logo

ago 05 2026

Dom Osório Citora Afonso: um Evangelho vivido ao serviço da Igreja

Por: Kant de Voronha Há vidas que não precisam de longos discursos para serem compreendidas. Basta contemplar o caminho que percorreram, as pessoas que tocaram e a esperança que semearam. Assim foi a vida de Dom Osório Citora Afonso. O seu ministério episcopal não pode ser reduzido aos anos em que governou a Diocese de Quelimane, nem à dor provocada pela sua morte. A sua verdadeira grandeza encontra-se na forma como viveu o Evangelho e fez da sua vida uma escola permanente de comunhão, catequese e missão. A Igreja em Moçambique despede-se de um dos seus pastores, mas não perde o testemunho de um discípulo que acreditava profundamente que a evangelização continua a ser a primeira missão da Igreja. Dom Osório compreendia que uma comunidade só cresce verdadeiramente quando cresce na fé. Por isso, dedicou grande parte do seu ministério à formação dos cristãos, ao fortalecimento das comunidades e à valorização da catequese como fundamento da vida eclesial.   Num tempo em que tantas pessoas procuram respostas rápidas para os problemas da humanidade, Dom Osório recordava-nos que a resposta mais profunda continua a ser Jesus Cristo. Era esta convicção que orientava a sua acção pastoral. Não procurava apenas organizar estruturas ou administrar instituições. Procurava formar discípulos. Sabia que uma Igreja forte não é aquela que possui muitos edifícios ou grandes recursos materiais, mas aquela que possui cristãos bem formados, conscientes da sua fé e comprometidos com a missão. Talvez por isso a palavra “catequese” ocupasse um lugar tão especial no seu coração. Para Dom Osório, a catequese nunca foi apenas um período de preparação para receber sacramentos. Era um verdadeiro caminho de encontro com Cristo, capaz de transformar a vida das pessoas e renovar as comunidades. Catequizar significava educar para a fé, formar consciências, despertar vocações, fortalecer famílias e construir uma sociedade iluminada pelos valores do Evangelho.   Num mundo onde muitos baptizados conhecem pouco a riqueza da própria fé, o seu testemunho desafia-nos a devolver à catequese o lugar central que sempre ocupou na vida da Igreja. Uma comunidade que descuida a formação cristã corre o risco de possuir muitos fiéis, mas poucos discípulos. A evangelização começa precisamente quando o coração se deixa educar pela Palavra de Deus. Outro traço marcante do seu ministério foi a convicção de que a Igreja deve caminhar unida. Muito antes de a sinodalidade se tornar um dos grandes temas da vida eclesial contemporânea, Dom Osório já procurava viver este estilo de Igreja. Gostava de escutar. Valorizava o diálogo. Incentivava a participação dos leigos, dos religiosos, dos catequistas, dos jovens e das famílias na construção das comunidades. Compreendia que a Igreja não pertence apenas aos seus pastores, mas a todo o Povo de Deus, onde cada baptizado possui uma missão insubstituível. A sinodalidade não é apenas um método de organização pastoral. É uma espiritualidade. É aprender a caminhar juntos, a discernir juntos e a procurar juntos a vontade de Deus. Num tempo marcado por divisões, conflitos e individualismos, esta forma de viver a Igreja torna-se