Procedimentos para o Registo do casamento
Por Judite Macuacua Se olharmos para o B.I. da maioria dos cidadãos moçambicanos iremos descobrir que a maioria são solteiros. Como é possível isto? É possível porque a maioria das pessoas contraem o matrimónio sob forma de “casamento tradicional” que não exige nenhuma registração civil. É tempo de mudarde atitude e registrar os casamentos. Deus criou o homem e mulher à sua imagem: “E o homem, deixará o seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e se tornarão uma só carne” (Gen. 2,24). É nessa base, que a maioria das mulheres espera que no seu relacionamento, o casamento seja o selo da relação amorosa. Daí que, também se diz que, “quem encontra uma esposa, encontra algo excelente, e recebe a bênção do Senhor” (Prov. 18,22). Por coincidência, neste mês celebramos o dia da mulher moçambicana, em que a 7 de Abril celebra-se o Dia da Mulher Moçambicana que habitualmente é festejada com muita pompa e circunstância. Mas, infelizmente, devido à pandemia da COVID-19, as festividades desta data podem ser assombradas, à semelhante de outras realizações, desde que eclodiu este mal. Aliás, não é só no nosso país, que vários eventos não têm sido celebrados com originalidade, mas também a nível mundial. Contudo, a mulher moçambicana não deixará passar esta data em branco e estamos em crer que poderá o fazer de forma simbólica, respeitando as normas de precaução, sobejamente conhecidas. Casamento canónico e civil Segundo as leis Canónica e Civil, por definição, o Casamento é união que é efectuada de modo voluntário entre duas pessoas do sexo oposto, e é sancionado de acordo com a lei, dando origem a uma família. Pode ser uma cerimónia civil e/ou religiosa, em que se celebra a acção do casamento. Por outro lado, sendo o Casamento Religioso ou o Matrimónio não Religioso, uma celebração em que se estabelece o vínculo matrimonial segundo as regras de uma determinada religião, submete-se somente às regras da respectiva religião e não depende do seu reconhecimento pelo Estado ou pela Lei Civil para ser válido no âmbito da religião em questão. Tipos de casamento: Casamento Cristão: Católico ou Protestante Casamento Tradicional: contrato entre famílias Casamento de outras religiões: Judaico, Islâmico,Hinduísta, etc. Importa salientar que o Sacramento do Matrimónio em cada um dos contextos acima descritos, existe um denominador comum, cuja finalidade é, em primeiro lugar, a procriação e a educação dos filhos, em segundo lugar, a fidelidade e a ajuda mútua entre os esposos. Como organizar o processo do casamento Religioso católico O processo inicia-se sempre numa Conservatória do Registo Civil, com a manifestação da intensão de contrair o casamento. Com efeito, o Casamento Católico está investido de Direito Canónico e também, de Direito Civil, pelo que dispensa a assinatura do contrato do casamento perante o Conservador. Por outro lado, segundo a lei canónica, a organização do processo do casamento, pode ser requerida pelos noivos, pelos seus Procuradores, com poderes especiais ou, no caso dos casamentos religiosos prestados pelo Pároco ou pelo Ministro do culto da Igreja ou da Comunidade Religiosa, mediante requerimento. Por isso,os que decidirem “casar pela igreja”, o primeiro passo é falar com o Pároco ou com o sacerdote da paróquia que escolheram para a cerimónia. Assim, as assinaturas são realizadas no dia do casamento, no final da cerimónia religiosa. Particularidades da Igreja Para além do Certificado de “nula osta”, e apesar de cada igreja cristã ter as suas normas, para a católica são pedidos os seguintes documentos: Certidão de Baptismo e Crisma dos noivos Assento de Nascimento e documentos pessoais Nomes e residências completas das duas testemunhas de casamento (padrinhos) e cópias dos respectivos Documentos de Identificação. Alguns detalhes sob ponto de vista organizacional do casamento segundo a Lei Civil, os noivos, escolhem o local onde pretendem casar e o regime de bens desejado. Para tal, a Conservatória deverá lavrar um Edital, o qual é fixado durante nove dias ou mais, nas outras Conservatórias da área de residência de ambos os noivos. Ao fim deste tempo, se não existirem impedimentos para a efectivação do casamento, a Conservatória onde o processo deu entrada, emitirá uma declaração ou despacho que o autoriza. Ainda no caso do casamento civil tal como o religioso, também é exigida a instrução dum processo de habilitação matrimonial, destinado a comprovar que nada se opõe ao casamento e que existe livre consentimento dos nubentes. Esse despacho terá de chegar à paróquia onde os noivos querem casar. Deste modo, se foi a igreja a tratar de todo o processo, recebe da Conservatória do Registo Civil, a Declaração de autorização para o casamento, sem a qual, a cerimónia não poderá ter lugar.
