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abr 16 2026

AUTOSSUSTENTABILIDADE: A GESTÃO DAS INICIATIVAS LOCAIS

Por: Pe. Sérgio M. Vilanculo

No número anterior, apresentamos a iniciativa uma comunidade, uma machamba. Conforme sublinhamos é uma iniciativa que muito tem ajudado algumas das nossas comunidades rurais ou peri-rurais. Contudo, estas iniciativas locais têm enfrentado um grande problema, sobretudo no que concerne a gestão: Quem deve gerir? Como guardar o dinheiro? Em que aplicar? Como justificar ou prestar contas? Estas e outras perguntas não se calam e que, por vezes, podem gerar conflitos nas comunidades.

Como sanar esta preocupação?

A primeira coisa a fazer é perceber que as nossas comunidades rurais são constituídas, muitas das vezes, por gente muito simples, gente que está habituada a uma economia doméstica muito simples: produziu, consumiu. Os que chegam a vender, por vezes, tudo vendem sem um mínimo de stock para eventuais situações e, chegado o tempo da fome, compram os mesmos produtos a um preço muito superior ao que tinham vendido. Por outra, a maioria parece não estar preparada para o associativismo ou cooperativismo. Por isso muitos que levam a cabo tais iniciativas, sejam eles anciãos ou animadores, chegados a época das campanhas, enfrentam sérios problemas.

A segunda coisa a fazer é munir as comunidades de uma educação económica sustentável e os líderes de uma gestão inclusiva. A educação económica sustentável tem de ser guiada por alguns princípios: a busca pelo bem comum, o sentido de pertença à comunidade ou ao grupo, incentivos de trabalho, etc. A gestão inclusiva dos líderes exige, por sua vez, uma visão estratégica, o envolvimento da comunidade na escolha de prioridades e tomada de decisões que visam a aplicação dos bens alocados.

A terceira coisa a fazer é a prestação de contas. Este aspecto tem sido um grande “calcanhar de Aquiles” da gestão nas nossas comunidades locais. Muitas vezes ouvimos, fulano ou sicrano “comeu ou está a comer o nosso dinheiro”. O facto de ter ciente que o dinheiro e os bens pertencem à comunidade é já um grande passo na autossustentabilidade pois todos são chamados a prover à mesma do necessário. Mas isto exige que os detentores dos bens façam a devida prestação de contas, justificando o uso do dinheiro e, sempre que possível, documentado e não usem os bens comuns como bens próprios.

Uma boa gestão inspira as pessoas, cria um ambiente saudável de colaboração e se foca em soluções, busca oportunidades e crescimento da comunidade, transforma desafios em oportunidades e faz com que as pessoas se sintam capazes de realizar coisas grandiosas.

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