um verdadeiro sinal profético. Dom Osório acreditava que ninguém evangeliza sozinho. A missão pertence a toda a Igreja. Também a missão ocupava um lugar privilegiado na sua visão pastoral. Nunca concebia uma Igreja fechada sobre si mesma. A Igreja existe para anunciar Cristo. Existe para sair ao encontro das pessoas, sobretudo das mais pobres, das mais esquecidas e das mais afastadas da fé. Uma comunidade que deixa de evangelizar começa lentamente a perder a sua identidade. O Evangelho não foi dado para permanecer fechado nas sacristias, mas para ser anunciado em cada família, em cada escola, em cada hospital, em cada prisão, em cada aldeia e em cada cidade. É precisamente esta dimensão missionária que continua a desafiar a Igreja em Moçambique. Ainda existem muitas periferias humanas que esperam pela presença consoladora de Cristo. Ainda existem jovens à procura de sentido para a vida, famílias marcadas pelo sofrimento, crianças necessitadas de formação cristã e comunidades sedentas da Palavra de Deus. O maior tributo que podemos prestar à memória de Dom Osório será continuar esta missão com renovado entusiasmo. A morte violenta de Dom Osório Citora Afonso, ocorrida no Paço Episcopal de Quelimane, no dia 6 de Junho de 2026, provocou profunda consternação na Igreja e na sociedade. As circunstâncias deste acontecimento permanecem entregues ao trabalho das autoridades competentes. Contudo, para os cristãos, permanece uma certeza maior do que qualquer acto de violência: a vida daquele que serve fielmente Cristo não termina com a morte. O testemunho continua vivo nas comunidades que edificou, nas vocações que incentivou, nos catequistas que formou e nos fiéis que ajudou a aproximar-se de Deus. As novas gerações necessitam de conhecer testemunhos como o de Dom Osório. Vivemos numa época em que abundam influenciadores digitais, mas escasseiam verdadeiras referências espirituais. A juventude precisa de homens e mulheres que mostrem, pela própria vida, que a santidade continua a ser possível. Dom Osório ensinou precisamente isso. A santidade constrói-se na fidelidade quotidiana, na simplicidade do serviço, na escuta da Palavra de Deus e no amor incondicional pela Igreja. O seu legado não pode permanecer apenas na memória afectiva daqueles que o conheceram. Deve transformar-se num compromisso pastoral. Cada catequista que prepara uma criança para encontrar Cristo, cada sacerdote que anuncia o Evangelho com dedicação, cada religioso que serve os pobres, cada jovem que responde generosamente à vocação e cada família que educa os seus filhos na fé prolonga a missão que Dom Osório abraçou com tanto amor. A Igreja em Moçambique possui hoje a responsabilidade de preservar esta herança espiritual. Não através de monumentos ou homenagens ocasionais, mas vivendo aquilo que ele acreditava: uma Igreja verdadeiramente sinodal, onde todos caminham juntos; uma Igreja profundamente catequética, onde a fé é constantemente formada; e uma Igreja essencialmente missionária, que nunca se cansa de anunciar Jesus Cristo. No Evangelho, Jesus afirma que a árvore conhece-se pelos seus frutos. Os frutos deixados por Dom Osório Citora Afonso permanecem vivos na fé de tantas comunidades, no entusiasmo de muitos catequistas, na

