Um dos maiores desafios actuais da camada juvenil feminina em Moçambique é a busca pelo emprego formal. Actualmente, muitos jovens, as mulheres inclusive, mesmo com uma boa formação tem enfrentado o dilema do desemprego, contrariando a famosa tese que a baixa escolaridade é o maior pivô do desemprego nos Países em via de desenvolvimento.
A crescente globalização, as deficientes políticas públicas, a fraca industrialização, a crise económica, os desastres naturais, o crescimento demográfico, a corrupção, entre outros factores, têm sido apontados como principais causas deste fenómeno em Moçambique.
Com intuito de sobreviver, custear as despesas alimentares, de educação, de saúde, manter a sua dignidade humana, os jovens buscam de todas as formas possíveis estratégias para o alcance destes objectivos, demostrando sua determinação e resiliência perante este grande desafio. Uma destas formas é o sector informal.
OIT (2006) define o sector informal como um conjunto de unidades empenhadas na produção de bens ou serviços, tendo como principal objectivo a criação de empregos e de rendimentos para as pessoas envolvidas. Em Moçambique este sector é caracteririzado como um leque de actividades não registadas pelas entidades estatais responsáveis por tal, composta por pequenas empresas, com principal intuito o sustento familiar.
O mercado informal tem sido a alternativa de muitos jovens moçambicanos tanto os não escolarizados como os formados na busca de seus anseios. Este sector actualmente engloba maior parte de trabalhadores do sexo feminino, ou seja, mulheres, com maior incidência nas zonas rurais como aponta INE (2005).
Mesmo com inúmeros desafios tais como a insegurança do mercado, o preconceito, a desconfiança tanto dos agentes estatais como da população, elevadas tarifas alfandegárias, várias são as mulheres que se colocam as ruas para vender produtos alimentares, de beleza, calcados, roupa de calamidade entre outros, buscando o seu sustento e o de suas famílias, demostrando assim a sua força e luta constante na autoafirmação de seus direitos e valores.
Um dos exemplos concretos da batalha pela sobrevivência e afirmação dos valores e direitos da mulher assenta na firmação da popular actividade “mukhero”, que é caracterizada por ser praticada maioritariamente por mulheres, na qual deslocam-se a determinado ponto nacional ou estrageiro (maioritariamente) com maiores facilidades, em termos de preços, ou seja, mercados onde os preços praticados são relativamente baixos comparados aos do nosso País e vêm revender no mercado nacional. Porém, essa actividade não é tão fácil como parece.
No seu livro sobre o “tempo da juventude”, Alcinda Honwana, elucida alguns desafios e riscos enfrentados nesta actividade. Dentre os mais destacados, estão as elevadas tarifas alfandegárias, que acabam influenciando negativamente nos lucros destas. Não menos importante, faz com que muitas mulheres optem por mecanismos não adequados como fuga ao fisco.
O Mukhero tem sido uma das principais fontes de provisão de alimentos, educação e saúde de muitas famílias em Moçambique, principalmente na Zona sul de Moçambique. E, em geral, o mercado informal é um sector que muito contribui para o alívio da pobreza das famílias moçambicanas.
Vários são os médicos, professores, enfermeiros, advogados, mecânicos entre outros que se formaram à custa do trabalho e esforço dos trabalhadores informais, “de uma Mãe que vendeu quase a vida inteira tomate no mercado de Maquinino para formar o seu filho”. Por isso, torna-se importante valorizar e proteger esse sector, criando segurança social para esses trabalhadores de forma a reduzir a sua vulnerabilidade; adoptando e implementando políticas eficientes, eficazes e sustentáveis; investindo nas infraestruturas como mercados entre outros.
É necessário valorizar a contribuição das mulheres neste sector pois a sua inserção nas actividades económicas torna a sociedade mais equilibrada e justa. Não menos importante, como aponta o historiador Jorge Jairoce, em sua obra sobre a Mulher e o comércio informal transfronteiriço, a mulher no mercado informal proporciona um impacto directo e positivo nas relações de género, uma vez que a mulher passa a gozar da intervenção económica e social na família. Ela deixa de ser representada como mulher doméstica e submissa ao homem, no contexto da cultura patrilinear, e passa a ter voz na resolução dos problemas da família e da comunidade.
Uma comunidade onde a mulher é sujeito activo tanto na vida social como na vida económica, essa comunidade torna-se abençoada e próspera.
Deixe um comentário