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jul 12 2021

LINEAMENTA “REAVIVAR O ANÚNCIO E O TESTEMUNHO DA PALAVRA DE DEUS HOJE”

CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE       IVª ASSEMBLEIA NACIONAL DE PASTORAL           “REAVIVAR O ANÚNCIO E O TESTEMUNHO DA PALAVRA DE DEUS HOJE”     LINEAMENTA Lineamenta IVª ASSEMBLEIA NACIONAL DE PASTORAL Texto Final MAPUTO, 2021   “Em todos os baptizados, desde o primeiro ao último, actua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar…  Em virtude do Baptismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização, e seria inapropriado  pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas acções. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos baptizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização…” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 119-120)   APRESENTAÇÃO Caríssimos Irmãos e Irmãs A Igreja Católica em Moçambique, alicerçada e inspirada na sua história e caminhada eclesial prepara-se para celebrar a IVa Assembleia Nacional de Pastoral (IVªANP). Ontem como hoje, à luz da Palavra de Deus, queremos perceber os sinais dos tempos e acompanhar o Povo Moçambicano nas suas vicissitudes políticas, sociais, económicas e religiosas. As três Assembleias Nacionais de Pastoral (ANP) – a IªANP na Beira (1977) sobre as comunidades ministeriais; a IIª ANP sobre a consolidação da Igreja local, na Matola (1991); e a IIIª ANP sobre a evangelização, também na Matola (2005) – constituem momentos fortes desse trabalho de discernimento dos sinais dos tempos e de acompanhamento do Povo Moçambicano nos seus variados momentos. Há naturalmente uma linha de continuidade entre as três Assembleias que mostra a unidade do caminho da Igreja local, mas cada uma enfatizou aspectos próprios como forma de responder aos desafios concretos que cada contexto lançava para a missão evangelizadora da Igreja em Moçambique. A IVª Assembleia de Nacional de Pastoral, a realizar-se em 2023, sob o lema “Reavivar o Anúncio e o Testemunho da Palavra de Deus Hoje”, cuja preparação estamos a iniciar, insere-se na pegada das anteriores Assembleias Pastorais procurando responder aos desafios pastorais do tempo actual.   A IVª Assembleia Nacional de Pastoral terá 2 fases: 1ª Fase: Fase Preparatória: 2021-2022 -Janeiro 2021: Constituição da Comissão Diocesana de preparação da IVa ANP -Janeiro-Fevereiro 2021: Tradução do texto dos Lineamenta nas línguas locais -Páscoa 2021: Entrega do documento dos Lineamenta às paróquias e comunidades -Abril-Agosto 2021: Estudo dos Lineamenta nas paróquias e comunidades -Setembro-Outubro 2021: Assembleias Paroquiais -Outubro 2021-Abril 2022: Assembleias Diocesanas e escolha dos Delegados à IVª ANP Agosto 2022: Assembleias das Províncias Eclesiásticas: Estudo dos contributos aosLineamenta e síntese Setembro-Outubro 2022: Preparação do Instrumento de Trabalho da IVª ANP Novembro 2022: Apresentação do Instrumento de Trabalho na IIª Plenária da CEM   2ª Fase: Fase Celebrativa: 2023 Maio 2023: Celebração da IVa ANP Apresentação dos Lineamenta da IVª ANP Para ajudar o caminho de preparação da IVa Assembleia Nacional de Pastoral, a Conferência Episcopal de Moçambique preparou um Documento Preparatório que se chama LINEAMENTA (Linhas gerais) que agora apresentamos às comunidades cristãs e a todos os fiéis católicos.   Qual é o objectivo do documento dos Lineamenta? O objectivo é encorajar e animartodos os agentes de pastoral a participar na reflexão para que se possa discutir, fazer um inventário pastoral e apresentar propostas de actuação.  Qual a função do documento dos Lineamenta? -Ajudar a reflexão das Comunidades cristãs, Paróquias e Dioceses sobre os temas da IVa ANP. -Fazer uma análise da situação, no plano da Igreja e da sociedade em geral. -Buscar uma fundamentação teológica que abra pistas às iniciativas a propor à Igreja em Moçambique.   Qual o contéudo dos Lineamenta? Estrutura: -Leitura da realidade -Fundamentação Teológica -Propostas Operativas -Perguntas para a reflexão e partilha   Quais são os temas dos Lineamenta? O temas propostos e desenvolvidos nos Lineamenta são os seguintes: I.Missão: Ser Igreja em Saída, decidamente Missionária II.Diálogo entre o Evangelho e a Cultura III.Catequese e formação cristã IV.Pastoral da Família V.Pastoral Juvenil VI.Os Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades VII.O Desafio das Seitas e resposta pastoral VIII.O Cristão e o compromisso social em Moçambique IX.Auto-sustentabilidade da Igreja Local X.Os desafios do mundo digital para a Igreja e para a evangelização.   Qual a metodologia de trabalho? Cada Diocese deve nomear uma Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP a qual é responsável pela animação do trabalho de preparação da Assembleia na Diocese. Como primeiro trabalho, recomenda-se a tradução do texto dos Lineamenta nas principais linguas locais em uso na Diocese para uma melhor compreensão por parte de todos os intervenientes na reflexão e partilha a nível de comunidade cristã e paróquia. Os Lineamenta serão estudados primeiro nas comunidades cristãs e nas zonas pastorais, devendo-se dar resposta às perguntas referentes aos temas. Em seguida, cada Paróquia, numa especial assembleia pastoral, fará a partilha e síntese das propostas apresentadas. A sintese diocesana das resposta aos Lineamenta será realizada pela Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP. Esta é uma proposta de caminho metodológico que pode ser adaptado à realidade e às necessidades locais.O mais importante é que esta fase de preparação a nível diocesano permita fazer um inventário da situação pastoral local (luzes e sombras) e apresente propostas pastorais pertinentes.   Conclusão Caríssimos Irmãos e Irmãs Com a preparação e celebração da IVa Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) queremos fazer juntos uma experiência de ESCUTA, DISCERNIMENTO e COMUNHÃO ECLESIAL que coloque todo o Povo de Deus (fiéis católicos) a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo o Moçambique.A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça RUMOS DE ACÇÃO COMUM para uma pastoral de conjunto.Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar LINHAS PASTORAIS COMUNS, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral. Bom trabalho.  

