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set 01 2020

RENAMO EXALTA FIGURA DE VASCO NOVAELA CHARAMADANE

Realizou-se na última terça-feira (01.09) na cidade de Nampula o funeral do Antigo deputado da RENAMO na Assembleia da República de Moçambique, Vasco Novaela Charamadane. Charamadane aderiu ao partido RENAMO ainda jovem em 1983 e, nas primeiras eleições multipartidárias de 1994, foi eleito como deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Nampula, onde devido o seu empenho na casa do povo naquele ano foi eleito pela segunda vez como deputado, 1999. A despedida com o corpo presente do malogrado contou com a presença do presidente da Resistência Nacional de Moçambique – (RENAMO) Ossufo Momade, o qual exaltou a figura de Vasco Novaela Charamadane, devido ao seu contributo no crescimento do partido durante a sua permanência enquanto membro. Ossufo Momade explicou que devido o seu empenho na Assembleia da República, Vasco Charamadane foi eleito chefe provincial dos assuntos religiosos e membro da comissão politica provincial e membro da comissão nacional. Ossufo Momade explicou que o desaparecimento físico do ex-deputado da assembleia da republica deixa um vazio na família e no partido, pelo facto dele ter mostrado um bom exemplo para o crescimento do partido RENAMO. “A morte é a única certeza de que todos temos, mas quando ela aparece, nos colhe sempre de surpresa” – avançou Ossufo Momade. Aquele dirigente explicou que Charamadane morre num momento em que o partido precisa dos seus conselhos para o crescimento da RENAMO. Vasco Novaela Charamadane morreu no dia 31.08 no Hospital Central de Nampula com 76 anos de idade e deixa uma viúva e quatro filhos. (Júlio Assane)

ago 31 2020

UNIDADE DOS CRISTÃOS – UMA APOSTA DE LONGA DATA

UNIDADE DOS CRISTÃOS – UMA APOSTA DE LONGA DATA Por Pe Massimo Robol O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos realiza-se anualmente entre 18 e 25 de Janeiro, e é celebrado mundialmente desde 1908. “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” é o tema da edição deste ano, uma frase do livro dos Atos dos Apóstolos (28,2). O material para as celebrações, reflexão e oração desta semana especial foi preparado pelas Igrejas cristãs da Ilha de Malta. Em 10 de Fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessa ilha. A leitura dos Atos dos Apóstolos (27,18.28,10) usada na festa é o texto escolhido para a Semana de Oração deste ano. Cristo chama todos os seus discípulos à unidade: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Os cristãos enfrentam um grande desafio: fazer todo o possível, com a ajuda de Deus, para abater muros de divisão e desconfiança, superar obstáculos e preconceitos que impedem a proclamação do Evangelho a todos os homens e mulheres do nosso tempo. Todos os anos, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é uma oportunidade de ver se avança e de que maneira o processo de aproximação entre as Igrejas em direcção à comunhão plena e visível. A unidade dos cristãos será alcançada algum dia? E como vai ser? Essas são perguntas difíceis de responder, assim como é impossível prever como essa recomposição das diferenças será realizada. Sabemos que o Espírito Santo decidirá tempos e formas de unidade, entretanto os cristãos são solicitados a rezar e se comprometer para favorecer a sua acção. O tema proposto pela semana de oração deste ano sublinha o valor da hospitalidade. Esta é uma virtude muito necessária na nossa procura da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados. As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através da sua benevolência fora do comum que um povo dividido acaba por ficar unido. A nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham a nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (At 28,28).