jul 14 2021
Felizes os que choram, porque serão consolados
CARTA PASTORAL DE DOM INÁCIO SAURE O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, na sua Carta Pastoral para o ano pastoral de 2020/2021, com o lema: “Felizes os que choram, porque serão consolados” destaca várias reflexões ligadas a instabilidade de Pemba e os efeitos nefastos da pandemia do Coronavírus. Com efeito, na presente edição iremos partilhar parte dessas reflexões. A voz do sangue do povo clama da terra até Deus Como outrora disse Deus a Caim, que matara seu irmão Abel, “a voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim” (Gn 4,10), Ele interpela hoje a consciência de todos os que matam seus irmãos na nossa terra, dizendo: a voz do sangue dos teus irmãos mortos e atirados como lixo no troço entre as aldeias de Nahipa e Napuri, em Corrane, no distrito de Meconta, a voz do sangue do povo de Cabo Delgado, de Manica e de Sofala, clama da terra até mim. Aos ouvidos dos nossos corações tem chegado, com um estrondoso ruído, o choro das mães que perderam seus filhos, das esposas que perderam seus maridos, dos netos que perderam seus avôs, em Cabo Delgado, ou vivem sem tecto, separados compulsivamente deles, em Nampula, Niassa, Zambézia e um pouco por quase todo o país (nº 4). As bem-aventuranças hoje A primeira palavra da pregação de Jesus é a Felicidade. As bem-aventuranças são o anúncio de felicidade, uma boa notícia e constituem uma espécie de resumo de todo o Evangelho (nº 9). O que há na proclamação das bem-aventuranças é a revelação de uma certa ideia de Deus: Deus encontra honra em tornar felizes, misteriosamente, aqueles que são privados de toda a felicidade. Se tu queres, tu podes ser feliz (nº 13). O imperativo divino de consolar o povo Face à pandemia do Coronavírus, o mundo tornou-se como um barco que, depois de um forte embate contra um iceberg no alto mar, todos os passageiros, desprevenidos, entram em pânico face a um iminente naufrágio colectivo. Assim acontece no barco em que viaja hoje toda a humanidade: pequenos e grandes, todos, somos vulneráveis, todos podemos ser infectados pelo novo Coronavírus, pequenos e grandes. O novo Coronavírus mudou o nosso modo de viver, mudou o curso da história (nº 16). Infelizmente, também Moçambique não escapa da lista dos países africanos que, depois da independência, uma minoria enriqueceu-se explorando a maioria pobre através da corrupção e da injustiça social. Podemos imaginar que filho nasceu do casamento da dona corrupção moçambicana com o senhor mundial Coronavírus, matrimónio contraído ao som da música do ribombar das armas do terrorismo que fustiga Cabo Delgado desde 5 de Outubro de 2017 e da guerra (fratricida?) no centro do país (Manica e Sofala)? É um autêntico monstro (nº 19). Vai tu e faz também o mesmo Vai tu consolar o povo de Deus. O povo caiu nas mãos dos salteadores, que continuam a despojá-lo, humilhá-lo, enche-lo de pancadas, abandona-lo meio morto e, não raras vezes, cadavérico, em Cabo Delgado, Manica, Sofala e em Nampula também. É preciso abrir os olhos do coração para ver as assimetrias e/ou exclusões sociais, os abandonos da parte dos membros da nossa comunidade cristã ou da sociedade, para curar as feridas das vítimas destas graveis ofensas à dignidade do homem e do próprio criador. Consolemos os nossos irmãos deslocados internos. Para isso, é preciso conhecer os deslocados para os compreender. Convido todos os diocesanos a procurar ir ao encontro dos deslocados, para entrar em contacto pessoal com eles, para os conhecer. Não bastam os números vistos na TV ou ouvidos na Rádio, nas redes sociais. Os deslocados não são números (realidades abstractas), são pessoas, que é preciso ver, conhecer e amá-las de verdade (nº 21). Efeitos devastadores da pandemia do novo Coronavírus O tempo do confinamento que vivemos por conta da pandemia da Covid-19 e o actual estado de Calamidade são extremamente difíceis para todos. Ninguém estava previamente preparado para isso. O estado de emergência e a situação de calamidade pública são experiências novas para todos. Por isso, o futuro assume hoje uma imprevisibilidade de magnitude sem precedentes. Perante tal futuro desconhecido, importa estarmos atentos à leitura dos sinais dos tempos, à luz da fé e da histórica sabedoria cristã. Devemos partir com determinação para a implementação de iniciativas pastorais corajosas, ousadas. Chegou o tempo de não procurarmos a sobrevivência sozinhos (nº 21, e). Não se deixar inquietar por nada Chegou o tempo de não nos deixar inquietar por estar nem abaixo nem acima dos outros, porque todos somos irmãos, como no-lo ensinou o Senhor Jesus e nos Lembra o Papa Francisco na sua carta encíclica Frateli Tutti (todos irmãos), ao afirmar que precisamos de construir “uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde nasceu ou habita” (FT, nº 1). Jovens não desistais de ser jovens A pandemia do novo Coronavírus ditou o adiamento, por tempo indeterminado, da clebração da 2ª Jornada Nacional da Juventude, que devia ter acontecido de 12 a 16 de Agosto de 2020, com o tema: “Encontrámos o Messias (Jo 1,24). Acompanhar os jovens na Igreja e na Sociedade hoje”. O grande desejo de os jovens se encontrarem para, juntos e à luz da fé, construírem pondes de amizade, de esperança, de fraternidade, de solidariedade e de paz em Moçambique, com um olhar solidário ao mundo inteiro, prevalece. Ao Comité Organizador Local do evento, a boa vontade de servir os jovens não falta. Infelizmente, o Coronavírus continua teimoso a devastar o mundo e Moçambique também (nº 23). Concomitantemente, a guerra vai alastrando-se em Cabo Delgado e nas províncias de Manica e Sofala. Segundo os dados tornados públicos, mais de duas mil pessoas morreram da guerra em curso em Cabo Delgado, 53 das quais eram jovens na aldeia de Xitaxi, distrito de Muidumbe (nº 24). Jovens, há ainda uma esperança de futuro para vós, porque em Cristo não há causas perdidas. Convido-vos, portanto, a
jul 14 2021
“Toda a população quer que aquela guerra acabe”
