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HOMENAGENS DESTACAM LEGADO DE FÉ, PAZ E SERVIÇO DE DOM OSÓRIO CITORA

Mensagens de familiares, Missionários da Consolata, comunidade cristã e autoridades marcaram a celebração de despedida de Dom Osório Citora Afonso, realizada este sábado na Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, em Nampula. Em nome da família, foi recordado o percurso de vida de Dom Osório como um homem de fé, simplicidade, humildade e dedicação ao povo de Deus. Os familiares afirmaram que a sua partida deixa uma dor profunda, mas também um legado de paz, esperança e serviço que continuará vivo entre aqueles que com ele conviveram. Os Missionários da Consolata destacaram Dom Osório como um missionário alegre, próximo das comunidades e profundamente apaixonado pela Palavra de Deus. Recordaram igualmente o seu compromisso com a reconciliação, a paz e a missão evangelizadora, valores que marcaram toda a sua vida sacerdotal e episcopal. Por sua vez, o Governo da Província de Nampula considerou Dom Osório um património de todo o povo moçambicano, sublinhando que o seu testemunho de amor ao próximo, humildade e serviço permanecerá vivo na memória da Igreja e da sociedade. As homenagens convergiram numa mesma mensagem: a vida de Dom Osório foi interrompida pela violência, mas o seu legado continuará a inspirar gerações.

“NÃO BASTA ESCLARECER O CASO DOM OSÓRIO, É PRECISO COMBATER A VIOLÊNCIA PELA RAIZ”

A celebração de despedida de Dom Osório Citora Afonso, realizada este sábado na Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, em Nampula, ficou marcada por um forte apelo à paz e ao respeito pela vida humana. Na homilia, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, classificou o assassinato do bispo de Quelimane como um acto bárbaro e afirmou que o caso se insere numa preocupante onda de violência que continua a atingir Moçambique. Perante milhares de fiéis e diversas autoridades, Dom Inácio recordou que os autores do crime apenas conseguiram matar o corpo de Dom Osório, mas não poderão apagar o seu testemunho de fé, missão e serviço. O prelado destacou ainda que a morte do bispo deve servir de reflexão para toda a sociedade, defendendo que não basta esclarecer apenas este caso, mas que é necessário combater as causas profundas da violência e da cultura da morte no país. O Arcebispo de Nampula apresentou Dom Osório como um pastor fiel ao Evangelho, comprometido com a paz, a reconciliação e a promoção da dignidade humana. No final, apelou para que Moçambique ponha fim aos assassinatos de homens e mulheres de bem e transforme esta tragédia num ponto de viragem para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica.

maio 27 2026

PAPA LEÃO XIV ALERTA: “A HUMANIDADE CORRE O RISCO DE PERDER A SUA IDENTIDADE NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL”

A nova Carta Encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV, alerta para os desafios que a humanidade enfrenta na era da inteligência artificial e das novas tecnologias. No documento, o Santo Padre afirma que o progresso tecnológico deve estar ao serviço da dignidade humana e do bem comum, evitando que a sociedade construa uma “nova torre de Babel”, marcada pela desigualdade, pelo domínio do poder digital e pela perda dos valores humanos e espirituais. A Encíclica recorda que a técnica pode trazer benefícios importantes, mas também riscos de desumanização, exclusão social e manipulação da liberdade. O Papa destaca ainda que a Doutrina Social da Igreja continua actual diante das mudanças do mundo moderno. Inspirando-se no Evangelho e no ensinamento dos Papas anteriores, Leão XIV defende princípios como a solidariedade, a justiça social, o bem comum e a proteção da dignidade de cada pessoa. O texto chama atenção para os impactos da inteligência artificial no trabalho, na educação, na democracia e na comunicação, alertando para o perigo de uma cultura baseada apenas no lucro, na eficiência e no controlo tecnológico da vida humana. Clique aqui para ler o texto completo da “Magnifica humanitas” Na conclusão, Papa Leão XIV faz um apelo à humanidade para que escolha o caminho da fraternidade e da paz, construindo uma civilização do amor em vez de uma sociedade dominada pelo egoísmo e pela exclusão. O Pontífice incentiva cristãos e homens de boa vontade a trabalharem juntos na defesa dos pobres, dos migrantes, dos jovens e dos mais vulneráveis, colocando Deus no centro das escolhas humanas. Segundo o Papa, o verdadeiro progresso nasce de corações abertos ao diálogo, à verdade e à esperança.

