Caros amigos e leitores da Vida Nova! Quero partilhar convosco uma pequena experiência das nossas estradas. Foi numa bela manhã, bem cedo, quando ia para o meu trabalho de carro, algures na cidade de Nampula. Vi a polícia a entrar furtivamente na estrada, como quem sai de um esconderijo com a intenção de capturar uma presa. Em questão, dizia o agente, estava o excesso de velocidade num troço onde anteriormente a mesma polícia me informara que o limite era de 50 km/h, mas que naquela manhã tinha mudado para 40 km/h.
Eu sorri, porque ia a uma velocidade de 51 km/h, o que o próprio velocímetro confirmava. Pedi ao agente de trânsito que me perdoasse aquele quilómetro a mais, mas: “Te perdoar assim mesmo?” foi a resposta que ouvi dele. Sorri novamente por me recordar de que, em ocasiões anteriores, a mesma polícia me havia dito que o limite era de 50 km/h. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
Hoje não vou perder o meu tempo a falar da corrupção, porque esta já está na moda. Para quem anda na estrada, situações desagradáveis como esta nunca faltam. Primeiro, as nossas estradas não estão devidamente sinalizadas, o que faz com que cada autoridade imponha a velocidade que satisfaz os seus caprichos: ora 30 km/h, ora 40 km/h ou ainda 50 km/h. Segundo, os agentes reguladores de trânsito fazem o impossível para surpreender o condutor: agora não só se escondem, como também escondem os cones que deveriam sinalizar a sua presença. Terceiro, fazem-nos muitos rodeios para ver se, em vez de pagarmos a multa, daríamos um “trocado” em troca do perdão.
Tucha Lucas, Cidade de Nampula
VN: Amiga Tucha! Na verdade, as nossas estradas são, infelizmente, testemunhas de muitos actos destes. É fundamental não colaborar com a corrupção e denunciar firmemente todos os casos de abuso de poder.
Auto-sustentabilidade ou corrupção?
Queridos amigos da Vida Nova, peço esclarecimentos!
O lema escolhido pelo Senhor Arcebispo de Nampula para o ano pastoral 2025-2026 é: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Lamentavelmente, este lema tem gerado insatisfação nalgumas comunidades. Os responsáveis entendem e interpretam mal este assunto: empregam o termo auto-sustentabilidade quando, na verdade, o que fazem é corrupção. Fazem cobranças ilícitas nas comunidades, alegando tratar-se de auto-sustentabilidade, e os mesmos esvaziam os fundos comunitários. Este lema tornou-se paralelo à democracia, quando mal a entendemos. Será que deve ser assim? Peço um esclarecimento.
Cléofas Januário, membro da CCS – Nampula
VN: Querido amigo Cléofas! Agradecemos a tua carta. A ser verdade o que dizes, trata-se de uma situação grave. O real propósito do Senhor Arcebispo é que as comunidades desta Igreja local caminhem pelas suas próprias pernas. Aconselhamos-te a apresentar a questão, primeiramente, ao teu pároco e, se se confirmar o que relatas, deverão rever a situação no seio do Conselho Paroquial. Além disso, é tarefa de cada um de nós clarificar este lema e contribuir para que a nossa Arquidiocese caminhe com os seus próprios pés.
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