A Escola, local de aquisição da ciência e de normas sociais

A Escola, local de aquisição da ciência e de normas sociais

Por Dr. Graciano Armando

Assim o mundo se nos apresenta actualmente! A criança é colocada sozinha frente a televisão e/ou a redes sociais sem que nenhum adulto lhe dê a devida atenção. A relação familiar centra-se prioritariamente nas suas necessidades físicas, ou seja, na alimentação, na higiene, no descanso, principalmente. Desde criança, as novas tecnologias imediatamente as seduzem e permitem a aquisição de novos saberes oferecidos na distracção dos seus progenitores e/ou educadores. O seu conhecimento vai progredindo através das informações que recebe do meio em que se insere, sem o devido acompanhamento, daí que consome tudo o que lhe é oferecida pela ‘mídia’ sem a devida selecção nem crítica para o seu salutar crescimento. Parece que vivemos numa época de “identidades sem testemunhas”…!

A Escola é e deve ser vista como uma organização social com regras e normas próprias, constituída por uma diversidade de actores sociais que formam uma comunidade educativa – docentes, funcionário/as não docentes, directores/as e todo o corpo administrativo, conselho de escola e pais e encarregados/as de educação; estes últimos como actores primordiais na participação activa para a educação de seus filhos. Conclui-se, então, que o Homem é incapaz de levar uma existência significativa isolado das construções normativas de uma sociedade. Onde quer que o Homem esteja depara-se com uma ordem social. Em 1994, em sua Obra intitulada Sociologia 12º ano, José Vargas afirmou que “a Escola é uma instituição social; e as instituições sociais são as formas utilizadas pela socialização para moldar as pessoas. Aliás, as instituições sociais são como elemento de reprodução social”.

A Escola é um espaço de socialização e de aprendizagem onde se estabelecem múltiplas relações humanas, interacções sociais e uma comunicação e dinâmica entre os diversos actores. A falha na cultura destas importantes particularidades pode impedir ou retardar o desenvolvimento sócio cognitivo e emocional, ou ainda potenciar o risco de psicopatologias nos indivíduos.

A necessidade de promoção da saúde mental na escola revela-se na melhoria da ligação entre a escola, a família e a comunidade em geral, numa missão conjunta para a redução do abandono, do insucesso e dos comportamentos violentos em meio escolar, com repercussões nos resultados académicos e nos ganhos em saúde da comunidade educativa. A promoção da saúde mental e emocional permite que os alunos adquiram conhecimentos, atitudes e capacidades que contribuam para a tomada de decisões. É preciso educar as crianças para um estilo de vida saudável e socialmente aceitável, o que implica competências descritas e um elevado nível de liderança.

A saúde mental nas escolas surge como área prioritária de intervenção em meio escolar. As iniciativas bem-sucedidas em promoção da saúde mental nas escolas assentam numa metodologia de trabalho por projecto, continuada e com sequencialidade entre níveis de educação e ensino e são fundamentadas na teoria e práticas diárias.

A promoção da saúde mental deve ser, igualmente, o pilar da capacitação dos alunos em matéria de promoção e educação para a saúde. Vários fenómenos sociais vividos na Escola têm repercussões na saúde dos alunos envolvidos e necessitam da compreensão e intervenção dos educadores.

 

O papel da Escola na prevenção de violência

A situação de violência escolar não deve ser vista como normal da idade ou da dinâmica nas escolas, pois é prejudicial tanto para os praticantes, para as vítimas assim como para quem a observa. A acção para a reversão da situação é uma necessidade urgente pois é direito de todas as crianças, adolescentes e jovens, sentirem-se seguros e protegidos em todos os locais e de modo particular na Escola. Para tal torna-se necessária a implementação de estratégias de prevenção e intervenção com o objectivo de diminuir a incidência desta problemática.

É tarefa do profissional da educação, ser protector dos alunos e visionário atento de certas situações de comportamentos desajustados, saber assumir e encará-los como parte da sua responsabilidade de fazer estudo e não simplesmente considerar todas as manifestações como atitudes demonstradas com intencionalidade. Daí, decorre que, para a sua prevenção, devem ser desenvolvidas políticas de apoio no combate à violência escolar, envolvendo diversos sectores da sociedade e criando um clima saudável nas escolas que proporcione o bem-estar de todos.

 

A importância da educação

A Educação, no contexto geral, é importante, pois ensina a criança a adquirir determinados valores tais como a compaixão, a valorização da vida própria e dos outros assim como do saber científico. Uma sociedade viciada pela tecnologia consumista e competitiva, que mais valoriza a aquisição de bens reservando o último lugar para a saúde, o comportamento segue a mesma direcção.

De facto, os sujeitos violentos ou agressivos não têm muitas opções, pois o próprio meio onde se inserem fornece-lhes a aprendizagem que lhes parece necessária para assumirem como padrão normal de vida. Por isso Rousseau, um grande filósofo social do período renascentista e muito influente na pedagogia, afirmou que “o Homem nasce bom mas a sociedade o corrompe”. Rousseau vai mais longe ao afirmar ainda que sim, é a sociedade que corrompe o ser humano impelindo-o para o mal na medida em que esta sociedade fica estratificada tal que se torna difícil ensinar a praticar a vida virtuosa. “Mas, fazendo o bem, o ser humano torna-se bom”.

É imperioso mudar o enfoque sobre a questão da “violência” e, consequentemente, a atenção sobre os direitos humanos. As medidas tutelares educativas só deverão ser tomadas se as outras acções preventivas tiverem sido executadas, com sucesso. A educação deve registar-se imediatamente a seguir a nascença, baseada em valores, normas e modelos de conduta, que serão inculcados no sentido de formar a personalidade do indivíduo, num contexto sanitário e preventivo contra a violência, enquanto praticável.

Vários modelos de intervenção poderão ser aplicados de acordo com o grupo e o meio social envolvente. Este é um campo de acção dos educadores sociais. Por essa razão, há que enumerar alguns aspectos que se prendem com o acto de educar, como sejam os programas baseados no modelo de conhecimento e de boa conduta. Programas de acções interventivas em relação ao meio (informação e formação sanitária, cívica e de segurança). Programas de educação para a saúde, para a paz, para a boa convivência social, e o programa mais determinante seria a terapia grupal, onde famílias que vivem em conflitos poderiam se beneficiar conjuntamente, desenvolvendo projectos de realização pessoal, familiar e mesmo do povoado, por ordem a combater os problemas relacionados à saúde e à boa convivência, sobretudo das crianças.

Nestes programas, estaria também a escola, que, concomitantemente com a família e as equipas de intervenção, lutariam neste trabalho educativo com coerência e insistência. Uma parceria eficaz, desejável, mas talvez utópica. As equipas de intervenção e as comunidades deveriam fomentar a participação efectiva dos cidadãos como protagonistas do seu próprio povoado, ou seja, cidadãos activos e implicados no seu próprio desenvolvimento.

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