RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO

RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO

Frei Carlos Mesters, Carmelita

15ª Chave

RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO

  1. Tirar o véu dos olhos, da Bíblia e da história

O povo está impaciente e diz: “Até quando, Senhor?” (Ap 6,10). Se Deus é o dono do mundo, como Ele permite esta perseguição tão demorada? Desmascarando a falsa propaganda do império (Ap 12,16; 13,1-18; 17,1-18), o Apocalipse tira o véu dos olhos e aponta os sinais da vitória de Jesus. Usando textos do Antigo Testamento para descrever a situação (Ap 4,2.8; 5,10; etc), tira o véu da Bíblia e mostra que o mesmo Deus de ontem conti­nua conosco hoje. Mostrando “as coisas que devem acontecer muito em breve” (Ap 1,1), tira o véu da história e situa a perseguição dentro do conjunto do plano da Salvação (cf. Subsídio 10)

  1. Deus Pai, Juiz Supremo, Senhor do Tempo e do Espaço, Defensor da vida

Perseguidos pelo Império, os cristãos estão morrendo. A mensagem central do Apocalipse é a fé na ressurreição (Ap 1,17-18). O fundamento desta fé é a certeza de que Deus é o Criador do céu e da terra, Senhor da vida e da morte (Ap 11,17-18). A ele nada é impossível. Esta fé vitoriosa transparece na visão majestosa do Trono do Juíz, onde Deus toma assento como Senhor da história e Criador do Universo (Ap 4,2-8). É graças ao poder deste Deus que Jesus venceu (Ap 5,6-10) e que os fiéis têm coragem de crer em Jesus (Ap 1,5-6). Por isso, desde já, eles participam na vitória e podem reinar junto com ele (Ap 20,4-6).

  1. Jesus Cristo, Vencedor da morte, Defensor do povo, Senhor da História

Jesus é o Go´êl, o parente mais próximo, o irmão mais velho, aquele que, pela entrega de si, resgata seus irmãos perseguidos (Ap 5,9). Ele é o Defensor do povo. Pela sua morte e ressurreição enfrentou e venceu o Satanás, o Acusador do povo (Ap 12,10). Deus, o Juiz, ratificou a vitória de Jesus e o Satanás foi jogado fora (Ap 12,7-11). Jesus tornou-se o Senhor da história (Ap 5,7). Um resumo desta mensagem central está na visão inaugural (Ap 1,9-20). O seu lembrete repetido está nos títulos dados a Jesus e nas frequentes aclamações de vitória (Ap 2,1.8.12.18; 3,1.7.14; 5,5.9-10.12; 7,10. 17; 11,15; 12, 5.10; etc.). São como postes que conduzem o fio da mensagem ao longo das páginas do Apocalipse até à visão final da Jerusalém celeste (Ap 21-22). Co­municam às comunidades perseguidas a certeza da presença de que Jesus ressuscitado está vivo no meio delas.

  1. O Espírito e a Esposa dizem: “Vem!”

Os sete espíritos são de Deus (Ap 4,5) e também do Cordeiro (Ap 3,1). Eles estão diante do Trono (Ap 1,4). Como fiéis mensageiros, são enviados por toda a terra para executar o plano de Deus (Ap 5,6). O Espírito se comunica com as comunidades e lhes faz saber qual a vontade de Deus: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às comunidades!” (Ap 2,7.11.17.29.; 3,6.13.22). Ele fala pelos profetas (Ap 19,10; 22,6), arrebata o vidente para comunicar as visões (Ap 1,10; 4,2; 17,3; 21,10) e suscita no ser humano o desejo de Deus e da união com Ele (Ap 22,17). O número sete indica a plenitude da presença de Deus no meio das comunidades.

  1. Perseguição e martírio

Perseguição e sofrimento, insegurança, medo e perigo de morte, falta de horizonte, cansaço, eram o pão de cada dia do povo das comunidades (Ap 2,10; 6,9-11; 7,13-14; 12,13.17; 13,7; 16, 6; 17,6; 18,24; 20,4). Como sobreviver nesta situação e testemunhar a Boa Nova de Deus? O Apoca­lipse é mensagem de esperança para o povo perseguido (Ap 1,9-18). Através de imagens e símbolos, faz outra leitura dos fatos. Aquilo que aparentemente é derrota, fraqueza e morte, na realidade, é expressão da vitória de Jesus, é pedra na construção do Reino, etapa na realização do plano de Deus (Ap 5,6-10). Assim, a perseguição perde a sua virulência e invencibilidade e assume a dimensão de teste­munho, de martírio.

  1. Símbolos do passado

O uso do Antigo Testamento caracteriza o Apocalipse. Um uso marcado pela familiaridade de quem se sente em casa no Antigo Testamento, pela liberdade de quem se sente herdeiro da tradição e pela fidelidade de quem quer ser fiel ao compromisso da Aliança. Sobre o sentido e o alcance dos símbolos, veja o Subsídio 6. Sobre o uso do Antigo Testamento, veja o Subsídio 10)

  1. O Específico: a fé na ressurreição

O que marca o Apocalipse e o diferencia dos outros apocalipses é o alcance e a centralidade da fé na ressurreição. A ideologia persa admitia dois princípios absolutos que governam o mundo ou interferem na história, o bem e o mal. Os apocalipses judeus e cristãos não admitem este dualismo. Para eles, o que existe é o projeto de Deus e o desvio dos que se colocam contra o projeto. O poder do mal é real e é respon­sável pelo que faz, mas não é dono da história nem tem autonomia total. É um poder dependente e limitado. No fim todo o mal será totalmente eliminado. A vitória final será de Deus, será do bem.

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