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maio 13 2026

A BÍBLIA NA VIDA DA COMUNIDADE CRISTÃ

Por Pe. Cantífula de Castro A Bíblia é o coração da fé cristã e o fundamento de toda a catequese. A Palavra de Deus ilumina a vida, orienta a moral, inspira a oração e fortalece a esperança. Para o catequista, compreender o lugar da Sagrada Escritura na comunidade é fundamental — sobretudo num país onde muitas famílias enfrentam desafios sociais, económicos e espirituais que exigem discernimento e consolação constante. A Bíblia não é apenas um livro antigo: é Palavra viva, que continua a falar às realidades concretas do nosso tempo. Os conflitos, o sofrimento, as alegrias, as dúvidas e as conquistas do povo moçambicano encontram eco nas narrativas bíblicas. As famílias que lutam pela sobrevivência reconhecem-se na caminhada dos israelitas no deserto; os jovens que procuram sentido identificam-se com os discípulos de Jesus; e as comunidades feridas por conflitos e deslocamentos encontram consolo no anúncio profético da paz e da justiça. A Bíblia como Companheira de Caminhada A tarefa do catequista é ajudar o povo a perceber que a Bíblia é uma companheira de vida. Isso implica ensinar a lê-la com respeito, método e espírito de oração. Em muitas paróquias, a prática dos círculos bíblicos e das celebrações da Palavra torna a Escritura mais acessível, valorizando o envolvimento de todos os fiéis — inclusive daqueles que, não sabendo ler, participam através da escuta e da memória oral, traço tão marcante da cultura moçambicana. É importante reforçar que a leitura bíblica exige contexto. O catequista deve explicar o ambiente histórico e cultural onde os textos foram escritos, evitando interpretações literais ou supersticiosas que possam confundir os fiéis. A Bíblia não é um “livro mágico” para resolver problemas imediatos, mas uma fonte de sabedoria que orienta escolhas e fortalece a confiança em Deus. Liturgia, Inculturação e Missão O uso da Bíblia na liturgia é também um espaço privilegiado de formação. Nas leituras dominicais, a comunidade escuta a Palavra que ilumina os acontecimentos da vida e convida à conversão. No contexto moçambicano, é igualmente relevante promover a tradução da Palavra para as línguas nacionais. A Bíblia ressoa de forma mais profunda quando escutada em Emakhuwa, Xichangana, Elomwe, Echuwabo, Sena ou Ndau. Quando a Palavra fala a “língua do coração”, a fé floresce com mais autenticidade. Outro ponto essencial é formar os catequistas para discernir, à luz da Escritura, as situações desafiadoras da actualidade: violência doméstica, injustiça social, corrupção ou perda de valores. A Bíblia não foge à realidade; pelo contrário, desafia-a. Os profetas clamam por justiça e as cartas paulinas chamam à reconciliação. Ao escutar a Palavra, a comunidade descobre que não é chamada a guardar a fé apenas para si, mas a anunciá-la com coragem. Assim, a Bíblia torna-se presença viva e transformadora no quotidiano. Quando acolhida com fé e inteligência, ela fortalece a identidade, cura feridas e anima a caminhada de um povo que, embora enfrente muitos desertos, sabe que nunca caminha sozinho. A Palavra é, verdadeiramente, luz para os pés e esperança para o futuro.