“Toda a população quer que aquela guerra acabe” Luiz Lisboa, Bispo de Pemba, no mês de Fevereiro foi nomeado, pelo Papa Francisco para dirigir a diocese brasileira de Cachoeiro de Itapemirim. O Papa Francisco concedeu-lhe ainda o título honorífico pessoal de Arcebispo. Nos primeiros dias de 2020, aumentaram rumores da tragédia em Cabo Delgado, de grupos de terroristas que assolam o norte da província, desde Outubro de 2017, massacrando gente e incendiando aldeias. Mas a região foi fechada pelas tropas e não havia jornalista que conseguisse passar; ouviam-se apenas relatos isolados. Até que, finalmente, o bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa, veio a público denunciar a escala da tragédia, com uma maré de refugiados que fugia de suas casas e inundava a capital provincial, precisando de ajuda imediata. Já havia pelo menos 500 mortos na província, garantiu o bispo, cuja mensagem ressoou na imprensa internacional. A coragem da denúncia Não foi uma denúncia sem consequências. Dom Luiz foi acusado de alarmismo, “bispo semeia ódio”, acusava um jornal moçambicano, que apelava à sua expulsão do país.Desde então, registaram-se milhares de mortos, com centenas de milhares de deslocados. Até que o Presidente da República, Filipe Nyusi, teve um encontro amigável e esclarecedor com Dom Luiz, durante uma visita à cidade de Pemba, que acalmou as águas dos que queriam o afastamento imediato do bispo. Papa Francisco está connosco Dom Luiz entrevistado pela agência Eclesiafez estes pronunciamentos: “O Papa tem muitas informações, que às vezes nem nós mesmo temos. O Papa mostrou-se muito preocupado com a situação de Moçambique, procurou estar muito próximo, enviou ajuda, telefonou, chamou-me para falarmos de frente sobre a situação e achou melhor que eu saísse e fosse trabalhar para outro lugar”. Dom Luiz Lisboa considera que a Igreja “quando fala, incomoda”, o que aconteceu em muitos momentos da história de Moçambique, na divulgação de documentos e comunicados da Conferência Episcopal do país, e agora nos pronunciamentos sobre os conflitos armados em Cabo Delgado. “Essa guerra incomodou, porque nós nunca deixamos de falar dela, de expor a Moçambique e ao mundo o que se passava em Cabo Delgado”. O lema episcopal de Dom Luiz diz “Evangelizarepauperibus; evangelizar os pobres”. Todos sabemos que evangelizar não é doutrinaruma pessoa, mas sim, anunciar o evangelho, que quer dizer Boa Nova. Dom Luiz testemunhou o anúncio da Boa Nova para todas as comunidades da diocese de Pemba e em particular aos deslocados de guerra que verdadeiramente são os mais “pobres”. Desejamos a Dom Luiz um corajoso apostolado na nova diocese no Brasil e ao Administrador Apostólico de Pemba, Dom António Juliasse Ferreira Sandramo até então auxiliar de Maputo, um profícuo apostolado em comunhão com toda a igreja de Pemba. BOX 1 Após tantos anos em Pemba, quão difícil vai ser a despedida? “É uma sensação um pouco de dor, porque eu amo muito aquele povo, e sempre quis ser missionário em África. Mas também saio com a tranquilidade que fiz aquilo que podia ter feito. A nossa vida é a missão, e é missão em qualquer lugar. Você vai e continua o trabalho… Sim, é um pouco complicado sair agora. Mas todos os missionários e missionárias em Pemba procuram dar o máximo de si para ajudar as pessoas que estão deslocadas naquela guerra. Então o bispo sai, vem outro, e os missionários e missionárias continuam a seguir”. Pode dizer-se que você foi das primeiras vozes a expor o que se vivia na província? “Na verdade, a voz da Igreja sempre esteve presente. Nós nunca deixámos de falar. E isso ajudou a chamar a atenção, a despertar Moçambique e algumas pessoas noutras partes do mundo. Penso que esse é o trabalho da Igreja. Ser voz daqueles que não têm voz, fazer a sua parte na construção de um mundo melhor”. Nos últimos meses a sua actividade focalizou não apenas na pastoral, e passou a focar-se no apoio à maré de gente que chegava à cidade? “Sim, mas isso também é pastoral. Esse é o trabalho da Igreja. Jesus ele pregava, mas também ele curava os doentes, dava pão para quem tinha fome. Então as pessoas que acham uma coisa especial, quando a Igreja faz um trabalho social, quando a Igreja fala a verdade. Jesus fazia tudo isso. Quer dizer, evangelizar não é só pregar a palavra de Deus. A palavra de Deus se prega também com atitudes concretas. Quando havia uma multidão seguindo Jesus, ele disse aos discípulos: ‘Dai vós mesmos de comer a essa gente’. E com os discípulos ele ensinou a multidão a repartir. E houve pão, e sobrou, e todo o mundo comeu. Eu penso que nós precisamos de ajudar a sociedade hoje a repartir mais. Se houvesse mais partilha, ninguém passaria fome. Se houvesse mais recursos, ninguém morreria; mesmo agora nesta situação de vacinas. Não é justo que os países mais ricos corram a vacinar todo o mundo e deixem África e outros lugares para último. São pessoas que importam. É preciso que haja essa fraternidade maior, que nós nos preocupemos uns com os outros”. Você nunca se referiu a guerra em Cabo Delgado como uma insurreição islâmica, salientando sempre que muçulmanos estão a ser mortos pelos insurrectos, tal como cristãos. Vê-se uma preocupação para fomentar a coexistência pacífica entre religiões? “Essa preocupação quanto ao diálogo entre religiões existe, e é uma das grandes questões fundamentais, como tem salientado o Papa Francisco. Veja que ele tem ido ao encontro de muitos grandes líderes religiosos, e vai agora novamente, ao Iraque. Porque a religião é muito importante no mundo todo. Em Moçambique, nós nunca tivemos um problema entre religiões, há uma boa convivência, há trabalho em conjunto. A capa que tentam colocar na guerra, como se fosse uma guerra religiosa, não é verdadeira. Podem usar o nome de Deus, o nome de Alá, mas o que está por trás disso são interesses económicos, isso é o principal”. Box 2 Dom Luiz Lisboa é natural do Rio de Janeiro, tem 65 anos de idade, é membro da
jul 13 2021
AS AVENTURAS DA POLÍCIA MOÇAMBICANA
Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP Em Moçambique, ser da polícia e ser militar não é tarefa fácil. Mas o que mais fica exposto é o agente da polícia. Por isso vale abordar somente o primeiro: ser agente da polícia. Segundo informações oficiais, em 2020, ano que acaba de se despedir, foram expulsos trezentos membros da Polícia. Oh! Que número elevado! Enquanto recebíamos a notícia dos trezentos, chega aos nossos ouvidos a outra pior que a primeira: suicídio de membros da mesma corporação. Pense comigo. O que leva alguém a cometer suicídio, por exemplo, no seu local de trabalho? O que está a falhar que deve ser corrigido? Como tratamos os homens e mulheres responsáveis pela lei e ordem? O que podemos copiar dos países que já sabem cuidar e incentivar seus agentes da polícia? Ainda é o início do ano de 2021. Há tempo para revermos algumas atitudes e melhorarmos as coisas. Como podemos sair desse abismo? Que é o agente da polícia? Não se trata de um criminoso. Não é um perdido na vida. Não é a última bolacha do pacote. Não é um desesperado que procura de socorro. Saiba o seguinte, o agente da polícia é uma pessoa que nasceu do seu pai e sua mãe. Uma pessoa com sua família e vindo de uma família, vindo de uma sociedade e moçambicano ou moçambicana. O membro da polícia é uma pessoa que teve sonhos de um dia servir a pátria. Actualmente, no meio dos membros, há grupo enorme de jovens que decidiram dedicar-se a uma missão: ser da polícia. Como várias profissões existentes em Moçambique ou no mundo, somente a pessoa da polícia ou o motorista sabe na pele o que é isso. Situação actual dos agentes da polícia Podemos juntos ver o ponto de situação em diferentes ângulos. 