logo

Dialogo Nacional inclusivo: Reformas referentes à Governação

Por: Pe. António Bonato A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Igreja Católica oferece às comunidades cristãs e a todos os moçambicanos de boa vontade o subsidio “Cartilha Politica para o diálogo nacional inclusivo” como forma de se prepararem para participar ativamente do processo de Diálogo Nacional Inclusivo lançado oficialmente no dia 10 de Setembro em Maputo Reformas referentes à Governação Reformas do projecto de reconciliação e unidade nacional Depois da independência, era suposto Moçambique trilhar por um caminho de construção da unidade nacional e de busca de desenvolvimento. Mas, pelo contrário, tal caminho foi marcado por conflitos armados, eleitorais e pós-eleitorais, que foram criando feridas não cicatrizadas tanto no projecto da unidade nacional, como no coração dos moçambicanos, feridas que hoje precisam de ser encaradas com determinação para a sua reparação. Ao longo de todo este tempo, os governos e os partidos políticos têm tomado algumas iniciativas para restabelecer um clima de paz e de reconciliação no país. Neste ponto o debate gira em torno do caminho e das falhas da reconciliação e da construção da unidade nacional desde a independência, e contribui com algumas ideias concretas para que o Diálogo Nacional Inclusivo que vai acontecer dê os seus frutos. Que propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? Na VIIIª Semana Nacional de Fé e Compromisso Social, a Igreja chamou atenção a alguns passos que precisam de ser dados se queremos buscar a verdadeira reconciliação e a unidade nacional. Tais passos podem ser resumidos no seguinte: a) Construir uma memória colectiva baseada na verdade dos factos: precisamos de enfrentar o que aconteceu de facto, sem omissões, precisamos de reconhecer os erros do passado, pois só assim poderemos curar as feridas não cicatrizadas deste passado. b) Construir uma visão compartilhada (sonhar juntos o mesmo sonho): isso passa primeiro pelo exercício do perdão sincero. Todas as partes envolvidas no diálogo, perdoando-se entre si, precisam de desenvolver uma visão comum de um futuro bom. Por isso, é preciso buscar pontos comuns, trabalhando juntos, frente a frente, com escuta mútua, aberta e sem preconceitos. c) Construir relações de confiança: depois do enfrentamento da verdade e da aceitação mútua, segue a construção de relações de confiança, respeito e cooperação entre todas partes envolvidas, promovendo a reparação dos danos, a justiça restaurativa, a empatia e a identificação de estratégias de resolução de conflitos. d) Operar uma mudança cultural e de mentalidade: isto passa por uma mudança significativa e radical nas atitudes, nos comportamentos e na mentalidade, passando a valorizar o outro, a aceitar as diferenças como riqueza, a vencer os preconceitos e a promover uma cultura de diálogo e compreensão. Tal mudança há-de ser concretizada pela revisão das leis, pela inclusão, pela igualdade de todos perante tais leis, pela promoção da justiça social, pela garantia dos direitos humanos e pela criação de mecanismos funcionais e pacíficos de resolução de conflitos. e) Rever e monitorar a Comissão Técnica para o Diálogo: todas as propostas das alíneas anteriores poderão tornar-se possíveis se houver um trabalho sério por parte desta Comissão. Por isso, dizemos que a constituição desta Comissão é o primeiro passo para se prever o sucesso (ou fracasso) do processo. Por isso, esta Comissão precisa de se examinar constantemente, de se julgar, de ter a certeza de que está a agir pelo bem do país, pela reconciliação de todos moçambicanos, pela paz e pela unidade nacional. Daí que haja a necessidade de garantir a sinceridade, seriedade e honestidade de cada integrante, desde o nível nacional até ao nível das províncias, distritos e comunidades.(3-fim) BOX Princípios orientadores do diálogo nacional inclusivo a) Primazia do Estado de Direito Democrático; b) Respeito pelos direitos fundamentais, pela unidade nacional, inclusão e reconciliação efectiva entre os moçambicanos; c) Priorização do bem-estar, justiça social e transparência; d) Construção de consensos em torno das soluções a serem propostas; e) Interseccionalidade; f) Igualdade e equidade; g) Equilíbrio de género; h) Justiça e transparência; i) Liberdade; j) Participação; k) Publicidade; l) Não causar danos; m) Legalidade. Os valores deste diálogo são: a) Cultura de paz; b) Respeito pelo pluralismo e diversidade; c) Cidadania; d) Equilíbrio de género; e) Tolerância; f) Reconciliação; g) Honestidade.

