nov 24 2022
Delegações da II Jornada Nacional da Juventude enaltecem a ocorrência do evento em Nampula
As delegações que participaram da segunda Jornada Nacional da juventude já se encontram nas suas respectivas dioceses e paróquias e enaltecem a forma como foi organizado o evento. Falando ontem (23/11) em pleno programa Eco da Jornada, os chefes das delegações da Beira, Gurué e Quelimane disseram ter sido uma boa jornada na qual jovens trocaram várias experiências da vida. A Diocese de Gurué lança elogios sobre como o evento foi organizado. Os jovens de Quelimane na voz da Irmã Esperança, agradecem o carinho e atenção das famílias acolhedoras. Por seu turno, o Diácono Rafael, da Arquidiocese da Beira, diz que a sua juventude saiu de Nampula fortalecida na fé. De recordar que terminou no último domingo (20/11) a grande festa que juntou mais de 1000 jovens vindos das 12 dioceses de Moçambique. Na ocasião, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, anunciou que a III Jornada Nacional da Juventude terá lugar na cidade de Maputo em 2025. Tendo, de seguida, feito a entrega da Cruz da Juventude ao Arcebispo de Maputo e aos respectivos jovens que receberam com muita alegria. Por: Rádio e Televisão Encontro (RTE)
Maputo acolhe em 2025 a III Jornada Nacional da Juventude Moçambicana
Maputo acolhe em 2025 a III Jornada Nacional da Juventude Moçambicana Com a Celebração eucarística, no último domingo (20/11), solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia Mundial da Juventude, encerrou na cidade de Nampula, a II Jornada Nacional da Juventude, e a III terá lugar em Maputo, em 2025. Foi na voz de Dom Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), que os jovens Católicos participantes na II Jornada Nacional da Juventude (JNJ) em Nampula, receberam a emocionante notícia, especialmente para os jovens da arquidiocese de Maputo, durante a Missa do encerramento e envio dos peregrinos, no domingo, 20 de Novembro, na solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia Mundial da Juventude. Depois de saber que a cidade de Maputo será a próxima a colher o maior evento da juventude católica do País, o coordenador da delegação desta arquidiocese, Hamilton Caetano, explicou que a delegação que representa acolhe a notícia com júbilo, acrescentando que a mesma constitui uma grande responsabilidade. Participantes na II Jornada Nacional da Juventude, ouvidos pela equipe da Emissora católica da Beira em Nampula, dizem-se satisfeitos e com os olhos postos para as próximas jornadas. Para além dos jovens peregrinos e os demais fiéis de Nampula, estiveram presentes na Missa de encerramento, membros do Governo local, com destaque para Manuel Rodrigues, Mety Gondola e Paulo Vahanle, este último Presidente da autarquia de Nampula, e uma delegação do Comité Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, oriunda de Portugal para convidar os jovens moçambicanos a aderirem ao evento mundial da juventude. (Rogério Maduca – Radio Pax, Moçambique, Vaticanews)
nov 16 2022
beato Pe. Giuseppe Ambrosoli, medico e missionário
Domingo 20 de Novembro será beatificado o Medico Missionário comboniano na Uganda. A missão da Igreja no mundo precisa de homens capazes de tornar inteligível a Boa Nova. Sempre foi assim desde que Nosso Senhor deu aos apóstolos o Mandatum Novum, sob a bandeira da caridade evangélica. Portanto, se depois de dois mil anos podemos continuar a cultivar a virtude da esperança, é sobretudo graças ao espírito de doação que anima, ao longo de dois mil anos de história, um número indescritível de santos e beatos. Entre estes há um que, após dois anos de espera e adiamentos devido à pandemia, será beatificado em 20 de Novembro em sua missão em Kalongo, no norte de Uganda: padre Giuseppe Ambrosoli. É um missionário, médico e sacerdote comboniano que passou a vida ao serviço dos últimos. Nascido em 25 de