a Justiça e a Paz beijaram se (salmo 85,11)

a Justiça e a Paz beijaram se (salmo 85,11)

Gritos e lágrimas fazem-se ouvir em todos os lados do nosso País. As irregularidades do processo eleitoral fazem chorar mesmo aos fetos em gestação interina, liberando lágrimas que ferrem as mães gestantes. Os nossos chefes precisam de aprender a ganhar e a convencer ao povo, e a saber perder sem lançar gás lacrimogénio para ninguém. “Se ouvir que dizer que passou um branco, ainda que não seja branco, ao menos um clarinho passou”, diz um adágio popular

“Os ilícitos e irregularidades eleitorais, uns mais graves que outros, aqueles reportados oficiosamente e difundidos pelos Mídias sociais, e outros reportados pontualmente pelos observadores eleitorais, geraram, na sociedade moçambicana, um alto grau de desconfiança que está a suscitar uma situação de instabilidades de continuada tensão social em todo o país (Nota Pastoral dos Bispos Católicos de Moçambique, no2, 11 de Outubro de 2023).

De facto, trata-se de um completo desastre, uma peça teatral planejada e ensaiada. Não é por acaso que, logo no começo desta peça, registaram-se acontecimentos preocupantes e tristonhos: “a destruição de materiais de campanha, confrontos violentos, pessoas presas injustamente, actuação questionável dos que deveriam garantir a ordem e a segurança das pessoas, diversidades de irregularidades na votação, contagem e justeza dos resultados pronunciados” (Ibidem).

A Igreja Católica de Moçambique lança um apelo que merece atenção para a reconstrução da paz, agora em aborto: “Apelamos aos órgãos eleitorais a rever com responsabilidade e justiça todo o processo de apuramento dos resultados que estão a ser divulgados, garantindo que tais sejam o reflexo verdadeiro dos votos depositados nas urnas e, portanto, da vontade do povo. Apelamos às lideranças do partido beneficiário desta crise eleitoral a que chamem à razão os seus membros e simpatizantes para aceitarem a contestação dos resultados como parte do jogo democrático, multipartidário e inclusivo, e colocarem a viabilidade política, social e económica do país acima dos interesses partidários de uma mera vitória eleitoral questionável” (Ibidem, no 3).    

O povo clama para a revitalização da democracia, do multipartidarismo. É um povo que está longe de retorno à ditadura e ao mono-partidarismo. A ditadura e o mono-partidarismo aborta a paz e a democracia. Pois, povo no poder, apenas deve decidir. Onde está a referida liberdade de expressão? É triste que olhos videntes, na política moçambicana, são presenteados com o gás lacrimogéneo. O exercício do direito cívico é pago com exílio à Babilónia. Os órgãos da defesa à causa do povo estão a caminho de partidarização.

Como pode ser possível viver em paz quando o que reina são aplausos ao lambebotismo, ao enchimento de urnas, ao começo de votação na ausência de delegados de outros partidos em algumas assembleias de voto, ao absenteísmo dos presidentes de mesa no tempo de contagem e publicação dos editais do apuramento parcial? Precisamos de exercer a nossa cidadania de forma livre, justa e transparente.

Vem o 25 de Dezembro, a festa do Natal do Senhor. O menino Jesus nos abraça e nos convida ao regresso à paz, pois, Ele é “o Príncipe da paz” (Is 9, 6).

Feliz Natal, feliz Ano Novo!

Pe. Serafim J. Muacua