Entrevista exclusiva: “Sou Bispo sem deixar de ser Comboniano”

Entrevista exclusiva: “Sou Bispo sem deixar de ser Comboniano”

“Em tudo a sabedoria do Senhor”

Dom António Constantino, missionário comboniano e antigo director da Vida Nova, foi consagrado Bispo auxiliar da Arquidiocese da Beira no dia 19 de Fevereiro. Aqui vai a entrevista para os nossos leitores.

 

VN – O que quer dizer ser um bispo missionário em Moçambique?

Dom AC –Em primeiro lugar queroagradecer ao Senhor pelo chamamento à vida missionária; segundo, vou para uma missão com confiança porque o Papa Francisco, que me nomeou, colocou a sua confiança em mim, enviando-me a ajudar e colaborar na Igreja que está na Arquidiocese da Beira; terceiro, agradecer aos Missionários Combonianos, que continuam a ser a minha família religiosa, onde entreguei a minha vida com a consagração religiosa para o serviço missionário. De facto, foram eles que me fizeram crescer e me acompanharam nodia-a-dia até chegar neste momento.

Hoje é também um dia de alegria,porque a Igreja de Moçambique, na qual nasci e cresci,me acolhe como seu Pastor. É um sinal de maturidade para a nossaIgreja.De facto, uma igreja que não tem seus filhos para serem pastores, essa Igreja não está a crescer. O crescimento duma Igreja é quando ela tem filhos capazes de assumir as responsabilidades, tais como aquelas que têm um bispo, e que nos faz dizer: “afinal, entre nós também existem pessoas que possam servir!”. Serviço é a chave para entender qualquer ministério dentro da Igreja, mas em particular para aquele episcopal porque, como o lema que escolhi para o meu brasão: “em tudo a sabedoria do Senhor”, temos que deixar que a sabedoria do Senhor envolva todo o nosso serviço para o Reino de Deus e nos ajude a ser instrumento desta sabedoria para que todos alcancem a salvação.

 

VN – Você foi director da VN, acha que o seu papel de formar e informar as comunidades, que tem continuado ao longo dos 63 anos da sua existência, possa ainda ser válido para o hoje da nossa Igreja local?

Dom AC – Antes de ser ordenado Bispo, como padre formei-me em jornalismona Espanha e trabalhei vários anos como director da VN. Portanto, a VN continua estar no meu coração e acredito firmemente que, apesar da sua idade, continua a ser um válido instrumento para formar e informar as comunidades cristãs espalhadas pelo país. A VN não é simplesmente a revista da Arquidiocese de Nampula, porque aí nasceu há 63 anos. Ela é a revista de toda a Igreja moçambicana que com os seu valiosos conteúdos procura actualizar as comunidades para que a Boa Nova continue ser Boa Nova para todos. Não esqueçamos que a maioria das nossas comunidades situa-se no meio rural onde “os megas e os andróides” são espécies raras, assim como outra imprensa, mas a VN chega lá aonde nem sequer imaginamos… é um verdadeiro milagre que se perpetua desde 1960.

 

VN – Vida Nova, imprensa escrita, continua manter o seu papel in/formativo ainda hoje apesar de estarmos num mundo mais digitalizado?

Dom AC –Sim, apesar da tecnologia digital no campo da comunicação ter crescido muito nestesanos, a VN continua a ser um válido instrumento de formação e informação para aqueles que estão nas zonas rurais, mas também nas zonas urbanas. Olha, muitas comunidades que eu visitei, a VN é lida com gosto. Por exemplo, o comentário à Palavra de Deus dominical é muito utilizadopelos responsáveis das comunidades que o lêem com “devoção” para a suaassembleia.

Naturalmente, é tempo também para que a VN se abra cada vez mais ao mundo digital para alcançar mais gente, em particular a camada juvenil.

 

VN – Como antigo Director da Vida Nova, o que quer deixar aos leitores da revista?

Dom AC –Primeiro, estão todos de parabéns porque são as pessoas que continuam a nos sustentar. De facto, um dos desafios que existe na VN é mesmo o sustentoda revista. A revista ainda continua com os custos muito baixos para poder alcançar um público maior. Mas eu espero que pouco a pouco, como Igreja, possamos ganhar a mentalidade de suportar mais a VN, para além de pagar a própria assinatura, também pensar naquele meu irmão que esta lá na zona recôndita e que talvez não tenha os meios suficientes para assinar e assim poder formar-se e informar-se com a VN.

Outra coisa que acho muito importante éa tarefa de todos os leitores, encontrar estratégia para procurar mais assinantes e leitores para não deixar morrer a VN.

Enfim, desejo para todos os leitores da VN que as bênçãos de Deus caiam abundantemente sobre cada um de vós. E não esqueçais, como sempre nos recorda o papa Francisco, de rezar pelos vossos Bispos.

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