julho de 1923 em Ronago, na província de Como, era um dos filhos do fundador da empresa de mel homónima. De 1942 a 1950, o jovem Ambrosoli completou sua formação clássica e profissional e lançou as bases de uma sólida espiritualidade que já havia tido a oportunidade de se manifestar no apostolado entre os jovens da Acção Católica. Com muito zelo, matriculou-se na Faculdade de Medicina com o desejo de partir para a missão: “Deus é amor, há um vizinho que sofre e eu sou seu servo”, explicou à família. Em 1949 visitou o superior dos Missionários Combonianos de Rebbio (Como) com a intenção de colocar a sua qualificação de médico ao serviço da missão ad gentes. Tendo recebido a aprovação, pediu um período de reflexão antes de decidir finalmente entrar na Congregação missionária. Depois de concluir a especialização em medicina tropical “Higiene Tropical” em Londres, com entusiasmo e sem arrependimentos, deixou para trás a facilidade das condições familiares e uma carreira médica que prometia ser brilhante em casa. Entrou no noviciado comboniano de Gozzano (Novara) em 18 de Outubro de 1951 e quatro anos depois, em 17 de Dezembro de 1955, foi ordenado sacerdote pelo então arcebispo de Milão e futuro papa Giovanni Battista Montini. Este período marcou propriamente a conclusão da formação teológico-religiosa do Padre Ambrosoli. Em 10 de Fevereiro de 1956 partiu para Uganda, com destino a Gulu (capital do norte do país). Daqui mudou-se para Kalongo em East Acholi, enquanto seguia e terminava os estudos de teologia do último ano no seminário inter-vicarial de Lachor (Gulu). Seu serviço missionário ocorreu naquela porção do povo Acholi que ocupava o extremo leste da atual arquidiocese de Gulu. O norte do Uganda – recorde-se – é uma imensa planície ondulada, com uma extensão de cerca de 50.000 km2, quebrada de vez em quando por alguns matos e montanhas rochosas que se erguem majestosamente e dão uma imagem plástica a uma paisagem em que o equatorial céu parece abraçar tudo o que vigia. A altitude média desta zona ronda os mil metros acima do nível do mar, mas isso não impede que seja uma das zonas mais quentes do Uganda. Ao norte, a planície se eleva ligeiramente em direção às montanhas de Ogoro e Paloga, que servem como fronteira natural com o sul do Sudão; estas são colinas que já foram usadas como refúgio pelos rebeldes. A paisagem é no entanto sedutora aos olhos de qualquer viajante. Existem imensas savanas, na época das chuvas com relva muito alta, com alguns matos onde se pode refrescar quando o sol está no seu apogeu. E é precisamente no sector oriental deste território, a jusante de uma enorme e sugestiva rolha de granito vulcânico com 500 metros de desnível, o monte Oret, que se ergue a pequena e hospitaleira cidade de Kalongo onde o padre Ambrosoli passou o resto da sua vida. Sua vida, exactamente 31 anos, de 19 de Fevereiro de 1956 a 13 de Fevereiro de 1987. Chegando lá, encontrou uma pequena maternidade e um dispensário que transformou, sob sua orientação, em um verdadeiro hospital. Em 1959 fundou, também em Kalongo, a Escola para parteiras e enfermeiras com a colaboração dos missionários combonianos. Em 1972, então, assumiu também a leprosaria de Alito e Morulèm. Os únicos intervalos em que se ausentava do Kalongo eram os curtos períodos representados pelas férias, muitas vezes transformadas em autêntico tour de force para aumentar as suas múltiplas competências no campo cirúrgico e angariar fundos para o complexo hospitalar. A sua fama espalhou-se por quase todo o lado, não só no território acholi, mas também entre outras etnias da região como os Lango, mas também pelos Kuman e Teso. A este respeito, existem inúmeras anedotas que descrevem sua popularidade. O escritor, por exemplo, certa vez recebeu a ordenação diaconal em maio de 1985, um dia foi baptizar um grande grupo de catecúmenos em uma aldeia próxima ao