Até quando durará o sofrimento em Moçambique? Um país tão rico em recursos minerais, terrestres, marinhos e florestais, mas que continua mergulhado na pobreza. O mais inesperado, triste e difícil de acreditar foi o surpreendente facto de, na última classificação sobre a pobreza global, o país ter caído para a segunda posição a nível mundial. Nas décadas de 80 e 90, momentos antes de começar a extração em grande escala de muitos recursos, o país ocupava sempre a quinta ou a sexta posição; actualmente, porém, apesar da exploração de diversos recursos, caímos quase no extremo inferior do desenvolvimento.
A população vive sem sossego devido a acontecimentos horríveis, que vão desde a insurgência armada até aos relatos chocantes de desaparecimento de órgãos genitais, episódios que provocam mortes injustas e espalham o terror. Penso que as entidades competentes devem, urgentemente, procurar mecanismos eficazes para pôr fim a estas hostilidades no país.
Mesmo no tempo de Moisés, as dez pragas do Egipto — enviadas por Deus através de Moisés e Aarão para convencer o Faraó a libertar o povo de Israel da escravidão — que provocaram uma série de catástrofes descritas no livro bíblico do Êxodo (capítulos 7 a 12), tiveram um fim, e o povo finalmente ficou livre. Portanto, o governo deve preocupar-se genuinamente com o seu povo, a partir da resolução dos problemas concretos que inquietam e ameaçam o bem-estar das famílias. O Senhor falou aos sacerdotes: “Tomai a arca da aliança e ide diante do povo”. Eles tomaram a arca e caminharam à testa do povo (Js 3,6).
A forma como vivemos hoje não dignifica a moçambicanidade. Moçambique é amplamente reconhecido como uma sociedade com enormes jazigos de recursos, necessários para alavancar processos sérios de desenvolvimento económico e social que permitam gerar bem-estar e prosperidade para todos. É fundamental que os governantes mudem a visão centralizadora de que decidem tudo sozinhos, e passem a considerar que são apenas mais um actor neste processo de desenvolvimento do país. Nós, a população, queremos a paz e a liberdade de nos engajarmos no processo de desenvolvimento de forma individual e colectiva.
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