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maio 10 2021

A CATEQUESE EM TEMPO DE CORONAVÍRUS

Por Pe. Jeremias do Rosário Em Dois mil e vinte atravessámos um ano atípico no âmbito civil bem como na linha da pastoral da igreja. O mundo inteiro viveu um grande susto e a nível dos serviços civis uma enorme mudança no ritmo dos trabalhos quotidianos. Toda esta conjuntura fez-nos viver novos tempos e novas experiências de vida.   Efeitos do Coronavírus Na dimensão da fé também se notou um certo retardamento e paralisação no que diz respeito as celebrações em comunidade, encontros de catequese e reuniões de outras formações. Como é do conhecimento de muitos cristãos, sem catequese na igreja não há novos filhos de Deus, a igreja de Cristo não cresce, por isso Jesus disse em Mateus 28,19-20: “ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo”. Diante deste mandato, bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, catequistas e todos os baptizados, todos estes arautos da boa nova viram-se com dificuldades de como ir ao encontro dos catecúmenos e catequizandos de várias etapas devido às medidas propostas para prevenção do Coronavírus. Neste contexto, ouviam-se gritos de pessoas com pouca fé afirmando: “este é o tempo para o demónio governar”. Entretanto, Deus que é Sabio e Omnipotente não permitiu tal acontecimento. Foi assim que muitas famílias incentivaram a igreja família durante o tempo da pandemia. Foi assim que vimos muitas famílias reunidas não apenas aos domingos mas mesmo em dias lectivos rezando o terço, celebrando e partilhando a Palavra de Deus, fazendo orações invocando o fim da pandemia e a retoma da vida normal. Não foram raras vezes que ouvimos, passando pelos bairros, cristãos fervorosos afirmando “nós nunca ouvimos dizer que as igrejas fecham. Ninguém deve fechar portas a Deus”. Estas palavras confirmam o testemunho tão grande de fé do povo cristão, que sem medo ia para o meio da mata e la fazia as suas catequeses e pregação da Palavra uns aos outros. Porém, com a origem da pandemia alguns cristãos viram um tempo de graça e de intervalo para não rezar, não frequentar a catequese, não participar das missas, não fazer os trabalhos da igreja, em suma tais cristãos tinham em suas mentes que a igreja já acabou.   O novo normal pastoral No contexto dum novo normal, a igreja ainda tem um grande desafio para a área da catequese grupal visto que ainda não se proclamou o fim total e completo da pandemia. Daí que a igreja deverá ainda estudar métodos e estratégias para fornecer a formação catequética dos seus membros. Importa referir que algumas igrejas usam os meios de comunicação social como: a radio comunitária, revistas e jornais, para fazer passar a mensagem cristã aos seus fiéis. A igreja precisa de um grande trabalho para ir em busca das ovelhas perdidas durante o período do Coronavírus, com novas estratégias de pastoral como acima referimos. O povo espera muito das palavras consoladoras da igreja nestes momentos tão cruéis em que o nosso país atravessa: a pandemia do Coronavírus, antecedida de dois ciclones IDAI e Kenneth e dois conflitos do centro e norte do país.   