2.1. O governo Para que cada membro tenha a missão de servir o país, como outros profissionais, o governo forma os candidatos a polícia e confia-os a trabalhar devidamente. O investimento é feito como outras profissões. Cada membro da polícia é funcionário do Aparelho do Estado. Cada polícia tem direitos e deveres. Cada polícia tem seu salário e férias anuais. Enfim, cada um que pertence a polícia, antes de tudo sabe o que será e como irá viver. 2.2. A sociedade Algumas pessoas esquecem que o agente da polícia é um ser humano. Existe no consciente coletivo uma amnésia. Ninguém quer se lembrar que são filhos desta terra. Já vi, muitas vezes, na rua, polícias a serem tratados: por um lado como seres imortais e por outro lado como mendigos. Vi também polícias a se comportarem muito bem e com ética e cidadania. Observei também agentes da polícia que mostram não terem a mínima ideia da sua missão. Alguns vão a rua para extorquir os cidadãos. Outros vão ao trabalho para cumprirem com o dever. Caro leitor, não generalize ao deparar-se com um membro da polícia porque lá dentro há gente muito boa e busca com dignidade viver a sua missão. Entretanto, a sociedade deve abrir os olhos e iniciar a lidar bem com essa situação. Sugestões práticas Primeiro, temos que assumir a culpa que estamos nos empurrando ao abismo porque vimos e fingimos que não vimos. Praticamos e não nos lembramos que estamos atropelando a lei e manchando o país. Segundo, temos que formar os membros da polícia como humanos e responsabiliza-los a servir o país com total entrega. Terceiro, o governo deve incentivar sempre os membros com várias formações, promoção na carreira, salários justos e vida condigna. Quem comete algum erro deve ser corrigido e se for pior expulso. Porém depois de algumas tentativas para a humanização da pessoa. Quarto, a sociedade deve olhar a polícia como uma profissão digna e merece todo respeito. A sociedade deve perceber que naquele lugar poderia estar um familiar. Por último mas não menos importante, os agentes da polícia devem, antes de se candidatarem a polícia, inicialmente, saber dos desafios e assumir a responsabilidade pela escolha. Cada polícia deve assumir com zelo a sua missão. Cada polícia deve saber que sairá da miséria se lutar por um Moçambique melhor a partir do uso correcto do salário. Cada polícia deve saber que está numa profissão e não num refúgio Cada polícia deve entender que o cidadão merece respeito e não é fonte de “refresco nem água” (uma linguagem usada para pedir dinheiro ao cidadão). Cada polícia deve pautar pelos princípios éticos da corporação e não olhar pela posição atual como caminho para algum enriquecimento ilícito ou obtenção de favores quaisquer que sejam. Enfim, cada um dos lados deve cumprir com os deveres e as obrigações. Quem cumpre a lei garante um Moçambique justo. Quer as expulsões quer os suicídios podem ser evitados se cada um olhar a polícia como parte da sociedade. Irão continuar esses fenómenos se encaramos as coisas com mediocridade. Continuaremos a perder agentes da polícia se apontamos sempre os dedos contra eles. Continuaremos a verificar polícias mendigos se por um lado o agente não compreender seu papel e o cidadão não quiser cumprir com a lei. É hora de sairmos desse mal e construirmos um Moçambique livre de expulsões e suicídios de membros da polícia. Ser da polícia não é castigo mas emprego e serviço ao país Ser da polícia pode ser uma boa escolha se cada um cumprir com seus deveres e o governo providenciar o básico para que a polícia exerça sua missão com dignidade humana. Conforme discutimos acima, nem um nem ouro é culpado mas a sociedade que queremos construir é que deve ser urgentemente corrigida e orientada ao novo rumo da vivência de ética e cidadania.
jul 13 2021
A água continua sendo uma preocupação mundial
“Louvado seja meu Senhor pela irmã água que é tão útil e humilde, preciosa e casta”. Francisco defende que tudo quanto na natureza existe, é fruto do amor de Deus. Actualmente as mudanças climáticas fazem com que muitas espécies desapareçam devido à falta das chuvas regulares que se faz sentir nos últimos anos. Quero partilhar a penosa situação em que a cidade de Nampula se depara com a distribuição da água. Devido à escassez de água, verifica-se a restrição na sua distribuição, chegando alguns bairros a passarem dois a três dias sem verem sair água nas torneiras. O que me preocupa não são apenas as necessárias restrições, mas a gestão geral. As condutas são muitas vezes vandalizadas e estão ao ar livre, fácil presa dos aproveitadores. Apelo à sociedade gestora para que faça o máximo esforço para proteger e distribuir igualmente o bem mais precioso que temos: a água. Lourenço Adérito Em Moçambique O acesso à água e saneamento tem uma influência directa na higiene das populações e na prevenção de doenças. Cerca de 55.2% de agregados familiares utiliza fontes de água melhoradas, que incluem água canalizada dentro e fora de casa, furos protegidos, poços com bomba manual e água engarrafada. Cerca de 44.9% de agregado familiares utiliza fontes de água não protegidas; 51% da população consome água não segura contra o 48% que consome água segura. Na zona rural, as principais fontes de água são os poços não protegidos, com 42% e água da superfície, como por exemplo rios e lagos. Por províncias, todas da região Sul, incluindo Manica e Sofala, apresentam percentagens de fontes seguras de água para beber, acima de 60% enquanto as províncias da região Norte, incluindo Zambézia e Tete, apresentam percentagens de águaproveniente de fontes seguras, abaixo de 50,9%. Associado a esta situação, a pobreza, o impacto das mudanças climáticas, a privatização da gestão de água e a alienação de parcelas de terra com água potável, outrora utilizada pelas comunidades, maioritariamente compostas por mulheres, resulta na redução do acesso e no aumento de vulnerabilidade das camadas mais pobres que se vêm obrigadas a procurar fontes alternativase não seguras de acesso a água.(ROSC 3-14)
jul 13 2021
A ilusão da comunicação