leprosário de Alito. O primeiro deles afirmou ser batizado com o nome de “Doutor Ambrosoli”. À objeção se não era mais conveniente ser chamado de “Giuseppe”, ele se opôs vigorosamente porque foi “Doutor Ambrosoli” quem salvou sua vida em seu hospital. O fato é que naquelas partes há muitos que levam esse nome. O que mais impressionou os pacientes de Kalongo foi a extraordinária capacidade do padre Ambrosoli de infundir esperança. Não se tratava de simples consistência profissional, mas de total transporte e participação no que estava testemunhando, e não por mera aparência externa, mas do fundo de seu próprio ser, a ponto de despertar nas pessoas o respeito religioso. Por outro lado, era um contemplativo de alma e coração. Inicialmente, ele foi apelidado de “Ajwaka Madid”, o “feiticeiro branco” que mais tarde lhe rendeu o título de “doutor da caridade” por seu escritório espiritual. Seu serviço missionário foi marcado por acontecimentos que marcaram positiva e até tragicamente a história de Uganda. De fato, ele viveu a parte final do período colonial britânico, que foi seguido pela independência, a ascensão ao poder de Milton Obote, o advento do ditador Idi Amin Dada, o retorno de Obote e o advento do atual presidente Yoweri Museveni . Os últimos anos de sua
nov 14 2022
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundancia” (Jo10,10)
Síntese pontual da NOTA PASTORAL CEM “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundancia” (Jo10,10) Cabo Delgado … A continuação deste desumano sofrimento é inaceitável e frustra o sonho de sermos uma nação de paz, concórdia e independente, justa e solidaria. Por isso, devemos juntar todos os esforços para encontrar os caminhos de solução a esta desgraça, não confiando unicamente no uso da força militar. A todos os envolvidos nesta guerra queremos recordar as palavras do Papa Francisco: “O Deus da paz nunca conduz à guerra, nunca incita ao ódio, nunca apoia a violência. E nós, que cremos nele, somos chamados a promover a paz através de instrumentos de paz, como o encontro, pacientes negociações e o diálogo, que é o oxigénio da convivência comum”. (Discurso na visita ao Reino do Bahrein, Outubro 2022) Jovens moçambicanos … Sem garantir aos jovens a realização dos seus sonhos, a própria nação verá comprometida o seu sonho de ser protagonista do seu futuro. Custo de vida … No nosso País, apesar de sermos uma única família, as desigualdades sociais e económicas estão a criar uma brecha profunda. Por um lado, uma minoria endinheirada que se pode permitir todo tipo de luxo e, por outro, uma maioria empobrecida que nem o básico tem para sobreviver. São necessárias políticas corajosas que eliminem o crescente abismo existente entre irmãos. A mesma Tabela Salarial Única (TSU) que expressa o desejo de uma maior equidade, se não for bem gerida pode levar a convulsões sociais a exasperar o sentimento de desigualdade e injustiça. Sem a distribuição equitativa e justa de recursos e oportunidades, sem uma real inclusão social, a nossa paz e coesão social serão sempre ameaçadas. Nenhuma paz sobrevive a exclusões e a injustiças sociais. A Corrupção … No país instaurou-se uma cultura de corrupção chegando a pensar-se que é normal, que é assim que as coisas funcionam, que só pode ser assim. Faz-se descaradamente um uso privado dos recursos do país e de património publico, pondo os interesses pessoais ou de grupo acima do bem comum. A corrupção manifesta-se nas constantes “propinas” (“refrescos”) que se devem pagar aos servidores públicos para receber um serviço que é seu dever oferecer, no desvio de fundos públicos para fins e interesses privados, no nepotismo e clientelismo. A corrupção está na origem da dilapidação e destruição da riqueza e de todo o tecido social, mas o aspecto mais grave é que infiltrando-se nas instituições e no exercício do poder do estado compromete estruturalmente