja capaz de dar um pulo para frente.

Perdoe sempre e o amor fluirá.

Assuma a culpa e serás perdoado.

Chore sem insultar os outros.

Critique sem ofender.

Escute e compreenda para não desperdiçar o tempo nobre de salvar vidas perdidas em caminhos errados.

Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.

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