Desde os tempos remotos, entre os séculos V e IV a.C., o diálogo vem assumindo um papel imprescindível na vida da humanidade em diferentes esferas (social, política, económica), mostrando-se um vector de união, reconciliação e estabilidade na sociedade. A mulher, por vezes marginalizada desta arena, ocupou um papel reconciliador fundamental nesta longa história.
Nos dias que correm, com o crescente desenvolvimento das tecnologias de comunicação no mundo em geral (redes sociais como WhatsApp, Instagram, Facebook, etc.) aliado ao seu mau uso, as famílias já não se encontram; os princípios e os valores éticos e morais tendem a perder-se. Neste cenário constrangedor, a mulher surge como um fermento que leveda a massa por dentro. Ela, como guardiã de valores e princípios, actua discretamente, buscando tornar o encontro familiar não uma ocasionalidade, mas uma possibilidade efectiva.
Em Moçambique, em particular, os conflitos pós-eleitorais, a pobreza, o desemprego e as tecnologias de comunicação acima mencionadas concorrem para a ausência da paz e para a urgência da presença de um diálogo saudável e efectivo. Mas o que é o diálogo?
O diálogo é nada mais do que a escuta e o perdão. É o saber ouvir e acolher, o conhecer e não julgar. Uma ferramenta ou mecanismo que nos permite voltar a amar, viver e comungar com o nosso irmão. O texto de Mt 18 explica que o diálogo é o único mecanismo legítimo para a reconciliação; através dele é possível encontrar a paz e a harmonia, e nele identificar a presença de Jesus Cristo. Mas o que é a paz e qual a sua relevância para a sociedade?
A paz e a reconciliação são elementos indispensáveis e inegociáveis na vida do ser humano e da sociedade em geral. Elas assumem o estado de conformidade da tranquilidade e da harmonia económica, social e política. Porém, quando olhada no seu sentido particular, a paz pode ser relativa, dependendo de indivíduo para indivíduo.
A reconciliação, por sua vez, reside na reconstrução e no perdão ao próximo, permitindo a retoma da tranquilidade e da harmonia entre as partes. Aqui centra-se um papel fundamental da mulher. Muitas vezes, vemos a mulher como o elo de reconciliação familiar entre o pai e os filhos, por exemplo. É ela quem sabe fazer acalmar a voz do pai quando este está exaltado. É ela quem toma a dianteira na negociação dos desejos dos filhos junto do marido. Ela sabe como se expressar para que a mediação possa surtir o devido efeito.
No nosso contexto moçambicano em geral, e no das famílias moçambicanas, a reconciliação e a paz revelam-se elementos e ferramentas imprescindíveis para a harmonia, tranquilidade e desenvolvimento da sociedade. Sem paz não se pode falar ou pensar em desenvolvimento, pois sem ela não há investimentos, educação, saúde, etc. O verdadeiro diálogo comporta o caminho do perdão, da aproximação, da escuta e da comunhão.
O perdão deve ser o pão de cada família moçambicana, de cada governante; aquele que orienta as acções e as decisões de um lar, dos pais e da nação. É a partir do perdão que nasce a paz e através dele que também a restauramos. Uma família que não se comunica é uma família vazia; um irmão ou ser humano que não ouve e pouco sente o choro do seu irmão é um ser humano sem empatia.
Por isso, é cada vez mais necessário que tanto as famílias como os políticos conheçam e aceitem o verdadeiro caminho para a paz e a reconciliação. Não o ignorem nem façam pouco uso dele. É preciso um diálogo despido de poder, razões, artimanhas, orgulho, preconceito e ressentimento; mas sim, um diálogo repleto de humildade, empatia, escuta, aproximação, perdão e reconciliação.
Somente aceitando o caminho do verdadeiro e sustentável diálogo, guiados pela sensibilidade e firmeza do rosto materno da mulher, se pode conhecer o seu real sentido e alcance. Que cada mulher moçambicana continue a ser esse sinal vivo e inestimável, capaz de cultivar, restaurar e preservar a paz e a reconciliação no seio das nossas famílias e da nossa nação.
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