jul 12 2021

Viver e testemunhar a Esperança nos momentos difíceis

Pela redacção Os bispos católicos de Moçambique reiteram asua preocupação pelas tribulações que abalam a sociedade moçambicana. Reunidos em sessão ordinária, de 9 a 14 de Novembro, da Assembleia plenária da Conferência Episcopal de Moçambique, os bispos apelam à esperança, face ao recrudescimento da guerra em Cabo Delgado e centro do país e “de outras formas de violência, raptos, criminalidade e violação dos direitos humanos” sem esquecer a pandemia do Coronavírus. Por outro lado, os bispos insistem na necessidade de fortalecer as instituições caritativas da Igreja como forma de direccionarem todo o seu trabalho na mitigação do drama de Cabo Delgado que já soma mais de 2000 mortos e 600.000 deslocados para várias províncias de Moçambique. À luz disso, o Papa Francisco expressou a sua proximidade e solicitude doando para os deslocados um valor de 100.000,00 Euros.   Análise da situação social do país Mergulhados em várias crises, a análise da situação social do país é negativa. Por essa razão, para um maior desenvolvimento social, os bispos exigem que se tome como prioridade a educação a todos os níveis, recuperar com urgência a memória histórica de Moçambique como passo indispensável para a reconciliação nacional verdadeira. Com efeito, “é responsabilidade de todos e de cada um trabalhar para sair das actuais crises”. No ponto concernente aos Seminários de formação sacerdotal, o Comunicado da CEM dá destaque a nomeação do Padre Pinto Tene Rabiana, como Reitor do Seminário São Pio X; o reforço das equipas formadoras com mais sacerdotes e a retomada da formação em todos os seminários no ano de 2021 e a conclusão das obras de construção do Seminário Filosófico São Carlos Lwanga.   IV Assembleia Nacional de Pastoral O Comunicado que temos vindo a citar aponta que a IV Assembleia Nacional de Pastoral terá como tema: “Reavivar o anúncio e o testemunho da Palavra de Deus hoje”. Assim, o povo de Deus está convidado a viver e participar nesse evento eclesial por meio da oração e do estudo dos lineamenta, que são o ponto de partida para a reflexão e estudo dos temas a vários níveis: comunidades, paróquias, dioceses.   Relação Institucional Igreja-Governo A Igreja Católica, em Moçambique, continua aberta paracolaborar na “educação cívica e moral dos jovens, educação para a paz e reconciliação, o combate à pobreza”. Entretanto, os bispos mostram-se preocupados com as situações ligadas à “renovação dos DIREs, à entrada dos novos missionários, a retomada dos cultos e a lei da liberdade religiosa”.   O DIA MUNDIAL DOS DIREITOS HUMANOS «Celebrámos no dia 10 de Dezembro, o dia Internacional dos Direitos Humanos. O terrorismo em Cabo Delgado e os ataques na zona centro (Províncias de Manica e Sofala) são actos que atentam contra a dignidade da pessoa humana, colocando em causa os direitos humanos. Perante estes factos, e vários outros cenários de violação dos direitos humanos em todos cantos do nosso País, nós, a Comissão Episcopal de Justiça e Paz juntamente com as Comissões Diocesanas de Justiça e Paz da Igreja Católica em Moçambique, queremos manifestar o nosso apoio e solidariedade a todos aqueles que, tando no mundo como, de modo particular, no nosso país, se esforçam em proteger e promover a dignidade da pessoa humana, como fundamento dos direitos humanos». (Comissão Episcopal de Justiça e Paz)  

