Quaresma: Eis o tempo favorável!
Todos os anos a Igreja vive quarenta dias em fervorosa oração, permanente jejum e admirável espírito de caridade. Estes quarenta dias que antecedem a Páscoa, começando pela Quarta-feira de Cinzas, são conhecidos, entre os cristãos, como Quaresma. Pelos quarenta dias da Grande Quaresma, diz o Catecismo da Igreja Católica, a Igreja se une ao mistério de Cristo no deserto (CIgC 540). O deserto além de ser um lugar geograficamente inóspito e árido, adquire na espiritualidade cristã uma significação particular de um tempo de provação, solidão, confronto e dependência de Deus. Por isso, a Quaresma é também conhecida como o tempo favorável de mudança, o tempo de conversão e penitência, o tempo de preparação intensiva, eleição e escrutínios dos catecúmenos, bem como, o tempo de preparação dos fiéis para a celebração do mistério da Morte e Ressurreição de Jesus. Este é o tempo favorável e, particularmente, apropriado para os exercícios espirituais, os retiros, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola (cf. CIgC 1438). Estas práticas contribuem para fazer adquirir o domínio sobre os nossos instintos e a liberdade de coração e manifestar provas concretas de conversão de modo a melhor viver o mistério Pascal. Qual a razão do número 40? O número quarenta, no Antigo Testamento, designa normalmente uma geração. Encontramos muitas referências a este número. De seguida, são assinaladas algumas destas referências: – Dilúvio: 40 dias e 40 noites (Gn 6,9); – Moisés no Sinai: 40 dias e 40 noites (Ex 24,18;34,28; Dt 9,9) – Apelo do profeta Jonas em Nínive: 40 dias e 40 noites (Jn 3,4) – Israel no deserto: 40 anos (Js 5,6; Nm 14,34) – A caminhada de Elias: 40 dias e 40 noites (1 Rs 19,8) – Jesus no deserto: 40 dias e 40 noites (Mt 4,2; Lc 4,2) Com base nestas experiências, o número 40 passou a significar o tempo necessário para uma libertação e purificação espiritual. Liturgia quaresmal No referente à disposição das leituras para a Quaresma, a estrutura do ordenamento das leituras da Missa estabelece o que se segue para os domingos e dias feriais: Nos domingos, as leituras do Evangelho estão distribuídas do seguinte modo: no primeiro e segundo domingos conservam-se as narrações da Tentação e da Transfiguração do Senhor, que se leem, no entanto, segundo os três sinópticos. Nos três domingos seguintes foram restabelecidos para o ano A o Evangelho da Samaritana, do cego de nascença e da ressurreição de Lázaro; estes Evangelhos, por serem da maior importância relativamente à iniciação cristã, podem ler-se também nos anos B e C, sobretudo onde houver catecúmenos. No entanto nos anos B e C propõem-se também outros textos: no ano B, textos de São João sobre a futura glorificação de Cristo pela Cruz e Ressurreição; no ano C, textos de São Lucas sobre a conversão. No “Domingo de Ramos na Paixão do Senhor”, para a procissão foram escolhidos os textos que se referem a entrada solene do Senhor em Jerusalém, tomados dos três sinópticos; na Missa, lê-se a narração da Paixão do Senhor. As leituras do Antigo Testamento referem-se à história da salvação, que é um dos temas próprios da catequese quaresmal. Em cada ano há uma série de textos que apresentam os principais elementos desta história da salvação, desde o princípio até a promessa da nova aliança. As leituras do Apóstolo foram seleccionadas de maneira a corresponderem às leituras do Evangelho e do Antigo Testamento e, na medida do possível, a haver entre elas uma adequada conexão. Nos dias feriais, as leituras do Evangelho e do Antigo Testamento que foram seleccionadas têm mútua relação entre si e tratam diversos temas próprios da catequese quaresmal, apropriados ao sentido espiritual deste tempo. A partir da segunda-feira da quarta semana, é proposta a leitura semi-contínua de São João, na qual aparecem os textos deste Evangelho que melhor correspondem às características da Quaresma. Como as leituras da Samaritana, do cego de nascença e da ressurreição de Lázaro se leem agora nos domingos, mas apenas no ano A (e nos outros facultativamente), pretendeu-se tornar possível a sua leitura também nos dias feriais: assim, no princípio das semanas terceira, quarta e quinta, inseriram-se “Missas facultativas” com aqueles textos; estas Missas podem utilizar-se em qualquer dia ferial da semana correspondente, em vez das leituras do dia. Uma mensagem de esperança É este o tempo favorável (2 Cor 6,2)! É este o tempo da conversão! É este o tempo da salvação! Nada está perdido. Ainda é possível mudar e acreditar. Ainda é possível renascer, deixando de lado ódios, violências, feitiçaria, inimizades, contenda, ciúme, fúrias, ambições, discórdias, partidarismos, invejas, etc. Só assim sairemos victoriosos do deserto como Jesus, amando a todos como irmãos e aceitando o Seu reino de amor, justiça, paz e alegria. (Pe. Sérgio M. Vilanculo)