maio 27 2026

SEM VERBA NÃO SE ANUNCIA O VERBO

Pe. Ananias Cambo Milissão O Padre Ananias Cambo Milissão, do clero diocesano de Tete, apresenta aos cristãos de Moçambique a sua obra intitulada: SEM VERBA NÃO SE ANUNCIA O VERBO: O dízimo como caminho para a auto-sustentabilidade da Igreja Católica em Moçambique. Segundo o autor, ainda que o tema do dízimo seja muito antigo, não está ultrapassado e permanece sempre novo e actual, sobretudo quando é notório nas comunidades cristãs a existência de muitos membros que ignoram, quer em parte, quer por completo, a sua importância para o bom funcionamento da própria comunidade cristã, e não se comprometem com a sua sustentabilidade, uma vez que, erroneamente, acreditam que a Igreja é rica. Com o lançamento da presente obra, Padre Ananias pretende, dentro das suas limitações, contribuir para uma maior consciencialização dos cristãos sobre o dízimo, visando a urgente e inadiável autonomia e independência financeira da Igreja local, apelando para o inconformismo e a insatisfação diante do status quo das comunidades cristãs em Moçambique que, podendo ser auto-sustentáveis, assumem como normal a permanente insustentabilidade e a dependência em relação às Igrejas estrangeiras. E para o alcance desse desiderato, propõe alguns caminhos, a saber: que as comunidades cristãs tenham uma nova consciência de si próprias (novus habitus mentis), assumindo o facto de que, enquanto Igreja local, não devem viver perpetuamente dependente da ajuda de Igrejas estrangeiras, sendo necessário, para o efeito, uma só coisa: mudança de mentalidade; a formação para a co-responsabilidade de todos os cristãos para com a sua Igreja, de modo que a Igreja dependa de cada cristão uma vez que cada cristão é a própria Igreja, e que assumam alegremente o seguinte ideal: sou dizimista porque eu sou a Igreja. Diante da desinformação que se verifica em relação ao dízimo, este livro surge como um importante instrumento de informação e de formação, não apenas para os agentes da pastoral do dízimo, mas para todos os cristãos.

