O corpo no espaço litúrgico

O corpo no espaço litúrgico

O nosso SER é o melhor instrumento de comunicação do mundo. Nenhum equipamento, por mais sofisticado que seja, seria capaz de substituir o nosso SER no processo comunicacional. A comunicação interpessoal ou grupal é presencial, tem calor humano e é afetiva. A afetividade estava presente em toda a pedagogia de Jesus, quando Ele estava no meio do povo. Foi assim com Zaqueu, com Lázaro e suas irmãs, com o cego de Jericó, com as criancinhas, etc.

O SER de cada um é concreto e abstrato. Concreto porque é visualizável, palpável e materializado. Abstrato porque é composto de sentimentos, emoções, manifestações espirituais, pensamentos, memórias, inteligências e capacidade de criar. Ao comunicarmo-nos devemos agir combinando o nosso ser concreto com o ser abstrato. Quanto mais conseguirmos agir assim, mais aperfeiçoado será o nosso desempenho e mais qualificada será a nossa comunicação. O equilíbrio entre o concreto e o abstrato do nosso ser possibilita alcançarmos os objetivos desejados no ato comunicacional.

O corpo é a manifestação concreta do SER, a exteriorização do que somos e o cartão de visita; é a morada do espírito, da essência humana e o sacrário da mente. O corpo deve estar sempre bem cuidado, asseado, são e em forma. A saúde do corpo é importante para a saúde do espírito, assim como a saúde do espírito é importante para a saúde do corpo. Um não pode viver dissociado do outro.

Para que o corpo comunique bem, é preciso:

Estar livre das tensões – Desinibir e naturalizar os movimentos do corpo, comunicando através de gestos equilibrados. As tensões vêm da insegurança, do mau humor, da constante vigilância do poder, do policiamento para mascarar as deficiências e não admiti-las para superá-las, do estresse provocado pelo trabalho excessivo em detrimento do lazer.

Ser bem colocado em eixo – para que tenha presença marcante no ambiente, numa postura de ânimo e firmeza: Ombros levantados; Tórax aberto (peito para frente. Ele faz parte da nossa caixa de ressonância); Cabeça erguida, olhando para todos os lados, quando estiver comunicando em público, em movimentos moderados e equilibrados; Mãos e braços que se movimentam livres e harmônicos. No caso dos proclamadores da Palavra e comentaristas, não há necessidade de muitos movimentos com os braços. Porém, estes devem estar relaxados. Pernas e pés firmes e apoiados.

Inteligir” (conscientizar: ter noção), o mais possível, todos os gestos – para que sejam expressão consciente e voluntária, no contexto da comunicação que se quer fazer. A comunicação gestual é feita de movimentos soltos, harmônicos e tranquilos, combinando a fala do corpo com a fala da mente e a oralidade;

Valorizar a comunicação facial – toda a região que está acima dos olhos tem forte poder de comunicação. O bom comunicador trabalha com a expressão facial, interpretando o significado do que fala com os músculos do rosto. Olhar olho no olho no momento da comunicação interpessoal ou grupal é fundamental para chamar a atenção, envolver os ouvintes e engajá-los no que estamos dizendo. Muitas platéias se dispersam por falta de comunicação gestual e facial dos expositores. A fala sem o auxílio destes recursos se torna monótona. Jesus Cristo conseguia concentrar multidões que O ouviam o dia inteiro, a ponto de escutá-lo com fome, no final de uma tarde. Sua comunicação atraía;

Utilizar as mãos – como importante instrumento de comunicação, no auxílio da fala. Há comunicadores confusos na hora de falar em público porque não sabem o que devem fazer com as mãos. Ao invés de as utilizarem no reforço do que está sendo dito, atrapalham-se em gestos desconexos em relação ao acto da comunicação: colocando as mãos nos bolsos, apertando-as umas nas outras ou usando muletas para ocupá-las. Dão a impressão de que as mãos estão atrapalhando. Quase sugerem a amputação. Esse é o tipo de comunicador “maneta”, embora possua as duas mãos. No caso dos leitores, é aconselhável que as mãos fiquem sobre o texto. Quando for olhar para a assembleia, coloque o dedo indicador sobre o texto, evitando, assim, perder-se na leitura;

Os olhos – devem estar sempre atentos à leitura. Nos pontos finais, ou seja, nas pausas, olhar para a assembleia. Evite olhar apenas para um dos lados. Caso tenha dificuldades de olhar para a assembleia, no meio da leitura, faça isto no início, quando estiver dizendo “Leitura do Livro do Profeta Isaías” (por exemplo) e no final, ao dizer “Palavra do Senhor”;

Cuidar da aparência – cabelos penteados (quem ainda os possui), barba bem feita (ou bem arrumada e asseada, para os que a têm), fossas nasais limpas (inclusive, para facilitar a respiração), ouvidos higienizados, roupa adequada ao nível social do ambiente (limpas, bem passadas, e devidamente arrumadas sobre o corpo: gola, botões, etc.). Isso é sinal de auto-estima.

Kant de Voronha

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