maio 08 2026

Quando Servir Vira Sofre: Alerta de Maio para o trabalhador moçambicano

Maio, mês do trabalhador, encontra muitos moçambicanos com um cansaço que não passa no domingo. A OMS classifica burnout como “estresse crónico de trabalho não gerenciado”: exaustão, cinismo e perda de sentido. O retrato em Moçambique O estudo “Vulnerabilidade ao burnout em profissionais de saúde de um hospital público no norte de Moçambique”, publicado na Quaderns de Psicología em Julho de 2023, avaliou 300 profissionais. Os dados são alarmantes: 77,3% tinham desgaste psíquico alto, 72% alta indolência e 31,6% baixa ilusão pelo trabalho. Trabalho por turnos e ser mulher aumentaram o risco. Se acontece no hospital, ocorre na machamba, na escola, na igreja. Teologia do limite A Bíblia normaliza o descanso. Deus cessou no sétimo dia (Gn 2,2) e ordenou o sábado (Ex 20,8). Jesus se retirava para orar (Lc 5,16). Elias teve burnout em 1Rs 19: Deus respondeu com sono e comida, não cobrança. Descanso é mandamento, não luxo. Teu valor vem de seres imagem de Deus (Gn 1,27), não do teu salário. Marta servia Cristo e ouviu: “Andas inquieta” (Lc 10,41). Até ministério sem limite adoece. Moisés ia colapsar até Jetro mandar delegar (Ex 18,17-18). Três medidas para Maio Vigia os sinais: Insônia, irritabilidade, cinismo e “dor de domingo” são luz vermelha. Guarda o sábado: 24h sem email/trabalho. O cérebro precisa de off para não queimar. Negocia a carga: Fala com a liderança. Pr 15,22 diz que “planos sem conselho falham”. Neste mês dos trabalhadores, Moçambique precisa de servos saudáveis, não mártires da produtividade. Deus te chamou para frutificar (Gn 1,28), mas também disse “vinde a mim, cansados” (Mt 11,28). Descansar é mordomia do corpo, templo do Espírito (1Co 6,19).   Desafio: Escolhe um sábado este mês para desligar. Deus sustenta o mundo sem ti por 24h.

fev 26 2026

A PALAVRA DE DEUS COMO FUNDAMENTO DA CATEQUESE

Por: Pe Cantífula de Castro A Palavra de Deus ocupa um lugar central na vida e missão da Igreja, constituindo a fonte primeira e insubstituível da catequese. A Bíblia assume um papel privilegiado na formação dos cristãos. Ela ilumina as situações concretas do povo, fortalece a esperança e orienta a acção pastoral diante dos desafios sociais, culturais e espirituais que marcam o País. A catequese bíblica não consiste apenas na leitura de textos sagrados, mas na capacidade de fazer ressoar a Palavra no coração da comunidade, tornando-a alimento espiritual, guia moral e inspiração para a vida quotidiana. O catequista é, por isso, chamado a conhecer, amar e meditar a Escritura, de modo a apresentá-la com fidelidade e sensibilidade. A Bíblia deve ser anunciada não como um conjunto de regras, mas como história viva da relação de Deus com o seu povo, marcada por misericórdia, libertação, justiça e salvação. No contexto moçambicano, onde coexistem elementos culturais como o respeito pelos antepassados, os ritos de iniciação, a vida comunitária, o valor da palavra falada e a busca constante de sentido, a Palavra de Deus encontra um terreno fértil para a inculturação. O catequista deve ajudar os fiéis a descobrir a presença de Deus na vida diária, relacionando a Escritura com as experiências concretas das famílias, da juventude, dos idosos e dos grupos vulneráveis. A aproximação bíblica deve ser pedagógica, simples, participativa e adaptada às diversas línguas e níveis de formação. A centralidade da Palavra na catequese implica também responsabilidade. É necessário evitar interpretações isoladas, moralistas ou manipuladas do texto bíblico, comuns em ambientes onde circulam discursos religiosos distorcidos ou desviados. A função do catequista é orientar para uma leitura correta, em comunhão com o magistério da Igreja e aberta à tradição cristã. Isso exige humildade e formação permanente, tanto teológica quanto pastoral. Além disso, é fundamental cultivar métodos que aproximem a comunidade da Bíblia: círculos bíblicos, lectio divina comunitária, dramatizações, cantos inspirados na Escritura, uso de histórias bíblicas nas línguas locais (como Emakhuwa, Sena, Ndau, Changana, entre outras), e a integração de elementos visuais e narrativos que respeitem a cultura local. Estes meios ajudam a tornar a Palavra compreensível, viva e transformadora. A Palavra de Deus, quando bem anunciada, transforma a catequese numa escola de fé e vida. Ela educa para o perdão, a paz e a reconciliação — valores essenciais para a história moçambicana; fortalece as famílias na vivência do amor e do respeito; inspira os jovens a construir projetos de vida responsáveis; e ilumina as comunidades na defesa da dignidade humana, da justiça social e da solidariedade. Assim, o catequista deve fazer da Bíblia o coração do seu ministério, permitindo que a Palavra transforme primeiro a sua própria vida e, por meio do seu testemunho, alcance e renove a comunidade. Uma catequese bíblica, profunda e inculturada, é caminho seguro para a maturidade da fé e o fortalecimento da Igreja em Moçambique.