mar 29 2026

𝗗𝗼𝗺 𝗜𝗻𝗮́𝗰𝗶𝗼 𝗦𝗮𝘂́𝗿𝗲 𝗱𝗲𝗻𝘂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘁𝗿𝗮́𝗳𝗶𝗰𝗼 𝗱𝗲 “𝘀𝗮𝗹” 𝗲 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗷𝘂𝘃𝗲𝗻𝘁𝘂𝗱𝗲 𝗲𝗺 𝗡𝗮𝗺𝗽𝘂𝗹𝗮

Na celebração do Domingo de Ramos, na Sé Catedral de Nampula, marcada por uma procissão bastante concorrida de fiéis que, com ramos nas mãos, entoavam “Hosana, Filho de David”, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, lançou uma forte denúncia contra os males que, segundo afirmou, estão a corroer a sociedade moçambicana, com destaque para a droga conhecida localmente por “sal”, associada à met*nfet*min*. Na homilia, Dom Inácio recordou que a liturgia deste dia une o triunfo e a glória de Cristo ao sofrimento e à humilhação da sua paixão, sublinhando que o verdadeiro discípulo é chamado a seguir o caminho de Jesus, que “doa a sua própria vida” pelos outros. O prelado apelou ainda à conversão sincera nesta recta final da Quaresma, advertindo que práticas exteriores como jejum, oração e peregrinação perdem sentido sem reconciliação interior com Deus e com os irmãos. Trazendo a reflexão para a realidade concreta de Nampula e de Moçambique, Dom Inácio Saúre condenou com firmeza os que promovem e lucram com a circulação do “sal”, afirmando que esta droga foi introduzida para “dizimar sobretudo os adolescentes e os jovens” e destruir a sociedade pela raiz. O Arcebispo classificou este fenómeno como uma “nova guerra silenciosa” contra o povo moçambicano e afirmou que quem persiste em vender esta substância “é verdadeiramente um anticristo”. Num tom profético, exortou os fiéis a não “lavarem as mãos como Pilatos” perante os males que ferem a sociedade, mas a assumirem a responsabilidade de agir em defesa da vida, da juventude e dos valores humanos e