o projecto de um país livre, justo e solidário. A avidez … de que a corrupção é filha, por vezes leva a favorecer grandes projetos económicos de capitais estrangeiros, implantados para extrair recursos naturais sem um real e transparente envolvimento das populações interessadas. Milhares de famílias continuam a ser retiradas de suas terras férteis para dar lugar a esses investimentos, dos quais praticamente não tiram qualquer benefício. Enfim …. Convidamos todos a comprometermo-nos à conversão, à mudança de atitudes, a rejeitar qualquer forma de radicalismo, a superar a intolerância entre os grupos sociais, tribais, políticos, económicos, religiosos e raciais que nos dividem. Acolhendo o Príncipe da Paz que se faz criança frágil no Natal, empenhemo-nos a nos aceitar-nos como irmãos, filhos do mesmo Pai o Criador. Que Deus abençoe Moçambique Pelos Bispos Católicos de Moçambique Dom Inácio Saúre, IMC Leia a Nota Pastoral na integra Nota Pastoral Bispos Católicos de Moçambique Novem_221112_061228 UM REGRESSO PARA UM NOVO FUTURO OU UM REGRESSO AO PASSADO? – O RETORNO POPULACIONAL PARA O NORDESTE DE CABO DELGADO por Dr. João Feijó do Observatório do Meio Rural (OMR) Destaque Rural Nº 195 1 de Novembro de 2022 INTRODUÇÃO Nas últimas semanas assiste-se à reabilitação de infra-estruturas e reabertura de serviços públicos, assim como ao regresso de dezenas de milhares de indivíduos para vários distritos do Nordeste de Cabo Delgado. Paralelamente, decretam-se amnistias e mediatiza-se a apresentação de desertores e arrependidos às populações locais, para posterior integração. Não obstante esta imagem de maior estabilização do território, persistem diversos ataques em vastas áreas do Norte da província, alastrando-se pequenas incursões para a zona Sul, ameaçando interesses mineiros em Montepuez. Movimentos de retorno das populações aos locais de origem coexistem com a chegada de novos deslocados aos centros de reassentamento do Sul da província. Depois de descrever a situação de segurança em Cabo Delgado, o presente texto pretende analisar os movimentos populacionais e de reintegração socioeconómica nos locais de origem. Por fim, reflecte-se sobre o tipo de sociedade que se pretende reconstruir no Norte da província, e respectiva viabilidade para a estabilização do território. A reflexão resulta de entrevistas realizadas a professores, técnicos da saúde, de organizações não-governamentais, chefes de localidade, assim como indivíduos deslocados, residentes nos distritos de Palma, Mocímboa da Praia, Macomia, Quissanga, Pemba, Nangade, Mueda, Muidumbe, Montepuez e Chiúre, realizadas em Outubro de 2022 na cidade de Pemba. Na análise foram também considerados dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Programa Mundial de Alimentação (PMA)… Leia na integra o texto do Dr. João Feijó DR-195-Um-regresso-para-um-novo-futuro-ou-um-regresso-ao-passado
nov 14 2022
Comunicado da CEM para as Comunidades
Leia o comunicado na integra Comunicado CEM Novembro 2022_221113_193859
nov 12 2022
Igreja católica no mundo: Estatísticas
*Igreja católica no mundo: Estatísticas* Por ocasião do 96º Dia Mundial das Missões, celebrado em Outubro desse ano, a Agência Fides apresentou, como costuma fazer, alguns dados sobre a Igreja no mundo. O relatório revela que a população mundial, em 31 de Dezembro de 2020, era de 7.667.136.000 pessoas, devido ao incremento de quase 90 milhões de pessoas em relação ao ano anterior. O aumento global refere-se a todos os continentes: o aumento maior deu-se na Ásia (quase 40 milhões) e África (quase 38 milhões), seguidos pela América (8.560.000), Europa (2.657.000) e Oceânia (628.000). Em 31 de Dezembro de 2020, a população mundial era de 7.667.136.000 pessoas, com um aumento de 89.359.000 unidades em relação ao ano anterior. O aumento global diz respeito, também neste ano, a todos os continentes. Na mesma