logo

“Sereis minhas testemunhas”

Aqui propomos alguns subsídios úteis para viver o mês Missionário   1) MENSAGEM DE SUA SANTIDADE  PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2022 «Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8) Queridos irmãos e irmãs! Estas palavras encontram-se no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (1, 8) … DMM2022 PAPA   2) Palavra Hoje especial mês Missionário da VIDA NOVA VN PH outubro22   3) Novena Missionária Novena-Missionaria-2022   4) Oração dos Fieis missionárias Oracao-dos-Fieis-2022

set 30 2022

Comunicado CEM por ocasião dos 30 anos do AGP

Comunicado CEM 30 Anos do Acordo Geral de Paz_220829_150437  

12 HORAS DE ORAÇÃO POR OCASIÃO DOS 30 ANOS DO ACORDO GERAL DE PAZ EM MOÇAMBIQUE

12 HORAS DE ORAÇÃO POR OCASIÃO DOS 30 ANOS DO ACORDO GERAL DE PAZ EM MOÇAMBIQUE Dia 1 de Outubro de 2022 “BUSCANDO A VERDADEIRA PAZ EM MOÇAMBIQUE” Este é o roteiro de oração, preparado pela CEM – Conferência Episcopal de Moçambique, que pode ser usado integralmente ou ser enriquecido localmente pelas paróquias, comunidades religiosas, grupos e movimentos eclésias.    Folheto Oração 1 de Outubro de 2022_220929_163217

set 27 2022

Oração Inter-Religiosa pela PAZ 4/10/22

    Mais um momento para partilhar as nossas orações e intenções pela paz, que será possível onde a cultura do diálogo e da coexistência for vivida. Apelo a todos para que participem neste encontro inter-religioso de oração e unam as vossas vozes no único grito de paz para todos. ResponderEncaminhar

set 12 2022

DECLARAÇÃO DE ANCHILO

O grupo de trabalho de “Filosofia Intercultural e Inter-religiosa”, reunido no âmbito do “Simpósio de Diálogo Inter-Religioso” na cidade de Nampula, nos dias 2 e 3 de Setembro, nas instalações do Centro Cultural da UniRovuma e em Anchilo no dia 4 de Setembro, nas instalações do Centro Catequético Paulo VI de Anchilo, declara ter alcançado com sucesso, o compromisso de implementar os resultados alcançados em todos os debates nas várias esferas da sociedade moçambicana. Tais resultados se resumem no estabelecimento de plataformas educacionais e de difusão e acesso de informações e conteúdos visando alcançar uma convivência inter e multi religiosa em que o conhecimento mútuo entre todas as confissões religiosas seja a base para o respeito e a tolerância. Para alcançar tal feito, o grupo de trabalho e organizações parceiras assumiram determinados compromissos, a saber:   O MASC em parceria com Instituições religiosas de âmbito local e nacional se responsabilizam na produção de materiais didáticos para as madrassas e escolas catequéticas e afins; A Universidade Rovuma assumiu a responsabilidade de abrir espaço para acolher e ministrar cursos de formação de formadores em matéria de educação religiosa; O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos comprometeu-se a levar a discussão e os resultados alcançados ao fórum governamental; O grupo de trabalho de “Filosofia Intercultural e Inter-Religiosa” comprometeu-se a continuar com o seu trabalho fazendo mais e melhor visando expandir-se para outras províncias do país e ao mesmo tempo atraindo mais crentes de todas as confissões religiosas e participantes dentro da academia e sociedade civil; A Televisão de Moçambique (TVM) e a Rádio Moçambique (RM) assumiram o compromisso de abrir espaços nas suas grelhas de programações para acolher programas que discutam e divulguem informações e conhecimentos sobre as várias religiões e sobre a convivência pacífica entre os seus crentes, Os grupos de trabalho das três províncias comprometem-se a levar as discussões assim como os resultados alcançados aos distritos de suas respectivas províncias, por exemplo: Cabo Delgado que tem brochuras educativas e informativas já elaboradas, comprometeu-se em usar da sua experiência e levar essas informações às comunidades: Niassa-Cuamba que tem os manuais curriculares para as madrassas já elaborados, comprometeu-se a partilhar com os demais e está aberta a outras experiências; Nampula, através do Padre Mássimo do Centro Catequético Paulo VI assumiu a vontade de hospedar os cursos de formação de Professores e líderes religiosos numa perspectiva inter-religiosa e intercultural. Os três grupos provinciais assumiram a responsabilidade de elaborar brochuras com citações sobre PAZ extraídas das escrituras sagradas (Qur’an, Bíblia e outras). Tais citações serão também integradas nos manuais de ensino religioso. Para a elaboração de manual sobre o “Mínimo Ético”, voluntariaram-se o Padre Eduardo (Pemba), o Sheikh Omar (Niassa) e o Sheikh Jamal (Nampula), com o compromisso de assegurar o início dos trabalhos com a maior brevidade: O IESE, o MASC, a UniRovuma, e o CPS, comprometera-se a colaborar para estender de diferentes maneiras, o movimento do diálogo inter-religioso e intercultural para as províncias do centro e sul do país assim como em promover a convivência na diferença. Anchilo, 04 de Setembro de 2022   Declaração de Anchilo_220912_080041

