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abr 08 2026

MULHER: TESOURO PRECIOSO DA SOCIEDADE

Por: Coordenação

Esta edição única da Vida Nova, que une os meses de Março e Abril, convida-nos a olhar para a mulher com atenção renovada. Março lembra-nos o Dia Internacional da Mulher, a 8, e Abril convoca-nos para o Dia da Mulher Moçambicana, a 7. Duas datas próximas no calendário, mas sobretudo unidas por uma mesma urgência reconhecer, valorizar e proteger a dignidade da mulher, em todas as circunstâncias da vida.

Em Moçambique, falar da mulher é falar do centro silencioso da família e da comunidade. É falar da mãe que sustenta o lar, da camponesa que trabalha a terra, da vendedora que garante o pão diário, da catequista que transmite a fé, da jovem que sonha com um futuro melhor. Mas é também falar da mulher que sofre mais quando o País é ferido por desastres naturais e pela violência armada.

As cheias e inundações que recentemente atingiram o Centro e o Sul do País deixaram marcas profundas. Casas destruídas, campos perdidos, famílias deslocadas. Nestes cenários, a mulher aparece muitas vezes como a primeira a organizar a sobrevivência. Cuida das crianças, dos idosos, procura água, alimento, abrigo. Faz tudo isto em condições duras, com poucos recursos e, não raras vezes, sem voz nas decisões que afectam a reconstrução. A crise ambiental não é neutra. Pesa mais sobre quem já vive em situação de fragilidade.

O Magistério da Igreja tem-nos recordado, de forma clara, que o cuidado da casa comum é inseparável do cuidado das pessoas. Quando a terra é maltratada, quando os rios transbordam por falta de protecção ambiental, quando o clima se torna imprevisível, os pobres sofrem primeiro. E entre os pobres, as mulheres sofrem mais. Cuidar do ambiente é, portanto, um acto de justiça. É uma escolha moral que protege a vida, hoje e amanhã.

Ao mesmo tempo, o terrorismo que desde Outubro de 2017 assola Cabo Delgado, atingindo também Memba, tem deixado um rasto de dor difícil de descrever. Deslocações forçadas, famílias desfeitas, medo permanente. Mais uma vez, as mulheres carregam um peso particular. Muitas perderam maridos e filhos, outras foram obrigadas a fugir, deixando tudo para trás. Mesmo assim, continuam a ser fonte de resistência, de cuidado e de esperança nos centros de acolhimento e nas comunidades feridas.

A Igreja ensina-nos que não pode haver verdadeira paz sem justiça. A violência não se combate apenas com armas, mas com dignidade, inclusão e solidariedade. Promover a paz em Cabo Delgado passa por escutar as populações, valorizar o papel das mulheres na reconstrução do tecido social e criar condições para uma vida segura e digna. A mulher não é apenas vítima da guerra. É também artesã da paz, quando lhe é dada oportunidade.

Neste tempo marcado por desafios ambientais e humanos, somos chamados a uma solidariedade concreta.

Celebrar a mulher nestes dois meses não é apenas um gesto simbólico. É um compromisso. Compromisso com a vida, com a justiça, com a paz e com o cuidado da criação.

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