Eis o Tempo Favorável: ainda é possível recomeçar
Com a imposição das cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de conversão, penitência e renovação espiritual. A Quaresma não pode ser reduzida a um mero exercício ritualista. Ela interpela a consciência pessoal e colectiva, exigindo uma fé encarnada na nossa realidade concreta. Num país como o nosso que persistem as desigualdades estruturais, fragilidade institucional, pobreza crónica e crises de valores, a Quaresma é um tempo ainda mais profundo e exigente para o povo moçambicano. Na realidade política, Moçambique vive tensões recorrentes ligadas à governação, à corrupção- ção, à exclusão social e à fragilidade da justiça. Nesse plano, a Quaresma interpela profundamente tanto os governantes quanto os governados. Converter-se não significa apenas rezar mais, mas romper com práticas que atentam contra a dignidade humana. Neste sentido, a Quaresma deveria ser tempo de exame de consciência sobre o uso dos recursos públicos, a manipulação das instituições e o silenciamento da voz dos pobres. O jejum quaresmal denuncia a “fome” causada pela má governação e desafia os líderes a jejuarem da corrupção, do autoritarismo e da indiferença. Para os cidadãos, a Quaresma interpela a passividade, o medo e a resignação. A conversão quaresmal exige uma cidadania activa, ética e responsável, que recuse normalizar a injustiça e a violência política. Assim, a fé cristã deixa de ser ópio e torna-se fermento de transformação social. O sentido do jejum quaresmal torna-se particularmente provocador num país onde grande parte da população já vive em jejum forçado devido à pobreza extrema, ao desemprego, ao aumento do custo de vida e às desigualdades regionais. O verdadeiro jejum quaresmal deve ser solidário e profético: jejuar do consumismo, da exploração económica, da acumulação egoísta e da indiferença face ao sofrimento alheio. A esmola quaresmal, por sua vez, não pode limitar-se a gestos assistencialistas. Ela deve ser ex-pressão de partilha justa, promoção da dignidade e questionamento das causas profundas da pobreza. No campo religioso, Moçambique assiste a um crescimento significativo de expressões religiosas, algumas marcadas por sincera busca de Deus, outras por discursos de prosperidade fácil, milagres imediatos e espiritualidade desvinculada da ética social. Neste cenário, a Quaresma impõe um sério discernimento. A verdadeira espiritualidade quaresmal não aliena o crente da realidade, mas compromete-o com ela. A oração, um dos pilares da Quaresma, não pode ser fuga dos problemas sociais, mas força interior para enfrentá-los com coragem e lucidez. Uma fé que não questiona a injustiça, que legitima o sofrimento como “vontade de Deus”, trai o sentido bíblico da conversão. A Quaresma chama também a Igreja a uma auto-crítica: até que ponto as comunidades cristãs são voz profética diante das injustiças. Até que ponto os líderes religiosos denunciam o pecado estrutural e não apenas os pecados individuais. (Coordenação VN)
𝗦𝗘𝗠𝗔𝗡𝗔 𝗗𝗘 𝗢𝗥𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗣𝗘𝗟𝗔 𝗨𝗡𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗢𝗦 𝗖𝗥𝗜𝗦𝗧𝗔̃𝗢𝗦 𝟮𝟬𝟮𝟲 𝗗𝗘𝗖𝗢𝗥𝗥𝗘 𝗗𝗘 𝟭𝟴 𝗔 𝟮𝟱 𝗗𝗘 𝗝𝗔𝗡𝗘𝗜𝗥𝗢
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, que decorre de 18 a 25 de Janeiro, é um momento forte de reflexão, oração e compromisso com a unidade entre todos os cristãos. De acordo com o Padre Massimo Robol, presidente da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso. Celebrada há mais de 100 anos, esta iniciativa resulta do trabalho conjunto entre a Comissão Fé e Constituição e o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Igreja Católica. As datas têm um significado especial: 18 de Janeiro assinala a festa da Cátedra de São Pedro e 25 de Janeiro celebra a conversão de São Paulo, dois pilares fundamentais da fé cristã. Os textos e o tema deste ano foram preparados pelos fiéis da Igreja Apostólica Arménia, em colaboração com a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas Arménias, inspirados em antigas tradições de oração. O tema escolhido, retirado da Carta de São Paulo aos Efésios (4,4) “Há um só corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados a uma só esperança”, destaca a unidade profunda da Igreja. A Semana de Oração é, assim, um convite à vivência concreta da fé, do diálogo, da fraternidade e do amor mútuo entre todos os cristãos.