Por AB Parece que a globalização tomou conta das nossas vidas, invadindo também o mundo da comunicação, seja a nível individual como o colectivo. À luz daEncíclica “Fratelli Tutti” vamos reflectir sobre o mundo da comunicação que deve ser instrumento de unidade e não de divisão entre os povos. Em Moçambique, bem como em outras partes do mundo, assistimos à proliferação de plataformas nas redes sociais que, em lugar de ser instrumento construtivo para uma sociedade mais équa e solidária, tornam-se em lugar de agressividade, calúnia, invasão da privacidade, e sobretudo, tornam a existência de um individuo num espectáculopara toda a gente. Vida, espectáculo para todos? «Paradoxalmente se, por um lado, crescem as atitudes fechadas e intolerantes que, à vista dos outros, nos fecham em nós próprios, por outro, reduzem-se ou desaparecem as distâncias, a ponto de deixar de existir o direito à intimidade. Tudo se torna uma espécie de espectáculo que pode ser espiado, observado, e a vida acaba exposta a um controle constante. Na comunicação digital, quer-se mostrar tudo, e cada indivíduo torna-se objecto de olhares que esquadrinham, desnudam e divulgam, muitas vezes anonimamente. Dilui-se o respeito pelo outro e, assim, ao mesmo tempo que o apago, ignoro e mantenho afastado, posso despudoradamente invadir até ao mais recôndito da sua vida (42). Instrumentos de ódio e calúnia Entretanto os movimentos digitais de ódio e destruição não constituem – como alguns pretendem fazer crer – uma óptima forma de mútua ajuda, mas meras associações contra um inimigo. Além disso, «os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta, dificultando o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas». Fazem falta gestos físicos, expressões do rosto, silêncios, linguagem corpórea e até o perfume, o tremor das mãos, o rubor, a transpiração, porque tudo isso fala e faz parte da comunicação humana. As relações digitais, que dispensam da fadiga de cultivar uma amizade, uma reciprocidade estável e até um consenso que amadurece com o tempo, têm aparência de sociabilidade, mas não constroem verdadeiramente um «nós»; na verdade, habitualmente dissimulam e ampliam o mesmo individualismo que se manifesta na xenofobia e no desprezo dos frágeis. A conexão digital não basta para lançar pontes, não é capaz de unir a humanidade (43). Agressividade despudorada Ao mesmo tempo que defendem o próprio isolamento consumista e acomodado, as pessoas escolhem vincular-se de maneira constante e obsessiva. Isto favorece o pululamento de formas insólitas de agressividade, com insultos, impropérios, difamação, afrontas verbais até destroçar a figura do outro, num desregramento tal que, se existisse no contacto pessoal, acabaríamos todos por nos destruir entre nós. A agressividade social encontra um espaço de ampliação incomparável nos dispositivos móveis e nos computadores (44) Isto permitiu que as ideologias perdessem todo o respeito. Aquilo que ainda há pouco tempo uma pessoa não podia dizer sem correr o risco de perder o respeito de todos, hoje pode ser pronunciado com toda a grosseria, até por algumas autoridades políticas, e ficar impune… O funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças (45). Deve-se reconhecer que os fanatismos, que induzem a destruir os outros, são protagonizados também por pessoas religiosas, sem excluir os cristãos (46). Informação sem sabedoria A verdadeira sabedoria pressupõe o encontro com a realidade. Hoje, porém, tudo se pode produzir, dissimular, modificar. Isto faz com que o encontro directo com as limitações da realidade se torne insuportável. Em consequência, implementa-se um mecanismo de «selecção», criando-se o hábito de separar imediatamente o que gosto daquilo que não gosto, as coisas atraentes das desagradáveis. A mesma lógica preside à escolha das pessoas com quem se decide partilhar o mundo. Assim, as pessoas ou situações que feriam a nossa sensibilidade ou nos causavam aversão, hoje são simplesmente eliminadas nas redes virtuais, construindo um círculo virtual que nos isola do mundo em que vivemos (47). Novo estilo de comunicação São Francisco de Assis «escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz do enfermo, escutou a voz da natureza. E transformou tudo isso num estilo de vida. Desejo que a semente de São Francisco cresça em tantos corações» (48). Ao desaparecer o silêncio e a escuta, transformando tudo em cliques e mensagens rápidas e ansiosas, coloca-se em perigo esta estrutura básica duma comunicação humana sábia. Cria-se um novo estilo de vida, no qual cada um constrói o que deseja ter à sua frente, excluindo tudo aquilo que não se pode controlar ou conhecer superficial e instantaneamente (49). A sabedoria na comunicação Podemos buscar juntos a verdade no diálogo, na conversa tranquila ou na discussão apaixonada. É um caminho perseverante, feito também de silêncios e sofrimentos, capaz de recolher pacientemente a vasta experiência das pessoas e dos povos. A acumulação esmagadora de informações que nos inundam, não significa maior sabedoria. A sabedoria não se fabrica com buscas impacientes na internet, nem é um somatório de informações cuja veracidade não está garantida… A liberdade transforma-se numa ilusão que nos vendem, confundindo-se com a liberdade de navegar frente a um visor. O problema é que um caminho de fraternidade, local e universal, só pode ser percorrido por espíritos livres e dispostos a encontros reais» (50).
jul 12 2021
Servir o reino de Deus através da política
Por Pe. Zé-Luzia CNE de amanhã No dia 21 de Janeiro o Presidente da República,Filipe Nyusi, empossou três novas figuras, como é de lei, na direcção da CNE: Dom Carlos Matsinhe, Bispo anglicano, que vai presidir o órgão, e os vice-presidentes: Alberto Cauiu e Fernando Mazanga. Dom Carlos Matsinhe, bispo anglicano da diocese dos Libombos, chega à CNE via sociedade civil, concretamente suportado pelo Conselho Cristão de Moçambique (CCM). Instantes após ser confirmado presidente, Matsinhe deixou a promessa de trabalhar em colaboração com osseus pares para cumprir cabalmente a missão conferida por lei:«desejamos que o nosso mandato seja aquilo que o povo moçambicano espera, que é de trabalhar no sentido de credibilizar cada vez mais o trabalho da CNE e produzir resultados que contribuam para o crescimento da democracia e paz». Não é novidade A eleição de Dom Carlos Matsinhe veio confirmar uma tradição antiga no órgão, segundo a qual a CNE é liderada por personalidades com ligação à igreja. Pela presidência da CNE passaram Brazão Mazula (católico); Arão Litsure (evangélico), JamisseTaimo (metodista) e Abdul CarimoSau (muçulmano). Entretanto, é precisofrisar que a CNE já foi liderada por um cidadão proveniente da Organização Nacional de Professores, em concreto, João Leopoldo da Costa (2008-2013). A nova CNE Integram a nova CNE, Carlos Matsinhe (Presidente); Alice Banze; DautoIbramugy; Paulo Cuinica; Salomão Moiane; Rui Cherene; e Apolinário João – pela sociedade civil. Carlos Cauio; Rodrigues Timba; Abílio da Conceição; Eugénia Fernanda e António Foca – Frelimo. Fernando Mazanga; Maria Anastácia da Costa Xavier; Abílio da Fonseca; e Alberto José – Renamo. Barnabé Nkomo foi escolhido pelo Movimento Democrático de Moçambique. A CNE é constituída por 17 membros, dos quais sete são provenientes da sociedade civil legalmente constituída e 10 dos partidos políticos com assento no parlamento, sendo cinco da Frelimo, quatro da Renamo e um do MDM. Religião e Cosmética eleitoral Para um comentário desafiante