Exigências dos novos tempos O povo precisa de um novo modelo de catequese e de novos profetas preparados especificamente na linguagem destes problemas. Por isso é urgente que os agentes da pastoral catequética e as equipas missionárias de várias dioceses se empenhem na formação face aos problemas de hoje. Pregadores de hoje sejam os verdadeiros profetas que vão à realidade do povo que sofre a fim de dar uma esperança viva a toda esta gente, a exemplo de Jesus Cristo que foi bom pastor e que teve compaixão do seu povo. Os catequistas precisam de ir ao encontro das ovelhas sofredoras e falar-lhes do sentido da fé e dá vida. Como sabemos, a Palavra de Deus não se encerra numa capela, antes pelo contrário, ela ecoa no mundo e o Espírito Santo a leva onde quer que seja e fá-la chegar a toda a gente.   O valor da catequese A catequese é um meio de formação para os crentes. Sem ela a nossa comunidade eclesial é fraca e não tem futuros profetas; sem ela os sacramentos tornam-se apenas momentos de diversão. Daí a necessidade de fortificar a formação catequética mesmo em tempos difíceis da história da igreja. Precisamos de pastores incansáveis e que amam a Palavra de Deus, pastores que proclamem sem medo nem receio face as censuras da vida sociopolítica. Nesta hora precisamos de catequistas corajosos e que se entregam sem medida, que proclamam a verdade e a justiça. Catequistas que denunciam as injustiças e não catequistas mudos, embebidos com o medo. Precisamos de catequistas sérios que se doam no anúncio da mensagem cristã com dedicação. Se assim for, então teremos uma igreja viva e forte e nenhuma força do inferno prevalecerá contra ela. A catequese faz a comunidade cristã ou seja a catequese faz a igreja. Deste modo, os seus membros devem ser bem formados para que não deixem desmoronar esta igreja. Pois, cristãos bem formados na fé nada e ninguém lhes engana.   Formação sólida na fé Face aos falsos profetas dos nossos dias precisamos de uma sólida formação na fé em Jesus Cristo mas também em matérias da vida da igreja e da defesa da sua soberania como uma instituição terrena e celestial. Os cristãos bem formados na fé conseguem ler os sinais dos tempos e os protagonistas dessa boa formação são os agentes da pastoral catequética. Os cristãos bem formados na fé são membros bem esclarecidos a respeito da fé da sua própria comunidade e também em relação às outras designações religiosas cristãs e não cristãs. Os cristãos bem formados são também tolerantes em relação à vivência de fé das outras confissões religiosas. Por isso, as autoridades eclesiais e os agentes da pastoral catequética se esforcem em formar os seus cristãos na fé e também os preparem para saberem