set 07 2022

QUEM FOI A IRMÃ MARIA DE COPPI

Irmã Maria De Coppi, missionária comboniana, nasceu em 1939 numa aldeia do nordeste da Itália, Santa Lucia di Piave. A irmã Maria pertencia à comunidade das Missionárias Combonianas na missão de Chipene (Memba) e estava há 59 anos em Moçambique, onde chegou pela primeira vez em 1963. Ela passou por várias missões: Anchilo, Meconta, Alua e Chipene, onde esteve a trabalhar na pastoral paroquial e, particularmente, dedicando-se à formação das mulheres. A esperança e o testemunho de Jesus em alguns dos lugares mais pobres da terra sempre foi a missão da Irmã Maria De Coppi. Numa recente entrevista afirmou: «Procuro estar perto das pessoas sobretudo ouvindo o que me dizem. Apesar da pobreza material, ouvir os outros continua sendo um grande dom, é reconhecer sua dignidade”. Ela contou que muitas vezes dirigia a Deus uma oração aprendida com Dom Manuel Vieira Pinto, falecido bispo de Nampula quando foi expulso de Moçambique antes da Independência, que assim dizia: «Agradeço-te ó Pai, porque me enviastes aos mais pobres, aos marginalizados e aos que não contam nada!». Neste momento muitos são os interrogativos que surgem no coração dos homens e das mulheres de boa vontade: porque é que acontece tudo isto? Porque tanto sofrimento assim? Porque tantas mortes inocentes? Quem é que  nos vai responder?   algumas fotografias da tragédia

set 07 2022

7 de Setembro ataque á Missão e ao Posto Administrativo de Chipene

5.00h Aprendemos a trágica notícia do ataque ao Posto Administrativo de Chipene (Memba-Nampula) e, em particular na Missão católica onde residem 2 missionários fidei donum italianos e uma comunidade das Irmãs Missionárias Combonianas. Mensagem recebida por wap ontem à noite: «Nesta noite estamos sofrendo e rezando junto com todo o povo de Chipene. Os terroristas (não sei como chama-los) atacaram a missão pelas 21 horas. As notícias são poucas e é difícil saber os particulares. Foi queimado o hospital, a casa das irmãs, a igreja. Até este momento são poucas as noticias das irmãs. Estamos juntas com muita oração para pedir a Deus de proteger a todas e todos». Infelizmente teme-se pela sorte duma Irmã Comboniana em quanto que os padres e as outras irmãs conseguiram fugir. Até neste momento não há informação de outras vítimas deste ataque nem há noticias confirmadas acerca da situação por causa das dificuldades na comunicação. Iremos acompanhar a situação ao longo do dia.   7.00h Embora não seja ainda oficialmente confirmada a notícia da morte duma irmã no ataque á missão de Chipene, a maioria das testemunha confirma que a Ir. Maria de Coppi foi assassinada na mesma noite do ataque.   10h Pe. Lorenzo, missionário Fidei Donum pároco da missão de Chipene enviou a seguinte mensagem para o Sr. Bispo de Nacala Dom Alberto: «Fomos assaltados esta noite, acho a partir das 21 horas. A irmã Maria (de Coppi) foi logo matada com um tiro na cabeça. As outras conseguiram fugir, assim como as últimas meninas que estavam no Lar. Todos os rapazes do lar já tinham saído. Os padres foram “poupados”. Estamos a organizar o enterro da irmã e procuramos sair de Chipene. Tudo foi queimado e ainda está a arder». (foto é do arquivo Vat news)

