ago 09 2021
Os maiores travões do desenvolvimento de Moçambique
4 – A fragmentação da governação Por Thomas Selemane thomselemane9@gmail.com A fragmentação da governação neste texto significa a prática de ter muitos “planos de desenvolvimento” ou “planos estratégicos”, muitas vezes desconexos e contraditórios entre si, para um mesmo sector (agricultura, educação, saúde, e por aí em diante) e com horizontes temporais diferentes. Essa prática de “governar à retalho” a que chamo de fragmentação da governação é um dos maiores travões do desenvolvimento de Moçambique, a par da intolerância política, da ausência de reconciliação nacional e da frágil unidade nacional, a que me referi nas últimas três edições desta revista. Por causa dessa fragmentação, a nossa governação tem sido orientada mais por uma visão de curto prazo, típica dos interesses partidários, do que por uma visão de longo prazo, que seria mais consentânea com um projecto de construção de uma nação. Mas nem sempre foi assim. Ao longo do percurso do nosso país houve várias tentativas de pensar o desenvolvimento nacional a médio e longo prazos, de forma integrada, embora os resultados nunca tenham sido satistafatórios na medida em que se desejaria. A prática de criar vários fragmentos da governação (estratégias, políticas, directivas, planos nacionais) vem dos últimos 20 anos, para prejuízo do país e de todos os moçambicanos. Não pretendo defender aqui o modelo de economia centralmente planificada que vulgarmente se chamou de “socialismo”. Estou apenas a situar aos leitores o percurso que a governação do país seguiu desde que Moçambique existe como tal. A última tentativa de se pensar na construção da nação, a médio e longo prazo, foi nos primórdios dos anos 2000, quando se elaborou a consensual “Agenda 2025 – Visão e Estratégias da Nação.” Esse documento cujo prazo deve terminar daqui a quatro anos, em 2025, preconizava “a nação em primeiro lugar.” A sua elaboração foi tanto inclusiva – no verdadeiro sentido da palavra – quanto demorada e metodologicamente sofisticada. Esperava-se que nestes 25 anos, desde o ano 2000, toda a planificação da governação do país se baseasse na Agenda 2025. Mas isso não aconteceu. Foram sendo elaboradas novas “agendas”, “visões” e “estratégias” com curto alcance temporal, sem a perspectiva inclusiva que a Agenda 2025 teve, e acima de tudo, sem colocar a nação em primeiro lugar, procurando responder mais a demandas de fora e menos a demandas de dentro. Os resultados dessa fragmentação da governação – em particular, os resultados de se ter ignorado a Agenda 2025 – estão à nossa vista: desde a progressiva desagregação da sociedade moçambicana, passando pelos conflitos pós-eleitorais, desembocando na guerra de Cabo Delgado. Apresento a seguir alguns exemplos para demonstrar como a fragmentação da nossa governação tem sido um dos principais travões ao desenvolvimento do nosso país. Começando pelo campo económico, vemos uma lista interminável de “planos” e “agendas.” Por exemplo, o país conta com uma “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, que se pretende que seja um mecanismo nacional de resposta aos anseios internacionais de atingir os chamados “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” em 2030, isto é, daqui a nove anos. Reservo para outra ocasião a discussão sobre a fiabilidade dos tais ODS. Por enquanto, importa-me realçar a ténue e por vezes ausente ligação entre a Agenda 2030 e os demais instrumentos de governação. Para além dela, Moçambique possui também uma “Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2015-2035. Esse fragmento da governação, diz o seguinte: “Por forma a assegurar uma maior coordenação do processo de desenvolvimento, o Governo decidiu elaborar a Estratégia Nacional de Desenvolvimento , que tem como objectivo: elevar as condições de vida da população através da transformação estrutural da economia, expansão e diversificação da base produtiva.” Ninguém discorda das boas intenções anunciadas naquele documento. Nenhum moçambicano diria que até ao 2035, não gostaria de ver no país uma “transformação estrutural da economia”. Por outras palavras, todos