maio 10 2021

Vida Consagrada em Moçambique

Por Ir. Teresa Carolina de Carvalho, p.m. No dia 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação de Jesus ao Templo, celebra-se a Jornada Mundial da Vida Consagrada. O Papa francisco insiste constantemente sobre a profecia como elemento imprescindível na vida consagrada. Essa não pode renunciar à profecia sem correr o risco de perder o sabor e, portanto, a sua razão de ser. E aqui em Moçambique como estamos? Semente que brotou e que, ao sabor do vento e do sol escaldante da mãe África vai crescendo a seu ritmo. Com a ajuda da graça, abraça com fé e coragem os seus altos e baixos, características próprias de quem gradualmente quer aprender a ser adulto com tudo o que comporta uma maturidade holística. Com os olhos fixos em Jesus para amar a Deus Pai, amar os irmãos e viver, como Cristo os amou e viveu, abre-se sem reservas à acção fecundante do Espírito que por ela gera o Reino. Ela procura ocupar o lugar que lhe corresponde na Igreja e na sociedade. Consciente de que a consagração e o envio estão intimamente ligados como as duas “faces da mesma moeda”, vive com dinamismo e audácia a sua vocação Mística e Profética. Oferece continuamente orações e súplicas por si própria e pela humanidade. Evangeliza-se e evangeliza os que querem ouvir a Palavra da salvação. Sacramento de Cristo na terra, fixa as suas raízes no mistério de Deus Trindade e é pois, na Escola de Jesus Cristo que alimenta e aprofunda a sua vocação   Consagrados em Moçambique Ao longo da história, ventos e tempestades a sacudiram e muitas das suas folhas caíram porém, como árvore plantada à beira das águas correntes, (Sl. 1,3) tornou-se vigorosa e viçosa. Quem poderia acreditar que ela encabeçaria e dinamizaria os preparativos da visita papal de S. João Paulo II em 1988 e que ela serviria de ponte para o fim da guerra civil dos 16 anos 1992? Pela sua acção apostólica, a Vida Consagrada é uma presença significativa neste belo e amado solo pátrio: a escola católica foi e continua a ser ponto de referência na formação, instrução e educação de crianças, adolescente, jovens e adultos de todas as classes e condições sociais. A exemplo de Cristo, que não veio para os que têm saúde mas, os que estão doentes, (Lc. 5, 31-32) aposta preferencialmente pelos mais desfavorecidos. É ainda a Vida Consagrada que como bom samaritano, não mede mãos no exercício da compaixão de Cristo seu Mestre, dando-se em holocausto nos postos de saúde, hospitais, centros de apoio psicológico, lares de crianças deficientes e em situação difícil, lares de velhinhos desamparados, apoio aos moradores de rua. Enfim, a Vida consagrada em Moçambique atenta aos sinais dos tempos, procura ser sal e luz a todo tempo e em todo lugar apesar dos seus inúmeros desafios entre os quais: o almejado desejo de uma pastoral de conjunto, a tendência a um certo proselitismo resultante duma sociedade com fraco sentido do sagrado, as desistências e a falta do sentido de compromisso, o que limita o sonho da sua expansão para os lugares onde ela ainda não está presente. Numa sociedade onde os conflitos continuam sendo cíclico, a Vida Consagrada tornou-se o grito de socorro dos que não têm voz nem vez, exerce o seu profetismo pelos apelos constantes à paz e pela prática das obras de misericórdia. É sinal de “Esperança, paz e reconciliação” tema da última visita apostólica de S. Santidade, Papa Francisco, o representante da Igreja e da vida Consagrada no mundo. Na flor da sua juventude, a vida consagrada em Moçambique é como uma mãe jovem, que vai crescendo e, em fidelidade criativa busca sem cessar a sua própria identidade em Cristo Jesus, autor e consumador da nossa fé, origem e fim de toda a consagração.   BOX 1 «Irmãos e irmãs, vamo-nos doando no serviço e na proximidade ao povo de Deus. Mas a proximidade cansa. Cansa sempre a proximidade ao santo povo de Deus. É belo encontrar um sacerdote, uma irmã, um catequista…. Cansados por causa da proximidade. Renovar a chamada passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo «mundanismo espiritual» ditado «pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores» (Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24/3/2016). Renovar a chamada, a nossa chamada, passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxalá encontremos, neste saudável cansaço, a fonte da nossa identidade e felicidade! A proximidade cansa, e este cansaço é santidade… Oxalá os nossos jovens descubram em nós que nos deixamos «tomar e comer», e seja isso mesmo o que os leva a interrogar-se sobre o seguimento de Jesus e que eles, deslumbrados com a alegria duma entrega diária não imposta mas maturada e escolhida no silêncio e na oração, queiram dar o seu sim». (Encontro do Papa Francisco com os Bispos, Sacerdotes, Religiosos/as e Catequistas, Maputo 5/9/2019)   Box 2 «Cultura do cuidado abrange as seguintes atitudes: o cuidado como promoção da dignidade e dos direitos da pessoa; o cuidado do bem comum; o cuidado através da solidariedade; o cuidado e a salvaguarda da criação. A cultura do cuidado, enquanto compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos, enquanto disposição a interessar-se, a prestar atenção, disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco, constitui uma via privilegiada para a construção da paz. Em muitas partes do mundo, fazem falta percursos de paz que levem a cicatrizar as feridas, há necessidade de artesãos de paz prontos a gerar, com criatividade e ousadia, processos de cura e de um novo encontro». (Papa Francisco, Mensagem da Paz 2021)  