jul 12 2021

A cultura do cuidado como percurso de paz

Por VaticanNews Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, o Papa Francisco lança um apelo para que todos se tornem “profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Todos remando juntos no mesmo barco, cujo leme é a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana.Em síntese, esta é a ideia que o Papa Francisco expressa na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, celebrado em 1° de Janeiro.   Solidariedade às vítimas da pandemia A mensagem não deixa de analisar a marca deste 2020: a pandemia. A crise provocada pelo novo coronavírus “se transformou num fenómenoplurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”. O pensamento do Pontífice foi às pessoas que perderam um familiar ou uma pessoa querida ou a quem ficou sem emprego. E um agradecimento especial a quem trabalha em hospitais e centros de saúde, com um renovado apelo às autoridades para que as vacinas sejam acessíveis a todos.   Sou o guardião do meu irmão? Com certeza! No longo texto, o Papa faz uma “génese” da cultura do cuidado desde os primórdios da criação, como narram vários episódios bíblicos. No Antigo Testamento, talvez o mais emblemático seja a relação entre Caim e Abel, e a famosa resposta depois do assassinato: Sou eu, porventura, o guardião do meu irmão? “Com certeza”, responde o Papa sem pestanejar. Já no Novo Testamento, Jesus encarna o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade. “No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte.” Esta cultura do cuidado se aprimorou na Igreja nascente com as obras de misericórdia corporal e espiritual, que no decorrer dos séculos ficaram visíveis em hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças e abrigos para forasteiros. O Cristianismo, portanto, ajudou a amadurecer o conceito de pessoa, a ponto que hoje podemos dizer que “toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos.”   Bússola para um rumo comum Se o ser humano tem direitos, tem também deveres, como o cuidado dos mais vulneráveis e também da criação.Para Francisco, todos esses princípios elucidados na mensagem constituem uma bússola para dar um rumo comum ao processo de globalização, “um rumo verdadeiramente humano”. “Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Aqui o Papa chama em causa um “forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais”.   Como converter nosso coração? O Pontífice recorda que esta “bússola dos princípios sociais” vale também para as relações entre as nações. E pede o respeito pelo direito humanitário em conflitos e guerras. “Infelizmente, constata o Santo Padre, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança.” “As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?” Mais uma vez o Santo Padre lamenta o desperdício de dinheiro com armamentos, quando poderia ser utilizado “para prioridades mais significativas”, relançando a ideia de São Paulo VI de criar um “Fundo mundial” com a utilização dos recursos da corrida armamentista para o desenvolvimento dos países mais pobres. Outro elemento fundamental para a promoção da cultura do cuidado é a educação. Neste projecto, estão envolvidos famílias, escolas, universidades e os líderes religiosos. Francisco se dirige a quem trabalha neste campo “para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva”, fazendo votos de que neste contexto o Pacto Educativo Global “encontre ampla e variegada adesão”.   Não há paz sem a cultura do cuidado Toda a mensagem do Pontífice, enfim, é estruturada para afirmar o princípio de que não há paz sem a cultura do cuidado.“Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela-do-mar e Mãe da Esperança.”“Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis”, é o apelo final do Papa.

jul 10 2021

XV Domingo do Tempo Comum B

LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Amós 7,12-15 Salmo 84 Segunda Leitura: Efésios 1,3-14 Evangelho: Marcos 6,7-13 TEMA: SOMOS ENVIADOS PARA ANUNCIAR A BOA NOVA Neste décimo Domingo do Tempo Comum retomamos o tema do profetismo. Deus actua no mundo através dos homens e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do seu projecto de salvação. Esses “enviados” devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projecto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios. O profetismo, no sentido restrito da palavra, nunca é em Israel uma instituição como a realeza e o sacerdócio. Pode ser o motivo pelo qual não é bem acolhido. Israel pode providenciar um rei, mas não um profeta. O profeta é um dom de Deus, objecto de uma promessa, mas concedido livremente. Alguém se torna profeta por um especial chamado e iniciativa de Deus, não por designação ou consagração dos homens. Por que muitos negam ser profetas: padres, irmãs consagradas, catequistas e animadores? O profeta não é um assalariado. Ele trabalhado gratuitamente. Como está claro em Marcos, o profeta tem uma vocação especial, ou melhor, uma missão, que o põe numa situação especial, não análoga a nenhuma outra profissão humana. Trata-se de um homem aparentemente desarraigado de seu mundo e de si mesmo, e disponível para anunciar uma palavra que não é sua, mas de Deus. O desapego recomendado pelo Mestre constitui em si como uma exigência: “E ordenou-lhes que não levassem nada para a viagem, além de bastão”. A leveza na missão deve ser compreendida como a forma de deixar que a missão corra bem sem nenhum embaraço. O profeta deve ser livre de interesses humanos, de ideologias a defender, de compromissos com as potências do mundo. Essas coisas não lhe permitem estar livre, mas condicionam-no, embaraçam-lhe o trabalho, enfraquecem-lhe o zelo, impedem-no de merecer crédito. Deve haver o despojo total. O profeta não deve confiar nas suas próprias capacidades nem em seu espírito de iniciativa para se tornar “mensagem”, uma mensagem que é a proposta de um plano do qual só Deus tem a iniciativa. O homem é chamado a colaborar para construção de uma história em cujo termo está o encontro com o Pai. A incapacidade de resposta do homem é superada pela redenção mediante o Sangue do Filho bem-amado, o dom do Espírito no Baptismo se torna garantia, segurança do caminhado para uma unificação cósmica numa comunhão trinitária. É imprescindível saber que a Palavra de Deus e o seu reino não se devem confundir com os meios humanos, com os nossos planos, com nossas estratégias. Quando os cristãos, no decorrer da história, confiaram demasiadamente em seus meios, por exemplo, capacidades palavras, o dinheiro etc, substituindo o divino pelo humano, sua mensagem fica mutilada, perdeu o vigor. O projecto salvífico desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projecto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem hesitações. Importa partilhar que a escolha dos instrumentos, homens e mulheres, para serem profetas, não se limita só ao respeito da pessoa que escuta, mas também ao modo de escolha do Cristo. Portanto, urge a cada um de nós, escutar o chamado de Deus, discernir e dar uma resposta que nos deixará realizados e felizes pelo anúncio da Boa Nova. A missão dos profetas, Apóstolos e dos anunciadores do Evangelho de hoje, é, pois, de lutar contra o mal que divide e corrompe. Então, compreendemos melhor porque Jesus dá conselhos de pobreza. Encher-se de riquezas materiais é arriscar cair na armadilha da possessão egoísta, é entrar no círculo infernal da vontade de poder, da inveja. É centrar-se sobre si mesmo em lugar de dar lugar aos outros. É obscurecer o seu olhar interior e não ser mais suficientemente disponível para acolher o outro. Compromisso Pessoal Aprender a desapegar-se de tudo que nos prende na missão de profeta Partilhar os dons recebidos gratuitamente Combater o espírito de ganância e vaidade Defender os direitos dos pobres e marginalizados Empenhar-se na luta pelo bem comum Defender a casa comum dos todos os males