set 06 2022

DIARREIA

Quase todo mundo já passou pela situação e sabe o quanto é desagradável: a vontade é incontrolável e não dá coragem de ficar longe de um banheiro. Embora existam inúmeras doenças ou situações capazes de provocar diarreia, a maior parte dos quadros agudos tem origem infecciosa, ou seja, é uma reacção do organismo contra bactérias, vírus, parasitas, toxinas. Os agentes podem ser transmitidos por bebida ou comida contaminada, ou ainda de pessoa para pessoa, por hábitos inadequados de higiene. Enfim, a diarreia e o aumento de volume das fezes, diminuição na consistência ou frequência das evacuações.   CAUSAS A diarreia pode ser causada por inúmeros factores, sendo os mais frequentes são: Infecções por vírus e bactérias; Uso prolongado de medicamentos; Alergias alimentares; Distúrbios intestinais.   SINTOMAS Dor abdominal em cólicas; Suor e frio; Febre; Enjoos e vómitos; Sensação de peso no abdómen; Sensação de esvaziamento incompleto do intestino; Presença de sangue ou pus nas fezes.   Prevenção Construir e usar correctamente as latrinas; Lavagem constante das mãos apos o uso de latrina e, antes de comer; Lavar bem os alimentos antes de consumir; Higiene pessoal Ferver a água antes de beber; Lavar bem as verduras e mariscos; Beber muitos líquidos.  

