Vale mais a pena morrer pobre do que enriquecer matando os outros. A vida é um dom sagrado de Deus, oferecido gratuitamente a cada ser humano, independentemente da sua condição social, económica, cultural ou religiosa. Apenas a Deus compete dar e tirar a vida. Nenhum ser humano, por mais poderoso, rico ou influente que seja, tem autoridade para decidir sobre a vida do outro — muito menos quando essa decisão é movida pela ambição, pela ganância ou pela sede insaciável de riqueza.
Vivemos tempos difíceis, marcados por uma profunda crise de valores humanos, morais e espirituais. As relações entre as pessoas tornaram-se frias, calculistas e perigosamente individualistas. Cada um parece preocupar-se apenas consigo mesmo, com o seu sucesso pessoal e com o seu bem-estar imediato, colocando a vida do próximo em segundo plano. Vive-se como se o sofrimento alheio fosse irrelevante, como se a dor do outro não tivesse importância alguma. Este modo de viver revela uma sociedade ferida e doente, que perdeu o sentido do sagrado e da fraternidade.
Neste contexto, ganha força uma lógica perversa, segundo a qual “os fins justificam os meios”. Trata-se de um verdadeiro maquiavelismo social, no qual não importa como se alcança a riqueza ou o poder, desde que o objectivo final seja atingido. Esta lógica é profundamente desumana e anticristã. É uma visão pagã da vida, que transforma o ser humano em instrumento e não em fim. No entanto, a fé cristã recorda-nos que todos fomos criados para viver, para amar e para cuidar uns dos outros, enquanto caminhamos nesta terra à espera da segunda vinda de Cristo, nosso Salvador.
Todos havemos de morrer. Esta é uma verdade incontornável. A morte não escolhe classe social, não respeita estatutos nem títulos. Morrem ricos e pobres, jovens e velhos, fortes e fracos, negros e brancos. A morte coloca todos no mesmo nível e recorda-nos que as riquezas acumuladas, muitas vezes com tanto sacrifício e violência, não acompanham ninguém para o túmulo. O que permanece é apenas a memória das nossas acções e a responsabilidade diante de Deus. Por isso, qualquer riqueza construída sobre a morte, o sofrimento e o sangue de outros seres humanos não conduz à felicidade verdadeira. Uma riqueza que nasce de assassinatos, sacrifícios humanos, feitiçaria ou práticas ocultas não traz paz interior, não gera segurança nem alegria duradoura. Pelo contrário: cria medo, desconfiança e destrói famílias inteiras, levando, inevitavelmente, à condenação moral e espiritual.
É triste e revoltante constatar que estas práticas não são apenas histórias antigas ou lendas urbanas. Elas acontecem no seio das nossas comunidades, muitas vezes dentro das próprias famílias. Há tios, irmãos e pais que, movidos pela ganância, recorrem a feiticeiros e curandeiros para “fortalecer” os seus negócios, acreditando que a prosperidade só será possível à custa da morte ou da desgraça de alguém próximo. Em muitos casos, as vítimas são os próprios filhos, netos ou sobrinhos. Essas pessoas enriquecem rapidamente, exibem sinais exteriores de sucesso e sentem-se invencíveis. No entanto, esquecem-se de que também elas vão morrer. E, quando esse dia chegar, terão de prestar contas a Deus por cada vida destruída, por cada lágrima derramada, por cada injustiça cometida. Deus é paciente, mas é justo. A sua justiça pode tardar, mas nunca falha.
Que sucesso é esse que se constrói sobre o medo, a morte e a destruição dos laços familiares?
Nenhuma pessoa que vive da bruxaria está isenta da morte. Nenhuma prática oculta pode salvar alguém do juízo divino. Há pessoas que já não conseguem dar um passo sem recorrer à feitiçaria: para estudar, para trabalhar, para casar ou para enriquecer. Toda a vida passa a ser governada pelo medo e pela dependência do mal. Este tipo de vida não traz felicidade verdadeira; gera angústia, insegurança e isolamento. Viver sabendo que os próprios familiares o temem, não por respeito, mas por medo, é uma tragédia humana. Um bom pai, um bom tio ou um bom irmão não é aquele que enriquece destruindo a vida dos outros, mas aquele que protege, educa, orienta e promove a vida em abundância.
É importante afirmar com clareza: para enriquecer, ninguém precisa de matar ninguém. Não é necessário destruir vidas para alcançar estabilidade económica. O trabalho honesto pode ser lento e difícil, mas preserva a dignidade humana e a paz de consciência. A pobreza vivida com dignidade vale muito mais do que a riqueza manchada de sangue. No fim, não seremos julgados pela quantidade de bens acumulados, mas pela forma como respeitámos a vida, promovámos a justiça e cuidámos uns dos outros.
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