Comissão Episcopal de Justiça e Paz: Reformas referentes à Governação

Cont. Dialogo Nacional inclusivo: o que é? A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Igreja Católica oferece às comunidades cristãs e a todos os moçambicanos de boa vontade o subsidio “Cartilha Politica para o diálogo nacional inclusivo” como forma de se prepararem para participar ativamente do processo de Diálogo Nacional Inclusivo lançado oficialmente no dia 10 de Setembro em Maputo. Reformas referentes à Governação 1. Reformas da política de exploração dos recursos naturais Em relação a questões de terra e recursos naturais, o nosso País tem um quadro legal muito vasto e progressista. Para além da Constituição, que diz que a terra é propriedade do Estado, a Lei de Terras, a Política Nacional de Terra, a Lei de Florestas e Fauna Bravia, a Lei do Ambiente, a Lei do Ordenamento do Território, a Lei de Conservação, a Lei de Minas e a Lei de Petróleos, além dos respectivos regulamentos. Todas estas legislações garantem ao cidadão moçambicano o usufruto dos recursos naturais sem prejuízo do ambiente e dos interesses superiores do Estado. Porém, o debate em curso, olha para os males que a exploração desses recursos está a causar sobretudo nas comunidades locais, e aponta para a reforma dos procedimentos legais com o intuito de garantir uma gestão sustentável desses recursos numa opção preferencial por essas comunidades locais. Que propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? Antes e acima de tudo, é preciso definir os recursos naturais (terra, florestas, pescado, petróleos, minérios e hidrocarbonetos) como recursos estratégicos cuja política deve ser estável (não mudar a cada governo) e a sua alteração deve ser por consenso na Assembleia da República. Em termos específicos, é preciso: a) Adiar ou descartar a exploração dos recursos naturais que não criem ligações económicas, fiscais e espaciais no país. b) Fortalecer instituições de regulação e fiscalização com mais autonomia e mais recursos humanos e materiais. c) Aprofundar a reforma fiscal para garantir maior progressividade e captura de valor, acabar com os incentivos fiscais. d) Criar mecanismos mais eficazes de redistribuição de receitas para as comunidades locais, através da resolução de problemas concretos de desenvolvimento local: água potável, vias de acesso, electricidade, etc. 2. Reformas na adopção de medidas de inclusão económica Inclusão económica é o processo que garante que todos os indivíduos e grupos, especialmente aqueles tradicionalmente excluídos, tenham acesso e participação equitativa nos benefícios económicos de uma sociedade. Isso envolve não apenas o acesso a recursos financeiros, mas também a oportunidades de geração de renda, emprego e participação em actividades económicas. Em Moçambique foram criadas algumas plataformas e projectos com vista a promover a inclusão económica e financeira. Porém, o debate em curso é desenvolvido no contexto da inclusão das mulheres e dos jovens, mostrando que as iniciativas já em curso têm os seus pontos benéficos, mas que ainda não são suficientes, pois os resultados são insignificantes. Ainda há há tantos moçambicanos excluídos. Que propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? a) Formar os jovens e as mulheres para a geração de renda e emprego: oferecer oportunidades para que as pessoas possam gerar renda de forma sustentável, oferecer apoio a todos os que estão no sector informal, amparando suas actividades produtivas. b) Permitir a participação equitativa no mercado de trabalho: sem barreiras nem discriminação, o que significa dar oportunidade a todos de forma meritória. c) Promover uma educação que capacita para o desenvolvimento de habilidades: formar para produzir e contribuir para a economia e o bem-estar de cada indivíduo, apostar na profissionalização dos jovens e das mulheres, e ajudar a criar condições de produção. d) Criar programas de auxílio financeiro e escolarização: sobretudo para as famílias em extrema pobreza. e) Incentivar o empreendedorismo: oferecendo apoio financeiro, técnico e de gestão para a expansão de negócios e oportunidades. f) Criar programas que oferecem treinamento e capacitação profissional: sobretudo para pessoas desempregadas ou com baixa qualificação. g) Acesso a crédito: Programas que facilitam o acesso a crédito para pessoas de baixa renda, permitindo que elas invistam em seus negócios ou em outras actividades económicas. (2. Cont.)   Por: Pe. António Bonato