maio 25 2026

Semana Laudato Si’ 2026: Da Esperança à Acção

Por Pe. Massimo Robol, mccj Data: 17 a 24 de Maio de 2026 Lema: “A esperança convida-nos a reconhecer que há sempre uma saída, podemos sempre mudar de rumo, podemos sempre fazer alguma coisa para resolver os problemas” (LS 61).   Todos os anos, a Igreja une-se para celebrar a Semana Laudato Si’. Este é um momento de oração, reflexão e acção concreta que comemora a publicação da Encíclica do Papa Francisco, em 2015. De 17 a 24 de Maio, os cristãos de todos os continentes são convidados a redobrar esforços para cuidar da nossa Casa Comum e abraçar a ecologia integral. Paróquias, escolas, movimentos e famílias são chamados a participar, lembrando que a conversão ecológica cresce passo a passo, através de relações renovadas e da promoção de comunidades fraternas. Em 2026, o convite é claro: passar da esperança à acção. A esperança não é um optimismo passivo; ela é vivida através de escolhas diárias e estilos de vida solidários.   Porque é fundamental participar? A interligação de tudo Ninguém pode permanecer indiferente ao destino da nossa “Mãe Terra”. Como nos recorda a Encíclica, “tudo está interligado” (LS 117). As questões sociais e ambientais caminham juntas. Além disso, a Laudato Si’ abre-nos ao diálogo com outras denominações cristãs e religiões: o cuidado da Criação é uma responsabilidade partilhada por toda a humanidade. Uma exigência de fé Para nós, crentes, o compromisso com a Criação é, antes de mais, uma exigência teológica. Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer com a desflorestação, a poluição e as alterações climáticas, cuidar da natureza torna-se uma questão de fidelidade ao Evangelho. A Igreja procura manter viva uma cultura de responsabilidade, oferecendo aquele “suplemento de esperança” que nos incita a construir um mundo mais justo e respeitador das suas criaturas. Acções concretas e coragem institucional A conversão ecológica não é algo abstracto. Vive-se no bairro, na paróquia e na família, mas exige também coragem institucional e o envolvimento da sociedade civil. É necessário apoiar decisões políticas que garantam um futuro de paz e protecção. Um exemplo actual é o apoio ao Tratado de Combustíveis Fósseis, defendido por Igrejas do Sul Global (incluindo África) e da Europa. O recente “Manifesto das Igrejas do Sul Global por nossa Casa Comum” propõe uma transição justa: a eliminação gradual e equitativa do carvão, petróleo e gás em favor de energias renováveis. O conhecimento e a divulgação destas propostas pelas comunidades cristãs já constitui, por si só, uma resposta colectiva para mitigar a crise climática. Conclusão Não deixe esta semana passar sem dar um passo. A Semana Laudato Si’ 2026 não consiste em fazer tudo, mas em fazer algo, juntos. O poder não está na perfeição, mas na participação consciente e solidária. O Que Podemos Fazer? – Agenda Laudato Si’ 2026 Para que a nossa esperança se transforme em acção concreta durante esta semana, a equipa da Vida Nova sugere alguns passos simples para a sua paróquia ou família: Oração em Comunidade:Realizar um momento de adoração ou o terço ao ar livre, agradecendo a Deus pelo dom da Criação e pedindo perdão pelas agressões à natureza. Plantio de Esperança:Organizar o plantio de árvores nativas ou a criação de uma horta comunitária na paróquia ou na escola, envolvendo as crianças da catequese. Combate ao Desperdício:Implementar a política dos “3 R’s”: Reduzir o consumo de plásticos, Reutilizar materiais e Reciclar o que for possível. Educação Ecológica:Promover uma palestra ou círculo de debate sobre o impacto das alterações climáticas em Moçambique e a importância da preservação das nossas florestas. Voz Profética:Partilhar o “Manifesto das Igrejas do Sul Global” com os líderes locais, incentivando políticas que protejam os mais pobres dos efeitos da poluição.  

maio 14 2026

Bispos Católicos condenam ataques contra comunidades cristãs em Cabo Delgado

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) manifestou, através de uma nota pastoral divulgada esta quarta-feira (13), profunda solidariedade à Diocese de Pemba e às comunidades afetadas pelos recentes ataques armados em Cabo Delgado. Os bispos condenam a destruição de igrejas, profanação de espaços sagrados e actos de violência contra civis, considerando que tais práticas atentam contra a dignidade humana, a liberdade religiosa e os valores de convivência pacífica do povo moçambicano. No documento assinado pelo presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saure, os líderes religiosos rejeitam todas as formas de extremismo violento e alertam para o perigo da instrumentalização da religião para justificar conflitos e divisão entre os moçambicanos. A Igreja Católica defende que nenhuma crença ou interesse económico pode justificar mortes, deslocamentos forçados e destruição de comunidades. Os bispos apelam ainda ao Governo, às autoridades civis, às comunidades religiosas e à sociedade em geral para reforçarem a promoção da paz, diálogo e reconciliação nacional. A nota pastoral exorta igualmente os fiéis a intensificarem as orações pela paz em Cabo Delgado e em todo o país, pedindo esperança e apoio às famílias vítimas da violência.