abr 28 2021

A cultura do cuidado como percurso de paz

Por Vatican News Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, o Papa Francisco lança um apelo para que todos se tornem “profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Todos remando juntos no mesmo barco, cujo leme é a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana. Em síntese, esta é a ideia que o Papa Francisco expressa na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, celebrado em 1° de Janeiro. Solidariedade às vítimas da pandemia A mensagem não deixa de analisar a marca deste 2020: a pandemia. A crise provocada pelo novo coronavírus “se transformou num fenómeno plurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”. O pensamento do Pontífice foi às pessoas que perderam um familiar ou uma pessoa querida ou a quem ficou sem emprego. E um agradecimento especial a quem trabalha em hospitais e centros de saúde, com um renovado apelo às autoridades para que as vacinas sejam acessíveis a todos. Sou o guardião do meu irmão? Com certeza! No longo texto, o Papa faz uma “génese” da cultura do cuidado desde os primórdios da criação, como narram vários episódios bíblicos. No Antigo Testamento, talvez o mais emblemático seja a relação entre Caim e Abel, e a famosa resposta depois do assassinato: Sou eu, porventura, o guardião do meu irmão? “Com certeza”, responde o Papa sem pestanejar. Já no Novo Testamento, Jesus encarna o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade. “No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte.” Esta cultura do cuidado se aprimorou na Igreja nascente com as obras de misericórdia corporal e espiritual, que no decorrer dos séculos ficaram visíveis em hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças e abrigos para forasteiros. O Cristianismo, portanto, ajudou a amadurecer o conceito de pessoa, a ponto que hoje podemos dizer que “toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos.” Bússola para um rumo comum Se o ser humano tem direitos, tem também deveres, como o cuidado dos mais vulneráveis e também da criação. Para Francisco, todos esses princípios elucidados na mensagem constituem uma bússola para dar um rumo comum ao processo de globalização, “um rumo verdadeiramente humano”. “Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Aqui o Papa chama em causa um “forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais”. Como converter nosso coração? O Pontífice recorda que esta “bússola dos princípios sociais” vale também para as relações entre as nações. E pede o respeito pelo direito humanitário em conflitos e guerras. “Infelizmente, constata o Santo Padre, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança.” “As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?” Mais uma vez o Santo Padre lamenta o desperdício de dinheiro com armamentos, quando poderia ser utilizado “para prioridades mais significativas”, relançando a ideia de São Paulo VI de criar um “Fundo mundial” com a utilização dos recursos da corrida armamentista para o desenvolvimento dos países mais pobres. Outro elemento fundamental para a promoção da cultura do cuidado é a educação. Neste projecto, estão envolvidos famílias, escolas, universidades e os líderes religiosos. Francisco se dirige a quem trabalha neste campo “para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva”, fazendo votos de que neste contexto o Pacto Educativo Global “encontre ampla e variegada adesão”. Não há paz sem a cultura do cuidado Toda a mensagem do Pontífice, enfim, é estruturada para afirmar o princípio de que não há paz sem a cultura do cuidado. “Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela-do-mar e Mãe da Esperança.” “Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis”, é o apelo final do Papa.

abr 21 2021

Moçambique prepara-se para o CAN de futebol de praia

Depois da presença inédita no CAN de futebol de praia, Moçambique procura fazer história. A selecção de futebol de praia apurou-se pela primeira vez para o Campeonato Africano Senegal 2021, ao golear os Comores, por 10-3, em jogo da segunda mão da primeira e única eliminatória. O CAN vai decorrer no Senegal em Maio próximo. Face a este marco, o combinado nacional está a fazer de tudo para trazer melhores resultados desta  prova no maior evento continental. Para o efeito, estão a trabalhar a todo vapor para que tal objectivo seja alcançado. Ainda esta semana, esta colectividade foi homenageada por empresas de telefones que operam no país, um gesto que tem em vista encorajar a rapaziada, nos desafios que lhes esperam. A selecção nacional garantiu a qualificação com um agregado de 17-8, visto que na primeira mão ganhou fora de portas por 7-5. (Júlio Assane)

abr 21 2021

O Executivo de Nampula vai reforçar o seu staff com mais recursos humanos

Para responder as exigências dos utentes, executivo de Nampula vai reforçar o seu staff com mais recursos humanos Este efectivo visa responder uma melhor prestação de serviço ao público. Estes dados foram tornados públicos, esta terça-feira, no decurso da sessão do órgão executivo provincial liderado por Manuel Rodrigues. Por outro lado, Leo Jamal, porta-voz da sessão, anotou que ainda no ano em curso foi confirmada a construção de 18 novas escolas que serão adicionadas a 2345 escolas reabertas no presente ano lectivo, face ao novo normal. A sessão vai igualmente passar em revista o estágio actual da covid-19, onde de Janeiro a esta parte, Nampula registou mais de 2000 novas infecções, com 245 óbitos, e um número não especificado de internados. (Júlio Assane)