jan 30 2026

IDENTIDADE E MISSÃO DO CATEQUISTA NA IGREJA

A identidade do catequista constitui o fundamento de toda a acção evangelizadora nas comunidades cristãs. O catequista é mais do que um simples transmissor de conteúdos doutrinais: é um servo da Palavra, testemunha de fé, educador da comunidade e ponte entre o Evangelho e a vida concreta do povo. A missão catequética ganha especial relevância num país que continua a enfrentar desafios sociais, económicos, culturais e pastorais, exigindo agentes de pastoral maduros, conscientes e comprometidos com a construção de uma sociedade reconciliada, fraterna e justa. Do ponto de vista eclesial, o catequista é chamado a participar activamente na missão evangelizadora da Igreja, iluminando com o Evangelho as realidades da vida quotidiana. Assim, a sua identidade articula-se em três dimensões essenciais: vocacional, ministerial e comunitária. A dimensão vocacional recorda que o catequista responde a um chamamento de Deus, discernido e confirmado pela comunidade cristã. A dimensão ministerial sublinha que o catequista exerce um serviço reconhecido, com responsabilidade específica na transmissão da fé. Já a dimensão comunitária reforça que o catequista não age isoladamente, mas inserido na vida da paróquia e da comunidade local, colaborando com outros ministérios. No contexto local, a missão do catequista inclui desafios particulares que exigem sensibilidade pastoral e competência humana. Entre eles destacam-se: a diversidade linguística que requer criatividade na comunicação; a necessidade de evangelizar respeitando as culturas e valores locais; a convivência com práticas tradicionais que pedem discernimento pastoral; a realidade de conflitos e deslocamentos que exige uma catequese promotora de paz, reconciliação e esperança; e a urgência de formar cristãos comprometidos com a transformação social, sobretudo nos ambientes de pobreza, violência doméstica, injustiça e exclusão. A missão do catequista inclui ainda o testemunho de vida. Mais do que “falar de Deus”, é chamado a “mostrar Deus” através das atitudes: humildade, serviço, diálogo, coerência moral, espírito comunitário e capacidade de amar sem distinções. A sua presença deve inspirar confiança, motivar a participação e fortalecer a fé dos catequizandos e das suas famílias. Para desempenhar bem esta missão, o catequista necessita de formação permanente — bíblica, doutrinal, litúrgica, pastoral e humana — permitindo-lhe acompanhar as rápidas transformações da sociedade e os novos desafios da evangelização. A catequese, para ser fecunda, deve integrar elementos da cultura moçambicana, promover a inculturação da fé e responder às realidades concretas da vida: educação dos jovens, fortalecimento das famílias, promoção da paz, cuidado da criação, ética do trabalho e compromisso comunitário. Assim, o catequista é chamado a ser testemunha, servidor e construtor de comunhão, assumindo com alegria e responsabilidade o mandato de Jesus: “Ide e fazei discípulos” (Mt 28,19). A Igreja conta com este ministério para fortalecer a fé, renovar as comunidades e promover a dignidade humana em todas as suas dimensões.

