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maio 06 2026

Xenofobia na África do Sul: crise de segurança ou falha de solidariedade africana?

Por: Cremildo Alexandre Os recentes protestos em Durban, reportados pela SABC News, revelam uma tensão crescente em torno da presença de estrangeiros em situação irregular na África do Sul, reacendendo um debate antigo sobre xenofobia no continente. Enquanto alguns manifestantes exigem medidas mais duras do governo sul-africano, a situação expõe fragilidades profundas na convivência regional, onde cidadãos africanos, em busca de melhores condições de vida, acabam enfrentando rejeição, violência e exclusão. Países como Tanzânia e Nigéria já começaram a repatriar seus cidadãos, numa resposta prática, mas que também levanta questões sobre a capacidade de África proteger os seus próprios filhos fora das suas fronteiras. Por outro lado, Moçambique, através do Presidente Daniel Chapo, optou por um apelo à calma e serenidade, defendendo uma abordagem diplomática e cautelosa diante da crise. Essa postura procura evitar o agravamento das tensões e preservar as relações bilaterais, mas também pode ser interpretada como insuficiente diante do sofrimento de cidadãos afetados. A xenofobia, neste contexto, não é apenas um problema de imigração, mas um desafio moral e político para todo o continente africano, que historicamente defendeu a unidade e solidariedade entre os seus povos. Afinal, até que ponto os países africanos estão realmente comprometidos com a proteção e dignidade dos seus cidadãos além-fronteiras?

ONU declara escravidão como o crime mais grave contra a humanidade

A Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução histórica que classifica a escravidão transatlântica como o “crime mais grave contra a humanidade”. A proposta, apresentada por Gana, também abre espaço para debates sobre reparações aos povos africanos, destacando que milhões de pessoas foram deportadas e exploradas entre os séculos XV e XIX, cujos efeitos ainda se fazem sentir, sobretudo na desigualdade racial. A votação revelou divisões entre os países. Um total de 123 Estados votou a favor, enquanto os Estados Unidos e outros poucos países votaram contra, e vários membros da União Europeia optaram pela abstenção. O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu que é preciso agir com mais coragem para enfrentar as injustiças do passado, sublinhando a necessidade de medidas concretas. A resolução incentiva os países a iniciarem diálogo sobre reparações, incluindo pedidos formais de desculpas, compensações financeiras e devolução de bens históricos. Enquanto África pressiona por justiça, alguns países ocidentais continuam a rejeitar a ideia, alegando que não devem responder por erros históricos, o que mantém o debate internacional aceso.

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