fev 26 2026

A PALAVRA DE DEUS COMO FUNDAMENTO DA CATEQUESE

Por: Pe Cantífula de Castro A Palavra de Deus ocupa um lugar central na vida e missão da Igreja, constituindo a fonte primeira e insubstituível da catequese. A Bíblia assume um papel privilegiado na formação dos cristãos. Ela ilumina as situações concretas do povo, fortalece a esperança e orienta a acção pastoral diante dos desafios sociais, culturais e espirituais que marcam o País. A catequese bíblica não consiste apenas na leitura de textos sagrados, mas na capacidade de fazer ressoar a Palavra no coração da comunidade, tornando-a alimento espiritual, guia moral e inspiração para a vida quotidiana. O catequista é, por isso, chamado a conhecer, amar e meditar a Escritura, de modo a apresentá-la com fidelidade e sensibilidade. A Bíblia deve ser anunciada não como um conjunto de regras, mas como história viva da relação de Deus com o seu povo, marcada por misericórdia, libertação, justiça e salvação. No contexto moçambicano, onde coexistem elementos culturais como o respeito pelos antepassados, os ritos de iniciação, a vida comunitária, o valor da palavra falada e a busca constante de sentido, a Palavra de Deus encontra um terreno fértil para a inculturação. O catequista deve ajudar os fiéis a descobrir a presença de Deus na vida diária, relacionando a Escritura com as experiências concretas das famílias, da juventude, dos idosos e dos grupos vulneráveis. A aproximação bíblica deve ser pedagógica, simples, participativa e adaptada às diversas línguas e níveis de formação. A centralidade da Palavra na catequese implica também responsabilidade. É necessário evitar interpretações isoladas, moralistas ou manipuladas do texto bíblico, comuns em ambientes onde circulam discursos religiosos distorcidos ou desviados. A função do catequista é orientar para uma leitura correta, em comunhão com o magistério da Igreja e aberta à tradição cristã. Isso exige humildade e formação permanente, tanto teológica quanto pastoral. Além disso, é fundamental cultivar métodos que aproximem a comunidade da Bíblia: círculos bíblicos, lectio divina comunitária, dramatizações, cantos inspirados na Escritura, uso de histórias bíblicas nas línguas locais (como Emakhuwa, Sena, Ndau, Changana, entre outras), e a integração de elementos visuais e narrativos que respeitem a cultura local. Estes meios ajudam a tornar a Palavra compreensível, viva e transformadora. A Palavra de Deus, quando bem anunciada, transforma a catequese numa escola de fé e vida. Ela educa para o perdão, a paz e a reconciliação — valores essenciais para a história moçambicana; fortalece as famílias na vivência do amor e do respeito; inspira os jovens a construir projetos de vida responsáveis; e ilumina as comunidades na defesa da dignidade humana, da justiça social e da solidariedade. Assim, o catequista deve fazer da Bíblia o coração do seu ministério, permitindo que a Palavra transforme primeiro a sua própria vida e, por meio do seu testemunho, alcance e renove a comunidade. Uma catequese bíblica, profunda e inculturada, é caminho seguro para a maturidade da fé e o fortalecimento da Igreja em Moçambique.

Dom Teodoro Mendes Tavares é o novo Bispo de Diocese de Santiago de Cabo Verde

O Santo Padre, o Papa Leão XIV, acaba de nomear Dom Teodoro Mendes Tavares, Missionário Espiritano, como novo Bispo da Diocese de Santiago de Cabo Verde, sucedendo o Cardeal Dom Arlindo Gomes Furtado que apresentou a sua renúncia do governo pastoral da mesma diocese, atingido o limite de idade (75 anos) fixado pelo Código de Direito Canónico.Dom Teodoro, até agora Bispo da Diocese de Ponta de Pedras, no Estado do Pará, no Brasil, nasceu em 7 de janeiro de 1964, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde.Em 1984, aos vinte anos, ingressou na Congregação dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos), tendo feito sua profissão religiosa em 1986.Sua ordenação presbiteral aconteceu em 11 de junho de 1993 e, em novembro de 1994, foi enviado como missionário ao Brasil, para trabalhar na prelazia de Tefé, no Amazonas. O então padre Teodoro trabalhou por 16 anos nessa prelazia e, nesse período, exerceu inúmeras funções.O Papa Bento XVI o nomeou, em dia 16 de fevereiro de 2011, bispo auxiliar da arquidiocese de Belém do Pará. Foi ordenado bispo no dia 8 de maio de 2011 na Ilha de Santiago, por dom Alberto Taveira Corrêa. Em 10 de junho de 2015, o Papa Francisco, o nomeou bispo coadjutor de Ponta de Pedras, no Arquipélago do Marajó, no Pará. Em 23 de setembro de 2015, o Papa Francisco, o nomeou bispo diocesano de Ponta de Pedras.O Ecumenismo é uma área na qual dom Teodoro tem especialização.Em 1995, obteve o título de mestre em Ecumenismo pelo Trinity College, em Dublin.Foi bispo referencial para o Ecumenismo no regional Norte 2, professor de Ecumenismo e Diálogo inter-religioso, além de responsável pela Pastoral Ecuménica da arquidiocese de Belém e da Pastoral das Comunidades Ribeirinhas.A 3 de julho de 2025 o Papa Leão XIV nomeou-o membro do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso da Santa Sé. Dom Teodoro Também possui pós-graduação em Desenvolvimento, com especialização em Estudos Franceses Modernos.A tomada de posse do novo Bispo está prevista para o dia 3 de maio de 2026. Até lá o Cardeal Arlindo Gomes Furtado continuará a assegurar a governação pastoral da Diocese de Santiago de Cabo Verde na qualidade de Administrador Apostólico. (Fonte: Diocese de Santiago de Cabo Verde )