jul 13 2026

MAGNIFICA HUMANITAS: A Tecnologia ao Serviço da Pessoa

Pe Cantífula de Castro Entre Babel e Jerusalém: uma escolha para o nosso tempo Vivemos numa época marcada por mudanças rápidas. A inteligência artificial, a robótica e as tecnologias digitais estão a transformar a forma como trabalhamos, comunicamos, aprendemos e até tomamos decisões. Diante desta nova realidade, o Papa Leão XIV oferece à Igreja e ao mundo uma importante reflexão através da Encíclica Magnifica Humanitas. O documento parte de uma pergunta simples, mas profunda: como garantir que o progresso tecnológico continue ao serviço da pessoa humana? Para responder, o Papa recorre a duas imagens bíblicas. A primeira é a Torre de Babel, símbolo da pretensão humana de construir um mundo sem Deus, baseado apenas no poder, no controlo e na autossuficiência. A segunda é Jerusalém, a cidade reconstruída pelo povo de Deus através da cooperação, da solidariedade e da confiança no Senhor. Segundo Leão XIV, também hoje a humanidade está diante desta escolha. Podemos utilizar a tecnologia para aumentar desigualdades, concentrar poder e transformar as pessoas em simples números. Ou podemos colocá-la ao serviço da fraternidade, da justiça e do bem comum. O Papa reconhece que a tecnologia é um dom da inteligência humana e tem contribuído para melhorar a vida de milhões de pessoas. Contudo, alerta que nenhuma tecnologia é totalmente neutra. Por detrás dos algoritmos, das plataformas digitais e dos sistemas de inteligência artificial existem interesses, escolhas e valores que influenciam a sociedade.   A dignidade humana vale mais do que qualquer algoritmo No coração da Encíclica está uma verdade fundamental da fé cristã: cada pessoa humana foi criada à imagem e semelhança de Deus. Por isso, o valor de uma pessoa não depende da sua riqueza, da sua produtividade, da sua popularidade nas redes sociais ou da sua capacidade de competir no mercado. Cada ser humano possui uma dignidade que ninguém lhe pode retirar, porque essa dignidade é um dom de Deus. O Papa manifesta preocupação perante certas mentalidades contemporâneas que avaliam as pessoas apenas pelos resultados que produzem. Quando isso acontece, corre-se o risco de transformar homens e mulheres em instrumentos ao serviço da economia, da tecnologia ou dos interesses de grupos poderosos. A Encíclica recorda que os direitos humanos nascem precisamente desta dignidade fundamental. Cada pessoa merece respeito, protecção e oportunidades para desenvolver plenamente os seus talentos. Neste contexto, Leão XIV convida os cristãos a olharem para as novas tecnologias com discernimento. A inteligência artificial pode ajudar na medicina, na educação, na investigação científica e em muitos outros sectores. Contudo, nunca poderá substituir aquilo que torna o ser humano verdadeiramente humano: a capacidade de amar, de criar relações, de exercer a liberdade, de procurar a verdade e de abrir-se à transcendência. A verdadeira grandeza do homem não está em tornar-se uma máquina perfeita, mas em viver a sua vocação de filho de Deus e irmão de todos.   Construir uma civilização do amor na era digital A parte final da Encíclica apresenta um forte apelo à responsabilidade de todos. O Papa chama a atenção para problemas que afectam a sociedade actual, como a manipulação da informação, a propagação de notícias falsas, a polarização social, o desemprego tecnológico e a crescente precariedade do trabalho. Diante destes desafios, propõe uma utilização ética das tecnologias e uma educação capaz de formar consciências críticas e responsáveis. Leão XIV insiste que a economia deve servir a pessoa humana e não o contrário. O trabalho continua a ser um elemento essencial da dignidade humana e não pode ser reduzido a uma simples questão de eficiência ou lucro. Ao mesmo tempo, o Papa convida os cristãos a promover uma verdadeira cultura do encontro, baseada no diálogo, na escuta e na solidariedade. Num mundo marcado por guerras, desigualdades e novas formas de exclusão, a resposta da Igreja não é o medo da tecnologia nem a rejeição do progresso, mas a sua orientação para o bem comum. A mensagem central da Magnifica Humanitas pode resumir-se numa frase simples: a tecnologia deve servir a pessoa e nunca substituir a pessoa. Para Leão XIV, o futuro será verdadeiramente humano apenas se for construído sobre os valores do Evangelho. O progresso autêntico nasce quando a inteligência caminha juntamente com a sabedoria, quando a inovação respeita a dignidade humana e quando o coração permanece aberto a Deus e aos irmãos. É este o desafio que a Encíclica deixa aos cristãos e a todas as pessoas de boa vontade: construir, mesmo na era digital, uma autêntica civilização do amor.

jul 09 2026

BISPOS DE MOÇAMBIQUE EXIGE ESCLARECIMENTO TOTAL DO ASSASSINATO DE DOM OSÓRIO CITORA AFONSO

Após regressarem do Vaticano, onde foram recebidos em audiência pelo Santo Padre, Papa Leão XIV, e lhe transmitiram a preocupação da Igreja em Moçambique relativamente ao assassinato do Bispo de Quelimane, os arcebispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) realizaram uma conferência de imprensa esta quinta-feira (09/07), na qual defenderam que a verdade sobre o crime deve ser plenamente esclarecida. O Arcebispo de Maputo e Vice-Presidente da CEM, Dom João Carlos, afirmou que a formação sacerdotal tem como fundamento a Bíblia e os valores cristãos, rejeitando qualquer associação da Igreja a actos de violência. Segundo o prelado, a morte de Dom Osório Citora Afonso constitui uma profunda preocupação para a Igreja, sobretudo por ter ocorrido na sua própria residência, um espaço considerado seguro. Por sua vez, o Arcebispo de Nampula e presidente da CEM, Dom Inácio Saure, reforçou o apelo para que o caso seja tratado com total transparência. A CEM garantiu ainda que continuará a colaborar com as autoridades na investigação do crime e apelou aos órgãos de comunicação social para que façam uma cobertura responsável, baseada em factos e isenta de manipulação da opinião pública. Os bispos prestaram estas declarações durante uma conferência de imprensa realizada à chegada de Roma, onde participaram numa audiência com o Santo Padre, Papa Leão XIV.

