A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), reunida de 14 a 21 de Abril de 2026, no Seminário Filosófico de Santo Agostinho da Matola, dirigiu-se às comunidades cristãs e a todos os cidadãos de boa vontade. Saudando-os na alegria pascal, os Bispos reafirmaram a fé na presença transformadora de Cristo Ressuscitado na nossa vida quotidiana.
Comunhão com o Santo Padre e Transições Eclesiais
A Assembleia, presidida pelo Arcebispo de Nampula, expressou profunda comunhão com o Papa Francisco, destacando o seu apelo à construção da paz e à denúncia da corrupção. Entre as principais notícias da vida da Igreja, destacam-se:
– A criação da nova Diocese de Caia.
– A renúncia, por motivos de saúde, do Arcebispo da Beira, D. Claudio Dalla Zuanna, a quem foi prestada homenagem pelo seu serviço pastoral e contributo académico.
– A eleição de D. António Juliasse como novo Magno Chanceler da Universidade Católica de Moçambique (UCM).
Análise da Situação Sócio-Política e Desafios Nacionais
Os Bispos analisaram com preocupação a realidade do País, apontando feridas abertas que exigem atenção urgente:
Conflito em Cabo Delgado:A persistência da violência e o drama dos deslocados.
Crise Social:A pobreza crescente, a degradação dos serviços de saúde, a falta de medicamentos e as más condições das estradas.
Educação e Juventude:O desânimo dos jovens perante a falta de perspectivas e a necessidade de habitação.
Responsabilidade Cívica:O alerta contra a manipulação política, apelando ao compromisso com o bem-comum e à reconciliação nacional.
Pastoral, Formação e Protecção de Menores
A CEM reflectiu sobre a vitalidade das comunidades e a formação dos futuros sacerdotes, destacando o elevado número de seminaristas — um sinal de esperança que exige maior sustentabilidade económica das paróquias. Foi também reafirmado o compromisso rigoroso com a protecção de menores, através da implementação de directrizes e formações específicas contra abusos.
Quanto aos eventos, a visita do Cardeal Pietro Parolin foi considerada um marco para o diálogo nacional, e confirmou-se que a próxima Jornada Nacional da Juventude terá lugar na Beira, em 2028.
Próximos Passos: Fé e Compromisso Social
Foi aprovada a revisão dos Estatutos da CEM e definido o tema da IX Semana Nacional de Fé e Compromisso Social: “Dialogar para reconciliar o povo moçambicano”.
Os Bispos concluem o comunicado com um apelo à esperança activa, exortando todos os moçambicanos a serem construtores de uma sociedade mais justa e solidária.
Perfil: D. António Juliasse Ferreira Sandramo
Novo Magno Chanceler da UCM
Nomeado pela Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) durante a sua 132.ª Assembleia Plenária, D. António Juliasse Ferreira Sandramo assume agora a elevada missão de Magno Chanceler da Universidade Católica de Moçambique (UCM). Sucede a D. Claudio Dalla Zuanna, num momento de particular importância para a consolidação académica e espiritual da instituição.
Percurso Académico e Científico
António Juliasse possui um sólido currículo académico, marcado pela interdisciplinaridade entre a Fé e a Razão:
– Teologia: Licenciado pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
– Antropologia: Licenciado pela Universidade Nova de Lisboa (FCSH).
– Estudos Africanos: Mestre pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde desenvolveu investigação sobre práticas sócio-culturais em Moçambique.
– Experiência Docente: Antes da sua elevação ao episcopado, foi docente de Antropologia na própria UCM, conhecendo profundamente a realidade da instituição que agora dirige como Chanceler.
Caminho Pastoral
Natural de Soalpo, na Província de Manica, nasceu a 20 de Março de 1968. Foi ordenado sacerdote em 1998, tendo servido na Diocese de Chimoio em diversas funções paroquiais e de coordenação.
– Em 2018, foi nomeado pelo Papa Francisco como Bispo Auxiliar de Maputo.
– Em 2022, assumiu a titularidade da Diocese de Pemba, em Cabo Delgado, onde se tem destacado pela sua voz profética na defesa das populações vítimas do terrorismo e na assistência humanitária aos deslocados.
Missão na UCM
Como Magno Chanceler, D. António Juliasse terá a responsabilidade de velar pela identidade católica da Universidade, garantindo que o ensino superior continue a ser um instrumento de protecção da dignidade humana e de promoção da paz social. A sua vasta experiência em contextos de crise e a sua preparação intelectual fazem dele uma figura chave para guiar a UCM nos desafios educativos e sociais que Moçambique enfrenta.
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