jul 03 2021

XIV Domingo do Tempo Comum B

LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Ezequiel 2,19-22 Salmo 122(123) Segunda Leitura: 2 Coríntios 12,7-10 Evangelho Marcos 6,1-6 Tema: REJEIÇÃO A CRISTO É PECADO GRAVE Se a idolatria caracteriza as nações pagãs, a incredulidade afecta o próprio povo de Deus. Toda a história de Israel é semeada de incredulidade, de rejeição, de nostalgias e de voltas para os ídolos, de confiança nos deuses dos povos vizinhos, de confiança nas grandes alianças com os povos pagãos. Expressão impressionante dessa rejeição é a condição do profeta, sempre obstaculizado pelo povo, nunca aceito, frequentemente perseguido: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados…” (Mt 23,37). A incredulidade do povo sempre foi um escândalo. Muitas são as razões do fracasso e da rejeição do povo eleito. Antes de tudo, os erros de interpretação da Lei. O povo sufocou sob a letra um documento cheio de tensão escatológica; reduziu a missão e a figura do Messias às dimensões de um quadro demasiadamente humano e nacionalista. Algumas classes do povo acreditaram poder ser suficientes a si mesmas e se fecharam a toda iniciativa de Deus. Cegos pela preocupação de vantagens terrenas, outros judeus desprezaram os sinais que Deus lhes enviava. O culto também foi deformado pelo formalismo, e o templo se tornou um lugar de prestação de contais cultuais, sem verdadeira participação pessoal. O incidente de Nazaré, conforme relata Marcos, assume significado simbólico. Jesus se apresenta na sua cidade natal, não como simples cidadão que faz uma visita à família; ele aí vai com seus discípulos no pleno exercício de sua qualidade de Rabí (Rabuni), dotado de sabedoria e de autoridade fora do comum, qualidades excepcionais que são postas em evidente contraste com sua origem; sua gente “se escandaliza com ele” e não aceita como aquilo que ele verdadeiramente é. Para a reflexão da liturgia da palavra, podemos nos questionar. Partindo da compreensão de que os “profetas” não são um grupo humano extinto há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles? Como acolhes seu catequista, animador, ancião da comunidade? Recebes o seu padre para lhe orientar espiritualmente ou está em busca de um apoio material? Não se escandaliza quando o profeta da sua casa, da sua aldeia, bairro e cidade denuncia os males praticados pela sociedade incluindo a si? Quando o seu animador não aceita incluir seu filho na lista de baptismo por falta de preparação, como tem sido a sua reacção? Para mais aprofundamento da Palavra de Deus: Como lidamos com a injustiça e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens, como a guerra, a corrupção, o preconceito, a perseguição das pessoas de boa vontade? O medo, o comodismo, a preguiça, alguma vez nos impediram de ser profetas? Grande parte dos judeus não reconheceu o Cristo, mas as razões que explicam esta recusa dizem respeito também a nós: estamos também continuamente em perigo de querer salvar-nos sozinhos, de pôr nossa confiança só nos recursos exteriores, de pôr em nosso culto mais formalismo que interioridade, de restringir, com as nossas interpretações demasiadamente humanas e presas a um ambiente determinado, a universalidade da nossa religião. Nós também temos a contínua tentação de fazer calar os profetas, porque nos incomodam em nossas posições alcançadas e destroem nossas seguranças. O pecado é recusa de comunhão com Deus e desagregação do povo que Deus convocou; ofensa a Deus, e, portanto, verdadeira e radical alienação do homem. O desígnio de Deus é comunicar-se a si mesmo em Jesus Cristo, com uma riqueza que transcende toda compreensão e transpõe todo obstáculo. O cristão, mesmo que atormentado pela necessidade e o dever de combater contra o pecado e suas consequências, é sustentado cada dia por uma esperança que não decepciona. O Cristão participa, por meio do Espírito de Jesus, da própria vida de Deus. Compromisso Pessoal Aceitar com coragem e determinação a missão de profeta Rezar pelos actuais profetas para que não desanimem Denunciar os males da sociedade, da Igreja e da família Colaborar com a construção da justiça social Cultivar o espírito de paz interior e das nações Viver as propostas do Evangelho que é por excelência a construção do Reino de Deus