jul 06 2026

Sabias que?: Missionários e Agentes de pastorais mortos em 2025

O assassinato de Dom Osório leva-nos a reflectir os diferentes casos de assassinatos no mundo. Segundo dados verificados pela Agência Fides, 17 missionários foram assassinados em todo o mundo em 2025, entre sacerdotes, religiosas, seminaristas e leigos.   A repartição por continente mostra que o maior número de agentes pastorais mortos em 2025 ocorreu em África, onde dez missionários (seis padres, dois seminaristas e dois catequistas) foram assassinados. Quatro missionários foram mortos nas Américas (dois padres e duas freiras) e dois na Ásia (um padre e um leigo). Um padre foi morto na Europa.   Nos últimos anos, África e América alternaram-se no topo desta trágica classificação.   Em detalhe: África (10): – Cinco perderam a vida na Nigéria, – Dois no Burkina Faso, – Um na Serra Leoa – Um no Quénia e um no Sudão.   América (4) – 2 Freiras – Haiti, – 1 Padre – México – 1 Padre de origem indiana nos Estados Unidos.   Ásia (2) – 1 Padre – Mianmar – 1 Padre – Filipinas.   Europa – 1 Padre – Polónia. Agencia Fides

jun 23 2026

Leão XIV: Um Ano de Pontificado ao Serviço da Paz, da Justiça e da Esperança

Por: Pe. Cantífula de Castro Ao completar o seu primeiro ano de pontificado (a 08 de Maio), o Papa Leão XIV começa a consolidar uma identidade pastoral marcada pela proximidade humana, pela defesa da dignidade dos povos e pela insistência numa Igreja socialmente comprometida com as dores do mundo contemporâneo. Num cenário internacional atravessado por guerras, crises económicas, deslocamentos humanos, tensões culturais e crescente fragilidade moral, o novo Papa tem procurado reafirmar a missão da Igreja Católica como presença espiritual, mas também como consciência ética da humanidade. O centro da acção pastoral Desde o início do seu ministério petrino, Leão XIV escolheu colocar a paz no centro da sua acção pastoral. A expressão “paz desarmada e desarmante”, repetida em diversos discursos, tornou-se uma síntese do seu pensamento sociopastoral. Para o Papa, a paz não pode ser reduzida à ausência de conflitos militares. Ela nasce da justiça, da inclusão social, do respeito pela dignidade humana e da capacidade de diálogo entre povos e culturas. Neste primeiro ano, o pontífice demonstrou uma atenção particular às populações vulneráveis. Os seus pronunciamentos sobre os migrantes, os refugiados, as vítimas da guerra e os pobres revelam uma clara continuidade com a Doutrina Social da Igreja. Contudo, Leão XIV tem procurado dar um tom próprio ao seu magistério: menos centrado apenas na denúncia e mais orientado para a reconstrução moral das sociedades. Em várias intervenções, alertou para aquilo que considera ser uma das grandes crises do século XXI: a perda do sentido comunitário. Segundo o Papa, o individualismo económico, a cultura do descarte e a indiferença social estão a destruir lentamente os vínculos humanos e espirituais que sustentam a convivência pacífica entre os povos. Por isso, insiste frequentemente numa “pastoral da proximidade”, capaz de colocar a Igreja junto das feridas concretas da humanidade. Abandono da lógica da força O terrorismo, as guerras regionais e as tensões geopolíticas também ocuparam espaço significativo no seu pontificado. O Papa apelou repetidamente ao abandono da lógica da força e criticou a transformação da economia mundial numa estrutura frequentemente subordinada à indústria armamentista e aos interesses financeiros globais. Na sua perspectiva, não haverá paz verdadeira enquanto milhões de pessoas continuarem excluídas do acesso à alimentação, educação, saúde e trabalho digno. No campo pastoral, Leão XIV tem defendido uma Igreja menos burocrática e mais missionária. Tem incentivado os sacerdotes, religiosos e leigos a assumirem uma presença activa nas periferias sociais e existenciais. A evangelização, segundo o Papa, não deve limitar-se aos espaços litúrgicos tradicionais; deve alcançar os ambientes de sofrimento humano, exclusão social e crise moral. Juventude e diálogo inter-religioso A juventude também ocupa um lugar importante na sua visão pastoral. O Papa considera os jovens não apenas destinatários da missão evangelizadora, mas protagonistas da transformação social e espiritual do mundo contemporâneo. Em várias ocasiões, apelou à formação ética, intelectual e espiritual das novas gerações, alertando para os perigos da manipulação digital, da cultura da superficialidade e da perda de referências humanas sólidas. Outro aspecto relevante do seu primeiro ano de pontificado foi a defesa constante do diálogo inter-religioso. Leão XIV entende que a religião não pode servir de instrumento de divisão ou violência. Pelo contrário, acredita que as tradições religiosas possuem uma responsabilidade histórica na promoção da reconciliação, da solidariedade e da fraternidade universal. No fundo, o primeiro ano do Papa Leão XIV revela um pontificado profundamente sociopastoral. A sua proposta não é apenas espiritual no sentido estritamente religioso, mas também ética, humana e civilizacional. O Papa procura recordar ao mundo que a fé cristã não pode permanecer indiferente diante da pobreza, da injustiça, da violência e da exclusão. Num tempo marcado pela instabilidade global, Leão XIV apresenta-se como uma voz que insiste na esperança, na responsabilidade colectiva e na necessidade de reconstruir os fundamentos humanos da convivência social. O seu pontificado ainda está no início, mas já demonstra uma clara intenção de colocar a Igreja ao lado dos que sofrem e de reafirmar o Evangelho como caminho de paz, justiça e dignidade para todos os povos.

