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ELIMINAÇÃO DO ENSINO NOCTURNO LEVANTA PREOCUPAÇÕES SOBRE INCLUSÃO EDUCATIVA EM MOÇAMBIQUE

A proposta de eliminação do ensino nocturno tem suscitado preocupações entre educadores, analistas sociais e encarregados de educação, num contexto nacional marcado por conflitos armados, raptos de professores e alunos, bem como por deslocações forçadas de populações do meio rural para os centros urbanos.

Para muitos cidadãos que, no passado, não tiveram acesso à escolarização regular, o ensino nocturno constitui a principal — e em muitos casos a única — oportunidade de continuidade dos estudos. A sua eventual extinção é vista por diversos especialistas como um retrocesso no esforço de inclusão educativa num país ainda marcado por profundas desigualdades sociais.

Dados e experiências no terreno indicam que o ensino nocturno tem desempenhado um papel relevante na promoção da justiça social, acolhendo trabalhadores, pais e mães de família que, devido a compromissos laborais e responsabilidades domésticas, não conseguem frequentar aulas durante o dia. A eliminação desta modalidade poderá conduzir ao abandono definitivo do sistema educativo por parte de milhares de estudantes, com impactos diretos na taxa de escolarização e na empregabilidade.

A aposta no ensino à distância como alternativa também levanta reservas, sobretudo devido às limitações de acesso à internet, à escassez de equipamentos tecnológicos e às condições socioeconómicas que caracterizam grande parte da população estudantil.

Perante este cenário, permanece a interrogação central: a eliminação do ensino nocturno contribuirá para a melhoria da qualidade do ensino ou aprofundará os mecanismos de exclusão de jovens e adultos do sistema educativo em Moçambique?

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