abr 21 2021

Estudo multidisciplinar para compreender Moçambique e o seu povo

MOÇAMBIQUE E MOÇAMBICANA/O Moçambique e moçambicanos são um mistério a ser desvendado. Para ser desmistificado o que muitos não sabem sobre este país, sugiro que haja uma equipa de especialistas de várias áreas de saber para se dedicar no estudo sobre Moçambique e também de forma detalhada sobre cada moçambicana e moçambicano. Tenho acompanhado várias tentativas de pesquisas, leio várias obras, sinto o esforço de vários homens e mulheres, dotados de genialidade, mas parece que nenhum entende quem é este povo e o que é este país. Pode parecer exagerado, mas se cada um ficar atento poderá perceber que de facto há um grande mistério a ser revelado. Se vier como antropólogo e sociólogo, podes perceber que é um povo a mais dentro do contexto africano. Pode encontrar semelhanças que irão te atrapalhar e não terás conclusão sobre este povo muito menos seu país, Moçambique. A sociedade não irá te ajudar a entender nada porque apesar da semelhança, o moçambicano, é um povo muito diferente doutros africanos. Poderá o filósofo, o teólogo e o místico se unirem mas cada vez mais haverá algo a ser filosofado, algo a ser questionado e a ser comtemplado. Se for cantor ou poeta, as canções serão lindas e os poemas serão maravilhosos mas nunca dirão o que é ser moçambicano/a. A história nos apresenta uma coisa, a geografia divide, por exemplo, Nampula de outra província como Cabo Delgado, mas na fronteira a diferença será o rio Lúrio porque o povo irá ser o mesmo. Apresento alguns traços que me levam a afirmar que deve haver uma investigação de carácter multidisciplinar. 1. Quinhentos anos de colonização Foram quinhentos anos de colonização, dominação e imposição de culturas diferentes, mas até hoje, tem moçambicanos que não sabem falar a língua portuguesa e resistem se expressando unicamenteem idiomas locais. A dita civilização europeia ficou no papel porque até hoje, Moçambique se pratica a poligamia, algo dito como um crime em países nórdicos. 1.1. Guerras tribais Para maior controle de territórios e para a imposição da autoridade e poder, os chefes tribais faziam guerras entre si, mas no final do campeonato, tomavam juntos suas bebidas, como a Othéka (bebida tradicional feita na base de mapira). Os chefes tribais mantinham laços de amizades e também de vizinhança não se lembrando das guerras. Seus filhos praticavam casamentos inter étnicos e a intimidade crescia. 1.2. A escratura Com o início do comércio de escravos, uns tios vendiam seus sobrinhos principalmente os mais indisciplinados mesmo sabendo que o mesma daria a continuidade da família e do clã ou da tribo. Quando faltasse o que vender, alguns homens preparados para esse tipo de missão, iam roubar meninos noutras regiões. Enquanto a escravidão continuava, crescia também o povo e aos poucos foi povoando o país todo. 1.3. Religiões tradicionais e religiões monoteístas Desde cedo esse povo tinha sua religião e sabia dialogar com Deus. Ao usar diferentes nomes fruto de muitas línguas, o