os moçambicanos querem ver o país a ter mais exportações do que importações, a gerar mais emprego de qualidade, a produzir mais do que o suficiente para alimentar os 30 milhões de moçambicanos. Mas como é que se chega lá? Temos também uma “Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2016-2022”. Tal como os outros fragmentos da governação, essa estratégia de inclusão financeira também colhe consenso de toda a gente. Porque, afinal, ninguém acha mau que todos os cidadãos do nosso país tenham acesso aos serviços financeiros. Sejam eles bancos, contas móveis de uma ou de outra companhia de telefonia móvel. Ora, qual é a ligação entre essa estratégia de inclusão financeira cujo prazo termina no próximo ano de 2022 e as outras estratégias de desenvolvimento económico? Nenhuma ligação! Outra área da governação que merece atenção é agricultura, que é definida como “a base de desenvolvimento de Moçambique”, pela nossa Constituição da República (Nr 1, Art. 103). Vários estudos têm considerado o fraco desempenho da agricultura em Moçambique como um dos principais entraves para a falta de redução da incidência da pobreza. E uma das razões desse fraco desempenho tem sido comprovadamente a existência de demasiados “planos” e “estratégias” sem conexão entre si, por vezes contraditórias entre si, e sem visão de longo prazo. Decorre actualmente o mais badalado programa do sector agrário – SUSTENTA – que se pretende que seja uma iniciativa transformadora da vida dos camponeses, dos comerciantes e de todos os demais agentes económicos que trabalham ao longo da cadeia de valor da agricultura. Se o programa SUSTENTA pode ou não dar os resultados que se prometem, veremos mais tarde, quando se fizer uma avaliação. Por enquanto, e para efeitos deste texto interessa-me problematizar a existência de vários programas dentro do sector agrário. Nos últimos 20 anos, o país teve os seguintes cinco programas nacionais do sector agrário: (i) PROAGRI 1 (1999-2005); (ii) PROAGRI 2 (2005-2009); (iii) Estratégia de Desenvolvimento Rural (EDR) 2007-2025; (iv) Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA) 2010-2020; (v) Plano Nacional de Investimento do Sector Agrário (PNISA) 2013-2017. Cada um desses programas foi desenhado na boa-fé de ser a salvação da agricultura e a solução para o problema da pobreza em Moçambique. Porque é
ago 09 2021
Visão geral da problemática em torno do Apocalipse
Frei Carlos Mesters, Carmelita 1ª Chave VISÃO GERAL DA PROBLEMÁTICA EM TORNO DO APOCALIPSE 1. As dificuldades mais comuns do povo O Apocalipse de João é um livro misterioso, difícil, controvertido, fechado a sete chaves, cheio de visões estranhas, descritas em linguagem obscura, que a gente não entende e que muitas vezes metem até medo nas pessoas. Sobretudo hoje em dia, nestes tempos apocalípticos! Livro cheio de violência e morte como se a vida humana já não valesse mais nada. Livro que mistura os tempos: você não sabe se ele fala do presente, do passado ou do futuro. Livro que provoca atitudes fatalistas, pois ele parece sugerir que não adianta você se esforçar para interferir no rumo dos acontecimentos. Tudo já parece determinado e a nós só cabe assistir a tudo de camarote. A palavra apocalipse sugere e provoca reações bastante negativas: Sugere algo que tem a ver com confusão, desastre, fim do mundo. Sugere algo que vem de forças superiores. Alguns dizem que vem de Deus. Por isso provoca o fatalismo que faz ficar parado sem participar. Sugere visões e revelações, recebidas e interpretadas por videntes, como aqueles três sinais que apareceram na parede do palácio do rei Baltazar (Dn 5,5.25-26). Sugere ainda um certo fanatismo que pode levar as pessoas a cometer desatinos. A leitura errada do Apocalipse já provocou o suicídio de muita gente, tanto ontem como hoje. Afinal, qual o significado certo do Apocalipse? 