Bispos apelam à solidariedade nacional face às cheias em Moçambique
A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) divulgou esta quarta-feira uma mensagem de solidariedade com as vítimas das cheias e inundações que têm afectado várias regiões do país com especial gravidade nas zonas Centro e Sul. Assinada pelo presidente da CEM, D. Inácio Saure, a nota combina solidariedade pastoral, apelo à acção e um chamado à esperança cristã. Na mensagem, os bispos manifestam proximidade espiritual e solidariedade fraterna para com as famílias enlutadas, desalojadas e todas aquelas que viram comprometida a sua dignidade e futuro. Os bispos lembram a passagem do apóstolo Paulo: «Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram» (Rm 12,15), sublinhando que a palavra de Deus interpela a comunidade a não permanecer indiferente perante o sofrimento alheio. A CEM apela com «sentido de urgência» à mobilização conjunta de fiéis, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil, confissões religiosas e parceiros internacionais, a fim de garantir apoio imediato às populações afectadas e recursos para a recuperação e reconstrução das comunidades. A mensagem destaca igualmente o papel da Cáritas Moçambicana, presente com delegações em todas as dioceses, como uma estrutura já empenhada na assistência às populações. Para além da resposta imediata, os bispos renovam o apelo a um compromisso sério com a prevenção, protecção da vida e cuidado da casa comum, para que o país esteja cada vez mais preparado para enfrentar cheias semelhantes no futuro.
jan 14 2026
GIRAPAZ: Iniciativa Inter-Religiosa para a Promoção da Paz, Estabilidade Social e Convivência Harmoniosa
Para a PAZ e a ESTABILIDADE SOCIAL Apresentamos a iniciativa de um grupo de líderes de diferentes confissões religiosas da Província de Nampula, membros de Igrejas do Conselho Cristão de Moçambique, Igrejas Pentecostais, Igreja Católica e do Conselho Islâmico de Moçambique, unidos pelo propósito de fomentar o diálogo inter-religioso e fortalecer o papel das religiões na construção da paz e estabilidade social combatendo a intolerância religiosa e os desafios sociais que impactam a convivência pacífica entre comunidades de distintas crenças. Este grupo surge como resposta aos desafios identificados durante a II Conferência Provincial das confissões religiosas, realizada em Setembro de 2024, onde se destacou a importância da liberdade religiosa e do combate ao terrorismo como pilares fundamentais para uma sociedade estável, aliado a onda de manifestações violentas decorrentes após a realização das eleições gerais em Outubro passado, onde alguns irmãos que professam várias religiões tiveram a sua fé tentada e se envolvendo em comportamentos inadequados à postura religiosa. Programa de acção O objectivo do GIRAPAZ é criar e operacionalizar um grupo inter-religioso de reflexão e acção que promova o diálogo contínuo entre diferentes confissões religiosas e a sociedade civil, fortalecendo as relações entre elas e colaborando para estabilidade social nos distritos da Província. Este projecto será implementado num período de 12 meses, de Setembro de 2025 a Agosto de 2026, com o foco especial na criação de espaços de debate e colaboração inter-religiosa. Os temas de reflexão escolhidos são: Paz e estabilidade social; Liberdade religiosa e Cooperação Inter-religiosa; Combate a intolerância e ao Extremismo; Promoção de valores Comunitários e Respeito pelas Diferenças. Os encontros de reflexão serão apresentados em diferentes Distritos, garantindo que a iniciativa alcance diversas comunidades e estimule a cultura do diálogo como caminho; a colaboração comum como conduta; o conhecimento mútuo como método e critério; para além da tolerância e respeito. Estratégias de trabalho a) Criação e coordenação