povo foi acusado de animista. Porém, o monoteísmo é mais forte em Moçambique que no Ocidente. Com a dominação colonial e a vinda dos árabes, instalaram as religiões cristã e islâmica, respectivamente. No entanto, quer o cristão quer o muçulmano, continua sendo moçambicano e a viver no dia a dia o ser religioso africano, usando os curandeiros e feiticeiros etc. 2. Dez anos de luta pela independência Após anos de negociação para que Portugal abandonasse o país, não havendo sucesso e com a insistência de que Moçambique era província ultramarina de Portugal, os moçambicanos tomaram nas armas para libertarem o país. Para a surpresa de todos, o tal inimigo passou a ser parceiro de cooperação e hoje os filhos dos dirigentes, os assimilados são mais “tugas” que os nativos. No país, graças a Deus e pelo espírito acolhedor do moçambicano, encontramos muitos amigos portugueses e muitos com nacionalidade moçambicana. Veja como deve haver de facto um estudo multidisciplinar! 3. Dezasseis anos de guerra civil Na guerra que durou 16 anos foi vergonhosa. Irmão lutando contra o irmão, em nome da dita democracia, arruinaram o país e mataram seus próprios familiares e vizinhos. A mesma terra que lhe viu a nascer, é a mesma que ele destrói. Ao se tornar chefe na mesma terra que ele próprio vandalizou, vai a União Europeia pedir empréstimo para reconstruir o país. Para a surpresa dos demais, no final da guerra, os irmãos continuaram a conviver e festejar juntos. Aí está a razão porque Moçambique deve ser estudado por gente de diferentes saberes. 3.1. A nudez e a fome Hoje, cada mulher que tem vida boa, acumula armários de roupa fina. Mas durante o governo de Samora Machel, ter uma única saia era sinónimo de ser esposa de um militar. Nas aldeias chegaram de vestir sacos de sisal. A fome era frequente e provocou as bichas ou filas desde a madrugada para a compra de um pão. Hoje, encontramos crianças que não comem pão do dia anterior. Quem comia pão quente naquele tempo era o comandante. Alguns professores não sabiam o que é ter salário mas recebiam boa comida do Programa Mundial da Alimentação e os mais pobres foram salvos pela Cáritas. Apesar da fome, da nudez e da falta de salário, quer os professores quer os alunos se dedicavam para tornar a Educação de qualidade. 3.2. O cadonqueiro e operação produção A actividade económica mais valorizada na era do tio Samora era a agricultura. Qualquer pessoa que tentasse optar, por exemplo, na venda de roupa usada, vulgarmente chamada de “calamidade”, recebia o nome de candonqueioro. O comércio informal não era bem visto. Por isso, embora não houvesse lucro na venda dos produtos agrícolas, os camponeses se dedicavam bastante. Os chamados preguiçosos eram recolhidos e submetidos ao programa “operação produção ” que consistia em tirar à força alguém, por exemplo, de Inhambame para a província do Niassa. Teve alguns resultados positivos nessa operação? Como terminou esse programa? 4. O Cabrito come onde está amarrado Em certo momento, na era de Joaquim Chissano, houve atraso de salário.