2. Três interpretações muito comuns O Apocalipse de João é um dos livros mais procurados da Bíblia. Também dos mais abusados. Muitos não entendem o seu sentido, mas sentem uma atração, uma curiosidade. Uma senhora disse: “Entender, não entendo. O meu entendimento é fraco, mas gosto muito. Me traz conforto e coragem na luta”. De fato, não é necessário entender de música para poder sentir o con¬forto de uma bela sinfonia! Imagens e visões, por si mesmas, podem comunicar conforto e coragem. Mas não basta a coragem. Sem o entendimento, ela pode desandar como um carro desgovernado. Pode até ser usada para fins anti-evangélicos, como já aconteceu e ainda acontece. Outros são mais críticos. Não querem só assistir. Querem é conhecer o rumo e participar. Por isso não gostam do Apocalipse: “Deus faz tudo. Não sobra mais nada para a gente. E aquelas visões terríveis do fim do mundo! Sem um entendimento, aquilo só dá medo na gente”. Coragem sem entendimento desanda. Entendimento sem coragem paralisa. Como combinar as duas coisas na interpretação do Apocalipse? E que entendimento? Pois nem todo entendimento abre o sentido do Apocalipse. Quando em 1980 o Papa João Paulo II sofreu o atentado, alguns crentes diziam: “Isto está bem conforme o que está escrito. O Apocalipse diz que a besta-fera recebe ferida de morte e sobrevive”. Para uns, a besta-fera é o Papa. Para outros, é o governo. Para outros, o capitalismo. Para outros, o comunismo. Cada um lê o Apocalipse conforme o seu próprio entendimento e dele tira as suas conclusões. Onde procurar o entendimento certo? 3. Resumindo: Na opinião comum, apocalipse ou apocalíptico é sinônimo de: * Desastre e confusão, * Medo e fim de mundo, * Visões estranhas e imagens esquisitas, * Intervenção do alto e fatalismo cá em baixo * Muito usado e muito abusado
ago 09 2021
Famílias e Jovens
Lineamenta da IV Assembleia Nacional de Pastoral Continuamos a apresentar os temas dos Lineamenta que preparam e animam as comunidades cristãs para a IV ANP. Neste número tratamos da Pastoral familiar e Juvenil, riquezas e desafios. A iniciativa da preparação e celebração da IV Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) visa criar uma experiência conjunta de Escuta, Discernimento e Comunhão eclesial que coloque todo o Povo de Deus a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo Moçambique. O que é a pastoral da família? A Pastoral da Família é um serviço que se realiza na Igreja e com a Igreja, de forma organizada e planeada através de agentes específicos, com metodologias próprias, tendo como objectivo apoiar a família a partir da realidade em que se encontra, para que possa existir e viver dignamente, estabelecer relacionamentos e formar as novas gerações conforme o plano de Deus. Esta Pastoral abrange todas as famílias, independentemente da sua situação familiar, com o propósito de promover a inclusão e resgatar os valores e a dignidade de cada pessoa (18). Leitura da realidade Em Moçambique, como em muitos lugares de África, mais do que a dimensão jurídico-legal, o que define a família são os valores que ela representa, principalmente a união e protecção de um para com o outro. A família pode, em Moçambique, não necessariamente ter pessoas do mesmo sangue mas ela é composta por pessoas com os mesmos valores e princípios. Neste sentido, o indivíduo só pode existir colectivamente e numa lógica espiritualizada, o que lhe garante a identidade pessoal, noções de responsabilidade em relação a si e aos outros (19). Mas a família em Moçambique, enquanto instituição social, tem passado por mudanças aceleradas na sua estrutura, organização e função de seus membros. Ao modelo tradicional foram-se somando muitos outros modelos de família, fruto e consequência de abertura às outras culturas e de profundas transformações estruturais de carácter global. Os novos modelos de família, importados ou forjados de propósito para acomodar as contínuas mudanças, embora em alguns aspectos tenham contribuído para libertar a pessoa humana dos vários condicionamentos e determinismos, em muitos outros aspectos têm sido porta de ingresso para profundas crises (20). O crescimento progressivo de crianças de rua em todas as nossas cidades é um sinal evidente do mal-estar da Família em Moçambique. As crianças de rua são, simultaneamente, uma denúncia à crise de estabilidade nas uniões matrimoniais e o aumento do número de mães solteiras, resultantes, ou de separações, ou de escolhas