fev 03 2026

Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo bíblico

Introdução Fevereiro é, em Moçambique, o mês dos heróis porque a 3 do mesmo mês celebra-se o dia nacional dos “Heróis”, uma ocasião para reflectir sobre os feitos daqueles que se empenharam na luta pela independência do país e para honra-los pela sua dedicação na construção da nação moçambicana. Este facto serviu de pretexto para a escolha do nosso tema deste mês: “Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo”. O que é um herói? Na conceção secular tradicional, herói é uma pessoa de coragem excecional, integridade moral e capacidade de sacrifício, motivada por ideais meramente humanos, sociais ou éticos. No Novo Testamento, verdadeiro herói é aquele que, através da fé, obediência à vontade de Deus, humildade, serviço e sacrifício segue Jesus e está disposto a enfrentar perseguição por causa do Evangelho. Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo bíblico O modelo bíblico de heroísmo, por excelência, é Jesus Cristo. Ele é também a fonte do heroísmo bíblico pois de si provêm todas as graças para que o indivíduo tenha a perfeição (cf. Mt 5,58; Jo 14,6; Hb 5,8-9). O exemplo mais eloquente de heroísmo que Jesus deu é o seu sacrifício supremo na cruz por amor incondicional (cf. Jo 3,16; Mt 20,28; Hb 10,10), entregando livremente sua vida (cf. Jo 10,18) para expiação dos pecados da humanidade, demonstrando humildade (cf. Mt 11,29; Jo 13,5; Fl 2,6-8), obediência (Mt 26,39; Jo 6,38; Jo 8,29; Fl 2,8) e serviço (cf. Mt 20,26-27; Mc 10,45; Lc 22,27; Jo 13,14-15). Nisso, o heroísmo de Jesus está em forte contraste com a conceção secular tradicional de heroísmo que valoriza a força, o poder e a glória humana. “O discípulo não é superior ao mestre…” Se Jesus é modelo e fonte de heroísmo, todo seu discípulo é chamado a ser um “herói” no sentido de viver uma vida de fé, superação e impacto, seguindo o modelo do Mestre, porque “o discípulo não é superior ao mestre, mas todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre” (Mt 10,24). O estar com Jesus deve transformar radicalmente a pessoa e torna-la um agente de transformação, capaz de enfrentar desafios. Portanto, todo discípulo de Jesus é chamado a seguir o Mestre também no heroísmo, que se manifesta na renúncia total do próprio “eu” egocêntrico para se voltar a Deus, na tomada da própria cruz, isto é, aceitação das dificuldades, perseguições e sacrifícios que vêm com a fé cristã, e na obediência amorosa a Jesus, pondo em prática as suas obras com fé inabalável e serviço sacrificial (cf. Mt 16,24). Por isso, “Não temais” (Mt 10,26-33) Por isso, ao enviar os seus discípulos, Jesus os adverte de que as perseguições e incompreensões, que se traduzirão em sofrimento, gerando medo e angústia, são inevitáveis; entretanto, garante-lhes a contínua ajuda e protecção de Deus ao longo de todo o caminho, sinal da sua atenção e amor por eles; por isso, “não temais” (cf. Mt 10,26.28.31). Os discípulos de Jesus devem proclamar com coragem, com convicção, com coerência e com abertura, por palavras e por atitudes, evitando a cobardia e o comodismo, a mensagem libertadora do Mestre a fim de transformar o mundo, libertando a todos, homens e mulheres, de tudo aquilo que lhes rouba a vida e a felicidade: a opressão, o egoísmo, o sofrimento, o medo. O verdadeiro temor não deve ser de quem apenas pode matar o corpo, mas de Deus que pode destruir o corpo e a alma, fazendo perder a possibilidade de chegar à vida definitiva, um dom que Deus oferece àqueles que aceitaram pôr a própria vida ao serviço do Reino. Quem procura percorrer com fidelidade o caminho de Jesus não precisa viver angustiado pelo medo da morte pois Deus tem um cuidado especial por cada pessoa, como mostra a imagem dos passarinhos, insignificantes e indefesos, e a contagem dos cabelos. Há, portanto, que confiar absolutamente na solicitude, no cuidado e no amor de Deus e empenhar-se, sem medo, na missão. Conclusão Todo cristão é chamado a ser herói, isto é, à perfeição e à imitação de Cristo, onde a verdadeira bravura se manifesta na entrega total a Deus e ao próximo, sendo sal e luz do mundo, transformando-o com pequenas acções de bondade, justiça e coerência com o Evangelho, encontrando poder na fé para superar as limitações humanas e a própria morte.   (Por: Pe. Marcos Mubango)