a este acontecimento, publicamos a reflexão do Pe. Zé Luzia publicada no seu Blog. “Surpreende-me esta insistência em querer escolher pessoas ligadas a instituições religiosas. A experiência nos tem mostrado que elas acabam por ser instrumentos de uma cosmética de pretensa ética eleitoral que não evitaram a imoralidade sobejamente conhecida, tanto nacional como internacionalmente. Basta de cosméticas religiosas. Haja verdade, sinceridade e justiça transparente. De facto, a eleição a presidente da CNE do bispo Matsinhe foi amplamente criticada por Fernando Mazanga, (eleito vice-presidente) quando afirmou: «Não tenho nada contra Dom Carlos Matsinhe. Tenho problemas com ouso abusivo da igreja. Não se pode usar o clérigo para estes processos. Sendo clérigo, o representante de Deus na terra, devia abster-se de coisas mundanas. Não se pode servir a Deus e ao Diabo, em simultâneo». No entanto também não concordo nada com as razões invocadas por Fernando Mazanga para desaconselhar o voto no Bispo Carlos Matsinhe. As razões de Mazanga fazem-me lembrar o tempo colonial português, do ditador Salazar, que também achava que o lugar dos padres e dos bispos (e logo de todos os católicos) era na sacristia e nada de se meterem em política. Como o Bispo Manuel Vieira Pinto, com muitos de nós, assim não entendia as coisas, acabaria por ser expulso desta então colónia portuguesa. E, com ele, 11 missionários combonianos, porque se atreveram a meter-se em política ao declararem que nesta terra existia um povo com culturas próprias e com direito à autodeterminação. Servir o reino de Deus através da política Justamente por sermos ministros/servidores do Povo cristão, também parte do Povo cidadão mais amplo, é que temos de nos meter em tudo o que de humano se reclame, mormente quando o que está em causa é o Bem Comum em todas as suas facetas, com realce para as questões da Justiça e da Paz. Para um homem de fé sobrenatural não há coisas mundanas proibidas. Se se trata de valores, há que participar no seu fomento. Se, pelo contrário, se trata de anti valores – corrupção, desonestidade eleitoral, compadrios, nepotismos, etc. – erros e pecados – aí estamos no combate. Veja-se a Evangelii Gaudium do Papa Francisco: «Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela (EG, 183)…. Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efectivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum (EG, 205)». Perspectivas para o futuro Perante a experiência negativa dos processos eleitorais de todo o tempo da almejada democracia multipartidária, creio que já era tempo de: despartidarizar, de uma vez para sempre, este importantíssimo e nuclear órgão de intervenção eleitoral, a CNE. Mas parece que os partidos de assento parlamentar estão muito ciosos das suas prerrogativas e, portanto, não só a Frelimo, mas também a Renamo e o MDM, têm culpas nos atrasos que se verificam na purificação da política deste país. Despartidarizar a CNE significaria encontrar o mecanismo capaz de entregar às forças várias da sociedade civil (e felizmente temos várias bem credíveis em Moçambique) o processo da sua eleição. Tanto quanto me dou conta, na agora constituída, os partidos parlamentares continuam a ter a maioria dos elementos, o que me parece já não se justificar, 27 anos depois das primeiras eleições multipartidárias de 1994. E por último, encontrar uma personalidade de indiscutível perfil e idoneidade, independentemente das suas opções políticas pessoais, partidárias ou não”. BOX Recomendações do Presidente, Filipe Nyusi, na tomada de posse da presidência da CNE «Na tomada de decisões do órgão, tenham como guia o diálogo e a busca de consensos. Privilegiem a tolerância, isenção, calma, serenidade, justiça e transparência em todos os actos que praticarem no exercício do mesmo e tenham alta capacidade de ponderação e gestão de emoções, sem prejuízo dos prazos estipulados na lei»… A
jul 12 2021
A educação pré-escolar e seus desafios
Por Judite Pinto Macuacua Propomos, desta vez, trazer aos nossos leitores um tema relacionado com a dura e nobre missão de educação pré-escolar, levada a cabo pelas Educadoras de Infância. Uma Educadoras de Infância, é legalmente,uma profissional que tem sob a sua responsabilidade e orientação, uma classe infantil (entre os 4 meses e os 5 anos de idade). Por outro lado, esta profissional, é um modelo para o grupo de crianças, que independentemente do seu tempo de serviço ou da sua experiência, é uma pessoa sempre motivada e capaz de dar uma resposta eficaz, aos seus educandos. Funções das educadoras de infância Para um enquadramento e entendimento da dimensão das tarefas destas profissionais, que em Moçambique são carinhosamente tratadas por “Titias” apresentamos, a seguir, um leque das suas funções, que não se limita apenas nas competências, mas também no conhecimento e responsabilidades, através de programas de educação sensorial e desenvolvimento da linguagem, nos Jardins de Infância ou Centros Infantis, Creches e Orfanatos, dentre muitos, a saber: * Promover actividades que ocupem e incentivem o desenvolvimento global da criança (físico, psíquico e social) * Orientar actividades programadas e exercícios de coordenação, atenção, memória, imaginação e raciocínio para incentivar o desenvolvimento psico-motor da criança. *Promover expressões plásticas, musicais, corporais e despertar à criança para o meio em que está inserida. * Estimular o desenvolvimento sócio -afectivo, segurança, autoconfiança, autonomia r respeito. * Acompanhar a evolução da criança e estabelecer contactos com os pais e outros encarregados de educação, para uma acção pedagógica coordenada. * E finalmente, estabelecer relações colaborativas com outros formadores de serviços que trabalham com crianças no seu estado lactente, como por exemplo, os berçários. Perfil da educadora de infância Segundo apurou a VN, existe para esta área de actividade, uma legislação apropriada e específica para a educação pré-escolar idêntica ao perfil ao perfil geral da Educadora e dos Professores do ensino básico e secundário, que tem por base a dimensão de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem, isto é, a formação de uma Educadora de Infância, pode, igualmente, capacitar para o desenvolvimento de outras funções educativas, nomeadamente, no quadro da educação das crianças com idade inferior a 3 anos. Além do perfil acima descrito, os estudos nesta área, preconizam a concepção e desenvolvimento do currículo da Educadora de Infância, daí que neste capítulo, por exemplo, toda a profissional, é obrigada a conceber e desenvolver o respectivo currículo, através da planificação, organização e avaliação do ambiente educativo, bem como das actividades e projectos curriculares, com vista à construção de aprendizagens integradas. Por outro lado, todo o processo exige