de procriação livre de compromisso marital. Uma outra expressão emblemática da crise nas famílias moçambicanas é o crescimento do número de idosos abandonados e, portanto, desamparados, quer pelos próprios filhos e também pela sociedade, cada vez mais carente de estruturas aptas a dar uma resposta idónea a este tipo de precariedades. As várias crises estruturais às quais estão sujeitas muitas famílias moçambicanas, acabam fazendo da família um laboratório de ensaio de todo o tipo de violências que, depois, encontram a sua plena maturação na violência social generalizada (21). Fundamentação teológica A família é muito importante para Deus, é uma instituição sagrada, criada por Ele. Quando o homem foi criado, Deus viu que não era bom que ele estivesse sozinho, e por isso criou a mulher para ser sua companheira (Cf. Gn 2,18). Juntos, eles receberam a ordem de se multiplicar e povoar a Terra (Cf. Gn 1,28). Jesus também falou sobre a santidade do casamento em Mateus 19. Mas na Bíblia, o conceito de família também é espiritual e não apenas físico. Assim, todos aqueles que aceitam Jesus, fazem parte de uma grande família, composta por elementos de todas as línguas e nações cf. Ap 7,9 (22). Por sua vez, a Igreja sempre cuidou da família. Por um lado, por acreditar ser ela não apenas a célula mater da sociedade e o santuário da vida, mas também a “Igreja doméstica” (Cf. Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 11). E, por outro, porque está convencida de que “o bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar (Cf. Constituição Pastoral Gaudium et Spes, n. 47). Logo no início de seu pontificado, o Papa São João Paulo II publicou uma Exortação Apostólica sobre a família, como conclusão, precisamente, dos temas tratados num Sínodo de Bispos sobre a família. Nela, ele afirma com convicção que a evangelização depende essencialmente da saúde espiritual dessa instituição, porque, “onde uma legislação anti-religiosa pretende impedir até a educação na fé, onde uma incredulidade difundida ou um secularismo invasor tornam praticamente impossível um verdadeiro crescimento religioso, aquela que poderia ser chamada “Igreja doméstica” fica como único ambiente, no qual crianças e jovens podem receber uma autêntica catequese” (Cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Familiares Consortio, n. 52), (23). BOX1 Perguntas para a reflexão e partilha 1) A leitura da realidade corresponde àquilo que se releva na Igreja e na sociedade de hoje? Quais são os aspectos que faltam e que devem ser tomados em consideração? 2) Quais são as maiores dificuldades que as famílias cristãs têm encarado para melhor desempenhar o próprio papel de educadores e primeiros evangelizadores dos próprios filhos? 3) Quais são as oportunidades e as possibilidades que poderiam fortalecer os papéis de educadores e evangelizadores das famílias cristãs? 4) Como fazer das nossas famílias verdadeiras “Igrejas domésticas”? 5) Quais são as principais razões para a dissolução (divórcio) das famílias? 6) Como é que as famílias têm reagido aos conflitos entre o casal, entre o casal e os filhos jovens ou adolescentes? 7) Que ajuda da parte dos sacerdotes, religiosos e religiosas (agentes de pastoral), seria útil para a consolidação da vivência cristã e compromisso social nas famílias? 8) Que ajuda as famílias poderiam prestar umas às outras para fortalecer a harmonia e o clima de prática cristã nas próprias famílias? O que é Pastoral juvenil? Pastoral é um conjunto de acções pelas quais a Igreja cuida do seu povo e fomenta fé
ago 07 2021
XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA LEITURA I – 1 Re 19,4-8 SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34) LEITURA II – Ef 4,30-5,2 EVANGELHO – Jo 6,41-51 Tema: JESUS, PÃO DA VIDA DESCIDO DO CÉU Neste 19º Domingo do Tempo Comum, a liturgia da Palavra apresenta-nos mais uma vez a vontade e preocupação de Deus em oferecer seus filhos o “pão” da vida plena e definitiva. Deus também convida seus filhos a prescindirem do orgulho e da auto-suficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus. Os sinais da presença de Deus ao lado do seu povo em caminho no deserto foram especialmente dois: o pão vindo do céu (maná) e a água que jorrou da rocha; são também os sinais através dos quais Deus faz sentir sua presença eficaz ao seu fiel profeta. Jesus, o sacramento do Pai no meio dos homens, deixa um sinal que indica não só a presença, mas a sua eficácia. No “pão cozido sobre pedras quentes” e na “bilha de água” com que Deus retempera as forças do profeta Elias, conforme vem relatado no Primeiro Livros dos Reis, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo. A experiência de Elias é exemplo claro de que Deus não abandona seus profetas, seus mensageiros e seus filhos. João continua apresentando Jesus como pão mas desta vez acrescenta os adjectivos: Jesus é o “pão” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “pão” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem e mulher, é preciso “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projecto, entender quando diz: “vem e segue-me” e dar “sim” a Deus e no amor aos irmãos. Quais são as consequências da adesão a Jesus, o “pão” da vida? Paulo apresenta a postura daquele que acolhe Jesus como o “pão” que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver na caridade, a exemplo de Cristo. Entretanto, ao assumir o Homem Novo, segundo o apóstolo Paulo a pessoa deve abandonar os seguintes comportamentos: azedume, a irritação, os rancores, os insultos, as violências, a má-língua, a inveja, os orgulhos mesquinhos que devem ser totalmente banidos da vida dos cristãos. Os adversários de Jesus discutiam a sua origem e a sua pretensão exorbitante. Devemos reconhecer que a dificuldade dos compatriotas não era pequena. Jesus não tinha nada de extraterrestre. Se estivéssemos lá, talvez tivéssemos a mesma atitude porque hoje, temos, também, tido a dificuldade de acolher nossos missionários locais porque conhecemos os seus segredos de infância e suas culturas. Ora, para descobrir o mistério profundo de Jesus, é preciso ir para além das aparências. Para conhecer Jesus, é preciso acolher a luz que vem da Palavra de Deus, ter o olhar da fé. Compromisso Pessoal Saborear Deus como pão do céu Saborear Deus como a Palavra viva Saborear a bondade da Criação em toda sua beleza Saborear a presença de Jesus nos irmãos e irmãs Saborear a atitude de tornar-se Homem Novo.
ago 05 2021
Casos de conflitos laborais tendem a acentuar-se na Província de Nampula
Por Júlio Assane Cerca de 382 casos de conflitos laborais foram notificados no presente ano na província de Nampula. Segundo Mety Gôndola, Secretário de Estado da Província de Nampula, estes casos foram notificados nos distritos de Nacala-Porto, Angoche e cidade de Nampula, onde estiveram envolvidos um total de 1.108 trabalhadores em conflito com o seu patronato. Aliás, para resolver os problemas dos trabalhadores, foram usados mais de 5 milhões de meticais. “Esta situação nos preocupa bastante, a avaliar pelo momento em que nos encontramos, a de pandemia viral, a covid-19” precisou o dirigente tendo advertido que, “O mais importante neste momento é manter o diálogo nas empresas. Ou seja, por simples rescisão de contratos tem de haver formas de como encontrar linhas fortes para o consenso” exortou. Por outro lado, o Director do Centro de Mediação e arbitragem laboram de Nampula Gildo Niconte, deu a conhecer que, os casos de conflitos laborais envolvendo o empregado e o seu empregador tende a reduzir, dai que apelou aos empregadores que evitem conflitos com os seus trabalhadores e haja paz nas empresas. “Desde já apelar a todos intervenientes a pautarem pelo diálogo, porque é a via formal para o alcance do consenso. É desta forma que sairemos vitoriosos” afirmou. De referir que esta informação foi tornada pública no decorrer da segunda reunião provincial do Centro de Mediação e arbitragem laboral, havida recentemente em Nampula, e que teve como pano de fundo incutir os dirigentes de conhecimento, sobre como devem se posicionar em casos de uma eventual greve, sob pena de se fazerem a empresa em conflitos e serem feitos de refém.
ago 03 2021
Anti-Corrupção recolhe às celas antigo director dos serviços provinciais de identificação civil de Nampula.
