A Força Feminina

A Força Feminina

Por Judite Macucua Pinto

Nos dias de hoje, muito se fala sobre a possibilidade de descolonização dos saberes e sobre o ocultamento de conhecimentos diversos, ao modelo eurocêntrico legitimado como ciência.

Nesta perspectiva, constatamos que as mulheres “africanas” , particularmente as moçambicanas, ainda não são, na sua maioria, presentes significativamente nas área cientificas e académicas.

Das várias africanas e das poucas que conhecemos, iremos tratar da especificidade moçambicana, sua relação com outros meios geográficos, como por exemplo, o Brasil e os caminhos das carreiras do campo da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

A este propósito, sabe-se, no entanto, que em Moçambique, as mulheres, têm vindo a conquistar, embora com muitas dificuldades, algum espaço nos últimos anos, na esfera Política, Económica e Social. Esta dificuldade é ainda maior nas Ciências Naturais, onde elas estão em número muito reduzido.

Contudo, segundo fontes abalizadas na matéria, citam que algumas acções com vista a despertar interesse das meninas e mulheres, tem sido a actuação como modelos, no sentido de orientar palestras e grupos de conversa com alunas das escolas, para desmistificar os estereótipos e encorajá-las a escolher mais cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

A supervisão e a integração de raparigas no grupo de Pesquisa, na Universidade, é outra acção que tem em vista motivá-las a ficar na carreira e tem um efeito multiplicador, pois estas jovens estudantes, vão também para as escolas para mostrar às alunas que, sim, é possível realizar experiências laboratoriais sob orientação das tutoras.

 

Mulher moçambicana na arena da ciência

Na luta pelo Meio Ambiente, Moçambique já incentiva as mulheres na Ciência, daí que, no Parque Nacional de Gorongosa, encontram-se duas pesquisadoras que participam de um projecto mundial para criar um banco de dados de Genes. Elas são um exemplo para encorajar outras meninas das vilas vizinhas, sobre a diversidade de formas de vida na terra.

Porque estas jovens cientistas moçambicanas, estão inseridas em uma realidade onde muitas meninas se casam e têm filhos antes de terminar o ensino básico, querem deste modo, servir de exemplo e encorajar as outras jovens, também a seguir carreira na área de Ciência.

No contexto da COVID-19 uma cientista moçambicana, a bióloga e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde, Dr. Raquel Matavele Chissumba, ganhou o Prémio Global da UNESCO para as Mulheres Cientistas.

Assim, o trabalho de pesquisa e de busca de um tratamento natural para a COVID-19, foi o seu foco da atenção e inseriu-se numa iniciativa da Organização para Mulheres na arena da Ciência para o Mundo em Desenvolvimento.

 

Na arena política

Na arena política, vamos conhecer algumas Mulheres Moçambicanas candidatas a lugares preminentes nas Eleições Autárquicas do ano passado nomeadamente: Francisca Tomás, na Província de Manica; Judite Massengele, na Província do Niassa; Margarida Mapanzene, Província de Gaza; Ângela Eduardo, na Província de Cabo Delgado; Carla Fabião Mucavele, também em Gaza.

Porque são tão poucas? Qual foi o motivo? Desinteresse ou pouco espaço num meio dominado por homens? De facto, este número foi muito baixo, principalmente a nível dos Governos Provinciais e Municipais, segundo afirmou uma activista do Instituto para a Democracia Multipartidária.

Todavia, as Mulheres em Moçambique, estão agora a interessar-se e a perceber que a política é o dia-a-dia delas e que elas devem ser membros. Mas, encontram, evidentemente, um obstáculo porque os homens acham que o espaço político, é um espaço exclusivo deles. Eles é que percebem, eles é que ditam as regras!

 

Perfil de algumas mulheres que marcaram a história

A rainha guerreira dos Massagetae, Tribo da Ásia Central, que lutou contra Ciro, rei do Primeiro Império da Pérsia, perto de 530a.C.

Hatshepsut, foi a primeira Faraó do Egipto e a mais bem-sucedida de todas elas, que viveu no inicio do Sécul XV a. C. Sobre esta personalidade, os historiadores dizem que o seu reinado durou cerca de 20 anos e correspondeu a uma época de relativa paz e prosperidade económica.

Zenóbia, rainha de Palmira (actual Síria), conquistou uma parte da Ásia Menor e desafiou os Romanos no Século III a.C.

Bodiceia, rainha dos Celtas Iceni, do Norte da Inglaterra, foi a responsável por conquistar as cidades romanas organizando as mais sangrentas revoltas contras os Romanos.

 

Século XXI

O tempo passou e as mulheres reivindicaram um lugar ao sol. Muitas voltaram aos livros, voltando também para a memória da humanidade. Assim, nesse contexto, agora conhecemos algumas personalidades femininas que marcaram o seculo XX e marcam o XI:

Luisa Dias Diogo- Personalidade Moçambicana. Formou-se em Economia e foi a primeira mulher moçambicana, a assumir o cargo de Ministra do Plano e Finanças do Governo Moçambicano. Em 2004, com a demissão do então Primeiro- Ministro, Pascoal Mocumbi, passou a acumular a sua pasta com a de Primeira-Ministra.

Ellen Johnson Sirleaf – Personalidade Liberiana. Ela ficou conhecida por “Dama de Ferro da África”. Foi eleita em 2005 Presidente da Libéria e foi a primeira mulher a liderar uma nação africana e deixou como marca, o facto de ser líder da Paz, Justiça e da Democracia num país saído duma guerra civil que durou 14 anos. A Ellen lutou para levar a justiça ao povo da Libéria e enfrentou a ditadura militar , sendo que, em 2011, aos 72 anos de idade, foi premiada com o Nobel da Paz, juntamente com a sua compatriota Lymah Gbowee e a Iemenita Tawakkul Karman.

Indira Gandhi – Personalidade Indiana. Seguiu as pegadas do seu pai, Mahatma Gandhi, como Primeira-Ministra da India, trabalhando arduamente no desenvolvimento do país, até ser assassinada em 1984. Ela construiu uma Índia forte e influente na região, além de ter procurado melhorar a vida dos mais pobres e apoiado a industrialização e o desenvolvimento tecnológico.

Madre Teresa de Calcutá, missionária natural da Macedónia ficou famosa em todo o mundo pelo seu trabalho de ajuda às populações carentes da India e não só. A Madre Teresa aos 18 anos entrou para a casa de formação das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto. E mais tarde, criou a sua própria Congregação dedicada ao serviço dos mais pobres e esquecidos da sociedade, as Irmãs Missionárias da Caridade. Ela dedicou toda a sua vida aos pobres e por isso, em 1979, recebeu o Prémio Nobel da Paz. No mesmo ano, foi recebida em audiência privada, pelo Papa João Paulo II, durante a qual, a nomeou ” embaixadora ” do Papa em todas as Nações. Foi beatificada em 2003 e canonizada em 2016.

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