um conhecimento sobre todos os paços e etapas que devem ser observados, de modo a garantir a organizar o espaço e os materiais necessários, concebidos como recursos para o desenvolvimento curricular. Outro aspecto muito importante, tem a ver com a disponibilização e utilização de materiais que estimulam as crianças. Desta feita, a educadora deve ter a capacidade de observar cada criança, bem como os pequenos e os grandes grupos com vista a uma planificação de actividades e projectos adequados às necessidades de todas as faixas etárias. Isso significa que, segundo especialistas da área, que a educadora, deve saber fomentar a cooperação entre as crianças garantindo que todas se sintam valorizadas e integradas no grupo. Por isso, na sua integração curricular, a educadora de infância, de acordo com as exigências, favorece o aparecimento de comportamentos emergentes de leitura e escrita, através de actividades de exploração de materiais escritos, ligados ao desenvolvimento da linguagem e educação sensorial, isto é, tudo o que rodeia a pequenada. Educadoras moçambicanas lutam contra covid-19 Moçambique é citado num relatório recentemente divulgado por 2 Organizações Alemãs, Erlassjahr e Misereor, como um dos países africanos endividados, sendo que a luta das educadoras de infância, encontra entraves para a observância das normas com vista a evitar o alastramento da pandemia da COVID-19 nos centros infantis públicos e privados. Devido a esta situação, segundo aquelas duas organizações, que listaram mais de cem países criticamente na mesma situação, revelam que a pandemia da COVID-19, está a aprofundar ainda mais a cris nestas economias. Mais adiante, odocumento indica que a crise nos sistemas de saúde e outras crises desencadeadas por esta pandemia, está levando a cabo a recessão global comparável apenas à Grande Depressão do final anos 1920 e início dos anos 1930, respectivamente. Assim sendo, Moçambique precisa de mais ajudas para fazer face a esta crise e não só, mas também, para enfrentar a crise de água em algumas regiões do país, como por exemplo, em Nampula. Este fenómeno, é por si, um grande obstáculo para a luta das Educadoras, razão pela qual, muitos pais e encarregados de educação, desde à eclosão do coronavírus, receiam mandar os seus educandos para os centros infantis, e consequentemente, muitas educadoras perderam os seus empregos.
jul 12 2021
JOVENS POLITICAMENTE MADUROS SÃO A SEIVA DA NAÇÃO
Por Deolindo Paúa Ser jovem não é apenas uma idade. Ser jovem é um modo de vida. É activismo. É ser agente de mudanças e de revoluções sociais, económicas e políticas. Os processos transitórios que acontecem na conjuntura cultural, social e política devem ter como agentes os jovens. A juventude faz sempre a força de uma nação. Quanto mais jovens uma sociedade tiver, mais chance tem de estimular os seus processos de mudança. Os jovens, além de serem a maioria, também são os detentores da força física e mental capaz de estimular mudanças. A razão pela qual em todos os contextos e em todos os países as mudanças e as revoluções começaram ou tiveram mais força com o activismo juvenil é esta. Os jovens possuem as capacidades devidas para impor mudanças. Por isso é desperdício de capacidades quando jovens não participam nas acções construtivas de seus países. É triste quando jovens são agentes de desestabilização de uma sociedade. Quando são instrumento de opressão de uns aos outros. Quando ao invés de contribuir para o crescimento, contribuem para a desgraça da sua sociedade. Tal como assistimos, por não conhecermos nossa importância na sociedade, podemos ser jovens manipuláveis que uns podem usar para fins próprios. É a falta de consciência da sua importância que faz com que jovens sejam a face da desgraça de um povo. O mercado das drogas, da guerra, da prostituição e do consumismo é abastecido por uma juventude desfocada de seu papel. O egoísmo pode levar jovens a combater a sua própria família, seu próprio país. A frustração mal gerida pode conduzir ao auto-abandono, deixando-se influenciar por ideologias opressoras e que claramente são prejudiciais. O lugar dos jovens na ciência, na cultura, na política e em todos os movimentos sociais é sempre à frente. Países com jovens inactivos e conformados são escravizados pelos seus próprios líderes. Não podemos ser excluídos dos processos de desenvolvimento do nosso próprio país. No caso do nosso país, uma juventude ao mesmo tempo apática e desinteressada com questões políticas cresce a cada dia. Quanto mais formados os jovens são, mais se distanciam da política. É incompreensível! Já é normal ouvir um jovem dizer: “não me interesso com a política. Assuntos políticos não são da minha conta!” A formação académica deveria estimular o sentimento moral, cultural e político. Mas se as universidades e escolas formam apenas cientistas, então formam pessoas incompletas porque estão desligadas daquilo para o qual devem fazer essa ciência. Nos outros países a formação académica predispõe os jovens a participarem politicamente nos assuntos de seus países. No nosso país, paradoxalmente, as licenciaturas e os doutoramentos criam-nos orgulho, mas um orgulho que induz ao desprezo da política. Crescemos intelectualmente, mas inversamente decrescemos em civismo e cidadania. Crescemos na ciência, mas ao mesmo tempo crescemos na apatia política. E como se fosse algo normal, vergonhosamente achamos nossa ignorância política ser luxo. A prova disso é que as grandes manifestações para exigir mudanças políticas e de gestão, as eleições e a exigência de direitos não são participadas pelos jovens. Corremos o risco de algum dia, realmente, deixarmos o tirano nos escravizar, se é que ainda não deixamos! Que caminhos precisamos percorrer? Se somos uma sociedade, então precisamos de tomar o leme do nosso destino. Abandonar nosso destino como país a um grupo de políticos é arriscado demais, pior quando duvidamos da ideologia desses políticos. O país não é dos políticos, mas nosso. Os políticos são apenas indivíduos a quem emprestamos o poder para resolverem nossos assuntos em nosso nome. Julgo que a melhor acção seria a de usarmos nossas capacidades intelectuais para operar mudanças. Aquelas mudanças que gostaríamos de ver operadas para melhorar a qualidade da nossa vida. Nenhum país se desenvolveu com pessoas conformadas com o pouco. Como jovens formados, sabemos que a vontade natural de nossos políticos é de se aproveitar de nossas distracções como povo para tirar proveitos individuais ou de grupos. Sem nós, eles nunca mudarão o esquema das coisas para orienta-las ao real bem-estar de todos nós. Nossa memória recente já provou que quando adormecemos por um minuto, acordamos endividados sem que saibamos para que fim. Adormecemos mais um pouco e acordamos em guerra que não conseguimos compreender. O