XVII Domingo do Tempo Comum B

XVII Domingo do Tempo Comum B

LITURGIA DA PALAVRA

Primeira Leitura: 2 Reis 4,42-44

Salmo 144 (145)

Segunda Leitura: Efésios 4,1-6

Evangelho: João 6,1-15

 

TEMA: JESUS É O PÃO DOS POBRES

Na nossa actualidade, no contexto como Moçambique, depois de muitos anos de guerra, secas, inundações e total instabilidade económica, o comer, embora seja uma função tão essencial na vida humana ao ponto de ser em algumas religiões um símbolo, um rito, muitas famílias têm única refeição ou passam um dia sem uma refeição completa. Encontramos ainda muitas crianças com problemas de nutrição abrindo espaço para muitas doenças crónicas.

Não é de se admirar quando o cristianismo propõe a salvação sobr forma de uma ceia, símbolo e antecipação do banquete eterno.

Como é concebido, celebrado o “comer”, o pão na tua cultura?

Os tempos preditos pelos profetas como tempos do Messias, se caracterizam por este facto de imediata intuição: “abundância para os pobres”. “Os pobres comerão e serão saciados”.

Na primeira leitura, o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar.

É um desafio, hoje, se comprometer a saciar a fome do povo porque há vários tipos de fome: pão material, pão de justiça, pão da paz, e o grande pão que é a Palavra de Deus.

A narração de João indica que Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo.

O grande milagre da vida é a partilha porque no final do dia ninguém passa por necessidades. O dom da partilha quando é assumido como regra de ouro, nenhum irmão dorme privado do pão.

Paulo, para que a comunidade tenha a essência da vida cristã a exemplo do Mestre, lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos.

Jesus é o Deus que Se revestiu da nossa humanidade e veio ao nosso encontro para nos revelar o seu amor. Com seu amor venceu o nosso egoísmo e ódio.

O seu projecto concretizado põe Ele mesmo em cada palavra e em cada gesto enquanto percorreu, com os seus discípulos, as vilas e aldeias da Palestina – consiste em libertar os homens de tudo aquilo que os oprime e lhes rouba a vida.

A atitude de Jesus é, para nós, uma expressão clara do amor e da bondade de um Deus sempre atento às necessidades do seu Povo. Garante-nos que, ao longo do caminho da vida, Deus vai ao nosso lado, atento aos nossos dramas e misérias, empenhado em satisfazer as nossas necessidades, preocupado em dar-nos o “pão” que sacia a nossa fome de vida. A sua Palavra é o Pão que sacia porque é inesgotável. É o pão que não se compra com dinheiro, mas resposta pessoal e aderência. A nós, portanto, compete-nos abrir o coração ao seu amor e acolher as propostas libertadoras que Ele nos faz.

A “fome” que acima demos exemplo, que mata mais gente em Moçambique que a própria malária, a fome de pão que a multidão sente e que Jesus quer saciar é um símbolo da fome de vida que faz sofrer tantos dos nossos irmãos.

Quem são os que têm fome hoje e que parece serem condenados a morrer de fome? Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; são os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor; são os que têm que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma língua, um ambiente estranho para poderem oferecer condições de subsistência à sua família.

A fome sentida pelas vítimas de terrorismo. Tantos jovens enganados por falsas promessas, hoje sofrem da fome. Por isso deve haver gente disponível para lhes anunciar que Jesus Cristo é o Pão vivo descido do Céu.

Compromisso Pessoal

Acolher Jesus como o Pão que sacia

Partilhar o pão de cada dia com os necessitados

Trabalhar para um mundo sem fome

Tornar a vida um pão doado ao serviço do Reino.

Por Pe Fonseca Kwiriwi

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