ago 31 2020

HISTORIAL DO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO

HISTORIAL DO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO A génese O Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula a finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral. A proposta tornou-se realidade a 14 de Setembro do mesmo ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, com o decreto do Bispo da Diocese de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto.Ele idealizava o Centro Catequético como motor de arranque para uma pastoral encarnada no povo e caraterizada pela participação ativa dos leigos. Equipas de gestão do Centro Para a coordenação das várias atividades do Centro, pensou-se numa equipa intercongregacional, com a presença dos Missionários Combonianos, da Sociedade Missionária (Boa Nova), das Irmãs da Apresentação de Maria, das Irmãs Vitorianas, das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima e das Irmãs Missionárias Combonianas. Finalidade do Centro O Pe. Graziano Castellari, missionário comboniano, primeiro director do Centro, numa entrevista, recordava que os objectivos do Anchilo constituíram uma autêntica “profecia do futuro”.Ele sublinhava a importância“da formação de leigos que assumissem a responsabilidade do crescimento desta Igreja e descobrissem as formas particulares  e próprias de uma Igreja enraizada na própria cultura e no próprio povo. Naquele momento o Centro Catequético movia-se em três dimensões: catequistas, inculturação, liturgia. Cada uma destas três opções era um grande capítulo… Catequistas como sujeitos próprios de evangelização, e não simples delegados. Estudo da própria cultura e preparação dos novos missionários para amarem e respeitarem esta cultura, como um novo Belém onde Cristo continuava a incarnar-se. Colocar na mão dos cristãos a Palavra e a celebração dominical”. Opção Pastoral Como opção pastoral, foi dada prioridade: à Palavra de Deus traduzida em lingua macua; à catequese com conteúdos atentos aos sinais dos tempos; à reorganização do caminho catecumenal; à caridade; à justiça epaz e à formação na Doutrina Social da Igreja; à liturgia; à organização das pequenas comunidades cristãs; à informação; à pastoral da saúde e à prevenção das doenças; ao diálogo com o Islão e com a religião tradicional; ao ecumenismo; à iniciação tradicional em contexto cristão. O primeiro curso de dois anos para catequistas e suas esposas iniciou em 1970. No mesmo ano, foi fundado, no Centro Catequético do Anchilo, o Centro de Adaptação Missionária. O objectivo era preparar os missionários para o trabalho pastoral, através do estudo da língua, história, crenças religiosas, usos e costumes do povo macua, da história do país e da Igreja moçambicana, e das linhas da pastoral diocesana. Obras de construção A 3 de Janeiro de 1971, fez-se o lançamento da primeira pedra do bairro dos catequistas. O projecto previa a construção de 40 casas. A Revista Vida Nova Anchilo podia igualmente valer-se de um instrumento privilegiado de formação, informação e difusão das novas diretivas de renovação eclesial: a revista Vida Nova, fundada emMeconta, em 1960, com o nome de Boa Nova, por obra dos Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova). Quando foi aberto o Centro Catequético no Anchilo, a revista passou a ser alí editada, com o atual nomeVida Nova.Em breve tempo tornou-se um importante meio de comunicação para os cristãos. Os assuntos foram desde o princípio temas bíblicos, de catequese, de formação cristã, de liturgia, de promoção da mulher, de justiça e paz, de educação, contando sempre com a participação ativa dos leitores através de cartas e contribuições pessoais enviadas à revista.Ao longo destes 60 anos de actividade, na revista Vida Nova sucederam-se vários directores, os Padres: Graziano Castellari, Cornélio Prandina, Francisco Antonini, Pier Maria Mazzola, António Bonato, João de Deus Martinez González, António Manuel Constantino Bogaio, Tiago Palagi, Victor Hugo Garcia Ulloa. Atualmente, a equipa de redação é composta pelo Pe. António Bonato, missionário comboniano e Pe. Cantífula de Castro, do clero diocesano de Nampula. Importantes colaboradoras foram também as Irmãs Missionárias Combonianas: Pina Scanziani, Daniela Maccari e Marcela Moncayo. Posteriormente, colaboraram na revista as Irmãs de Nossa Senhora da Paz e Misericórdia: Deolinda Maria Edmundo Pires,Aida Gonçalves do Rosário e Natália José Toqueleque. Lembramos também a figura do Ir. Edgar Costa Marques, dos Missionários da Boa Nova, pelo incansável trabalho de impressão da Vida Nova. Juntamente com a revista, conquistaram também grande importância as edições do mesmo Centro. Foram imprimidos em língua macua textos sagrados e devocionais, catecismos e documentos da Igreja e subsídios para os vários ministérios das comunidades cristãs. Principal organizador destas traduções foi o Pe. Gino Centis, coadjuvado por alguns colaboradores, entre os quais os Padres Ambrogio Reggiori, Cornélio Prandina, Pier Maria Mazzola e o Sr. Daniel Sitora, que merece um agradecimento particular, pela sua dedicação e fidelidade ao serviço do Centro. Entretanto, nasceu tambémo Centro de Saúde do Anchilo, para responder às necessidades de assistência sanitária das famílias dos catequistas em formação. Em seguida, esta assistência estendeu-se também às populações vizinhas. O Centro de Saúde contou desde o princípio com a presença das Irmãs Missionárias Combonianas, entre as quais merecem um particular agradecimento as Irmãs Giulia Costa, Maria Pedron, Laura Malnati e Gabriella Visentin, que garantiram um apóio solícito e constante à população local. Pessoal missionário que serviu o Centro O Centro Catequético tornou-se um ponto de referência para a pastoral da Diocese, graças à presença e ao trabalho incansável de muitos missionários, missionárias e leigos comprometidos que colaboraram nas várias actividades e âmbitos de trabalho próprios desta realidade diocesana. No que diz resepito ao Centro Catequético, desde 1969 até 1975 estiveram presentes os Padres da Sociedade