data, o número de católicos ascendeu a 1.359.612.000 pessoas com um aumento global de 15.209.000 unidades em relação ao ano anterior. O aumento ocorreu em quatro continentes, exceto na Oceânia. O estudo aponta que o número total de bispos no mundo diminuiu apenas 1 unidade e é igual a 5.363. Aumenta o número de bispos diocesanos enquanto diminui o número de bispos religiosos. No total, os bispos diocesanos são 4.156, enquanto são 1.207 os bispos religiosos. O número de sacerdotes no mundo diminuiu, chegando a 410.219 (-4.117). A marcar uma diminuição substancial, mais uma vez, está a Europa, à qual se somam a América e a Oceânia. Aumentos de sacerdotes são registrados na África e na Ásia. Os diáconos permanentes continuam a aumentar globalmente, este ano em 397 unidades, atingindo o número de 48.635. Os aumentos ocorreram na América e Oceânia, há diminuições na Europa, Ásia e África. Os religiosos não sacerdotes aumentaram 274 unidades, atingindo o número de 50.569. As diminuições foram registradas na América e Oceânia. Eles estão em aumento na Europa, Ásia e África. Confirma-se a tendência dos últimos anos para a diminuição global de religiosas, este ano em 10.553 unidades. Há um total de 619.546. Os aumentos são, mais uma vez, na África e na Ásia, os decréscimos na Europa, América e Oceânia. Os seminaristas maiores, diocesanos e religiosos, este ano diminuíram, no total, 2.203 unidades, chegando assim a 111.855. Os aumentos são registrados apenas na África, enquanto diminuem nos outros continentes. O número total de seminaristas menores, diocesanos e religiosos, também diminuiu em 1.592, chegando a 95.398. Eles diminuíram na América, Ásia e Europa, enquanto há aumentos na África e Oceânia. No campo da educação e formação, a Igreja administra 72.785 creches em todo o mundo com 7.510.632 alunos; 99.668 escolas primárias para 34.614.488 alunos; 49.437 escolas secundárias para 19.252.704 alunos. Também acompanha 2.403.787 alunos do ensino médio e 3.771.946 universitários. As instituições de saúde, caridade e assistência administradas pela Igreja em todo o mundo incluem: 5.322 hospitais, 14.415 dispensários, 534 hospitais para leprosos, 15.204 lares para idosos, doentes crónicos e deficientes, 9.230 orfanatos, 10.441 jardins-de-infância, 10.362 centros de aconselhamento matrimonial, 3.137 centros de educação ou reeducação social e 34.291 outras instituições. As circunscrições eclesiásticas dependentes do Dicastério para a Evangelização totalizam 1.118, segundo a última variação registrada. As maiorias das circunscrições eclesiásticas confiadas ao Dicastério encontram-se na África (518) e na Ásia (483); América (71) e Oceânia (46).
nov 12 2022
CEM: Nota Pastoral Novembro 2022
Leia o Texto integral da Nota pastoral da CEM Nota Pastoral Bispos Católicos de Moçambique Novem_221112_061228
nov 01 2022
ESTUDAR EM MEIO A DISCRIMINAÇÃO, ESTIGMATIZAÇÃO E MITOS
ESTUDAR EM MEIO A DISCRIMINAÇÃO, ESTIGMATIZAÇÃO E MITOS Ser uma pessoa com albinismo em Moçambique é um grande desafio, para além da questão de falta de pigmentação da pele que nos deixa vulneráveis a queimadura solar e consequentemente ao desenvolvimento do cancro da pele; a baixa visão; que nos agrega ao grupo de pessoas com deficiência, mas, manejável, que na sua maioria constitui a população de baixa renda na sociedade; somos também confrontados pelo dilema da discriminação, estigmatização e mitos, que muitas vezes tem levado aos raptos e assassinatos para fins satânicos, alegadamente por sermos fonte de riqueza e cura de doenças crónicas, constituindo assim um dilema para a nossa sobrevivência. Ademais, ter baixa visão constituiu uma pedra no caminho de alguns educadores, professores, colegas e conhecidos, na qual, por suas vidas, turmas, mãos eu passei. “Por várias vezes fui questionada porque continuo estudando se a minha visão não permite ir a lado nenhum? Estás