jun 28 2021

Ausência de reconciliação nacional

Os maiores travões do desenvolvimento de Moçambique: Ausência de reconciliação nacional Na edição anterior da VN referimo-nos à intolerância política como um dos principais travões do desenvolvimento de Moçambique. Nesta edição, apresentamos outro grande entrave ao nosso desenvolvimento: a ausência de reconciliação nacional. À semelhança da intolerância política, que é uma das principais forças de bloqueio ao nosso avanço como país, a ausência de reconciliação nacional funciona como outro grande impedimento do nosso progresso, tendo em conta o nosso percurso histórico desde a década da luta de libertação nacional: 1964-1974, até aos dias de hoje, ano de 2021. Portanto, apelamos para uma verdadeira reconciliação: o perdão sem esquecimento – um esforço nacional que a nossa sociedade, ajudada por nós cristãos católicos, deve fazer conforme ensinam a Doutrina Social da Igreja (DSI) e o Papa Francisco na sua Carta Encíclica Fratelli Tutti – “Sobre a Fraternidade e a Amizade Social” que cito: “o perdão livre e sincero é uma grandeza que reflecte a imensidão do perdão divino. Se o perdão é gratuito, então pode-se perdoar até a quem resiste ao arrependimento e é incapaz de pedir perdão” (§ 250).   Reconciliação Nacional A reconciliação nacional é uma necessidade urgente para o nosso país, porque a nossa história está preenchida de eventos de desentendimento, guerras e conflitos. Aqui destacamos quatro desses eventos. Primeiro, a luta de libertação nacional (1964-1974), durante a qual houve confrontação entre o exército do movimento Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e o exército português. Formalmente o exército português era composto por “tropas portuguesas”, mas é sabido que mais de dois terços dessa tropa dos que lutavam contra a Frelimo eram moçambicanos de diferentes proveniências. Assinado o Acordo de Inkomati a 7 de Setembro de 1974, e terminada a luta de libertação nacional, uma parte desses moçambicanos (na altura tratados por “comprometidos”) que outrora pertenceram ao exército português foi integrada no exército moçambicano, depois que o então Presidente Samora Machel ordenou que fossem perdoados e que a designação “comprometidos” fosse abolida do léxico político, social e militar do país.   Outros desafios a Reconciliação Nacional O segundo momento negro da nossa história e que obriga a um processo de reconciliação nacional é a guerra dos 16 anos que opôs a Renamo ao Governo da Frelimo entre 1976 e 1992. Aquela guerra só terminou com a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) a 4 de Outubro de 1992. Porém, a negociação da “paz política” não envolveu uma negociação da “paz social”. Assim, o AGP tal como o Acordo de Inkomati foi um acordo político sem bases sociais de entendimento entre os moçambicanos que tinham estado em trincheiras diferentes. Foi assim que a desmobilização dos guerrilheiros que fizeram a guerra dos 16 anos, tanto do lado da Frelimo como da Renamo, aconteceu sem nenhum processo de mobilização social para o perdão e a sua integração na sociedade.   Acordo sem reconciliação Depois da assinatura do AGP em 1992 até ao recomeço da guerra em 2012, o nosso país era considerado um bom exemplo e um caso de sucesso de transição da guerra para a paz. Mas como se viu esse sucesso tinha pés de barro e, por isso, não subsistiu por mais tempo. O terceiro evento histórico que compõe a nossa complexa situação de ausência de reconciliação nacional aconteceu em 2014, quando o fim da chamada “guerra de Muxúnguè” que se materializou com a assinatura a 5 de Setembro de 2014 do chamado Acordo de Cessação das Hostilidades Militares (um eufemismo usado para designar a guerra pós-eleitoral de 2012-2014). De novo, esse acordo foi alcançado por via da negociação política sem que se fizesse esforço a nível social para promover o perdão e a reconciliação. Negociou-se a “paz política” – o calar das armas apenas sem a correspondente “paz social” que viria da reconciliação nacional. Eis que em 2015 recomeça a guerra que vai até finais de 2017 quando o falecido Presidente da Renamo Afonso Dhlakama decretou aquela “trégua por tempo indeterminado”, e começaram as negociações para uma “nova paz” entre ele e o Presidente da República Filipe Nyusi. É neste contexto que surge o quarto momento de necessidade de uma reconciliação nacional. Mais uma vez, os dirigentes políticos optam por negociar apenas uma “nova paz” sem reconciliação nacional. E ela só viria a ser conseguida em 2019, quando o Presidente da República Filipe Nyusi e o novo Presidente da Renamo Ossufo Momade assinaram o terceiro acordo de paz em 40 anos, a 6 de Agosto, na Praça da Paz, em Maputo. A esse acordo designaram “Acordo de Paz Definitiva e Reconciliação Nacional de Maputo”, mas que, como se sabe, de definitivo ainda tem pouco, visto que depois da sua assinatura o país viveu momentos de terror, de ataques armados na zona centro do país.   Acordo 2019 Como resultado do último acordo de paz de 2019 vemos o processo oficialmente designado de “desmobilização, desmilitarização e reintegração (DDR)” com a última componente da reintegração a deixar muitas dúvidas. De novo, a preocupação recai apenas sobre as formas de como mandar para casa os ex-guerrilheiros sem nenhum processo social amplo e aberto de perdão e de reconciliação nacional. Os acordos de paz não são suficientes para a pacificação do país, como temos visto ao longo dos vários anos. Precisamos de um processo nacional de reconhecimento dos erros cometidos pelas partes contendoras, que inclua perdão nacional e consequente reconciliação. Sem isso, temos o país que vemos: as pessoas que fazem parte do partido Frelimo, que governa o país são facilmente integradas na vida socio-económica, enquanto todos os demais moçambicanos são tratados como “os outros”. E com isso, temos muitos “falsos membros” da Frelimo, que o são somente de cartão porque querem evitar perseguição política e garantir a sua sobrevivência económica e profissional. Desta forma, está-se a perpetuar o nosso sub-desenvolvimento, porque não será possível ultrapassar a pobreza, a fome, a falta de estradas e de pontes, o desemprego ou outros males que nos afligem, enquanto não nos reconciliarmos como única

jun 28 2021

“Do eldorado do gás ao caos”