ago 31 2020

CENTRO CATEQUÉTICO PAULO VI DE ANCHILO

ENCERRAMENTO DO JUBILEU DE 50 ANOS SEM DATA Por Kant de Voronha A paralisação das actividades motivada pelas sucessivas prorrogações do Estado de Emergência em Moçambique, influenciou negativamente na vida do Centro Catequético de Anchilo. A informação foi dada pelo Director daquele Centro pastoral que falando, em exclusivo, a nossa equipa de redacção, não esconde sua preocupação pelo facto de não ter havido cursos nem outros encontros durante 5 meses deste ano. “Isso prejudicou a presença de grupos assim como a própria auto-sustentabilidade da estrutura. De facto, o Centro cobre uma parte das despesas ordinárias através da venda de livros e das diárias dos cursistas”, disse o Pe Massimo Robol. A pandemia do Coronavírus mexe com toda estrutura existencial. Desde Março último (23) vários sectores da sociedade moçambicana viram-se condicionados na sua operacionalização visando mitigar e prevenir a contaminação massiva de COVID-19. O Centro Catequético Paulo VI não ficou alheio a essa realidade. Cinco meses depois de suspender todo programa de actividades, visando a sua retoma gradual, o Director do Centro em alusão, Pe Massimo Robol, salientou que por enquanto a prioridade vai para pedidos específicos de alguns grupos, aguardando a retoma das celebrações nas paróquias da Arquidiocese de Nampula. Pe Massimo Robol, Director “Neste momento, o Centro está a promover alguns encontros de capacitação e formação, limitando a actividade a alguns pedidos específicos da Caritas de Nacala e da CIRMO de Nampula. Acerca da programação para cursos de formação dos agentes de pastoral, o Centro está a espera que as paróquias retomem a sua actividade ordinária, e que as comissões arquidiocesanas organizem os seus encontros de formação também”. Em Outubro de 2019, o Centro celebrou a abertura do Jubileu dos 50 anos da sua fundação (1969). Porém, o seu encerramento que estava agendado para o dia 13 de Setembro de 2020 fica condicionado “à situação de incerteza que estamos a viver neste tempo da COVID-19. O Jubileu sofreu as limitações impostas pelo Estado de Emergência, assim que não foi possível dar a devida importância ao evento”, explicou Pe Massimo. Mas, porque “não é proibido sonhar”, foi enviado um inquérito a todas as paróquias e comunidades religiosas da Arquidiocese de Nampula com objectivo de colher sensibilidades e propostas sobre uma possível requalificação do Centro em função das prioridades indicadas por todos. Com efeito, a nossa fonte reconhece que “É necessário saber responder a este tempo de mudança com responsabilidade e competência, adequando o serviço às exigências do momento actual”. Como casa de todos, o Centro Catequético “está sempre disponível para acolher grupos ou comissões que queiram oferecer momentos de formação, para aprofundar aspetos da vida social e religiosa dos cristãos da Arquidiocese. O importante é saber aproveitar bem deste espaço, como lugar de encontro, de partilha de experiências pastorais, como laboratório para produzir material de informação e formação para que todos possam viver bem o dom da fé que receberam e são chamados a transmitir. Nisso, é necessário que todos se sintam responsáveis e protagonistas na vivência e na sustentabilidade do Centro, património da história e da tradição cristã da nossa Igreja local” apelou o Pe Massimo. Refira-se que o Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula em finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral inaugurado em 14 de Setembro do mesmo ano.