maio 04 2026

Ecos da 132.ª Assembleia Plenária da CEM “Dialogar para reconciliar o povo moçambicano”

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), reunida de 14 a 21 de Abril de 2026, no Seminário Filosófico de Santo Agostinho da Matola, dirigiu-se às comunidades cristãs e a todos os cidadãos de boa vontade. Saudando-os na alegria pascal, os Bispos reafirmaram a fé na presença transformadora de Cristo Ressuscitado na nossa vida quotidiana. Comunhão com o Santo Padre e Transições Eclesiais A Assembleia, presidida pelo Arcebispo de Nampula, expressou profunda comunhão com o Papa Francisco, destacando o seu apelo à construção da paz e à denúncia da corrupção. Entre as principais notícias da vida da Igreja, destacam-se: – A criação da nova Diocese de Caia. – A renúncia, por motivos de saúde, do Arcebispo da Beira, D. Claudio Dalla Zuanna, a quem foi prestada homenagem pelo seu serviço pastoral e contributo académico. – A eleição de D. António Juliasse como novo Magno Chanceler da Universidade Católica de Moçambique (UCM). Análise da Situação Sócio-Política e Desafios Nacionais Os Bispos analisaram com preocupação a realidade do País, apontando feridas abertas que exigem atenção urgente: Conflito em Cabo Delgado:A persistência da violência e o drama dos deslocados. Crise Social:A pobreza crescente, a degradação dos serviços de saúde, a falta de medicamentos e as más condições das estradas. Educação e Juventude:O desânimo dos jovens perante a falta de perspectivas e a necessidade de habitação. Responsabilidade Cívica:O alerta contra a manipulação política, apelando ao compromisso com o bem-comum e à reconciliação nacional. Pastoral, Formação e Protecção de Menores A CEM reflectiu sobre a vitalidade das comunidades e a formação dos futuros sacerdotes, destacando o elevado número de seminaristas — um sinal de esperança que exige maior sustentabilidade económica das paróquias. Foi também reafirmado o compromisso rigoroso com a protecção de menores, através da implementação de directrizes e formações específicas contra abusos. Quanto aos eventos, a visita do Cardeal Pietro Parolin foi considerada um marco para o diálogo nacional, e confirmou-se que a próxima Jornada Nacional da Juventude terá lugar na Beira, em 2028. Próximos Passos: Fé e Compromisso Social Foi aprovada a revisão dos Estatutos da CEM e definido o tema da IX Semana Nacional de Fé e Compromisso Social: “Dialogar para reconciliar o povo moçambicano”. Os Bispos concluem o comunicado com um apelo à esperança activa, exortando todos os moçambicanos a serem construtores de uma sociedade mais justa e solidária.   Perfil: D. António Juliasse Ferreira Sandramo  Novo Magno Chanceler da UCM Nomeado pela Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) durante a sua 132.ª Assembleia Plenária, D. António Juliasse Ferreira Sandramo assume agora a elevada missão de Magno Chanceler da Universidade Católica de Moçambique (UCM). Sucede a D. Claudio Dalla Zuanna, num momento de particular importância para a consolidação académica e espiritual da instituição. Percurso Académico e Científico António Juliasse possui um sólido currículo académico, marcado pela interdisciplinaridade entre a Fé e a Razão: – Teologia: Licenciado pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. – Antropologia: Licenciado pela Universidade Nova de Lisboa (FCSH). – Estudos Africanos: Mestre pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde desenvolveu investigação sobre práticas sócio-culturais em Moçambique. – Experiência Docente: Antes da sua elevação ao episcopado, foi docente de Antropologia na própria UCM, conhecendo profundamente a realidade da instituição que agora dirige como Chanceler. Caminho Pastoral Natural de Soalpo, na Província de Manica, nasceu a 20 de Março de 1968. Foi ordenado sacerdote em 1998, tendo servido na Diocese de Chimoio em diversas funções paroquiais e de coordenação. – Em 2018, foi nomeado pelo Papa Francisco como Bispo Auxiliar de Maputo. – Em 2022, assumiu a titularidade da Diocese de Pemba, em Cabo Delgado, onde se tem destacado pela sua voz profética na defesa das populações vítimas do terrorismo e na assistência humanitária aos deslocados. Missão na UCM Como Magno Chanceler, D. António Juliasse terá a responsabilidade de velar pela identidade católica da Universidade, garantindo que o ensino superior continue a ser um instrumento de protecção da dignidade humana e de promoção da paz social. A sua vasta experiência em contextos de crise e a sua preparação intelectual fazem dele uma figura chave para guiar a UCM nos desafios educativos e sociais que Moçambique enfrenta.