que nos garante que do nosso sono não despertaremos um dia como estrangeiros na nossa própria terra? A história demonstra que as mudanças políticas foram operadas só por meio de uma pressão necessária a quem detém o poder. Fora da ordem de participação e de influência de jovens nos processos políticos jamais poderemos esperar a melhoria das coisas. Eleger, reclamar, criticar quando algo não está bem, denunciar quando algo é mal feito, resistir quando alguém nos usa para finalidades contrárias à ordem social, etc., continuam sendo as simples, mas as melhores acções que estimulam mudanças sociais e políticas. Nos nossos dias, mudanças não precisam de guerra, mas de uma sociedade crítica consciente de seu destino. E para isto a juventude deve tomar dianteira. As crianças nada percebem. Os mais velhos frequentemente se conformam com coisas mínimas. Se os jovens seguirem um ou outro lado, deixarão o país nas piores mãos. Fazer política não tem a ver apenas com pertencer a algum partido político. Fazer política é também consciência de cidadania. Uma cidadania em que pelo uso da sua liberdade constitucional, um indivíduo é capaz de usar os meios ao seu dispor para impor a justiça negada a muitos. É ridículo um jovem professor influenciar fraudulentamente um processo eleitoral; é triste um jovem polícia corromper um automobilista na estrada. É caricato um jovem enfermeiro ser exemplo de mau atendimento nos hospitais públicos; assim como é escandaloso um jovem académico defender facções corruptas do sistema político em troca de somas de dinheiro. Vender a própria consciência é o acto mais baixo que pode caracterizar um jovem. Para levar a cabo todas as acções de mudança e de dinamismo social temos a liberdade. Cabe a nós saber usá-la. No drama em que vivemos no nosso país, mergulhados na injustiça e no terror,
jul 12 2021
Liturgia da páscoa no contexto actual
Pe. Jeremias do Rosário No contexto da pandemia, muitas práticas ruíram e ganharam novos rumos. Este mal afecta directamente a vida das pessoas e o ritmo de trabalho em várias dimensões. Isso significa que também a dimensão religiosa sofreu algum retrocesso a nível da sua essência. É neste contexto que também podemos afirmar que a nossa fé murchou e automaticamente a nossa vida espiritual enfraqueceu-se. Implicações da pandemia na liturgia Com o anúncio do Estado de emergência em Março do ano passado (2020), a liturgia pascal foi celebrada de forma atípica, com inúmeras medidas de prevenção que foram implementadas. A celebração da páscoa no nosso país e no mundo inteiro aconteceu sem a presença do povo de Deus. As pessoas foram sujeitas a encontrar outras formas de rezar acompanhando a celebração da páscoa através dos meios de comunicação social: rádio, televisão ou as redes sociais. Como é do conhecimento de todos, a religião cristã nasce do mistério pascal. Assim, sem a celebração da páscoa, os cristãos perdem a oportunidade de renovar a sua fé em Jesus Cristo. Pois, as cerimónias que acontecem na noite da páscoa, no dia da páscoa e em todo o tempo pascal de cerca de cinquenta dias, são importantes para o crescimento e maturidade da fé dos cristãos. A experiência vivida pelo povo de Deus dentro do contexto da pandemia foi dura e ao mesmo tempo uma novidade. Não era incomum ouvir adultos comentando que desde que nasceram nunca tinham ouvido que a igreja parou. As portas da igreja estão fechadas. Em tempo de pandemia não só o povo não viveu a sua fé pascal mas também não viveu os momentos marcantes como os da celebração dos baptismos sobretudo na vigília pascal. Sentido da liturgia pascal A liturgia da noite de páscoa está colorida de muitas simbologias de fé que ajudam no crescimento espiritual dos cristãos como: a cerimónia do fogo novo que significa Cristo Luz do mundo ressuscitado e vivo; o hino pascal (precónio) que é uma interpretação da essência da liturgia pascal e a celebração dos baptismos ponto central da renovação da fé dos cristãos. O Catecismo da Igreja Católica discute também o tema sobre o “Mistério pascal nos sacramentos da Igreja” (CIC § 1122 A 1130). A igreja entende que “os sacramentos não só supõem a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados “sacramentos da fé”. Pois, Cristo enviou seus apóstolos para que “em seu Nome fosse proclamado a todas as nações o arrependimento para a remissão dos pecados” (Lc 24,47). “Fazei que todos os povos se tornem discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). A missão de baptizar, portanto a missão sacramental, está implícita na missão de evangelizar, pois o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a esta Palavra: O povo de Deus congrega-se antes de mais nada pela Palavra do Deus vivo. (…) A proclamação da Palavra é indispensável ao ministério sacramental, pois se trata dos sacramentos da fé, e esta nasce e se alimenta da Palavra [PO 4] . Finalidade dos sacramentos Como diz o Catecismo, o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a esta Palavra. “Os sacramentos destinam-se à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e ainda ao culto a ser prestado a Deus. Sendo sinais, destinam-se também à instrução. Não só supõem a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados sacramentos da fé” [SC 59]. Portanto, os sacramentos que se recebem na Páscoa supõem a fé e não têm sentido senão para os que crêem. De contrário, estamos a fazer um teatro mal ensaiado. Por outro lado, é um testemunho da fé aproximar-se dos sacramentos. Expressamos nossa fé ao pedir o baptismo de uma criança, comprometendo-nos a educá-la na fé da nossa Igreja ou, se for adulto, assumindo o compromisso e deveres de cristão e católico. Páscoa e coronavírus Pela Sua pregação e pela Sua morte e ressurreição, Jesus é não só a revelação de Deus, mas a presença salvífica de Deus no mundo. Quem de nós não sente necessidade da misericórdia de Deus e de sua copiosa redenção? Jesus ressuscitou e habita no meio de nós. Os escritos do Novo Testamento não relatam quem Jesus era, mas quem Ele é. Ele veio para nos revitalizar e garantiu: “Venho para que tenham a vida e em abundância” (Jo 10,10). Nos nossos dias nota-se que o número dos infectados está aumentando drasticamente, situação que nos leva a acreditar que mais uma vez a fé dos cristãos vai ser colocada em provação. Daí que há uma necessidade de os cristãos empenharem-se na oração para que esta pandemia passe. Depois da oração está também a necessidade da formação da consciência não só dos cristãos mas também de todos os cidadãos para que esta doença não se prolifere. O Senhor assegure todos cristãos para que neste ano venham cheios de alegria a celebração das festas pascais. Como cristãos coloquemos a nossa fé em Jesus Cristo e peçamos o Espírito Santo que anime a nossa fé de modo que nunca cessemos de confiar na misericórdia de Deus Pai.