jan 30 2026

IDENTIDADE E MISSÃO DO CATEQUISTA NA IGREJA

A identidade do catequista constitui o fundamento de toda a acção evangelizadora nas comunidades cristãs. O catequista é mais do que um simples transmissor de conteúdos doutrinais: é um servo da Palavra, testemunha de fé, educador da comunidade e ponte entre o Evangelho e a vida concreta do povo. A missão catequética ganha especial relevância num país que continua a enfrentar desafios sociais, económicos, culturais e pastorais, exigindo agentes de pastoral maduros, conscientes e comprometidos com a construção de uma sociedade reconciliada, fraterna e justa. Do ponto de vista eclesial, o catequista é chamado a participar activamente na missão evangelizadora da Igreja, iluminando com o Evangelho as realidades da vida quotidiana. Assim, a sua identidade articula-se em três dimensões essenciais: vocacional, ministerial e comunitária. A dimensão vocacional recorda que o catequista responde a um chamamento de Deus, discernido e confirmado pela comunidade cristã. A dimensão ministerial sublinha que o catequista exerce um serviço reconhecido, com responsabilidade específica na transmissão da fé. Já a dimensão comunitária reforça que o catequista não age isoladamente, mas inserido na vida da paróquia e da comunidade local, colaborando com outros ministérios. No contexto local, a missão do catequista inclui desafios particulares que exigem sensibilidade pastoral e competência humana. Entre eles destacam-se: a diversidade linguística que requer criatividade na comunicação; a necessidade de evangelizar respeitando as culturas e valores locais; a convivência com práticas tradicionais que pedem discernimento pastoral; a realidade de conflitos e deslocamentos que exige uma catequese promotora de paz, reconciliação e esperança; e a urgência de formar cristãos comprometidos com a transformação social, sobretudo nos ambientes de pobreza, violência doméstica, injustiça e exclusão. A missão do catequista inclui ainda o testemunho de vida. Mais do que “falar de Deus”, é chamado a “mostrar Deus” através das atitudes: humildade, serviço, diálogo, coerência moral, espírito comunitário e capacidade de amar sem distinções. A sua presença deve inspirar confiança, motivar a participação e fortalecer a fé dos catequizandos e das suas famílias. Para desempenhar bem esta missão, o catequista necessita de formação permanente — bíblica, doutrinal, litúrgica, pastoral e humana — permitindo-lhe acompanhar as rápidas transformações da sociedade e os novos desafios da evangelização. A catequese, para ser fecunda, deve integrar elementos da cultura moçambicana, promover a inculturação da fé e responder às realidades concretas da vida: educação dos jovens, fortalecimento das famílias, promoção da paz, cuidado da criação, ética do trabalho e compromisso comunitário. Assim, o catequista é chamado a ser testemunha, servidor e construtor de comunhão, assumindo com alegria e responsabilidade o mandato de Jesus: “Ide e fazei discípulos” (Mt 28,19). A Igreja conta com este ministério para fortalecer a fé, renovar as comunidades e promover a dignidade humana em todas as suas dimensões.