abr 03 2023

Comissão Arquidiocesana de Catequese, capacitou 45 catequistas

45 catequistas formadores da região pastoral de Iapala, Angoche, e Namaita, província de Nampula, beneficiaram de uma capacitação sobre a bíblia. A formação que juntou sacerdotes, irmãs consagradas e leigos decorreu semana passada, no centro catequético de Anchilo com duração de três dias e visava munir de conhecimentos bíblicos aos catequistas formadores, para que eles façam a réplica dos conhecimentos nas suas zonas pastorais. O Padre Davi, da comissão arquidiocesana da catequese, fez saber que a formação dos catequistas tem decorrido anualmente, com objectivo de atualizar sobre a vida espiritual no contexto atual. Maria Amelia Mulango também da mesma comissão, fez saber ainda que após a formação, os catequistas poderão formar uma comissão da zona pastoral para facilitar o intercâmbio. Segundo Maria, os catequistas após as formações vão criar temas que serão abordados nas catequeses em cada mês para que os catecúmenos se inteirem sobre as actividades cristãs. Os participantes, garantiram fazer a réplica, nas suas comunidades divulgando, os conhecimentos adquiridos durante a formação. Por João Baptista

fev 08 2023

8 de Fevereiro – 9º Dia Mundial de reflexão e oração contra o Tráfico de Pessoas

8 de Fevereiro Santa JOSEFINA BAKHITA 9º Dia Mundial de reflexão e oração contra o Tráfico de Pessoas   Descarrega a Romaria da Dignidade Humana contra o tráfico de Pessoas romaria dia 8 fev s. bakita   Descarrega a oração do 9º Dia Mundial de Reflexão e Oração contra o tráfico de Pessoas oraçao s. bakita  

maio 15 2022

Dom Inácio Saúre preocupado com a qualidade de catequese na Arquidiocese de Nampula

O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, iniciou na manhã deste sábado, 14 de Maio, a visita pastoral à Paróquia de São Francisco Xavier. Depois de uma breve passagem pela comunidade sede, Dom Inácio visitou a Comunidade de Santo Agostinho de Maratane. Recebido, num clima fervoroso de alegria, com manifestações culturais típicas de África, Dom Inácio presidiu uma missa na qual foram confirmados (crisma) 36 cristãos de quatro comunidades (Mucuache, Gimo, Mueda e Maratane). Durante a sua homilia e dirigindo uma palavra aos crismandos, o prelado mostrou-se bastante preocupado com a qualidade da catequese na nossa Arquidiocese, tendo convidado os cristãos a se preocuparem, não apenas com a recepção dos sacramentos, mas também com as orações e os ensinamentos básicos da Igreja Católica. Exortou os crismandos a não se comportarem como “doutores graduados” que já não precisam mais de ler, sob risco de se tornarem analfabetos perigosos – numa clara alusão aos cristãos que se sentem realizados por já receberem os sacramentos e abandonam a Igreja. Após a celebração eucarística, Dom Inácio dirigiu a reunião do Conselho Paroquial, durante a qual ficou sabendo sobre o funcionamento desta Paróquia. Nesta, Dom Inácio ficou sabendo que a Paróquia conta com a presença de várias famílias consagradas que compõem a Equipa Missionária, nomeadamente: Padres Diocesanos, Irmãs do Imaculado Coração de Maria, Irmãs do Jesus Crucificado, Irmãs Combonianas, Irmãs Pastorelas, Irmãos da Caridade e Irmãos da Sagrada Família. Outrossim, foram partilhados os desafios da Paróquia nos diversos ministérios, ressaltando a urgência de construção de uma Igreja de raiz na Comunidade sede e na de Muecane. Reagindo, Dom Inácio congratulou a Paróquia pelos passos que tem vindo a dar e apelou para a necessidade de todos se envolverem na busca de soluções para os problemas e dificuldades existentes, tendo sempre presente as limitações que existem à nível da Arquidiocese. Os leigos podem e devem desempenhar um papel fundamental na igreja – disse Dom Inácio Saure. O Arcebispo terminou a sua agenda deste primeiro dia de visita pastoral à Paróquia de São Francisco Xavier visitando a Escola Comunitária de Nanuco, onde se terminou recentemente a construção de um bloco escolar com 3 salas de aulas, com o suporte financeiro da Congregação dos Missionários Scalabrinianos. Refira-se que este primeiro dia de visita pastoral foi caracterizado por muita alegria e envolvimento dos paroquianos, numa clara demonstração de acolhimento e comunhão com o pastor-mor desta Arquidiocese.