Dialogo Nacional inclusivo: Reformas referentes à Governação

Por: Pe. António Bonato A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Igreja Católica oferece às comunidades cristãs e a todos os moçambicanos de boa vontade o subsidio “Cartilha Politica para o diálogo nacional inclusivo” como forma de se prepararem para participar ativamente do processo de Diálogo Nacional Inclusivo lançado oficialmente no dia 10 de Setembro em Maputo Reformas referentes à Governação Reformas do projecto de reconciliação e unidade nacional Depois da independência, era suposto Moçambique trilhar por um caminho de construção da unidade nacional e de busca de desenvolvimento. Mas, pelo contrário, tal caminho foi marcado por conflitos armados, eleitorais e pós-eleitorais, que foram criando feridas não cicatrizadas tanto no projecto da unidade nacional, como no coração dos moçambicanos, feridas que hoje precisam de ser encaradas com determinação para a sua reparação. Ao longo de todo este tempo, os governos e os partidos políticos têm tomado algumas iniciativas para restabelecer um clima de paz e de reconciliação no país. Neste ponto o debate gira em torno do caminho e das falhas da reconciliação e da construção da unidade nacional desde a independência, e contribui com algumas ideias concretas para que o Diálogo Nacional Inclusivo que vai acontecer dê os seus frutos. Que propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? Na VIIIª Semana Nacional de Fé e Compromisso Social, a Igreja chamou atenção a alguns passos que precisam de ser dados se queremos buscar a verdadeira reconciliação e a unidade nacional. Tais passos podem ser resumidos no seguinte: a) Construir uma memória colectiva baseada na verdade dos factos: precisamos de enfrentar o que aconteceu de facto, sem omissões, precisamos de reconhecer os erros do passado, pois só assim poderemos curar as feridas não cicatrizadas deste passado. b) Construir uma visão compartilhada (sonhar juntos o mesmo sonho): isso passa primeiro pelo exercício do perdão sincero. Todas as partes envolvidas no diálogo, perdoando-se entre si, precisam de desenvolver uma visão comum de um futuro bom. Por isso, é preciso buscar pontos comuns, trabalhando juntos, frente a frente, com escuta mútua, aberta e sem preconceitos. c) Construir relações de confiança: depois do enfrentamento da verdade e da aceitação mútua, segue a construção de relações de confiança, respeito e cooperação entre todas partes envolvidas, promovendo a reparação dos danos, a justiça restaurativa, a empatia e a identificação de estratégias de resolução de conflitos. d) Operar uma mudança cultural e de mentalidade: isto passa por uma mudança significativa e radical nas atitudes, nos comportamentos e na mentalidade, passando a valorizar o outro, a aceitar as diferenças como riqueza, a vencer os preconceitos e a promover uma cultura de diálogo e compreensão. Tal mudança há-de ser concretizada pela revisão das leis, pela inclusão, pela igualdade de todos perante tais leis, pela promoção da justiça social, pela garantia dos direitos humanos e pela criação de mecanismos funcionais e pacíficos de resolução de conflitos. e) Rever e monitorar a Comissão Técnica para o Diálogo: todas as propostas das alíneas anteriores poderão tornar-se possíveis se houver um trabalho sério por parte desta Comissão. Por isso, dizemos que a constituição desta Comissão é o primeiro passo para se prever o sucesso (ou fracasso) do processo. Por isso, esta Comissão precisa de se examinar constantemente, de se julgar, de ter a certeza de que está a agir pelo bem do país, pela reconciliação de todos moçambicanos, pela paz e pela unidade nacional. Daí que haja a necessidade de garantir a sinceridade, seriedade e honestidade de cada integrante, desde o nível nacional até ao nível das províncias, distritos e comunidades.(3-fim) BOX Princípios orientadores do diálogo nacional inclusivo a) Primazia do Estado de Direito Democrático; b) Respeito pelos direitos fundamentais, pela unidade nacional, inclusão e reconciliação efectiva entre os moçambicanos; c) Priorização do bem-estar, justiça social e transparência; d) Construção de consensos em torno das soluções a serem propostas; e) Interseccionalidade; f) Igualdade e equidade; g) Equilíbrio de género; h) Justiça e transparência; i) Liberdade; j) Participação; k) Publicidade; l) Não causar danos; m) Legalidade. Os valores deste diálogo são: a) Cultura de paz; b) Respeito pelo pluralismo e diversidade; c) Cidadania; d) Equilíbrio de género; e) Tolerância; f) Reconciliação; g) Honestidade.

