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set 23 2026

A PLANIFICAÇÃO DE PEQUENOS PROJECTOS: A SEMENTEIRA

Pe. Sérgio Vilanculo

Todo o projecto exige planificação. O trabalhar a terra também exige planificar-se, mesmo que certas coisas não dependam exclusivamente do camponês. Setembro chega e, com ele, chega o tempo de começar a preparar a terra, pensar nas culturas a produzir e garantir as sementes. Uma boa colheita requer igualmente uma boa planificação e muito esforço. Há um provérbio macua que diz o seguinte: “Quando tu vês o teu vizinho ou as pessoas a irem à machamba, tu também faz o mesmo. Porque não há nada de graça que caia do céu, a não ser a chuva para ajudar naquilo que tu começaste”.

As pequenas comunidades começam a agitar-se; vê-se por toda a parte fumaça resultante das queimadas. São as pessoas a preparar o meio. Apesar de ser uma prática bastante contestada ultimamente, é o começo do trabalho. Além da preocupação com a terra, a atenção volta-se para a escolha da cultura, que está também aliada ao terreno a ser cultivado, de modo que as primeiras chuvas te encontrem já devidamente preparado. Convém sempre adquirir as sementes quanto antes. Ora vejamos: por vezes, a chuva começa no princípio de Outubro. Normalmente, na chamada “primeira campanha”, os preços de compra de sementes começam a subir, independentemente do tipo de semente. Por exemplo, o amendoim que tu vendeste a 50,00 MT/Kg, neste tempo podes comprá-lo por 100,00 MT ou 150,00 MT/Kg. Contudo, passada esta, segue-se a segunda campanha em Novembro e pode ir até uma terceira campanha, independentemente de quando tu começas a preparar o teu terreno.

O ideal é ter as sementes guardadas em casa; isso torna o processo mais fácil e poupa mais dinheiro e mais esforço. Pois, depois de ter preparado o terreno, começas a preparar (descascar, nesse caso) a semente para que, logo que venha a chuva, comece a sementeira. A vantagem deste tipo de sementes é que não precisam de produtos químicos para sair bem; o que precisam é de chuva normal e boa sacha. Por isso, é sempre bom pensar numa boa gestão e numa prudência aguçada: quando temos a colheita, além de vender tudo, podes optar por vender uma metade e a outra metade guardar para a outra fase das sementeiras. Por exemplo, se alguém conseguiu mais ou menos 5 sacos de amendoim, vende dois sacos e três sacos ficam consigo. Por isso vale a nota: vale mais a pena guardar a semente em casa do que comprá-la caro depois.

Um outro aspecto a ter em conta é o factor capital e pessoal. É tempo de sonhar um pouco mais alto: tempo de passar de projectos de subsistência a projectos que rentabilizem mais. Se para esta campanha eu contava com dois sacos de sementes, na próxima apostarei em cinco e, consequentemente, terei de aumentar o pessoal. Assim, o empreendimento crescerá mais. No próximo número aprofundaremos este trampolim.

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