HOMENAGENS DESTACAM LEGADO DE FÉ, PAZ E SERVIÇO DE DOM OSÓRIO CITORA

Mensagens de familiares, Missionários da Consolata, comunidade cristã e autoridades marcaram a celebração de despedida de Dom Osório Citora Afonso, realizada este sábado na Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, em Nampula. Em nome da família, foi recordado o percurso de vida de Dom Osório como um homem de fé, simplicidade, humildade e dedicação ao povo de Deus. Os familiares afirmaram que a sua partida deixa uma dor profunda, mas também um legado de paz, esperança e serviço que continuará vivo entre aqueles que com ele conviveram. Os Missionários da Consolata destacaram Dom Osório como um missionário alegre, próximo das comunidades e profundamente apaixonado pela Palavra de Deus. Recordaram igualmente o seu compromisso com a reconciliação, a paz e a missão evangelizadora, valores que marcaram toda a sua vida sacerdotal e episcopal. Por sua vez, o Governo da Província de Nampula considerou Dom Osório um património de todo o povo moçambicano, sublinhando que o seu testemunho de amor ao próximo, humildade e serviço permanecerá vivo na memória da Igreja e da sociedade. As homenagens convergiram numa mesma mensagem: a vida de Dom Osório foi interrompida pela violência, mas o seu legado continuará a inspirar gerações.

“NÃO BASTA ESCLARECER O CASO DOM OSÓRIO, É PRECISO COMBATER A VIOLÊNCIA PELA RAIZ”

A celebração de despedida de Dom Osório Citora Afonso, realizada este sábado na Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, em Nampula, ficou marcada por um forte apelo à paz e ao respeito pela vida humana. Na homilia, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, classificou o assassinato do bispo de Quelimane como um acto bárbaro e afirmou que o caso se insere numa preocupante onda de violência que continua a atingir Moçambique. Perante milhares de fiéis e diversas autoridades, Dom Inácio recordou que os autores do crime apenas conseguiram matar o corpo de Dom Osório, mas não poderão apagar o seu testemunho de fé, missão e serviço. O prelado destacou ainda que a morte do bispo deve servir de reflexão para toda a sociedade, defendendo que não basta esclarecer apenas este caso, mas que é necessário combater as causas profundas da violência e da cultura da morte no país. O Arcebispo de Nampula apresentou Dom Osório como um pastor fiel ao Evangelho, comprometido com a paz, a reconciliação e a promoção da dignidade humana. No final, apelou para que Moçambique ponha fim aos assassinatos de homens e mulheres de bem e transforme esta tragédia num ponto de viragem para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica.