out 18 2021

Catequista – Tornar o Evangelho sempre actual

Após o “Directório Catequístico Geral” de 1971 e o “Directório Geral para a Catequese” de 1997, a 23 de Março de 2020, o Papa Francisco aprovou o novo “Directório para a Catequese”, elaborado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. Aqui vai uma breve apresentação. O documento afirma que cada baptizado é um discípulo missionário enviado a comunicar a fé. Há três princípios básicos que orientam a comunicação da fé: o testemunho, porque “a Igreja não cresce pelo proselitismo, mas pela atracção”; a misericórdia, que é uma autêntica catequese para tornar credível o anúncio do Evangelho; o diálogo, livre e gratuito que, impelido pela caridade, contribui para promover a paz e a fraternidade.   A tarefa da catequese A catequese deve ter um caracter missionário: “À luz destas linhas que caracterizam a catequese em perspectiva missionária, relê-se também a finalidade do processo catequético (…): levar cada pessoa à comunhão íntima com Cristo (…), realizada mediante um processo de acompanhamento (…), que leve ao amadurecimento duma mentalidade de fé” (Introdução, 3).   A formação de catequistas “A catequese na missão evangelizadora da Igreja”, é a primeira parte do documento que trata da formação dos catequistas que devem “ser catequistas antes de fazer os catequistas!”. Portanto, devem trabalhar com gratuidade, dedicação e coerência, de acordo com uma espiritualidade missionária que os mantém longe do individualismo e os ajuda a adoptar um “estilo de comunhão”.   A linguagem da catequese “O processo de catequese”, segunda parte, enfrenta o desafio da linguagem usada na comunicação da fé que deveriam incluir várias formas tais como a narração, a arte e os instrumentos digitais. Paróquias, associações e escolas católicas “Catequese nas Igrejas particulares”, é a terceira parte na qual emerge o papel das paróquias, associações, movimentos eclesiais e escolas católicas no processo catequético.   Catequese e cultura digital O novo Directório convida a uma maior educação aos meios de comunicação social, porque estamos perante uma forma de “analfabetismo digital”. Além disso, é importante ajudar as pessoas a não confundir os meios com o fim, a discernir como navegar na web, de modo a ir além da tecnologia para encontrar uma humanidade renovada na relação com Cristo.   Outros temas do Directório No documento encontramos também a exortação a acompanhar na fé e inserir na vida da comunidade, aquelas famílias que se encontram em situações irregulares, com um estilo de proximidade, escuta e compreensão, bem como a pensar numa catequese com pessoas marginalizadas, tais como: refugiados, deslocados, sem abrigo, doentes crónicos, toxicodependentes, prisioneiros, vítimas de prostituição. Do mesmo modo, sublinha-se o compromisso com a “questão ecológica”, a que a catequese deve chamar a atenção. O grito da terra, que está intimamente ligado ao grito dos pobres, é parte essencial da mensagem catequética. Não faltam também indicações e orientações para uma catequese num contexto ecuménico e de pluralismo religioso. Este tempo de pandemia faz-nos perceber muito bem que nada pode ser tomado como garantido, e que estamos perante uma situação que nos orienta para fazer uma experiência de Igreja nova e verdadeiramente generativa. Cada Igreja local tem a tarefa de tornar isto possível, através de momentos de reflexão, partilha e formação. Auspicamos que este novo Diretório para a Catequese possa ajudar na renovação da catequese e na realização da missão da Igreja, que existe para evangelizar. Por Max Robol