ago 27 2020

os nossos irmãos de Cabo Delgado

As Cáritas de Pemba, Nacala e Nampula continuam a apoiar, assistir e acompanhar as famílias deslocadas nos seus territórios. É a presença da Igreja que se faz hospital de campanha, como diz papa Francisco, para que a vida de Deus possa continuar a resplandecer apesar de tantas feridas. Apresentamos o testemunho do Pe. Davide de Guidi, pároco da paróquia de S. cruz, em Nampula que nos relata como a Providencia seja uma realidade. «Caríssimos/as, hoje experimentamos o milagre da multiplicação dos pães e peixes graças aos irmãos que doaram o seu tempo e os seus bens aos irmãos deslocados.  Foram atendidos com mantas, sabão,  arroz,  esteiras, baldes, feijão e mascaras 72 famílias com a cargo 594 pessoas recém chegadas. Agradecemos ao Senhor por esta celebração  de vida e pedimos sempre que cada um faca sempre a própria parte, para que este milagre continua a acontecer.  Agora não temos neste momento fundo, mas confiamos na sensibilização e apoio de todos, porque cada 5 f. os recém chegados possam ser bem acolhidos. A tarde houve também encontro de jovens deslocados com os nossos jovens e a equipe da juventude Arquidiocesana ofereceu uma carinha de roda a uma deslocada com grave malformação física. É Jesus que continuamente por meio dos nossos irmãos/as,  passa e cura o seu povo no coração e o levanta na sua dignidade. Muito e muito obrigado».

ago 27 2020

1º Aniversário da Visita do Papa Francisco à Moçambique

Por ocasião do 1º Aniversário da visita do Papa Francisco à Moçambique os nossos Bispos nos convidam a celebrar e recordar este acontecimento no Domingo 6 de Setembro 2020.   A seguir leia o comunicado da CEM enviado a todas as Comunidades do Pais: Nota Pastoral da CEM alusiva ao 1º aniversário da visita Papa Francisco a Moçambique

ago 27 2020

“Carta de apoio da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ao Dom Luiz, bispo de Pemba

carta de apoio ao Bispo de Pemba Dom Luiz Lisboa pela CNBB Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

ago 27 2020

Luenia Moçambique em Nampula

HCN recebeu material de higienização da SARS-COV-2 O Hospital Central de Nampula recebeu ontem (quarta-feira) da Luenia Moçambique, diversos materiais de higienização para fazer face a pandemia da SARS-COV-2. O material de higienização oferecido pela Luenia Moçambique é constituído por sabão e máscaras de fabrico caseiro para ajudar a reforçar o nível de protecção da COVID-19 da parte dos profissionais de saúde afectos naquela maior unidade sanitária da região Norte do país. O director geral do Hospital Central de Nampula, Cachimo Mulina, agradeceu o gesto que a Luenia Moçambique está a fazer para os profissionais de saúde daquele hospital e garantiu que vai ajudar bastante porque segundo suas palavras os profissionais de saúde estão sempre na linha de frente no combate a pandemia da SARS-COV-19. A Director da Luenia Moçambique, uma organização de assistência a comunicação, Lúcia Máquina, sublinhou que a oferta que a sua organização está a fazer vai ajudar aos profissionais de saúde do Hospital Central de Nampula a se prevenirem do Coronavírus, tendo em conta que a província de Nampula está neste momento a enfrentar a transmissão comunitária. (Júlio Assane)