“Do eldorado do gás ao caos”, Dossier elaborado pela Organização Amigos da Terra Internacional, Junho 2020   Tesouro envenenado A partir de 2010 até 2013, foram descobertas enormes reservas de gás em Moçambique: cerca de 5000 milhares de milhão de metros cúbicos, prevendo um investimento de, pelo menos, 60 mil milhões de dólares nos próximos anos para explorar as reservas, um dos maiores investimentos alguma vez feito na África Subsariana. Um tesouro que já se está a transformar num pesadelo para os habitantes do norte de Cabo Delgado que enfrentam um conflito aceso e mortal desde 2017. Entre 2010 e 2013, descobriram-se enormes reservas de gás no norte da província de Cabo Delgado, que supostamente colocariam o país entre os cinco principais exportadores de gás liquefeito (GNL) a nível mundial. Assim as praias de areia fina de Cabo Delgado, tornaram-se a nova casa da indústria do gás e de todas as empresas que giram em torno dos referidos megaprojectos de energia. Bem sabemos que essas reservas situam-se no extremo norte do país que tem sido o centro das atenções nos últimos meses, devido à intensificação dos ataques de grupos de insurgentes contra a população civil e o exército Moçambicano. Os primeiros ataques coincidiram com a concretização dos projectos de exploração de gás, que exacerbam as tensões sociais, religiosas, étnicas e políticas na origem de um conflito que se agrava.   Projecto TOTAL Com a chegada da Total na qualidade de operador de um dos três projectos e numa altura em que o conflito ganha envergadura, a França interessa-se cada vez mais por esta região, que é altamente estratégica para eles, os seus industriais e os seus bancos. Para o projecto da Total, os operadores decidiram realizar tudo em offshore (no mar) com uma unidade flutuante de liquefacção e armazenamento de gás, ancorada a 60 km das costas Moçambicanas, com perfurações de cerca de 2 km de profundidade. O gás será, então, explorado e liquefeito para ser, depois, exportado. A Península de Afungi, perto da cidade de Palma, acolhe as instalações onshore (na terra): um imenso parque industrial de 18 000 hectares onde serão construídas todas as infra-estruturas de GNL (terminais, comboios de GNL, reservatórios, embarcadouros, aeroporto próprio etc.). Essas instalações serão ligadas por gasodutos aos campos submarinos das áreas 1 e 4. Na Península de Afungi, a Total e a ExxonMobil arrancaram com as obras de construção. A Total encarrega-se da maior parte dos trabalhos nesta etapa, uma vez que já avançou mais no processo de financiamento. Cerca de 8000 operários estavam no local antes da epidemia da Covid-19 que diminuíram consideravelmente até ao mês de Janeiro, pela insegurança vivida nos estaleiros devido também ao aumento dos ataques terroristas nas proximidades.   Gás e conflito armado As comunidades locais são as principais vítimas das consequências do boom do gás e do conflito que mina a província de Cabo Delgado. Uma insurreição que mata e ganha amplitude há cerca de três anos que multiplica os ataques dos grupos terroristas, conhecidos como Ahlu Sunna Wa-Jama e a que a população local chama «al-Shabab», há como consequência a militarização da zona, para contrastar o conflito armado que influencia também o processo de relocalização e de indemnização das famílias desalojadas pelos operadores da exploração do gás. Os desalojamentos das populações em virtude dos projectos de exploração de gás e a militarização da zona a favor das corporações transnacionais do gás em detrimento das comunidades locais, só exacerbam as tensões.   Gás e Deslocados internos De Outubro de 2017 a Outubro de 2020, os insurgentes realizaram mais de 600 ataques terroristas nos distritos do norte e centro da província de Cabo Delgado, causando mais de 2000 mortes entre a população. Para além da barbaridade na forma de actuação, a face mais visível dos ataques em Cabo Delgado é o crescente número de deslocados internos, que atingiu mais de 500 mil até ao final de 2020 correspondente a cerca de 13% da população da província nortenha de Cabo Delgado com o um aumento em mais de 2700% deslocados, em apenas dois anos. Com a população moçambicana estimada em cerca de 28 milhões de habitantes, cerca 500 mil vive na condição de deslocados, acolhidos em 13 centros de acomodação, criados pelo Governo e parceiros, assistidos pelo PMA, INGS e a Caritas. Porém, a maioria dos deslocados está hospedada em casa de familiares sem o mínimo de condições para lhes garantir as condições básicas de sobrevivência. Desta forma, podemos dizer que nasceram dois grupos distintos de deslocados internos: por um lado, a maioria que se abriga em casas de famílias acolhedoras e outro, que está em centros de deslocados criados para o efeito. Desafios sociais Neste tipo de projecto de exploração de energias fósseis, operadores como a Total, a ExxonMobil ou a ENI são geralmente obrigados a criar empregos locais, consoante os regulamentos editados pelo país que detém os recursos em hidrocarbonetos no seu solo, ou o chamado conteúdo local. Entretanto, alguns observadores já constataram que o governo Moçambicano se concentrou largamente em duas decisões finais de investimento rápidas, visando obter as receitas o quanto antes para saldar a dívida, conhecida vulgarmente como a “divida oculta”, em detrimento do desenvolvimento desse conteúdo local. O gás criou muitas expectativas, mas desde 2016 que as populações locais se queixam de ser muitas vezes ignoradas, mesmo no que se refere à criação de empregos não qualificados. Segundo afirmam, as grandes empresas de exploração de gás e os seus agentes contratados preferem contratar estrangeiros ou pessoas da capital em detrimento dos habitantes locais, alimentando, assim, não só as tensões comunitárias e étnicas, como também o conflito em Cabo Delgado.   Consequências ecológicas Alguns estudos técnicos dos projectos analisados revelam que a exploração de gás no mar irá provocar a degradação do habitat de muitas espécies de peixes que vivem na área. No próximo futuro o ruído e as colisões com os navios, nomeadamente, com os imponentes petroleiros de GNL, forçarão espécies com a baleia-de-bossa e a baleia boreal a abandonar a

