Em muitas zonas de Nampula ou de Inhambane, por exemplo, o sustento do povo baseia-se na machamba de subsistência e na produção de carvão vegetal. Contudo, cada família planta, consome, vende e sofre sozinha. Sozinha, a mandioca pode render apenas 20,00 MT por molho. Sozinho, o carvão destrói a floresta e resulta em multas pesadas.
O problema nas nossas comunidades, muitas das vezes, não é a falta de trabalho; é a falta de união. O associativismo é o atalho para transformar a terra, a mão-de-obra e o carvão em rendimento que permanece na própria comunidade. Apresentamos quatro projetos simples que começam com menos de 2.000,00 MT por família.
Caixa Agrícola Rotativa – “O Xitique da Enxada”
Um grupo de 10 famílias organiza-se, e cada uma contribui com 200,00 MT por mês. Todos os meses, uma família recebe o total de 2.000,00 MT para comprar sementes, enxadas ou para alugar uma charrua ou um trator. Sem bancos e sem juros. Ao fim de 10 meses, todas as famílias investiram na sua produção.
Farinha de Mandioca com Marca da Comunidade
Um grupo de 5 mulheres junta-se para torrar farinha um dia por semana, utilizando o carvão local. Embalam o produto com uma etiqueta simples: “Farinha de Wakhunteya”. A mandioca que antes saía a 20,00 MT o molho, transformada em farinha, passa a valer 70,00 MT por quilo. O investimento inicial é de apenas 1.500,00 MT.
Carvão Legal + Horta de 45 Dias
Uma associação de 8 carvoeiros assume o compromisso: para cada 10 sacos de carvão produzidos, plantam um canteiro de couve ou de tomate. O carvão garante o sustento de hoje; a horta assegura o de amanhã. Além disso, a cinza do carvão é reaproveitada como adubo orgânico. O custo financeiro é zero.
Banco de Sementes Comunitário
Cada família guarda 2 kg da sua melhor semente num bidão comunitário. Quem pede sementes emprestadas para a sementeira, devolve 3 kg na altura da colheita. O custo envolve apenas a compra dos bidões e do produto contra o gorgulho, somando cerca de 800,00 MT. Em dois anos, o banco de sementes triplica de tamanho.
Conclusão
Um projeto grande começa sempre pequeno. Não é necessário esperar por um trator ou por uma ONG. Basta que 5 vizinhos ou membros da comunidade estejam decididos a fazer a experiência durante 30 dias. Começa com quem já produz carvão junto ou tem uma machamba vizinha.
A pergunta certa a fazer é: “O que podemos fazer já na próxima segunda-feira com 500,00 MT?” Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito. A machamba do futuro nasce da conversa de hoje.
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