set 05 2022

Partilhar a responsabilidade pela nossa missão comum

A sinodalidade está ao serviço da missão da Igreja, na qual todos os membros são chamados a participar. Uma vez que somos todos discípulos missionários, como é que cada baptizado é chamado a participar na missão da Igreja? O que impede os baptizados de serem activos na missão? Que áreas da missão estamos a negligenciar? Como é que a comunidade apoia os seus membros que servem a sociedade de várias formas (envolvimento social e político, investigação científica, educação, promoção da justiça social, protecção dos direitos humanos, cuidados com o ambiente, etc.)? Como é que a Igreja ajuda estes membros a viverem o seu serviço à sociedade de forma missionária? Como e por quem é feito o discernimento sobre as escolhas missionárias? Diálogo na igreja e na sociedade O diálogo exige perseverança e paciência, mas também permite a compreensão mútua. Até que ponto as diferentes pessoas da nossa comunidade se reúnem para o diálogo? Quais os lugares e os meios de diálogo no seio da nossa Igreja local? Como promovemos a colaboração com dioceses vizinhas, comunidades religiosas da nossa área, associações e movimentos laicais, etc.? Como abordamos as divergências de visão ou os conflitos e dificuldades? Quais as questões particulares na Igreja e na sociedade a que temos de prestar mais atenção? Que experiências de diálogo e colaboração temos com crentes de outras religiões e com as pessoas que não têm filiação religiosa? Como é que a Igreja dialoga e aprende com outros sectores da sociedade: as esferas da política, da economia, da cultura, da sociedade civil e das pessoas que vivem na pobreza? Ecumenismo O diálogo entre cristãos de diferentes confissões, unidos pelo único baptismo, tem um lugar especial no caminho sinodal. Que relações têm a nossa comunidade eclesial com membros de outras tradições e confissões cristãs? O que partilhamos e como caminhamos juntos? Que frutos colhemos do nosso caminho em conjunto? Quais as dificuldades? Como podemos dar o próximo passo para caminharmos uns com os outros? Autoridade e participação Uma Igreja sinodal é uma Igreja participativa e co-responsável. Como é que a nossa comunidade eclesial identifica os objectivos a prosseguir, a forma de os alcançar e os passos a dar? Como é exercida a autoridade ou a governação no seio da nossa Igreja local? Como pomos em prática o trabalho de equipa e a co-responsabilidade? Como e por quem são orientadas as avaliações? Como se tem promovido os ministérios laicais e a responsabilidade dos leigos? Tivemos experiências frutuosas de sinodalidade a nível local? Como funcionam os órgãos sinodais a nível da Igreja local (Conselhos Pastorais nas paróquias e dioceses, Conselho Presbiteral, etc.)? Como podemos promover uma abordagem mais sinodal na nossa participação e liderança? Discernimento e decisão Num estilo sinodal tomamos decisões através do discernimento do que o Espírito Santo está a dizer-nos através de toda a nossa comunidade. Que métodos e processos utilizamos na tomada de decisões? Como podem ser melhorados? Como é que promovemos a participação na tomada de decisões no seio de estruturas hierárquicas? Os nossos métodos de tomada de decisões ajudam-nos a escutar todo o Povo de Deus? Qual a relação entre consulta e tomada de decisões? E como as pomos em prática? Que instrumentos e procedimentos utilizamos para promover a transparência e a responsabilidade? Como podemos crescer no discernimento espiritual comunitário? Formar-nos na sinodalidade A sinodalidade implica receptividade à mudança, formação e aprendizagem permanente. Como É que a nossa comunidade eclesial forma pessoas mais capazes de “caminharem juntas”, de se ouvirem umas às outras, de participarem na missão e de se empenharem no diálogo? Que formação é dada para fomentar o discernimento e o exercício da autoridade de forma sinodal? O website do Sínodo apresenta algumas sugestões sobre a forma de colocar estas questões a vários grupos de pessoas de forma simples e envolvente. Cada diocese, paróquia ou grupo eclesial não deve ter como objectivo fazer a cobertura de todas as questões, mas deve discernir e concentrar-se nos aspectos da sinodalidade mais pertinentes para o seu contexto. Os participantes são encorajados a partilhar as suas experiências da vida real com honestidade e abertura e a reflectir em conjunto sobre o que o Espírito Santo estará a revelar através do que partilham uns com os outros. Uma palavra de gratidão Uma palavra sincera de gratidão a todos aqueles que organizam, coordenam e participam neste Processo Sinodal. Guiados pelo Espírito Santo, nós somos as pedras vivas com as quais Deus edifica a Igreja que deseja para o terceiro milénio (1Pd 2,5). Que a Santíssima Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja, interceda por nós, ao percorrermos juntos este caminho que Deus nos propõe. Que os seus cuidados maternais e a sua intercessão nos acompanhem, como no Cenáculo de Pentecostes, na construção da nossa comunhão uns com os outros e na realização da nossa missão no mundo. Com ela, dizemos juntos como o Povo de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38).