out 16 2021

A Fe é a fonte da salvação das almas atribuladas

Ao falar da fé nos dias de hoje, é uma situação tão complicada. Portanto, a fé uma palavra que povém do latim fides (fidelidade) que significa confiança absoluta, sem espaço para dúvida, que cada um deposita no que escolhe acreditar.Em tempos de dor, medos e incertezas, é natural e esperado que cada um procure um caminho que lhe traga conforto, doses de confiança e a chance de encontrar a paz. O caminho que refiro é a da espiritualidade, lugar onde o real coexiste e tem conexão com algo maior e Sagrado (Deus). É de o ser humano buscar uma ligação com o Divino, seja ele representado pela figura de Deus, por meio da religião. Portanto, como sustenta o mestre Gilberto Gil, que a «fé não precisa, necessariamente, estar ligada à doutrina. Essa força interior de uma crença poderosa pode ser nutrida em relação a uma pessoa, uma ideologia, à ciência, a um pensamento filosófico, um objeto inanimado».Diante da pandemia do novo Coronavírus, com o isolamento social imposto como medida de proteção contra a disseminação da Covid-19, perdemos alguns valores que nos identificavam como seres religiosos, por causa de desespero total, olhando a situação do Coronavírus. Actualmente, o Bem Viver procura entregar aos cristãos um tempo de leitura da Sagrada Escritura que lhes traga fé, esperança de dias melhores e palavras de conforto de pessoas que se sustentam por algo maior, sem preocupação com materialidade. Sendo assim, a espera pode não ser afastamento adverso da vida, mas esperança de um tempo novo. Como sublinhava Jesus durante o sermão da montanha, relatado no evangelho de Mateus o seguinte, “Olhai os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles” (Mateus, 6, 25-34). “E que a oração possa nos abraçar e converter a espera em esperança, verdadeira Páscoa e confiança num tempo melhor”. Para tal, a oração é um forte antídoto espiritual, porque vivemos a cultura da pressa, tudo nos é imediato como a fala, a vivência e as relações.Mas também, no dia a dia corrido, mais reagimos do que agimos, mais confrontamos do que enfrentamos e o tempo todo nos ocupamos de funções e impomos tantas outras aos que nos sãos próximos. Por: Idelvino Jacinto Santramo

set 27 2021

Qual é o significado das exéquias para os cristãos?