mar 29 2026

𝗗𝗼𝗺 𝗜𝗻𝗮́𝗰𝗶𝗼 𝗦𝗮𝘂́𝗿𝗲 𝗱𝗲𝗻𝘂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘁𝗿𝗮́𝗳𝗶𝗰𝗼 𝗱𝗲 “𝘀𝗮𝗹” 𝗲 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗷𝘂𝘃𝗲𝗻𝘁𝘂𝗱𝗲 𝗲𝗺 𝗡𝗮𝗺𝗽𝘂𝗹𝗮

Na celebração do Domingo de Ramos, na Sé Catedral de Nampula, marcada por uma procissão bastante concorrida de fiéis que, com ramos nas mãos, entoavam “Hosana, Filho de David”, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, lançou uma forte denúncia contra os males que, segundo afirmou, estão a corroer a sociedade moçambicana, com destaque para a droga conhecida localmente por “sal”, associada à met*nfet*min*. Na homilia, Dom Inácio recordou que a liturgia deste dia une o triunfo e a glória de Cristo ao sofrimento e à humilhação da sua paixão, sublinhando que o verdadeiro discípulo é chamado a seguir o caminho de Jesus, que “doa a sua própria vida” pelos outros. O prelado apelou ainda à conversão sincera nesta recta final da Quaresma, advertindo que práticas exteriores como jejum, oração e peregrinação perdem sentido sem reconciliação interior com Deus e com os irmãos. Trazendo a reflexão para a realidade concreta de Nampula e de Moçambique, Dom Inácio Saúre condenou com firmeza os que promovem e lucram com a circulação do “sal”, afirmando que esta droga foi introduzida para “dizimar sobretudo os adolescentes e os jovens” e destruir a sociedade pela raiz. O Arcebispo classificou este fenómeno como uma “nova guerra silenciosa” contra o povo moçambicano e afirmou que quem persiste em vender esta substância “é verdadeiramente um anticristo”. Num tom profético, exortou os fiéis a não “lavarem as mãos como Pilatos” perante os males que ferem a sociedade, mas a assumirem a responsabilidade de agir em defesa da vida, da juventude e dos valores humanos e