set 05 2022

Sagrada Escritura, Tradição e Magistério

Vamos reflectir sobre a relação existente entre a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério. Para melhor percebermos a importância deste tema, importa começarmos, em jeito de introdução, por fazer a seguinte pergunta: qual é o fundamento da fé e da moral cristã? Para alguns, o fundamento da fé e da moral cristã é unicamente a Bíblia (Sola Scriptura), interpretada livremente por qualquer pessoa (método do exame livre). Para a Igreja Católica não é assim; a fé e a moral têm três bases ou pilares, a saber: a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja (cf. DV. 21). Ou seja, sem negar a grande importância da Bíblia, a Igreja ensina que, além desta, é necessário também ter em conta a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério para a fundamentação da doutrina e da moral da mesma. A nossa reflexão de hoje, portanto, tem, como objectivo, falar de cada uma destas realidades e mostrar a estreita relação que existe entre elas. Visto que nos encontros anteriores falamos abundantemente da Sagrada Escritura, hoje vamos dar particular atenção à Tradição e ao Magistério. Muitas são as passagens do Novo Testamento que nos revelam a importância da Tradição oral e do Magistério. Escutemos: “Muitas coisas tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16,12). “O que ouvistes de mim, em presença de muitas testemunhas, confiai-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar ainda a outros”(2 Tm 2, 2). “Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus…” ( Mt 16, 18-19). “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. Sei que depois de minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que irão proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Vigiai!” (At 20,28-31).   A Tradição Apostólica A palavra “tradição” vem do latim traditio que significa “entrega”, ” “transmissão”. Ela pode indicar tanto o “processo” de transmitir quanto o “conteúdo” transmitido. Por sua vez, a palavra “apostólica” é um adjectivo qualificativo que, primariamente, diz respeito a algo que procede dos apóstolos, ou seja, do grupo dos seguidores de Cristo, composto pelos doze Apóstolos. Por Tradição Apostólica, portanto, entende-se a transmissão oral, pelo exemplo e pelas instituições daquelas coisas que os Apóstolos ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam por inspiração do Espírito Santo (Cf. CIC § 76; cf. DV 7). Enquanto tal, a Tradição Apostólica distingue-se da Sagrada Escritura porquanto esta última é a transmissão “por escrito” feita por “aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação” (Cf. CIC § 76). A Tradição Apostólica distingue-se igualmente das “tradições” teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais surgidas ao longo do tempo, nas Igrejas locais. Estas últimas são expressões adaptadas da Tradição Apostólica aos diversos lugares e às diferentes épocas, sob a orientação do Magistério da Igreja (Cf. CIC, §83). As leituras que acabamos de escutar mostram-nos que a própria Bíblia fala-nos da necessidade, existência e importância da Tradição Apostólica, enquanto transmissão oral da Palavra de Deus feita pelos apóstolos. Nesta primeira leitura, tirada do Evangelho segundo S. João, Jesus, numa das últimas conversas com os Seus discípulos, deixa claro que tinha ainda muitas coisas por ensinar. Entretanto, dada a incapacidade dos Apóstolos de suportar tais ensinamentos, Ele mandaria o Espírito Santo para que este os transmitisse ao longo dos tempos (cf. Jo 16,12). A Igreja entende que aquelas verdades que os Apóstolos foram aprendendo do Espírito Santo são as que, em parte, foram formando a Tradição Apostólica. O mesmo Evangelista João atesta a necessidade de uma transmissão oral da Palavra de Deus, de geração em geração, quando afirma que “Jesus fez, diante dos seus discípulos, muitos outros sinais ainda, que não se acham escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome”(Jo 20,30s) e que “Há muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam”(Jo 21,25). Nos dois textos acima citados, o Evangelista João deixa claro que nem todas as coisas que Jesus ensinou aos seus discípulos, com actos e palavras, encontram-se na Bíblia. Aquilo que os Apóstolos e os evangelistas escreveram é só o essencial da mensagem de Jesus. Por isso, não podemos reduzir a pessoa e os ensinamentos de Jesus àquilo que foi escrito sobre Ele, porque a sua mensagem é muito mais do que isso, é Ele próprio. Jesus é mais do que um livro ou um conjunto de livros. Do que acima dissemos, é lógico concluir que muitas outras coisas a respeito da pessoa e dos ensinamentos de Jesus continuaram a ser transmitidas oralmente de geração em geração. Aliás, é o que nos mostra S. Paulo em 2Tm 2,2, ao recomendar vivamente a Timóteo para que aquilo que ele “ouviu” do próprio Paulo, na presença de muitas testemunhas, o confiasse a homens fieis, capazes de, por sua vez, ensiná-lo a outros homens. Estamos aqui, claramente, diante da tradição oral do depósito da fé. Muitas outras passagens bíblicas atestam a existência da transmissão oral da Revelação, de geração a geração. S. João, na sua segunda e terceira epístolas, diz que há ensinamentos que gostaria de confiar aos seus interlocutores de viva voz, e não por escrito: “Embora tenha muitas coisas a vos escrever, não quis fazê-lo com tinta e papel. Mas espero estar convosco e vos falar de viva voz…” (2Jo, 12; cf. 3Jo, 14). S. Paulo,

Nossa Localização

© 2025 Revista Vida Nova – Propriedade do Centro Catequético de Anchilo. Todos os direitos reservados.