maio 27 2026

PAPA LEÃO XIV ALERTA: “A HUMANIDADE CORRE O RISCO DE PERDER A SUA IDENTIDADE NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL”

A nova Carta Encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV, alerta para os desafios que a humanidade enfrenta na era da inteligência artificial e das novas tecnologias. No documento, o Santo Padre afirma que o progresso tecnológico deve estar ao serviço da dignidade humana e do bem comum, evitando que a sociedade construa uma “nova torre de Babel”, marcada pela desigualdade, pelo domínio do poder digital e pela perda dos valores humanos e espirituais. A Encíclica recorda que a técnica pode trazer benefícios importantes, mas também riscos de desumanização, exclusão social e manipulação da liberdade. O Papa destaca ainda que a Doutrina Social da Igreja continua actual diante das mudanças do mundo moderno. Inspirando-se no Evangelho e no ensinamento dos Papas anteriores, Leão XIV defende princípios como a solidariedade, a justiça social, o bem comum e a proteção da dignidade de cada pessoa. O texto chama atenção para os impactos da inteligência artificial no trabalho, na educação, na democracia e na comunicação, alertando para o perigo de uma cultura baseada apenas no lucro, na eficiência e no controlo tecnológico da vida humana. Clique aqui para ler o texto completo da “Magnifica humanitas” Na conclusão, Papa Leão XIV faz um apelo à humanidade para que escolha o caminho da fraternidade e da paz, construindo uma civilização do amor em vez de uma sociedade dominada pelo egoísmo e pela exclusão. O Pontífice incentiva cristãos e homens de boa vontade a trabalharem juntos na defesa dos pobres, dos migrantes, dos jovens e dos mais vulneráveis, colocando Deus no centro das escolhas humanas. Segundo o Papa, o verdadeiro progresso nasce de corações abertos ao diálogo, à verdade e à esperança.

maio 27 2026

SEM VERBA NÃO SE ANUNCIA O VERBO

Pe. Ananias Cambo Milissão O Padre Ananias Cambo Milissão, do clero diocesano de Tete, apresenta aos cristãos de Moçambique a sua obra intitulada: SEM VERBA NÃO SE ANUNCIA O VERBO: O dízimo como caminho para a auto-sustentabilidade da Igreja Católica em Moçambique. Segundo o autor, ainda que o tema do dízimo seja muito antigo, não está ultrapassado e permanece sempre novo e actual, sobretudo quando é notório nas comunidades cristãs a existência de muitos membros que ignoram, quer em parte, quer por completo, a sua importância para o bom funcionamento da própria comunidade cristã, e não se comprometem com a sua sustentabilidade, uma vez que, erroneamente, acreditam que a Igreja é rica. Com o lançamento da presente obra, Padre Ananias pretende, dentro das suas limitações, contribuir para uma maior consciencialização dos cristãos sobre o dízimo, visando a urgente e inadiável autonomia e independência financeira da Igreja local, apelando para o inconformismo e a insatisfação diante do status quo das comunidades cristãs em Moçambique que, podendo ser auto-sustentáveis, assumem como normal a permanente insustentabilidade e a dependência em relação às Igrejas estrangeiras. E para o alcance desse desiderato, propõe alguns caminhos, a saber: que as comunidades cristãs tenham uma nova consciência de si próprias (novus habitus mentis), assumindo o facto de que, enquanto Igreja local, não devem viver perpetuamente dependente da ajuda de Igrejas estrangeiras, sendo necessário, para o efeito, uma só coisa: mudança de mentalidade; a formação para a co-responsabilidade de todos os cristãos para com a sua Igreja, de modo que a Igreja dependa de cada cristão uma vez que cada cristão é a própria Igreja, e que assumam alegremente o seguinte ideal: sou dizimista porque eu sou a Igreja. Diante da desinformação que se verifica em relação ao dízimo, este livro surge como um importante instrumento de informação e de formação, não apenas para os agentes da pastoral do dízimo, mas para todos os cristãos.