Comissão Episcopal de Justiça e Paz: Reformas referentes à Governação

Cont. Dialogo Nacional inclusivo: o que é? A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Igreja Católica oferece às comunidades cristãs e a todos os moçambicanos de boa vontade o subsidio “Cartilha Politica para o diálogo nacional inclusivo” como forma de se prepararem para participar ativamente do processo de Diálogo Nacional Inclusivo lançado oficialmente no dia 10 de Setembro em Maputo. Reformas referentes à Governação 1. Reformas da política de exploração dos recursos naturais Em relação a questões de terra e recursos naturais, o nosso País tem um quadro legal muito vasto e progressista. Para além da Constituição, que diz que a terra é propriedade do Estado, a Lei de Terras, a Política Nacional de Terra, a Lei de Florestas e Fauna Bravia, a Lei do Ambiente, a Lei do Ordenamento do Território, a Lei de Conservação, a Lei de Minas e a Lei de Petróleos, além dos respectivos regulamentos. Todas estas legislações garantem ao cidadão moçambicano o usufruto dos recursos naturais sem prejuízo do ambiente e dos interesses superiores do Estado. Porém, o debate em curso, olha para os males que a exploração desses recursos está a causar sobretudo nas comunidades locais, e aponta para a reforma dos procedimentos legais com o intuito de garantir uma gestão sustentável desses recursos numa opção preferencial por essas comunidades locais. Que propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? Antes e acima de tudo, é preciso definir os recursos naturais (terra, florestas, pescado, petróleos, minérios e hidrocarbonetos) como recursos estratégicos cuja política deve ser estável (não mudar a cada governo) e a sua alteração deve ser por consenso na Assembleia da República. Em termos específicos, é preciso: a) Adiar ou descartar a exploração dos recursos naturais que não criem ligações económicas, fiscais e espaciais no país. b) Fortalecer instituições de regulação e fiscalização com mais autonomia e mais recursos humanos e materiais. c) Aprofundar a reforma fiscal para garantir maior progressividade e captura de valor, acabar com os incentivos fiscais. d) Criar mecanismos mais eficazes de redistribuição de receitas para as comunidades locais, através da resolução de problemas concretos de desenvolvimento local: água potável, vias de acesso, electricidade, etc. 2. Reformas na adopção de medidas de inclusão económica Inclusão económica é o processo que garante que todos os indivíduos e grupos, especialmente aqueles tradicionalmente excluídos, tenham acesso e participação equitativa nos benefícios económicos de uma sociedade. Isso envolve não apenas o acesso a recursos financeiros, mas também a oportunidades de geração de renda, emprego e participação em actividades económicas. Em Moçambique foram criadas algumas plataformas e projectos com vista a promover a inclusão económica e financeira. Porém, o debate em curso é desenvolvido no contexto da inclusão das mulheres e dos jovens, mostrando que as iniciativas já em curso têm os seus pontos benéficos, mas que ainda não são suficientes, pois os resultados são insignificantes. Ainda há há tantos moçambicanos excluídos. Que propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? a) Formar os jovens e as mulheres para a geração de renda e emprego: oferecer oportunidades para que as pessoas possam gerar renda de forma sustentável, oferecer apoio a todos os que estão no sector informal, amparando suas actividades produtivas. b) Permitir a participação equitativa no mercado de trabalho: sem barreiras nem discriminação, o que significa dar oportunidade a todos de forma meritória. c) Promover uma educação que capacita para o desenvolvimento de habilidades: formar para produzir e contribuir para a economia e o bem-estar de cada indivíduo, apostar na profissionalização dos jovens e das mulheres, e ajudar a criar condições de produção. d) Criar programas de auxílio financeiro e escolarização: sobretudo para as famílias em extrema pobreza. e) Incentivar o empreendedorismo: oferecendo apoio financeiro, técnico e de gestão para a expansão de negócios e oportunidades. f) Criar programas que oferecem treinamento e capacitação profissional: sobretudo para pessoas desempregadas ou com baixa qualificação. g) Acesso a crédito: Programas que facilitam o acesso a crédito para pessoas de baixa renda, permitindo que elas invistam em seus negócios ou em outras actividades económicas. (2. Cont.)   Por: Pe. António Bonato

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