abr 21 2021

Encerramento de fábricas de processamento da castanha põe em causa mais de 30 mil postos de trabalho

Mais de cinco fábricas de processamento de castanha de caju instaladas um pouco por toda a província de Nampula, encontram-se encerradas, e outras em número não especificado trabalham a meio gás, colocando em causa pouco mais de 30 mil postos de emprego entre fixo e sazonais. Face a esta situação, a Associação dos Industriais de Caju, está a fazer de tudo, com vista a salvar este sector, e recolocar a província e o país em particular, na rota dos mais produtores e exportadores da África. Mahumed Yunus Abdul Gani, presidente da AICAJU, falando em entrevista, assegurou que decorrem negociações com o governo, para a concessão de financiamentos través créditos para aquisição da matéria-prima. De sublinhar que nos últimos três anos, os níveis de produção da castanha de caju na província de Nampula, registaram uma queda significativa, passando das 70 mil toneladas anuais para perto de 20 mil toneladas.

mar 23 2021

Alguns líderes religiosos em Nampula mostram-se insatisfeitos com o continuo encerramento dos locais de culto

Esta insatisfação dos líderes religiosos em Nampula surge na sequência do último posicionamento manifestado pelo presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, face as medidas de contenção na propagação da covid-19. Os religiosos dizem não fazer sentido permitir a reabertura das instituições de ensino e dos locais desportivos, deixando de fora o continuo encerramento dos locais de culto. Victor Canana representante de alguns líderes religiosos em Nampula, disse que não se justifica que o presidente da Republica de Moçambique, permita a reabertura das aulas e dos locais desportivos e deixe encerrados os locais de culto, justificando-se que estes locais reúnem mais condições que as escolas. “Será que as crianças têm mais condições de se prevenir da covid-19 que as igrejas? será que os chapas que assistimos com mais de 30 pessoas não são o local onde se transmite a doença? Será que as igrejas devem comprar equipamentos e distribuir aos seus fiéis para que estas possam ser reabertas como os locais desportivos?” Interrogou-se o pastor Canana, dizendo que até neste momento o presidente Nyusi não sabe o papel que as confissões religiosas têm, porque se ele soubesse, ele notaria que a sua eleição como presidente foi através da mobilização dos lideres religiosos que pediram aos fieis para se fazer em massa nos locais de votação. O nosso entrevistado, defendeu-se usando a passagem da bíblia que diz: “Vos hão-de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome”. Victor Canana lançou fortes críticas contra o modus operandi dos agentes da lei e ordem quando surpreendem grupos de fiéis a adorarem a Deus. Aliás, este avançou que quando estes cruzam um grupo de fiéis exaltam-se como se eles conseguissem neutralizar uma quadrilha perigosa. Com incerteza na reabertura dos locais de culto na província e no país em geral, o nosso entrevistado, exige ao presidente da República que no seu próximo pronunciamento possa reabrir as igrejas para que os fiéis possam adorar o verdadeiro Deus e único presidente honesto. (Júlio Assane)

mar 22 2021

Cidade de Nampula sem espaços para parqueamento de viaturas

Munícipes da cidade de Nampula ressentem-se da falta de espaços para parqueamento de automóveis, situação esta que se arrasta há bastante tempo. O Parque automóvel da cidade de Nampula aumentou de forma significativa e a urbe está ficar sem capacidade de resposta em termos de espaço para estacionamento dos veículos. Esta situação poderá se exacerbar nos próximos tempos tendo em conta que a construção dos edifícios ao nível da cidade, não cria condições para essas infra-estruturas. A Avenida Eduardo Mondlane é exemplo desta realidade porque as viaturas são estacionadas quase no leito da estrada. Abordados pela nossa equipe de reportagem, alguns munícipes consideram que esta situação em algum momento tem provocado acidentes de viação, uma vez que o lugar dos pedestres é ocupado por viaturas. Contudo, os munícipes pedem a edilidade de Nampula para identificação de espaços para parqueamento de viaturas de modo a inverter o cenário actual. Em torno do assunto, a Revista Vida Nova contactou o Conselho Autárquico de Nampula na Pessoa de Nelson Carvalho director de Comunicação e imagem o qual prometeu pronunciar-se posteriormente. (Júlio Assane)

mar 22 2021

Reserva de Mecubúri vai beneficiar de reflorestamento

Reserva de Mecubúri beneficia de reflorestamento com mais de 600 Mudas de árvores. A actividade está inserida na passagem do dia mundial do ambiente. Segundo Nélio Manuel chefe de departamento de ambiente, disse que o reflorestamento de uma das maiores reservas de Moçambique, surge por causa da invasão da população que habita há décadas na área de conservação ambiental e vive da agricultura recusando-se a sair. Aliás, segundo suas palavras o governo junto de parceiros vai levar a cabo trabalhos de sensibilização das comunidades que construíram suas moradias dentro da reserva para procurarem lugares melhores para a sua habitação que não seja dentro da reserva. Nélio Manuel, avançou que para o plantio das mudas de árvores nativas dentro da reserva foi identificado o local e, serão usados um total de 2000 hectares e, contará com a participação do governo da província de Nampula. De referir que a reserva nacional de Mecubúri localizada a oeste da província de Nampula, tem uma extensão de 230.000 hectares que nos últimos tempos tem sido palco de acções humanas que de certa forma colocam em causa a sua biodiversidade. (Júlio Assane)

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