jun 28 2021

IV ASSEMBLEIA NACIONAL DA PASTORAL

A caminho da IV ANP A Igreja Católica, em Moçambique, no seguimento do trabalho de discernimento dos sinais dos tempos e de acompanhamento do povo moçambicano nos seus variados momentos, vai realizar em 2023 a IVª Assembleia Nacional de Pastoral (ANP) sob o lema “Reavivar o Anúncio e o Testemunho da Palavra de Deus Hoje”, cuja preparação estamos a iniciar, insere-se na pegada das anteriores Assembleias Pastorais procurando responder aos desafios pastorais do tempo actual. A Iª ANP realizou-se em 1977 na Beira sobre as comunidades ministeriais; em seguida, em 1991 decorreu a IIª ANP sobre a consolidação da Igreja local, na Matola; e no ano de 2005 realizou-se a IIIª ANP sobre a Evangelização, também na Matola. Como forma de animar as comunidades na preparação e participação activa deste evento da nossa igreja, a Vida Nova vai oferecer, a partir desta edição, os textos dos Lineamenta (Linhas gerais) destacando os vários temas aflorados pelo documento.   Participar é fundamental A iniciativa da preparação e celebração da IVª Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) visa criar uma experiência conjunta de escuta, discernimento e comunhão eclesial que coloque todo o Povo de Deus a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo Moçambique. A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça rumos de acção comum para uma pastoral de conjunto. Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar linhas pastorais comuns, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral.   Qual é o objectivo do documento dos Lineamenta? O objectivo é encorajar e animar todos os agentes de pastoral a participar na reflexão para que se possa discutir, fazer um inventário pastoral e apresentar propostas de actuação. Qual a função do documento dos Lineamenta? -Ajudar a reflexão das Comunidades cristãs, Paróquias e Dioceses sobre os temas da IVa ANP. -Fazer uma análise da situação, no plano da Igreja e da sociedade em geral. -Buscar uma fundamentação teológica que abra pistas às iniciativas a propor à Igreja em Moçambique.   Qual o conteúdo dos Lineamenta? Estrutura: -Leitura da realidade -Fundamentação Teológica -Propostas Operativas -Perguntas para a reflexão e partilha   Quais são os temas dos Lineamenta? Os temas propostos e desenvolvidos nos Lineamenta são os seguintes: Missão: Ser Igreja em Saída, decididamente Missionária Diálogo entre o Evangelho e a Cultura III. Catequese e formação cristã Pastoral da Família Pastoral Juvenil Os Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades VII. O Desafio das Seitas e resposta pastoral VIII. O Cristão e o compromisso social em Moçambique Auto-sustentabilidade da Igreja Local Os desafios do mundo digital para a Igreja e para a evangelização.   Qual a metodologia de trabalho? Cada Diocese deve nomear uma Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP a qual é responsável pela animação do trabalho de preparação da Assembleia na Diocese. Como primeiro trabalho, recomenda-se a tradução do texto dos Lineamenta nas principais línguas locais em uso na Diocese para uma melhor compreensão por parte de todos os intervenientes na reflexão e partilha a nível da comunidade cristã e paróquia. Os Lineamenta serão estudados primeiro nas comunidades cristãs e nas zonas pastorais, devendo-se dar resposta às perguntas referentes aos temas. Em seguida, cada Paróquia, numa especial assembleia pastoral, fará a partilha e síntese das propostas apresentadas. A síntese diocesana das respostas aos Lineamenta será realizada pela Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP. O mais importante nesta fase de preparação a nível diocesano é fazer um inventário da situação pastoral local (luzes e sombras) e apresente propostas pastorais pertinentes.   Missão: ser uma igreja em saída, decididamente missionária As pequenas comunidades cristãs ministeriais, sobretudo depois da Iª Assembleia Nacional de Pastoral (1977), ajudaram a Igreja em Moçambique a ser uma Igreja de base e de comunhão, “uma Igreja família, de serviços recíprocos, livremente oferecidos, uma Igreja no coração do povo que a faz sua, inserida nas realidades humanas e fermento da sociedade” (Ia ANP, n.1). As nossas paróquias são uma rede de comunidades, e assim conseguimos passar corajosamente de uma pastoral de manutenção para uma pastoral decididamente missionária.   Leitura da realidade A Igreja Católica em Moçambique, fruto da evangelização que remonta há cinco séculos, é por sua natureza missionária. Nos dias de hoje nota-se o enfraquecimento do espírito e dinamismo missionário nos evangelizadores e comunidades cristãs. A Igreja local moçambicana, perante os desafios da sociedade actual, tem a necessidade urgente de ser mais irradiante, apostólica, missionária. Para isso, é necessário organizar no contexto actual todas as nossas forças em vista de uma missão evangelizadora directa, abrangente, incisiva, generosa, audaz e à altura das necessidades. Trata-se do anúncio corajoso da Palavra de Deus que é acompanhado pelo testemunho de uma vida dedicada e de boas obras (Cf. At 4,29). Devemos, pois, aceitar o grande desafio que o Papa Francisco coloca a cada um de nós, na sua visita apostólica a Moçambique, no dia 5 de Setembro de 2019, na Catedral de Maputo: “A vossa vocação é evangelizar; a vocação da Igreja é evangelizar; a identidade da Igreja é evangelizar”. Ele nos convida a todos a sermos ousados e criativos na evangelização. Trata-se de colocar a Missão de Jesus no coração da própria Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia das nossas estruturas, os resultados do nosso trabalho, o nosso empenho de evangelizadores e a alegria que somos capazes de suscitar nos outros, porque sem alegria não se atrai ninguém.   Fundamentação teológica O Papa Francisco tem proposto no seu ensinamento a imagem de uma “Igreja em saída”, mobiliza-nos para uma acção comprometida com a evangelização dos povos, insiste em afirmar que a missão fundamental da Igreja é o anúncio do Evangelho (Cf. Evangelii Gaudium, 20-24). De facto, a Igreja Católica é por essência uma comunidade missionária. Continua e prolonga a comunidade apostólica, instituída por Cristo para anunciar a Mensagem (Mc 16, 15). Nascida da Palavra de Deus acha-se a serviço desta Palavra (Cf. 1 Cor 9,

