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jan 06 2026

𝗖𝗮𝗻𝗰𝗲𝗹𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗲𝘅𝗮𝗺𝗲𝘀 𝗱𝗮 𝟵.ª 𝗰𝗹𝗮𝘀𝘀𝗲 𝗮𝗽𝗼́𝘀 𝗱𝗲𝘀𝗮𝗽𝗮𝗿𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗮𝘀 𝗻𝗮 𝗭𝗮𝗺𝗯𝗲́𝘇𝗶𝗮

 O presente documento aborda a questão dos exames da 9.ª classe que foram cancelados após o desaparecimento de provas na Zambézia. Essa situação levanta preocupações significativas sobre a integridade do sistema educacional em Moçambique, especialmente numa época em que a transparência nas avaliações é crucial para a confiança da comunidade. Diversos pais e alunos expressaram suas preocupações em relação à situação, questionando a capacidade das instituições educacionais em garantir a segurança e a integridade das provas. É imperativo que a administração educacional tome ações imediatas para garantir a transparência e a confiabilidade dos processos de avaliação. A comunidade escolar aguarda esclarecimentos e soluções adequadas para evitar futuras ocorrências semelhantes, e a Direcção Provincial da Educação em Nampula tem um papel fundamental nesse processo. Informações obtidas indicam que o Ministério da Educação e Cultura cancelou os exames da 9.ª classe, previstos para os dias 26 e 27 de Novembro, devido ao desaparecimento de algumas provas no distrito de Milange, província da Zambézia. Este incidente não apenas prejudica os alunos que se prepararam para as avaliações, mas também levanta questões sobre a gestão e supervisão das provas em toda a região. Portanto, é essencial que as autoridades educacionais implementem medidas rigorosas de segurança e controle para prevenir a repetição de situações semelhantes no futuro, como a criação de protocolos de segurança mais eficazes e treinamento para os envolvidos na logística das provas. Na sequência da decisão, todos os supervisores, chefes de centros, técnicos, professores e demais intervenientes devem regressar às suas procedências e aguardar novas orientações. É um momento delicado que requer uma resposta organizada e eficiente das instituições envolvidas. A instituição apela à calma, serenidade e colaboração de todos neste momento de elevada responsabilidade institucional. A transparência nas comunicações é vital para minimizar a ansiedade dos alunos e dos pais. A Direcção Provincial da Educação deve garantir que informações claras e precisas sejam divulgadas para que todos os envolvidos tenham um entendimento adequado da situação. Além disso, a implementação de uma linha direta de comunicação onde os alunos e os pais possam tirar suas dúvidas poderá ajudar a aliviar a tensão. Este incidente deve servir como um alerta para as autoridades, reforçando a importância de um sistema de avaliação que não só seja justo, mas também seguro. Medidas como a revisão dos procedimentos de distribuição e supervisão das provas são fundamentais para restaurar a confiança na avaliação educacional.  Além das medidas mencionadas, é crucial que haja uma análise aprofundada dos fatores que levaram ao desaparecimento das provas. Uma investigação completa não só ajudará a identificar falhas no sistema, mas também servirá como uma oportunidade para implementar melhores práticas na administração de avaliações. A participação da comunidade, incluindo pais e alunos, deve ser incentivada para que todos se sintam parte do processo de melhoria educacional. A importância da educação na formação de cidadãos conscientes e informados não pode ser subestimada, e incidentes como este não devem comprometer o esforço coletivo em busca de um ensino de qualidade. O diálogo entre escolas, governos e a sociedade civil é essencial para construir um sistema educacional robusto que possa resistir a crises e desafios. Portanto, é necessário um compromisso contínuo com a qualidade e a integridade no setor educacional, para que as futuras gerações possam ter acesso a uma educação digna e eficaz.

jan 06 2026

𝗧𝗼𝘁𝗮𝗹𝗘𝗻𝗲𝗿𝗴𝗶𝗲𝘀 𝗔𝗰𝘂𝘀𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗘𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗲𝗿-𝘀𝗲 𝗲𝗺 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗚𝘂𝗲𝗿𝗿𝗮 𝗲𝗺 𝗖𝗮𝗯𝗼 𝗗𝗲𝗹𝗴𝗮𝗱𝗼