Por Júlio Assane Um comunicado de imprensa número 5/GPCCN/2021, recebido na nossa redacção, indica que o antigo director é indiciado no crime de desvio de fundos públicos avaliados em dois milhões, cento e vinte sete mil e cento e sessenta meticais, resultante de receitais de emissão de Bilhetes de Identidade entre os anos 2019 e 2020. A nota refere ainda que, o facto foi denunciado pela direcção Nacional de Identificação civil ao verificar que durante aqueles anos, o indivíduo em causa a contas com as autoridades judiciais, não apresentou os valores completos das receitas resultantes do processo de emissão de BI’s. O documento na posse da nossa redacção, sublinha ainda que, dos modos operantes, o antigo chefe dirigia-se pessoalmente aos postos de Identificação Civil de Nampula e de outros distritos da província, onde solicitava a entrega de valores da receita, simulando a posterior iria enviar a direcção nacional, uma vez na posse de valor, ele subtraia uma parte e a outra, depositava em conformidade. O indivíduo em causa, está a ver o sol aos quadradinhos, numa das subunidades polícias desta cidade, desde as 9 horas desta segunda-feira.
ago 03 2021
De Janeiro a esta parte: Nampula regista 29 mortes por acidente de viação
Por Júlio Assane Nos primeiros meses do ano em curso, pelo menos 29 pessoas perderam a vida e um número não especificado de internamentos, deram entrada nas unidades sanitárias desta província, em consequência de 21 acidentes de viação registados nas estradas da província de Nampula. Segundo Léo Jamal Director dos Transportes e Comunicação de Nampula, maior parte dos acidentes foram registados nos distritos de Murrupula, Erati, Nacala-Porto, Mogovolas e Ribaué. “De realçar que, a nossa província registou de Janeiro a esta parte, um total de 21 acidentes de viação que resultou na morte de 29 pessoas, para alem de danos materiais avultados”. Relatou o governante, para quem apela a todos que se fazem a via publica à consciência de modo a inverter este cenário dramático. Alias, Léo Jamal, Director dos Transportes e Comunicação de Nampula disse que, decorre em paralelo as campanhas de fiscalização juntos dos transportadores que operam nas diferentes rotas desta província, com o intuito de reduzir esta problemática. “Estamos no terreno a disseminar mensagens de persuasão junto dos transportadores de passageiros e carga para o cumprimento à risca das regras elementares de trânsito de modo a evitar o derramamento de sangue nas estradas desta província”. Referiu a fonte. De referir que para o presente ano, foram fiscalizadas cerca de 413 viaturas nas vias públicas e passadas oito mil multas por várias irregularidades.
ago 03 2021
CEMIRDE em Nampula constata falta de denúncia de casos de tráfico de seres humanos no país
Por Júlio Assane Ainda prevalece o receio na denúncia de casos de tráficos de seres humanos no país. Considera Charles Moniz da Comissão Episcopal para Migrantes e Refugiados e Deslocados em Nampula. Esta situação resulta de falta de confiança entre as lideranças comunitárias e as vitimas na denúncia casos de tráfico de seres humanos. “Ainda prevalece o silêncio na denúncia de pessoas corajosas que transforma uma outra pessoa como de mercadoria se tratasse. Tudo isso, alia-se a não confiança das autoridades competentes. Ou seja, as penas dos traficantes não têm sido exemplares no sentido de desencorajar outros meliantes”. Disse. Alias, sem especificar o número total das vítimas, Charles Moniz, da Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados CEMIRDE em Nampula, diz que, o tráfico de seres humanos tem sido recorrente a pessoas vulnerais, com maior incidência aos deslocados de Cabo Delgado. “Diante desta situação, sabemos que a questão de tráfico de seres humano vem através da vulnerabilidade. A nossa província de Nampula tem vindo a receber os nossos irmãos deslocados de Cabo Delgado que já carrega essa vulnerabilidade tendo em consideração que os traficantes aproveitando-se desta fragilidade, tem logrado seus intentos”. Frisou a fonte, acrescentando que, as vítimas são aliciadas com promessas de emprego entre outras. Para inverter este quadro sombrio, o nosso interlocutor avançou que, decorre neste momento, campanhas de sensibilização às comunidades, com vista a dirimir tais violações. “Apesar de estarmos diante da pandemia do novo coronavirus, iniciamos as nossas acções de sensibilização nas escolas, onde criamos os pontos focais. São os mesmos, que irão facilitar a disseminação desta mensagem de repúdio aos seus progenitores”. Precisou o nosso interlocutor. Entretanto, um estudo sobre tráfico de pessoas, órgãos e partes do corpo humano baseado nas três regiões do país e divulgado recentemente pela CEMIRDE em parceira com agência católica para o Desenvolvimento Internacional, revela que, os traficantes têm como seu prato forte, a exumação de campas, isto na região norte, promessas de emprego no central e sequestros e violações sexuais no sul do país.