jun 28 2021

CAJUNA continua erguida para apoiar os deslocados de Cabo Delgado

Por Kant de Voronha A Coordenadora da Comissão Arquidiocesana da Juventude, Irmã Francinete Ribeiro, considera que os jovens nunca ficaram parados durante a vigência do Decreto Presidencial que ordenou o encerramento das celebrações e encontros públicos. A fonte falava na margem do término da formação da CAJUNA havida no último Sábado, 26/6, no Centro Catequético Paulo VI de Anchilo. Mesmo a meio de muitos desafios sobretudo as restrições do número de participantes, os jovens abraçam o trabalho com os deslocados apoiando-os na construção de tendas em Corrane, acolhimento, escuta e difusão radiofónica de programas de apelo à solidariedade para com os necessitados. “Foi um desafio, como CAJUNA, durante esse tempo que não podíamos visitar as comunidades nem as regiões, mas abraçamos o trabalho com os deslocados. Procuramos apoiar com aquilo que os jovens podiam e podem: construção de tendas em Corrane, acolhimento, escuta e difusão radiofónica de programas de apelo à solidariedade para com os necessitados”, apontou. Para além de doação de si próprios e seus bens, os jovens da CAJUNA introduziram recentemente o programa de alfabetização para os deslocados em coordenação com o Governo e várias entidades religiosas. A nossa fonte apela aos jovens e deslocados que não se sintam sozinhos e isolados. Que se faça trabalhos de reintegração da juventude nas comunidades e nas paróquias. “Vemos nestes dias que um grande número de jovens abandonou a igreja e estão por aí. Que possa haver esse trabalho de reintegração. Saibamos ir ao encontro e escutar os jovens”.

jun 28 2021

“Nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra”

Por Kant de Voronha O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, considera que a Fé e a Esperança em Deus devem ser os pilares que sustentam os jovens em tempos de incerteza. Pois “Nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra”. O prelado falava na manhã do último sábado em mensagem, áudio, enviada a partir da Itália, por ocasião da formação promovida pela Comissão Arquidiocesana da Juventude (CAJUNA). Dom Inácio encoraja os jovens a não se deixar abalar pelas adversidades da guerra e as incertezas da Covid-19. “Nós temos não só uma esperança, mas também temos uma certeza: Deus! Jovens, Deus está convosco, Deus está connosco. Por isso, nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra. A última palavra pertence a Deus” Dom Inácio referiu ainda que o Dicastério para os leigos, a família e a vida, da Santa Sé anunciou a mudança da celebração da Jornada Mundial da Juventude, nas Arquidioceses e Dioceses, do Domingo de Ramos para o Domingo de Cristo Rei do Universo. É seu desejo que a primeira data a celebrar-se em Novembro próximo seja um verdadeiro momento de festa juvenil e reencontro de quantos almejam construir o Reino de Deus. “Que Cristo seja, na verdade, o vosso Rei, o Rei da juventude e sereis verdadeiramente felizes. Desde já marco um grande encontro convosco para celebrarmos o dia mundial da juventude na solenidade de Cristo Rei do Universo nos dias 20 e 21 de Novembro que vem. Quero que a primeira Jornada Mundial da Juventude seja verdadeiramente uma experiência de encontro, de amizade e de fraternidade universal”, exortou Dom Inácio. De salientar que a formação da CAJUNA teve como tema “ESPERANÇA E FÉ DOS JOVENS EM TEMPO DE INCERTEZA. Jovens lancem as vossas redes para outra margem (Mc,5.35-41)”.

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