A organização europeia ECCHR apresentou uma queixa-crime em França contra a TotalEnergies, acusando a empresa de cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimentos forçados ligados ao megaprojeto de gás em Cabo Delgado. Segundo a denúncia, entre julho e setembro de 2021, a Força-Tarefa Conjunta, composta por militares moçambicanos e alegadamente apoiada financeiramente e com meios pela petrolífera terá detido e torturado dezenas de civis em contentores metálicos nas portas das instalações da TotalEnergies, após ataques insurgentes em Palma.Há relatos de execuções, maus-tratos e detenções arbitrárias, inicialmente revelados pelo jornal Politico em 2024. Em setembro de 2021, apenas 26 detidos foram libertados com vida.

jan 06 2026

Crónica: O Orgulho do Sapo Mata

Por: Giovanni Muacua O orgulho é uma erva daninha que nasce sem ser cultivada. Cresce silenciosa, infiltra-se entre relações humanas e, quando menos se espera, já está a corroer amizades, destruindo laços familiares e envenenando ambientes de trabalho e comunidades inteiras. Em Moçambique, onde os desafios sociais exigem hoje mais união do que nunca, o orgulho funciona como um muro invisível que impede diálogos, bloqueia reconciliações e alimenta conflitos evitáveis. É comum ouvir que “quem cumprimenta primeiro perde”, como se o simples gesto de saudar um vizinho fosse uma abdicação da dignidade humana. Este modo de pensar, profundamente enraizado na cultura urbana contemporânea, é um sintoma de um problema maior: a dificuldade de assumir vulnerabilidades, reconhecer erros e valorizar o outro. Paradoxalmente, é precisamente essa recusa de humildade que nos enfraquece enquanto sociedade. Nas cidades moçambicanas, sobretudo nos bairros suburbanos onde as casas estão praticamente coladas umas às outras, a convivência diária deveria facilitar a proximidade. No entanto, muitas vezes acontece o oposto. Vizinhos que não se falam por questões banais, famílias divididas por mal-entendidos, colegas de trabalho que se ignoram por disputas pequenas, condutores que se ofendem na estrada e transportam a raiva como se fosse um troféu. A cultura do “orgulho” tem um preço, e esse preço é o enfraquecimento do tecido social. Em qualquer canto de Maputo, Beira, Nampula ou Pemba, pode-se observar este fenómeno. As pessoas passam umas pelas outras como se fossem invisíveis. Uma saudação, que deveria ser a ponte mais simples entre duas pessoas, torna-se um campo de batalha silencioso. Quem cumprimenta primeiro? Quem se dobra? Quem demonstra “fraqueza”? E assim vamos construindo paredes, tijolo por tijolo, até que se tornam tão altas que ninguém mais vê o outro lado. Mas afinal, o que se perde quando alguém saúda primeiro? Nada. O que se ganha? Mais do que parece. Em tempos de tensão social crescente, marcados por desigualdade económica, conflitos no norte, desemprego e frustração generalizada, a humildade pode ser um instrumento revolucionário. Um chefe pode pedir desculpas ao funcionário; um professor pode reconhecer o erro perante o aluno; um marido pode dar o primeiro passo para o diálogo; um vizinho pode desejar um “bom dia” mesmo sabendo que nunca recebe resposta. Gestos pequenos, sim, mas de impacto enorme. A humildade restaura dignidade, aproxima pessoas e desbloqueia relações congeladas. Moçambique é um país multicultural e multilingue, onde a coexistência sempre foi uma riqueza. No meio rural, por exemplo, ainda é comum encontrar comunidades que preservam a tradição da saudação calorosa, onde ninguém passa por alguém sem dizer ao menos “Bom dia, mano/a”. Mas nas cidades, onde a modernidade chegou carregada de pressa, individualismo e comparação social, este valor humano foi ficando para trás. É como se o país vivesse duas realidades paralelas: uma moçambicanidade antiga, profundamente comunitária, e uma modernidade orgulhosa, onde muitos têm medo de parecerem pequenos. O problema é que o orgulho não nos torna grandes, apenas nos afasta. Torna-nos frios, desconfiados, tensos. E, numa sociedade marcada por desafios estruturais, a falta de diálogo é um luxo que não podemos permitir. Nas reuniões de trabalho, muitas vezes o orgulho impede que se reconheça uma má decisão, uma falha de gestão ou a necessidade de colaboração. Nos bairros, impede reconciliações simples que poderiam evitar discussões, rixas e até violência. Nas famílias, o orgulho é responsável por silêncios que duram anos, perpetuando mágoas que poderiam ser resolvidas com uma única conversa. E, no entanto, todos reclamam da falta de união. Todos querem um país mais solidário, mais justo, mais harmonioso. Mas como construir união se cada um se agarra ao orgulho como se fosse um direito inalienável? A humildade, ao contrário do orgulho, não diminui ninguém. Pelo contrário, engrandece. Quem dá o primeiro passo não é fraco — é forte o suficiente para romper o ciclo da indiferença. Num ambiente onde quase ninguém quer ceder, ser o primeiro a cumprimentar é um acto de coragem. Talvez seja necessário reaprender o óbvio: relações humanas não se constroem com braços cruzados. Não se fortalecem com “orgulho do sapo”, aquele orgulho teimoso que impede o gesto mais simples. Não há desenvolvimento social possível onde falte diálogo. E não há diálogo sem humildade. Que mal há em dizer “bom dia” primeiro? Em reconhecer que também erramos? Em ligar para um familiar com quem não falamos há tempo? Em perdoar quando a vida é curta demais para guardar rancores? Moçambique precisa mais do que nunca desta revolução silenciosa. Uma revolução que não começa nas assembleias nem nos gabinetes, mas na porta de cada casa, na estrada, nos transportes, nas escolas, nos mercados, nos locais de trabalho. Afinal, grandes mudanças começam com pequenos passos. E talvez o primeiro passo seja simplesmente baixar a guarda, abrir o coração e cumprimentar alguém. Porque a humildade não custa dinheiro.