ago 26 2020

A TRADIÇÃO DO LOBOLO

Por Judite Macuacua Pinto O Lobolo, é um costume dos nossos antepassados, entre os povos bantus em África, assim como em alguns países da Europa. Esta prática, ainda continua em vigor entre várias famílias, como primeiro passo de moldar as uniões conjugais, especialmente nas províncias do Sul do nosso País. Em algumas regiões de Moçambique, reza a tradição histórica, que na província de Gaza, o Lobolo era feito através de Tihakas ou seja, frutos da amarga erva espontânea e rasteira, conhecida por Cacana. Apesar de ser tão amarga como a Chicória, os habitantes desta província, bem como de toda a região Sul do nosso país, apreciam-na para a sua culinária, enquanto nas restantes regiões, Centro e Norte, é usada para fins medicinais. O significado do lobolo por tihakas, na óptica dos nossos ancestrais, era de que, à semelhança da cacana que gera os frutos tihakas, a mulher lobolada, também tem de ter o poder de procriação. Importa referir, que até aos nossos dias, nas regiões que esta pratica é tradicional e ao mesmo tempo cultural, nenhuma rapariga pode contrair o matrimonio quer seja civil e quer seja religioso, sem passar por este processo. Com o recrutamento dos primeiros grupos de moçambicanos para trabalhar nas minas de ouro na África do Sul, provavelmente na década dos anos 30, o Lobolo deixou de ser feito por Tihakas e passou a ser feito por enxadas, que de certo modo, significavam o início de uma relativa evolução desta prática. Assim, o sociólogo moçambicano, Adelino Esteves Tomás, define o Lobolo, como a compensação pela saída da noiva do seu grupo para o grupo do marido e pode ser constituído por enxadas, bois, dinheiro ou outros bens. Por outro lado, o lobolo é uma forma de compensar a família pela perda de um dos seus membros (mulher lobolada). Por se tratar de um fenómeno cultural milenar em África e particularmente em Moçambique e também na Europa, nos antigos romanos, sabe-se que havia uma prática de alianças entre as famílias, em que a mulher era um bem a negociar, um objecto de dádiva ou de troca. Nestas alianças, o futuro sogro ou o noivo, pagava um dote ao pai da noiva, dote que entretanto, ficava até ao nascimento do primeiro filho. De qualquer modo, como refere a fonte, no contexto da realidade, o casamento resulta de um acordo de conveniência, através do qual, o nubente, obriga-se também a entregar um dote (lobolo), avaliado em bens materiais aos parentes directos da noiva. É desta forma que, historicamente, o lobolo serve como um mero instituto de unificação das famílias nubentes.   Lobolo- Rosto da violência contra mulher? Num passado muito recente e até aos nossos dias, alguns segmentos da sociedade, entendem que a representação dominante entre os homens que adquirem as mulheres por meio do lobolo, eles não devem nada aos pais das mulheres e, por isso, elas não podem e nem devem questionar as decisões dos maridos nem desobedecer às suas ordens, pois tais homens escravizam e oprimem as suas mulheres, alegando que pagaram para as ter. Em suma, estas representações, permitem que os homens legitimem o seu poder sobre as mulheres, persuadindo-as que a contrapartida do lobolo pago, traduz-se na submissão incondicional que exigem e esperam das respectivas mulheres.   Aceitabilidade do costume do lobolo A este propósito, apesar de a sociedade, na generalidade se identificar com o costume do lobolo, pessoas há, que divergem quanto à aceitação ou não deste costume, sobretudo as mulheres, nas suas vidas.   É porque, no seu entender, volvidos vários anos após o fim da escravatura, ninguém pode comprar ninguém, por se considerar, na sua óptica, que o lobolo é uma forma de comprar a mulher e que o casamento não pode seguir essa linha de pensamento. No entanto, esta não aceitação do costume do lobolo é, de certa forma, o reflexo do carácter mercantil que o costume tem assumido ao longo da sua existência histórica, pois as sociedades evoluem e são dinâmicas. Decerto, o costume do lobolo é milenar e tem incidido na cultura de moldar as uniões conjugais e na crença da ligação com os defuntos, informando-os sobre os filhos que daí serão gerados. Por outro lado, estas práticas são reproduzidas na vida adulta dos casais e legitimam a violência contra as mulheres que resulta na subalternização das próprias mulheres e na sua relegação a um estatuto inferior na família e na sociedade. Finalmente, importa-nos referir que, sendo o lobolo um costume, também se assemelha às pressões sociais, que muitas vezes são responsáveis pela manutenção de certas formas de violência doméstica, pelo seu impacto negativo, principalmente nas mulheres de pouca escolaridade às quais, de forma exclusiva, estão sujeitas ao aconselhamento pré-nupcial.