jan 27 2026

Dom Constantino propõe ‘diplomacia das águas’ para travar cheias na África Austral

O novo Bispo da Diocese de Caia, no centro de Moçambique, Dom António Constantino, manifestou gratidão pela confiança depositada na sua nomeação, reconhecendo ao mesmo tempo os grandes desafios da missão numa diocese rural, sem infraestruturas e com 12 distritos no Vale do Zambeze. Em entrevista à Vatican News, o prelado destacou que a criação da Diocese de Caia concretiza um antigo sonho dos primeiros missionários e permitirá uma maior proximidade dos pastores com o povo, fortalecendo a evangelização e o crescimento da Igreja moçambicana. No contexto das cheias que afectam Moçambique e toda a África Austral, Dom Constantino lançou um forte apelo à solidariedade nacional e internacional, sublinhando que as inundações não são um problema isolado de um só país, mas resultado de um sistema regional de águas que envolve países como África do Sul, Zâmbia e Malawi. Segundo o bispo, citado pela Vatican News, é urgente uma gestão conjunta das barragens e uma cooperação efectiva entre os países da região, através do que chamou de “diplomacia das águas”, para prevenir e mitigar os impactos cíclicos das cheias. O prelado reforçou ainda a necessidade de cuidar do meio ambiente e da “Casa comum”, lembrando que as mudanças climáticas afectam a todos. Na sua mensagem final, Dom Constantino deixou palavras de esperança às vítimas das cheias, exortando à partilha, à entreajuda e à rejeição de qualquer oportunismo. Conforme destacou à Vatican News, mesmo em tempos de sofrimento é preciso manter a esperança, dar a mão uns aos outros e garantir que a ajuda chegue a quem mais precisa.

jan 22 2026

Bispos apelam à solidariedade nacional face às cheias em Moçambique

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) divulgou esta quarta-feira uma mensagem de solidariedade com as vítimas das cheias e inundações que têm afectado várias regiões do país com especial gravidade nas zonas Centro e Sul. Assinada pelo presidente da CEM, D. Inácio Saure, a nota combina solidariedade pastoral, apelo à acção e um chamado à esperança cristã. Na mensagem, os bispos manifestam proximidade espiritual e solidariedade fraterna para com as famílias enlutadas, desalojadas e todas aquelas que viram comprometida a sua dignidade e futuro. Os bispos lembram a passagem do apóstolo Paulo: «Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram» (Rm 12,15), sublinhando que a palavra de Deus interpela a comunidade a não permanecer indiferente perante o sofrimento alheio. A CEM apela com «sentido de urgência» à mobilização conjunta de fiéis, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil, confissões religiosas e parceiros internacionais, a fim de garantir apoio imediato às populações afectadas e recursos para a recuperação e reconstrução das comunidades. A mensagem destaca igualmente o papel da Cáritas Moçambicana, presente com delegações em todas as dioceses, como uma estrutura já empenhada na assistência às populações. Para além da resposta imediata, os bispos renovam o apelo a um compromisso sério com a prevenção, protecção da vida e cuidado da casa comum, para que o país esteja cada vez mais preparado para enfrentar cheias semelhantes no futuro.

Nossa Localização

© 2025 Revista Vida Nova – Propriedade do Centro Catequético de Anchilo. Todos os direitos reservados.