Ninguém escapa A vida e a morte são duas gémeas inseparáveis. Quando chega uma, a outra, mais cedo ou mais tarde, também não deixa de aparecer. É por isso que a Igreja celebra solenemente estes dois momentos de passagem da vida de cada um. Há muitas maneiras de celebrar um funeral, dependendo da religião, da cultura e da sociedade em que vivemos. Neste tempo de pandemia pelo covid-19, os funerais dos nossos entes queridos falecidos por este vírus mortal, tiveram um funeral “reduzido” conforme o normal. Isto provocou muitas feridas no coração dos familiares que muitas vezes não puderam despedir-se, conforme eles desejavam do próprio familiar. É por isso que vamos entender melhor o que é a celebração do funeral. Luz eterna Funeral vem da palavra latina “funus”, que por sua vez deriva de “funalia”, tocha, porque outrora se faziam os enterros à noite, e eram acompanhados com tochas acesas ou archotes. O cristianismo purificou esta cerimónia pagã, santificando-a com as luzes empregadas nos ofícios fúnebres, mas as luzes agora simbolizavam a alegria e a esperança na ressurreição da carne. Embora a morte seja natural para todas as civilizações, cada cultura tem um jeito especial de se despedir e de homenagear a pessoa querida que partiu. Confira abaixo como são os rituais fúnebres nalgumas diferentes religiões.   Igreja Católica Duas ideias principais percebemos claramente em todos os ofícios fúnebres da Liturgia da Igreja. A primeira é excitar, em favor dos mortos, a compaixão e a caridade dos vivos, pelos defuntos que estão à espera do encontro com a luz eterna; a segunda, é afirmar a ideia consoladora da ressurreição da carne. O velório é celebrado com incenso, que significa veneração; água, para lembrar o baptismo e velas, para simbolizar que a vida vai se queimando. Além do mais, a luz é um sinal de Deus. Outro hábito comum na igreja católica é a vivência do luto. De acordo com a religião, é importante que se permita viver a tristeza do momento. Muitos vestem roupas pretas para simbolizar que perderam um amigo ou familiar.   Protestantismo Assim como as cerimónias fúnebres católicas, os funerais protestantes também acompanham uma celebração religiosa. Porém, os protestantes não utilizam velas, nem crucifixos, apenas flores para homenagear quem partiu.   Judaísmo Para o judaísmo, como a morte é democrática, isto é, acomete a todos os tipos de pessoas, ela também deve ser simbolizada de maneira igual. Nessa religião, primeiramente, o corpo é lavado por pessoas especializadas da comunidade para que volte a ser como chegou a esse mundo, purificado. Depois o corpo deve ser vestido com uma túnica branca e, então, ocorre o velório. Antes do funeral, os familiares do morto rasgam as suas próprias roupas, como representação do luto.   Você sabe qual é o significado das exéquias para os cristãos? O Catecismo da Igreja Católica nos ajuda a compreender o que são as exéquias. A palavra exéquias provém do verbo latino exsequi, que significa “seguir” e refere-se ao cortejo fúnebre que segue o corpo do defunto até o túmulo. Para entender o significado cristão disso, encontramos uma profunda explicação das exéquias no Catecismo da Igreja Católica. Antes de tudo, há um item sobre “A última Páscoa do cristão”. Aqui, lembra-se que a Morte e a Ressurreição de Cristo revelam para nós o sentido da nossa morte: o cristão que morre em Cristo Jesus “abandona este corpo para ir morar junto do Senhor” (2 Coríntios 5,8). A Igreja, como mãe, acompanha o cristão no termo da sua caminhada para entregá-lo “nas mãos do Pai”.   Onde acontecem as exéquias? A Celebração das Exéquias, acontece, frequentemente, em três lugares: o velório em casa ou noutros lugares próprios onde os parentes recebem os amigos do falecido; a Igreja onde se celebra a Missa de corpo presente ou directamente no cemitério, onde se sepulta o corpo do falecido e há uma celebração da Palavra. Nesses lugares, muitos cristãos escutam a Palavra de Deus, especialmente os Evangelhos, e rezam. A Palavra nos transmite o sentido da morte para o cristão, como acima lembrado. E a oração expressa a nossa fé na “comunhão dos santos”. “Santos” são os santificados pelo baptismo, que procuram viver sua fé de maneira coerente. A morte não nos separa dos falecidos: nós permanecemos “em comunhão” com eles. Eles estão em Deus e rezam por nós; e vice-versa. Na vida presente, muitas vezes, a fé é misturada com pecados de fraqueza e egoísmo, que, mesmo assim, não rompem de maneira radical a comunhão com Deus e com os irmãos. Então, logo após a morte, os cristãos vão completar sua conversão: e aqui encontramos a fé católica na existência do Purgatório. Vivos e falecidos permanecem, pois, unidos, e rezam reciprocamente uns pelos outros, para que a conversão total a Cristo seja completa. A esse respeito, é bom lembrar a origem da palavra “cemitério”. Na língua grega koimeterion (κοιμητήριον) significa “lugar de repouso”, dormitório. Sim, mas quem vai dormir, depois do descanso, levanta-se. E nós levantar-nos-emos, no dia da ressurreição: para viver com Cristo, que destruirá a morte para sempre. A palavra “cemitério” aponta, pois, para o sentido profundamente cristão da morte. Nos lugares das exéquias, nós cristãos somos chamados a ser missionários, quer dizer, anunciadores da morte-ressurreição de Cristo, que dá um novo sentido à vida e à morte. As exéquias são, pois, um “momento de graça” para renovar a nossa fé e para proclamá-la.

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