Grandes montes de lixo já servem de moradia de algumas famílias

Grandes montes de lixo já servem de moradia de algumas famílias

O lixo na cidade de Nampula para além de ser cartão-de-visita é local de produção de insectos e bactérias, tornou-se também em residência de algumas famílias. Alias, é sabido que o lixo é o maior produtor de agentes provocadores de várias doenças e o mau cheiro mas, nem por isso, impede algumas pessoas de lá morarem.

A título de exemplo, é a lixeira localizada no bairro de Muhala Expansão, arredores da cidade de Nampula, que por trás dela, acolhe jovens com idades compreendidas entre 25 a 35 anos, que construíram seu habitat naquela lixeira e passam a vida.

Alguns desses jovens saem dos distritos da provincia de Nampula mas, a maioria, provêem da vizinha província da Zambézia, a procura de melhores condições de vida.

E enquanto a sorte não lhes bate a porta, são obrigados a recorrerem lixeiras como seus aconchegos e sua fonte de sobrevivência.

No local, os moradores e captadores do lixo, fazem reciclagem de algum material plástico e metálico que posteriormente levam para vender. Aliás, para além do lixo reciclado, por aqui também apanham restos de alimentos que são depositados pelos moradores ao redor, serve de refeição.

O jovem Plácido, de aparentemente 33 anos de idade, natural da Zambézia e por sinal o chefe dos moradores do local, é residente na lixeira há dois anos. Este, entrevistado pela nossa reportagem, conta como é viver junto com o lixo e não esconde a emoção.

“Fui acolhido neste local por outras pessoas que também passaram a sua vida aqui, por isso que a lixeira é a minha residência”- avançou o jovem Plácido.

Essiaca é mais um jovem que encontrou o seu aconchego na lixeira, vindo do Distrito de Monapo, fugindo de conflitos familiares igualmente como Plácido diz que por viver na lixeira criou uma família que dificilmente vai se afastar dela. Questionado sobre a sua ausência no seio dos familiares, sublinhou que o seu tio com quem vivia o maltratava, facto que o obrigou a procurar um aconchego na lixeira.

Para além do Plácido, o Essiaca e outros moradores da lixeira, encontramos o Munguambe junto a sua esposa, um antigo morador da lixeira, e como diz o ditado, bom filho é aquele que volta para casa, ele volta para a lixeira sempre para visitar os amigos que por ali ainda vivem e aconselha-los a optarem por boas práticas para ganharem a vida de forma digna além de recorrerem a furtos e lança um grito de socorros ao governo, para que haja apoio para antigos companheiros que ainda continuam morando no lixo.

Munguambe é pai de quatro filhos, e vive maritalmente há vinte anos com dona Maria, nome fictício, a qual também já viveu na mesma lixeira.

Gracinda, de 66 anos de idade, disse que mora no bairro desde 2018 mas, desde que se mudou para sua residência, nunca dormiu tranquila por causa de insectos, répteis e mau cheiro que sai da mesma lixeira.

Inconformada com a situação, esta procurou o conselho Autárquico da cidade de Nampula e lançou um grito de socorros mas, sem sucesso.

(Júlio Assane)

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