ago 26 2020

COMPRA-SE O QUE ESTÁ NA MONTRA

Por Kant de Voronha A realidade actual mostra-nos que o mundo está com pernas para o ar e cabeça para baixo. ??Há de tudo e menos nada??. O mundo feminino está registando mudanças significativas que ninguém poderá devolver às bases originais. Vivemos no tempo da globalização da nudez, das roupas sensuais, transparentes e, se possível, curtas. Não se trata de uma moda que só atinge as jovens porque mesmo as mamãs, as avós etc., vestem-se de forma envenenada pela globalização. Parece que a camada juvenil aprende com as mais velhas e assim se constroem os laços e as estruturas sociais do nosso tempo. Certo dia, por volta das 16h começava o cenário de “hora de ponta”. O corre-corre dos carros e toda a moldura humana agitavam-se de volta para suas casas. Na ocasião, na paragem do autocarro, estava uma rapariga que usava uma mini-saia muito apertada. Quando o chapa-cem chegou e era a sua vez de entrar, aquela menina apercebeu-se que a saia estava tão apertada que ela não conseguia levantar a perna o suficiente para chegar ao primeiro degrau do carro. Tentando arranjar uma maneira de conseguir levantar a perna ela recuou, olhou o mundo masculino a sua volta, esticou os braços para trás e desapertou um bocadinho o fecho da saia. Ainda assim não conseguia chegar ao degrau… Embaraçada, recuou novamente e esticou os braços para trás das costas para desapertar um pouco mais o fecho. Ainda assim não conseguiu subir para o primeiro degrau… Então, recuou novamente, esticou os braços para trás e desapertou completamente o fecho da saia. Pensando que desta vez ia conseguir, levantou novamente a perna, apenas para descobrir que ainda não conseguia alcançar o degrau… Vendo como ela estava embaraçada, o homem que estava atrás dela na fila do autocarro, pôs as suas mãos à volta da cintura dela, levantou-a e pousou-a no primeiro degrau do autocarro. A menina, toda ela vaidosa, virou-se furiosa e perguntou: – “Como se atreve? Eu nem sequer o conheço…” Chocado com a situação, o homem respondeu-lhe: – “Bem, minha senhorita, eu pensei que depois de ter recuado e ter desapertado a portinhola três vezes, bem, pensei que já éramos pelo menos amigos…” Os passageiros à sua volta “mataram-se mortalmente” de risos e uma “cota” que ali estava sentadinha a vender dois pedacinhos de mandioca rasgou gargalhadas até mostrar-me toda gengiva da sua boca. Aquela velhota trajava cabelos brancos, um molho de rugas na sua cara e uma saia deixa o homem sofrer. Num à vontade disparou: “meninas do século XXI”. Ora, aonde vamos com a cultura de mini-saias? Quem deve ajudar a quem? Se a mãe se veste muitíssimo mal, o que fará a sua filha? Para onde foram os valores culturais da mulher moçambicana, revestida de capulana? É verdade que na linguagem comercial compra-se o que está visível na montra. Mas, o corpo humano é sagrado, merece toda dignidade possível. De facto, como alguém disse um belo dia, “… tudo o que Deus fez valioso neste mundo está bem coberto e é difícil ver, encontrar ou obter”. É só ver que os diamantes, as pérolas, o ouro e outras coisas preciosas só se encontram lá no fundo, cobertos e protegidos. Para achar é preciso suar, transpirar, sofrer, sacrificar-se. Aquilo que se acha sem sacrifício, raramente se valoriza convenientemente. Pois, a experiência nos ensina que naqueles lugares onde os recursos minerais estão descobertos na superfície da terra, sempre atraem um grande número de mineiros ilegais que exploram ilegalmente. Vestir-se bem e de forma decente é uma virtude. Querendo ou não, a mulher domina o mundo com a sua presença. Dei-me conta que as mulheres são muitas e unidas. Elas estão em grande número em quase todas as partes onde há pessoas. São elas que enchem os funerais, as igrejas, as mesquitas, os mercados, as escolas e as machambas. São elas que fazem o “stique” e se confiam. São elas que mantêm os lares, etc. Infelizmente são elas também que se vestem mal, colocam a sua mercadoria na montra procurando clientes para comprar. E se elas aparecem em tudo, onde ficam os homens? Ahhh! Eles morrem encolhidos nas suas ideias de mais fortes. São, por vezes, mais preguiçosos. Poucas vezes vão às igrejas ou mesquitas, não vão aos funerais porque pensam que estão mais ocupados. Porém, enchem as barracas onde se bebe, enchem as discotecas e outros lugares onde há menos sacrifício a suportar. E aí retesam as suas armadilhas para espreitar as mini-saias. Uma autêntica vergonha, mais homens a beber nas barracas ou que passam a vida na mais pura ociosidade. Este é um dos piores vícios que está a afundar os homens de todas as idades, incluindo jovens do sexo masculino que se destroem com tentações como Boss enquanto as suas irmãs vão se dedicando a coisas mais úteis nas famílias. Então tinha razão um tal académico português, quando dizia que “no dia em que cada uma e todas as mulheres tiverem sido educadas, o mundo estaria salvo”. E mais não disse!

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