de grupos para promover a troca de conhecimentos e experiências. b) Diálogo comunitário nos Distritos: Os grupos inter-religiosos realizarão debates periódicos nos Distritos. c) Parcerias institucionais: Será estabelecida colaboração com órgãos governamentais, organizações não-governamentais, organizações da sociedade civil e instituições académicas. d) Capacitação dos líderes religiosos: Oficinas e formações serão promovidas para fortalecer a abordagem de tolerância e resposta entre as confissões religiosas. Reflexões em duas perspectivas, sendo uma cristã e outra islâmica. e) Campanhas de sensibilização: Utilização de meios de comunicação, redes sociais e outros, para o reforço de mensagens de paz e coexistência. f) Monitoramento e avaliação: O projecto será avaliado continuamente para garantir seu impacto e ajustar estratégias conforme necessário ao longo dos 12 meses de implementação. Resultados esperados Dentre vários resultados esperados com a implementação deste projecto há que destacar os seguintes: a) Compreensão mais profunda dos conceitos de paz, estabilidade social e convivência harmoniosa nas comunidades abrangidas; b) Maior compreensão do papel da religião na promoção da paz e mediação de conflitos, assim como o fortalecimento do espírito de tolerância religiosa e respeito pela diversidade cultural, étnica e social; c) Redução de discursos de ódio, preconceitos e práticas discriminatórias entre e dentro das comunidades religiosas; d) Compromisso com a disseminação de mensagem de paz, respeito e solidariedade nas suas comunidades de fé; e) Integração de temas de paz e direitos humanos nos sermões, palestras e actividades religiosas; f) Contribuição dos líderes religiosos para a implementação de políticas locais de inclusão e desenvolvimento sustentável
“𝗡𝗘𝗡𝗛𝗨𝗠𝗔 𝗙𝗘́ 𝗝𝗨𝗦𝗧𝗜𝗙𝗜𝗖𝗔 𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔” 𝗣𝗔𝗥𝗢𝗟𝗜𝗡 𝗔𝗗𝗩𝗘𝗥𝗧𝗘 𝗘𝗠 𝗖𝗔𝗕𝗢 𝗗𝗘𝗟𝗚𝗔𝗗𝗢
O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, reuniu-se na última terça-feira (09/12) com o Centro Inter-Religioso para a Paz (CIPAZ), num encontro que juntou líderes muçulmanos, cristãos e representantes de outras confissões religiosas. Segundo a página oficial da Diocese de Pemba no Facebook, Parolin destacou que “a religião não é, nem deve ser, pretexto para a violência”, sublinhando que a fé autêntica rejeita o ódio, a exclusão e qualquer forma de discriminação. Reforçou ainda que religião e paz “devem caminhar juntas” e reafirmou o compromisso da Igreja em manter um diálogo inter-religioso sincero e respeitoso. Ainda de acordo com a Diocese de Pemba, o Presidente do Conselho Islâmico de Cabo Delgado, Domingos Arlindo, agradeceu a presença do Cardeal, afirmando que a sua visita ocorre num momento em que as comunidades clamam pela paz e harmonia social. Sublinhou que a presença de Parolin fortalece a união entre as religiões e encoraja o esforço conjunto para pôr fim à violência extremista. O encontro terminou com um apelo para que o Cardeal visite mais vezes a província, gesto que, segundo o líder muçulmano, honra profundamente as comunidades locais. Imagens: Pagina da Diocese Pemba
Dom Lúcio Andrice Muandula nomeado novo bispo de Chimoio
O Papa Leão XIV nomeou, esta quarta-feira, 17 de dezembro, Dom Lúcio Andrice Muandula como novo bispo da Diocese de Chimoio, segundo informação divulgada pela Santa Sé. Até então bispo da Diocese de Xai-Xai, Dom Lúcio Andrice Muandula nasceu a 9 de outubro de 1959, em Maputo. Possui formação em Filosofia e Teologia pelo Seminário São Pio X e é doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Gregoriana de Roma. Ordenado sacerdote em 1989 para a Arquidiocese de Maputo, foi nomeado bispo de Xai-Xai em 2004, diocese onde exerceu o seu ministério episcopal até à nova missão pastoral agora confiada em Chimoio.