jan 06 2026

Diálogo Nacional Inclusivo: o que é?

CEM: Justiça e Paz A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Igreja Católica oferece às comunidades cristãs e a todos os moçambicanos de boa vontade o subsídio “Cartilha Política para o diálogo nacional inclusivo” como forma de se prepararem para participar ativamente do processo de Diálogo Nacional Inclusivo, lançado oficialmente no dia 10 de Setembro em Maputo. O decreto presidencial no 17/2025 de 5 de Maio aprovou o Regulamento da Organização e Funcionamento da Comissão Técnica criada para a materialização do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo. Este Regulamento, no seu artigo 21o, cria dez Grupos de Trabalho, de acordo com os seguintes dez temas: assuntos constitucionais, assuntos eleitorais, assuntos fiscais, assuntos económicos, administração pública e despartidarização, recursos naturais, defesa e segurança, justiçam, reconciliação e unidade nacional, e descentralização e desconcentração. Como forma de tornar mais perceptíveis todos estes temas, a Cartilha Política da comissão Justiça e Paz da CEM destacou temáticas referentes à revisão constitucional (sobre a reforma do Estado e sobre a reforma do sistema eleitoral) e temáticas referentes à governação (sobre a reforma da política de exploração dos recursos naturais, sobre a adoção de medidas de inclusão económica, sobretudo para mulheres e jovens, e sobre a reconciliação e unidade nacional). Reformas referentes à revisão constitucional Reformas do Estado: aqui são debatidos assuntos li gados ao nosso sistema político, aos poderes do Presidente da República, à questão da despartidarização das instituições do Estado, à questão da descentralização e desconcentração política, económica e financeira. Quais são as propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? a) Limitar as competências do Presidente quanto à designação dos titulares dos órgãos dos poderes públicos: Tribunal Supremo e Vice-Presidente; Conselho Constitucional; Tribunal Administrativo. Que estes os titulares sejam eleitos entre os pares que compõem o Conselho Superior das Magistraturas; b) Que a nomeação dos Reitores e Vice-Reitores das Universidades Públicas seja feita entre os pares que compõem os Conselhos Académicos e Científicos. c) Que igualmente seja banida a figura do Secretário do Estado nas Província. Isso evitaria a duplicação de estruturas de governação e pouparia no orçamento do Estado. Reformas do sistema eleitoral O debate gira em torno da definição de um novo modelo do sistema eleitoral, da composição dos órgãos da administração eleitoral, da legislação eleitoral, dos órgãos de justiça eleitoral, entre outros aspetos que contribuam para a integridade de todo o processo eleitoral. Quais são as propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? A fonte dos nossos conflitos eleitorais é conhecida. Assim, aproveitando o Diálogo Político Nacional Inclusivo em curso, para resolver definitivamente os problemas que nos induzem a conflitos eleitorais, seria bom: a) Despartidarizar a CNE e o STAE e investir de honestidade e idoneidade as pessoas que os compõem: A ideia de paridade, além de não ter resolvido o problema, multiplicou os conflitos, bem como piorou a exclusão dos partidos extraparlamentares que não são representados. O país possui pessoas que, pertencendo ou não a certos partidos, possuem integridade e idoneidade comprovadas para conduzir processos com honestidade e justiça. Mas isso também pressupõe a honestidade, integridade e idoneidade de quem escolhe tais pessoas. b) Introduzir votação electrónica ou outra forma que não dê espaço de manobras ilícitas: o nosso país é vasto. Compilar dados eleitorais de forma manual e nas etapas estabelecidas por lei pode levar a actos tendenciosos. Uma votação com contagem automática pode reduzir a desconfiança nas pessoas que actualmente manuseiam o processo. Além disso, não existe garantia para um processo eleitoral íntegro que demora dias a ser analisado. Os votos não devem ser analisados, mas apenas contados, para evitar interpretações legais tendenciosas que induzam a resultados enganosos, tal como aconteceultimamente. c) Garantir um apuramento de MMV’s (Membros das mesas de Votos) com honestidade e responsabilidade: o processo eleitoral é um acto patriótico. Por isso, não se deve optar por pessoas cuja conduta e escolaridade não permitem aferir o seu grau de responsabilidade em relação a um exercício de soberania. O processo de recrutamento, selecção, formação e aplicação de MMV’s deve garantir que as pessoas a aplicar sejam cabalmente responsáveis de seus actos. É necessário que a sua transparência, integridade e honestidade sejam objectivamente comprovados. A lei deve ser, objectiva, dura e implacável para casos de viciação de resultados nas mesas de votação. (1-cont.).