a estudar muito para quê, não vês que tens limitações! Várias vezes fui dita, fica em casa, a escola é para quem enxerga! Várias vezes fui dita, aqui não é o teu lugar, porque não vai a uma escola especial!” Com certeza o fora dito, afectou-me como qualquer ofensa que nos é dirigida, todavia, as mesmas palavras não permitiram que morressem os meus sonhos e a força de enfrentar as minhas limitações e superar a mim mesma. Por isso, ainda que tenha passado os anos a repassar os apontamentos de cadernos emprestados dos colegas, ter aulas extras, e muitas vezes não poder brincar livremente como outra criança qualquer devido a baixa visão, e na faculdade ter que enfrentar as longas filas para pegar chapas, as entrevistas dos cobradores, suportar as chuvas dentro do chapa My Love, aguentar o mau humor de alguns docentes e outros incompreensíveis em relação a minha baixa visão, e as noites mal dormidas correndo contra o tempo para concluir os inúmeros trabalhos, a gastrite e problemas estomacais desenvolvidos devido a longas horas sem se alimentar, se dedicando as bibliotecas e aos trabalhos da faculdade… Eu nunca desisti, e a cada dificuldade vivida era um desafio para lutar e alcançar os meus objectivos. Portanto, que as nossas limitações sejam um desafio para alcançar os nossos potenciais…sempre e nunca motivos para desistir e matar nossos sonhos. Que a minha vontade de lutar e superar a mim mesma e os estímulos sociais, e alcançar os meus sonhos, só ganharam mais força e sentido, crendo, confiando e abraçando a maior de todas as forças: a de DEUS. Com DEUS venci, e hoje sou Licenciada em Psicologia Clínica com Habilitações em Psicotraumatologia e Aconselhamento Psicodinâmico. Não é o fim, mas início de uma longa jornada académica. Joana Rosa Da Cruz Psicóloga Clínica Activista Social
nov 01 2022
Queridos filhos Professores e Educadores Católicos
«Toda a Escritura inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim, o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras» (2 Tm 3, 10-17). Queridos filhos Professores e Educadores Católicos É com o coração cheio de zelo que vos dirigimos estas palavras de conforto e admiração para vos saudar efusivamente e transmitir o calor do fogo da amizade que deflagra da inadiável missão que ecoa imperiosamente “ide, ensinai todas as nações” (Mt 28,19). Na nossa saudação de 2021 pela ocasião do mês do Professor, apresentamos a grave urgência da missão para qual Cristo vos chama com a proposta de caminhar com os pés no chão e com os olhos no Ceu. Para este ano 2022, gostaríamos de vos saudar convidando-vos para uma reflexão do tema servido pela Sua Santidade Papa Francisco pela ocasião do dia mundial da Paz e achamos que é perfeitamente aplicável a nossa realidade educativa: “Diálogo entre as gerações, educação e trabalho: instrumentos para construir uma paz duradoura.” [1] O Pontífice lembra-nos que o Diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho são as três estradas que levam a um único caminho que é a uma paz duradoura. Uma paz que nos parece cada vez mais distante, a olhar pela natureza das notícias do dia: guerra e morte na Ucrania; mal estar na Russia e no Irão; guerra e morte em Cabo Delgado e Nampula…portanto, apesar de múltiplos esforços, aumenta o ruído ensurdecedor de conflitos, ao mesmo tempo que ganham espaço doenças de proporções pandêmicas, pioram os efeitos das alterações climáticas e da degradação ambiental, agrava-se o drama da fome e da sede e continua a predominar um modelo econômico mais baseado no individualismo.