𝗙𝗶𝗱𝗲𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗰𝗲𝗿𝗱𝗼𝘁𝗮𝗹 𝗾𝘂𝗲 𝗖𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗼́𝗶 𝗼 𝗔𝗺𝗮𝗻𝗵𝗮̃ 𝗱𝗮 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮
Na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, publicada por ocasião dos 60 anos dos Decretos conciliares Optatam totius e Presbyterorum Ordinis, o Papa Leão XIV reafirma que o futuro da Igreja passa por uma vivência fiel, renovada e missionária do ministério presbiteral. Partindo do encontro pessoal com Cristo como base da vocação, o Papa sublinha a importância da formação permanente, da fraternidade entre os sacerdotes, da sinodalidade e do discernimento responsável no uso das mídias, num mundo marcado por rápidas mudanças culturais e tecnológicas. Longe de ser mera comemoração, o documento é um forte apelo à conversão quotidiana, à caridade pastoral e ao serviço humilde da evangelização, lembrando que o sacerdócio é dom, compromisso e amor eucarístico vivido para que Cristo seja conhecido e amado por todos.
𝗘𝗻𝗰𝗲𝗿𝗿𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗼 𝗔𝗻𝗼 𝗝𝘂𝗯𝗶𝗹𝗮𝗿: 𝗔𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗮̀ 𝗘𝘀𝗽𝗲𝗿𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗲 𝗮𝗼 𝗖𝗼𝗺𝗽𝗿𝗼𝗺𝗶𝘀𝘀𝗼 𝗣𝗮𝘀𝘁𝗼𝗿𝗮𝗹 𝗲𝗺 𝗡𝗮𝗺𝗽𝘂𝗹𝗮
No encerramento do Ano Jubilar 2025, vivido como tempo de graça, reconciliação e renovação da fé, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, apelou a um balanço espiritual profundo, sublinhando que o Jubileu, celebrado num contexto marcado pelo Natal e pelo fim do ano, recordou que todos, sem distinção de profissão, condição social ou percurso de vida, são filhos de Deus e destinatários da Sua misericórdia. Ao longo do ano, as celebrações jubilares envolveram diversos grupos sociais e eclesiais, reforçando o lema “Peregrinos da Esperança”, mas o prelado alertou para desafios sérios na sociedade, como famílias fragilizadas por conflitos, irresponsabilidade parental e perda de valores, bem como o consumo de drogas entre adolescentes e jovens, descrito como um verdadeiro veneno que ameaça o futuro das crianças, desestrutura os lares e alimenta a violência, interpelando a Igreja em Moçambique a reforçar a sua presença, proximidade e acção pastoral junto das famílias e da juventude.