maio 25 2026

Semana Laudato Si’ 2026: Da Esperança à Acção

Por Pe. Massimo Robol, mccj Data: 17 a 24 de Maio de 2026 Lema: “A esperança convida-nos a reconhecer que há sempre uma saída, podemos sempre mudar de rumo, podemos sempre fazer alguma coisa para resolver os problemas” (LS 61).   Todos os anos, a Igreja une-se para celebrar a Semana Laudato Si’. Este é um momento de oração, reflexão e acção concreta que comemora a publicação da Encíclica do Papa Francisco, em 2015. De 17 a 24 de Maio, os cristãos de todos os continentes são convidados a redobrar esforços para cuidar da nossa Casa Comum e abraçar a ecologia integral. Paróquias, escolas, movimentos e famílias são chamados a participar, lembrando que a conversão ecológica cresce passo a passo, através de relações renovadas e da promoção de comunidades fraternas. Em 2026, o convite é claro: passar da esperança à acção. A esperança não é um optimismo passivo; ela é vivida através de escolhas diárias e estilos de vida solidários.   Porque é fundamental participar? A interligação de tudo Ninguém pode permanecer indiferente ao destino da nossa “Mãe Terra”. Como nos recorda a Encíclica, “tudo está interligado” (LS 117). As questões sociais e ambientais caminham juntas. Além disso, a Laudato Si’ abre-nos ao diálogo com outras denominações cristãs e religiões: o cuidado da Criação é uma responsabilidade partilhada por toda a humanidade. Uma exigência de fé Para nós, crentes, o compromisso com a Criação é, antes de mais, uma exigência teológica. Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer com a desflorestação, a poluição e as alterações climáticas, cuidar da natureza torna-se uma questão de fidelidade ao Evangelho. A Igreja procura manter viva uma cultura de responsabilidade, oferecendo aquele “suplemento de esperança” que nos incita a construir um mundo mais justo e respeitador das suas criaturas. Acções concretas e coragem institucional A conversão ecológica não é algo abstracto. Vive-se no bairro, na paróquia e na família, mas exige também coragem institucional e o envolvimento da sociedade civil. É necessário apoiar decisões políticas que garantam um futuro de paz e protecção. Um exemplo actual é o apoio ao Tratado de Combustíveis Fósseis, defendido por Igrejas do Sul Global (incluindo África) e da Europa. O recente “Manifesto das Igrejas do Sul Global por nossa Casa Comum” propõe uma transição justa: a eliminação gradual e equitativa do carvão, petróleo e gás em favor de energias renováveis. O conhecimento e a divulgação destas propostas pelas comunidades cristãs já constitui, por si só, uma resposta colectiva para mitigar a crise climática. Conclusão Não deixe esta semana passar sem dar um passo. A Semana Laudato Si’ 2026 não consiste em fazer tudo, mas em fazer algo, juntos. O poder não está na perfeição, mas na participação consciente e solidária. O Que Podemos Fazer? – Agenda Laudato Si’ 2026 Para que a nossa esperança se transforme em acção concreta durante esta semana, a equipa da Vida Nova sugere alguns passos simples para a sua paróquia ou família: Oração em Comunidade:Realizar um momento de adoração ou o terço ao ar livre, agradecendo a Deus pelo dom da Criação e pedindo perdão pelas agressões à natureza. Plantio de Esperança:Organizar o plantio de árvores nativas ou a criação de uma horta comunitária na paróquia ou na escola, envolvendo as crianças da catequese. Combate ao Desperdício:Implementar a política dos “3 R’s”: Reduzir o consumo de plásticos, Reutilizar materiais e Reciclar o que for possível. Educação Ecológica:Promover uma palestra ou círculo de debate sobre o impacto das alterações climáticas em Moçambique e a importância da preservação das nossas florestas. Voz Profética:Partilhar o “Manifesto das Igrejas do Sul Global” com os líderes locais, incentivando políticas que protejam os mais pobres dos efeitos da poluição.  

Nossa Localização

© 2025 Revista Vida Nova – Propriedade do Centro Catequético de Anchilo. Todos os direitos reservados.