Novo Município de Mossuril na mira da Renamo

A presidente Nacional da Liga Feminina da Renamo, Maria Celeste, garantiu esta terça-feira, 13/06, que o Município de Mossuril, em Nampula, está na mira do Partido Renamo. Maria Celeste falava à margem de um seminário sobre as eleições municipais, direcionado as mulheres da Renamo de todos distritos da província de Nampula. Na capacitação que juntou numero considerável de membros da liga feminina da Renamo, a presidente Nacional do órgão, Maria Celeste avançou que o novato Município de Mossuril é motivo de perda de sono para o seu partido. Aliás, a chefe das mulheres da Renamo disse ter sido um seminário que permitiu as mulheres da Renamo saberem o que fazer no dia das eleições. Maria Celeste, apesar de ter considerado Nampula o campo em que houve mais sabotagem do processo de recenseamento eleitoral, certeza não lhe faltou que a cidade é, e será a casa da Renamo. Em Nampula houve registo de muitos ilícitos durante o recenseamento, em comparação com outras províncias.” – referiu a dirigente das mulheres da Renamo no país sublinhando que “o novo município de Mossuril é um alvo atingido”. Por Ernesto Tiago

Por um Recenseamento humano e fiel

Por um Recenseamento humano e fiel O processo eleitoral é antecedido de recenseamento eleitoral que é atualizado nos anos de realização de eleições, tendo como necessidade abranger maior número de potenciais eleitores. De facto, o artigo 3, da Lei nº 5/2013, de 22 de Fevereiro, Lei do Recenseamento Eleitoral, refere que “é dever de todos os cidadãos moçambicanos, residentes no país ou no estrangeiro, com dezoito anos de idade completos ou a completar à data da realização de eleições, promover a sua inscrição no recenseamento eleitoral”. Após o recenseamento o cidadão recebe um cartão de eleitor que permite verificar se o cidadão está apto ou não para exercer seu direito ao voto, fazendo-se cumprir a lei eleitoral. Como se pode notar, o recenseamento eleitoral é muito importante porque habilita os cidadãos a votar ou ser eleitos tanto nas eleições autárquicas, quanto nas presidenciais ou nas eleições legislativas. Para participar desse processo, a Lei do Recenseamento Eleitoral refere que “O cidadão eleitor inscreve-se no posto de recenseamento eleitoral mais próximo da sua residência habitual”. A história ensinou-nos que os erros iniciais a partir deste momento de recenseamento afectam sobremaneira o decurso de todo processo eleitoral. Com efeito, os partidos políticos e coligações de partidos têm o direito de fiscalizar os actos do recenseamento eleitoral para verificar a sua conformidade com a lei. Devíamos ter aprendido com os erros do passado para melhorar, cada vez mais, a prestação dos serviços públicos. Promover e garantir um recenseamento humano e fiel impõe: «o exercício do poder como serviço do Bem Comum e não como serviço dos seus próprios interesses partidários (Lc 22, 26); um são patriotismo; a participação de todos na construção da Nação; o sentido e a exigência da unidade nacional a atenção particular aos mais pobres e marginalizados da sociedade; o respeito pelo adversário (Mt 5, 44-45); o reconhecimento do primado da dignidade da pessoa humana» (CEM, 03/02/2000). Portanto, o recenseamento será humano e fiel se for inclusivo e respeitando a lei eleitoral; se decorrer sem prejuízo de ninguém e sem preferir algum grupo