Mais dois Sacerdotes na Arquidiocese de Nampula
Os Padres Jeremias José da congregação São João Baptista e Xavier Ligório, do clero diocesano, foram ordenados no domingo, 25 de Junho. Com a ordenação desses dois sacerdotes, a arquidiocese de Nampula passa a contar com 50 Sacerdotes, sendo 45 padres diocesanos e 5 da congregação São João Baptista. Os dois novos sacerdotes foram ordenados por Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula, o qual recordou que aquele que entra nessa missão, não pode nem deve ser orgulhoso e tem a obrigação de cumprir integralmente aquilo que disse na sua consagração, que se resume no bem servir o povo de Deus e fazer chegar a sua palavra a toda a humanidade. “Devem ser coerentes e testemunhos fieis de Deus perante o povo, através do vosso modo de viver e em todas as vossas actividades.” – orientou Dom Inácio, apelando para que “procurem guiar os fieis num único caminho que conduz a Cristo sem os deixar perderem-se”. Recordou que tudo que esteja escondido virá a descoberta. Numa clara alusão de que os padres, devem dar sempre um bom exemplo, para que o seu sacerdócio não seja desacreditado. “Jesus Cristo nos adverte: Não há nada que esteja coberto que não venha descobrir-se nem oculto que não venha conhecer-se”.- disse Dom Inácio, recordando que teria falado isso noutras homilias, mas que infelizmente sabe que ainda há problemas, mas, referiu, “o povo de Deus acabará sabendo tudo, por isso sejam pessoas de uma oração pessoal e intensa com a qual vos alimenteis espiritualmente e organizar belas celebrações com os fieis, que poderão ser de bom proveito para o povo de Deus mas não para vós mesmos, porque a ser assim serão teatros a baixo custo sem nenhum efeito espiritual sobre as vossas vidas”. Naquela homilia, o Arcebispo de Nampula lembrou que o povo quer ver Deus nos seus servos, numa altura em que o número de Padres continua insuficiente, olhando pelo povo que precisa de ser alimentado com a palavra de Deus. A igreja precisa de sacerdotes de qualidade e não em quantidade “Vocês querem ter padres sem qualidade?” – questionou Dom Inácio, que dirigindo-se aos fieis e familiares dos dois novos Padres, pediu apoio incondicional como forma de eles conseguirem fazer o trabalho de Deus sem correrem o risco de caírem em tentação. “Não tenhais medo de vos aproximardes deles, para lhes dizer uma palavra de encorajamento quando eles estão no bom caminho mas também de correção fraterna quando se enganarem”. – Advertiu, pedindo atenção dos familiares, no sentido de as suas casas não servirem de esconderijos de filhos feitos as escondidas, pois, disse, “para quem a vida sacerdotal não serve, deve ir para outra vida, porque ninguém é obrigado a ser sacerdote para toda a vida”. “Não queremos ouvir aquilo que se diz por aí: –Ah, os padres de hoje não prestam”. – disse Dom Inácio pedindo para que todos os fieis orem para os sacerdotes, sem os caluniar. Sejam promotores da paz que continua a ser um bicho de 7 cabeças Através de várias mensagens apresentadas na ocasião, as comunidades assumiram o compromisso de dar o seu apoio aos novos sacerdotes, para que sejam, na verdade, promotores da paz, que continua a ser muito necessária, numa altura em que a província de Cabo Delgado está a sofrer ações terroristas. A Mensagem do Clero Diocesano, por exemplo, apresentada pelo respetivo Secretário, Padre Serafim Muacua, refere que a ordenação dos dois padres, representa um presente que Deus concede ao povo de Nampula, numa altura em que o país, celebrava a sua independência. Dirigimo-nos a vos irmãos em cristo para desejar as nossas notas de boas vindas no ministério sacerdotal e de modo particular ao Padre Xavier Ligório do clero diocesano de Nampula, um clero que apesar dos vários desafios da vida busca viver e se manter na alegria do evangelho, no empenho pastoral com vista a salvação das almas do rebanho que lhe foi confiado”. – lê-se na mensagem, a qual sublinha que “em virtude da vossa ordenação, senhores padres, o espirito do senhor está sobre voz, porque vos ungiu para pregar o evangelho aos pobres”. “Ele vos enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação de vista aos cegos, para restituir a liberdade aos oprimidos”. – sublinha ainda a mensagem, destacando que “proclamar a libertação dos aprisionados, a recuperação a vista aos cegos e restituir a liberdade aos oprimidos no mundo, sobre tudo no país em que estamos, continua sendo um bicho de sete cabeças”. Recordando a mensagem de Jesus, segundo a qual “deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”, os padres diocesanos apontam que “por a paz ser um bem necessário, os novos Sacerdotes não podem pensar que seja um trabalho fácil semear a paz através do evangelho, quando ainda aqueles que simulam ser promotores dela, apenas se limitam a cantar – “Paz, paz, paz, paz, com mãos erguidas para o céu, mas com os pés pisando os outros”. O Sacerdote Diocesano Xavier Ligório foi ordenado com o lema: – “Eis-me aqui, senhor, envia-me a mim”. Enquanto que o Padre Jeremias José, da congregação São João Baptista escolheu o lema –“ Como retribuirei ao senhor por tudo que ele me deu, elevarei o cálice da salvação invocando o nome do senhor”. Padre Xavier Ligório nasceu no distrito de Moma em 1992 e o padre Jeremias José, nasceu em 1983 no distrito de Pebane, na Província de Zambézia. Por Elísio João


