Papel da mulher na igreja

Papel da mulher na igreja

Na sociedade civil as mulheres já começaram a tomar o seu papel na administração ou na política, na igreja ainda são poucas as mulheres eleitas, por exemplo, como anciãos ou animadoras. Portanto, vamos pôr-nos à escuta do Papa Francisco para reflectir e actualizar as nossas comunidades.

“As primeiras testemunhas da ressurreição são as mulheres. E isso é bonito. E este é um pouco a missão das mulheres” o Papa Francisco pronunciou estas palavras três semanas após a sua eleição. Em muitas ocasiões o Papa recorda as figuras femininas que mais influenciaram o seu caminho de fé, como fez com a sua avó Rosa ou lembrando uma jovem noviça das Pequenas Irmãs da Assunção que o segurou em seus braços assim que ele nasceu. Da criação de uma Comissão sobre o ministério das mulheres, à nomeação de mulheres em cargos importantes no Vaticano, Papa Francisco está a abrir caminho.

A Igreja é mãe: aprofundar a teologia da mulher

Imediatamente deve ser enfatizado que a reflexão do Papa Francisco sobre a mulher se move do ponto de vista teológico. “Uma Igreja sem as mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria… a Igreja é feminina, é esposa, é mãe”. Em diversas ocasiões, o Papa se queixa de que na Igreja ainda não se fez “uma profunda teologia da mulher” afirmando que “é importante perguntar-se que presença tem a mulher… porque a Igreja não é o Igreja, é a Igreja. A Igreja é feminino, é mãe e devemos aprofundar a nossa compreensão disso”.

Respeitar a dignidade e o serviço das mulheres

Papa Francisco não deixa de denunciar as condições de exploração que tantas mulheres devem suportar. “Eu sofro quando vejo na Igreja” que “o papel de serviço da mulher desliza para um papel de servidão”. “Quando se deseja que uma mulher consagrada faça um trabalho de servidão e não de serviço, se desvaloriza a vida e a dignidade dessa mulher. A sua vocação é o serviço: serviço à Igreja, onde quer que esteja. Mas não servidão”.

Oferecer novos espaços às mulheres na Igreja

É tempo, diz o Papa, que as mulheres “se sintam não hóspedes, mas plenamente partícipes das várias esferas da vida social e eclesial”. Esse, adverte, “é um desafio que não pode mais ser adiado”. E enfatiza a urgência de “oferecer espaços às mulheres na vida da Igreja”, favorecendo “uma presença mais ampla e incisiva nas comunidades” com maior envolvimento das mulheres “nas responsabilidades pastorais”. Alargando o olhar à sociedade, o Papa denuncia a mercantilização do corpo feminino, “as muitas formas de escravidão” a que as mulheres são submetidas e lança um apelo para que, para vencer a subordinação, seja promovida a reciprocidade.

A mulher é portadora de harmonia na Igreja

Às mulheres, às figuras bíblicas e, em particular, à Virgem Maria, o Papa Francisco dedica muitas homilias e catequese. “São principalmente as mulheres a transmitir a fé”? A resposta, deve ser buscada mais uma vez no testemunho de Nossa Senhora: “Simplesmente porque quem nos trouxe Jesus é uma mulher. É o caminho escolhido por Jesus. Ele quis ter uma mãe: até o dom da fé passa pelas mulheres, como Jesus por Maria”. “Sem a mulher, não há harmonia no mundo”. É “a mulher que traz essa harmonia que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bonita”.

Enfim, o Papa se diz convicto da urgência de oferecer na Igreja maior espaços às mulheres, levando em consideração as específicas e diversificadas sensibilidades culturais e sociais de cada parte do mundo onde a Igreja está espalhada.

E nós o que vamos fazer para que as nossas comunidades respondam aos desafios lançados por papa Francisco? O desafio está lançado.

BOX

“Penso em todas as mulheres: agradeço pelo seu empenho na construção de uma sociedade mais humana, através da sua capacidade de apreender a realidade com um olhar criativo e um coração terno. Este é um privilégio das mulheres”.

 “A violência contra a mulher é uma ferida aberta, resultante de uma cultura patriarcal e machista de opressão. Devemos encontrar o tratamento para curar esta praga e não deixar as mulheres sozinhas”. (Papa Francisco)

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