ago 03 2021
Aquacultura gera mais de três mil postos de trabalho em Nampula
Por Júlio Assane Em Nampula, o projecto foi oficializado na manhã desta segunda-feira, consiste na criação de peixes em tanques piscícolas em que numa primeira fase ira beneficiar os distritos de Mossuril, Larde e Ribáuè, e vão absorver 49 milhões meticais. Aliás, esta actividade vai integrar 88.900 pessoas e 17.800 famílias, e que espera gerar 3.500 postos de trabalhos, na sua maioria jovens e mulheres. “É uma actividade que irá gerar emprego a milhares de pessoas, com destaque para mulheres e jovens. Aliás, é uma actividade de geração de renda para famílias que procura pela primeira vez ganha a vida”. Disse o dirigente. Por seu turno, Tome Capece, Coordenador Nacional do Projecto de Desenvolvimento da aquacultura de Pequena escala PRODAPE, fala das vantagens nesta fase. “Nesta primeira fase, ou seja, na fase piloto, pretendemos conhecer melhor o terreno para a efetivação definitiva desta iniciativa de rentável”. Referiu. De referir que, o projecto de desenvolvimento da aquacultura de pequena escala, foi lançado a 28 de Junho último na província de Tete pelo presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi, e será implementado em 23 distritos das regiões centro e norte do país.
jul 31 2021
XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA LEITURA I – Ex 16,2-4.12-15 SALMO RESPONSORIAL – Salmo 77 (78) LEITURA II – Ef 4,17.20-24 EVANGELHO – Jo 6,24-35 Tema: O OLHAR DA FÉ E OS PÉS NA REALIDADE A Palavra de Deus traz novamente a mensagem das leituras do passado domingo. Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva. O episódio das codornizes, que, provenientes do norte, descem no Sinai a fim de repousar em sua migração para o sul pode ser inteiramente natural; mas naquele momento crítico de Israel no deserto assume um significado providencial. O Deus da providência responde na hora certa. “É o pão que o Senhor vos dará como alimento”. Uma promessa que se realiza no evento do maná (do hebraico: Man hu) que quer dizer “Que é isto?” O povo percebe sinais da presença de Deus ao longo da caminhada. Deus se prontifica em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A acção de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores. Deus está também interessado em ver o povo a confiar nele, mas igualmente a partilhar entre si. Ninguém deve se fechar em si em atitudes de ganância e avareza. O Evangelista João coloca no centro Jesus que se apresenta como o “pão” da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “pão” – isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham no seu coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta. A missão de cada cristão é escutar o convite e aderir à Mesa da Palavra e Mesa da Eucaristia: encontro entre Jesus e todos irmãos. Paulo na carta aos efésios diz-nos que a adesão a Jesus implica o deixar de ser homem velho, (renúncia, abandono, conversão) e o passar a ser homem novo (nova criatura que nasce do Baptismo e se renova cada dia no Sacramento de Penitência e da Eucaristia). Ser cristão, portanto, implica a mudança radical para que o encontro com Cristo traga frutos: um mundo em que cada pessoa humana se realiza e encontra a felicidade que é o próprio Cristo. Compromisso Pessoal Olhar Deus como Pai da Divina Providência Acompanhar os sinais da presença de Deus na nossa vida Partilhar os dons recebidos como gratidão a Deus Trabalhar para que Deus realize o milagre da Eucaristia nas nossas comunidades
