Fevereiro é, em Moçambique, o mês dos heróis porque a 3 do mesmo mês celebra-se o dia nacional dos “Heróis”, uma ocasião para reflectir sobre os feitos daqueles que se empenharam na luta pela independência do país e para honra-los pela sua dedicação na construção da nação moçambicana. Este facto serviu de pretexto para a escolha do nosso tema deste mês: “Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo”.
O que é um herói?
Na conceção secular tradicional, herói é uma pessoa de coragem excecional, integridade moral e capacidade de sacrifício, motivada por ideais meramente humanos, sociais ou éticos. No Novo Testamento, verdadeiro herói é aquele que, através da fé, obediência à vontade de Deus, humildade, serviço e sacrifício segue Jesus e está disposto a enfrentar perseguição por causa do Evangelho.
Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo bíblico
O modelo bíblico de heroísmo, por excelência, é Jesus Cristo. Ele é também a fonte do heroísmo bíblico pois de si provêm todas as graças para que o indivíduo tenha a perfeição (cf. Mt 5,58; Jo 14,6; Hb 5,8-9). O exemplo mais eloquente de heroísmo que Jesus deu é o seu sacrifício supremo na cruz por amor incondicional (cf. Jo 3,16; Mt 20,28; Hb 10,10), entregando livremente sua vida (cf. Jo 10,18) para expiação dos pecados da humanidade, demonstrando humildade (cf. Mt 11,29; Jo 13,5; Fl 2,6-8), obediência (Mt 26,39; Jo 6,38; Jo 8,29; Fl 2,8) e serviço (cf. Mt 20,26-27; Mc 10,45; Lc 22,27; Jo 13,14-15). Nisso, o heroísmo de Jesus está em forte contraste com a conceção secular tradicional de heroísmo que valoriza a força, o poder e a glória humana.
“O discípulo não é superior ao mestre…”
Se Jesus é modelo e fonte de heroísmo, todo seu discípulo é chamado a ser um “herói” no sentido de viver uma vida de fé, superação e impacto, seguindo o modelo do Mestre, porque “o discípulo não é superior ao mestre, mas todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre” (Mt 10,24). O estar com Jesus deve transformar radicalmente a pessoa e torna-la um agente de transformação, capaz de enfrentar desafios. Portanto, todo discípulo de Jesus é chamado a seguir o Mestre também no heroísmo, que se manifesta na renúncia total do próprio “eu” egocêntrico para se voltar a Deus, na tomada da própria cruz, isto é, aceitação das dificuldades, perseguições e sacrifícios que vêm com a fé cristã, e na obediência amorosa a Jesus, pondo em prática as suas obras com fé inabalável e serviço sacrificial (cf. Mt 16,24).
Por isso, “Não temais” (Mt 10,26-33)
Por isso, ao enviar os seus discípulos, Jesus os adverte de que as perseguições e incompreensões, que se traduzirão em sofrimento, gerando medo e angústia, são inevitáveis; entretanto, garante-lhes a contínua ajuda e protecção de Deus ao longo de todo o caminho, sinal da sua atenção e amor por eles; por isso, “não temais” (cf. Mt 10,26.28.31).
Os discípulos de Jesus devem proclamar com coragem, com convicção, com coerência e com abertura, por palavras e por atitudes, evitando a cobardia e o comodismo, a mensagem libertadora do Mestre a fim de transformar o mundo, libertando a todos, homens e mulheres, de tudo aquilo que lhes rouba a vida e a felicidade: a opressão, o egoísmo, o sofrimento, o medo.
O verdadeiro temor não deve ser de quem apenas pode matar o corpo, mas de Deus que pode destruir o corpo e a alma, fazendo perder a possibilidade de chegar à vida definitiva, um dom que Deus oferece àqueles que aceitaram pôr a própria vida ao serviço do Reino.
Quem procura percorrer com fidelidade o caminho de Jesus não precisa viver angustiado pelo medo da morte pois Deus tem um cuidado especial por cada pessoa, como mostra a imagem dos passarinhos, insignificantes e indefesos, e a contagem dos cabelos. Há, portanto, que confiar absolutamente na solicitude, no cuidado e no amor de Deus e empenhar-se, sem medo, na missão.
Conclusão
Todo cristão é chamado a ser herói, isto é, à perfeição e à imitação de Cristo, onde a verdadeira bravura se manifesta na entrega total a Deus e ao próximo, sendo sal e luz do mundo, transformando-o com pequenas acções de bondade, justiça e coerência com o Evangelho, encontrando poder na fé para superar as limitações humanas e a própria morte.
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