[2] Amados Professores e Educadores Católicos, a realidade que se nos apresenta é o fruto do nosso distanciamento moral e ético; distanciamento entre os homens; distanciamento entre gerações e distanciamento dos homens com Deus. É urgente tomarmos a pedagogia de Deus como modelo de Educação. O Papa Francisco na sua mensagem pela ocasião do 56º aniversario da comunicação social traça o caminho para a prática dessa pedagogia: escutar com o ouvido do coração. Na visão bíblica, escutar não é apenas uma percepção acústica, mas uma relação dialogal entre Deus e a humanidade, “shema’ Israel – escuta, Israel” (Dt 6, 4). Deus ensina à humanidade e esta escuta. Portanto, de um lado, Deus Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, a humanidade, a quem é pedida para sintonizar-se, colocar-se à escuta, numa aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro.[3] Professores e educadores católicos que sois, pertence a vós o cultivo do espírito de diálogo e escuta entre os professores, depois entre os professores e alunos imbuídos de caridade dando testemunho de Cristo, Mestre Único tanto na vida como na doutrina (Gravissimum Educationis nº9). Portanto, o primeiro passo para uma paz duradoura segundo o Pontífice é Diálogo entre as gerações, o que significa ouvir-se um ao outro; confrontar posições; pôr-se de acordo e caminhar juntos. O segundo passo é a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento. É por que o Papa insiste que Instrução e educação são os alicerces de uma sociedade coesa, civil, capaz de gerar esperança, riqueza e progresso. Mas também critica as tendências da sociedade atual de aumentar de forma exorbitante os investimentos para assuntos militares em detrimento do campo da educação. Finalmente vem o terceiro passo que é o trabalho. O sumo Pontífice entende que trabalho digno é um direito para todos, e não pode ser entendido como punição ou um favor para alguns. Na visão do Para Francisco, é preciso unir ideias e esforços que levem também a uma renovada responsabilidade social para que o lucro não seja o único critério-guia.[4] Filhos amados, com grande riqueza, Outubro em que se celebra o vosso dia é peculiarmente o mês dedicado à Maria. Por isso convido-vos a confiar as vossas intenções à Mãe do Salvador, pois saberá encaminhar na devida hora ao Seu Filho. DOM ALBERTO, bispo de Nacala Nacala, Outubro de 2022 [1] https//www.vaticannews.va./pt/papa/news/2021-12/papa-francisco-mensagem-dia-mundial-paz-dialogo-trabalho.html [2] https//www.vaticannews.va./pt/papa/news/2021-12/papa-francisco-mensagem-dia-mundial-paz-dialogo-trabalho.html [3] Mensagem Do Papa Francisco Para o LVI Dia Mundial Das Comunicações Sociais, 24 de janeiro de 2022, São João de Latrão, Roma, na Memória de São Francisco de Sales, [4] Mensagem Do Papa Francisco Para o LVI Dia Mundial Das Comunicações Sociais, 24 de janeiro de 2022, São João de Latrão, Roma, na Memória de São Francisco de Sales,
out 20 2022
Moçambique regista anualmente três mil mortes e 5 mil casos de cancro de mama
Estes dados foram tornados públicos na manhã desta quarta-feira (19/10) pelo chefe do departamento de saúde pública dos serviços provinciais de saúde de Nampula, Geraldino Avelino, durante a realização de uma palestra Outubro Rosa. O evento visa a consciencialização de mulheres com idades superiores a 25 anos de idade para fazerem rastreio da doença nas unidades sanitárias. Na ocasião, Avelino explicou que a doença evolui de forma silenciosa, chegando, no entanto, a níveis alarmantes até a ponto de criar luto no seio das comunidades. A fonte olha com indignação algumas mulheres que por questões culturais não se fazem às unidades sanitárias, em casos de alguns sintomas, daí que insta a esta camada social a aderir o rastreio para preservar a saúde. Sobre a celebração do Outubro Rosa, Geraldino explicou que esta é uma grande oportunidade em que os serviços de saúde, juntamente com os estudantes carregarem mensagens apelativas para as comunidades no combate a este problema de saúde pública. Entretanto, os estudantes, que estiveram presentes na palestra, garantem difundir as mensagens às mulheres sobre a necessidade de se prevenirem do cancro da mama. Jornalista Baptista