de eleitores. Ou seja, será humano e fiel se não for manipulado para acomodar interesses obscuros e particulares. Será desumano quando os recenseadores forem instruídos para simular avaria de computadores; quando propositarem inscrever o eleitores de forma incorrecta ou duplicando o mesmo acto em vários postos. Cabe aos órgãos competentes garantir que o recenseamento eleitoral seja uma festa de patriotismo; alto sentido de cidadania activa e factor de desenvolvimento humano integral e de todo país. O recenseamento eleitoral não pode ser factor de agravamento do divisionismo reinante ou para alimentar sentimentos de ódio e vingança de uns contra outros. O recenseamento eleitoral deve abrir caminhos de Esperança, de um futuro promissor de Paz efectiva e de um processo eleitoral bem-sucedido. Lembremos que um dos factores de instabilidade sociopolítica em Moçambique são as eleições mal geridas. Não se pode continuar a atropelar a lei visando apenas acomodar interesses de um grupinho. Unidos na fé! Pe. Cantífula de Castro   Não esquecer de assinar à Vida Nova. Ainda estás há tempo!

Misericórdia e Fraternidade para sempre

Celebramos 10 anos de pontificado do Papa Francisco (13/3/2013). Foram 10 anos durantes os quais ele trabalhou muito para fazer com que toda a família humana se tornasse cada vez mais humana graças ao Espírito de Deus presente na nossa história. Aqui queremos lembrar alguns dos mais significativos ensinamentos (Exortações Apostólicas) que papa Francisco nos deixou. “Evangelii Gaudium” (2013): papa Francisco chama-nos a ser uma Igreja em saída, uma Igreja-povo de Deus, onde todos e todas sejam sujeitos da evangelização. Nessa dimensão da Igreja em saída, ele fala também dum laicado em saída, que constitui um novo modo de ser Igreja, de ser presença em todos os lugares onde ninguém mais chega aonde nem o padre, o bispo, até o Papa pode ir, mas, nesses lugares, o leigo e a leiga já estão lá porque lá eles moram. Portanto, são sinais desta Igreja presente no mundo. “Laudato Sii” (2015): é a carta que nos convida a cuidar da casa comum, a cuidar do ambiente, da mãe terra como, ao mesmo tempo, cuidar da sociedade para que se consiga chegar a um desenvolvimento integral. Cuidar da casa comum não é simplesmente não cortar as plantas ou não poluir o ambiente em que vivemos, mas é renovar aquilo que está sendo destruído seja a nível ecológico que humano. “Amoris laetitia” (2016): Ele trouxe a família para o centro da atenção pastoral, um olhar para um modo de ser Igreja que é como a família: de co-responsabilidade, de cuidado, de amor, de ternura, de gratuidade. “Fratelli Tutti” (2020): se quisermos viver a fraternidade, devemos reconhecer a verdade fundamental que Deus é nosso Pai. E se Deus é nosso Pai, somos filhos e filhas, todos, sem distinção, e somos irmãos e irmãs. Essa é a raiz, é a verdade central. É a certeza que fecunda o compromisso, o dom da fraternidade. Além disso ele nos convida a recomeçar; se vamos recomeçar a reconstrução da fraternidade temos que recomeça-la a partir dos pobres, para que ninguém fique de lado.   IV Assembleia Nacional de Pastoral Nampula de 17 à 21 de Maio 2023 “Reavivar o Anuncio e o Testemunho da Palavra de Deus hoje”. A Igreja Católica em Moçambique celebra este mês a sua IV ANP: ontem como hoje, à luz da Palavra de Deus, ela quer perceber os sinais dos tempos e acompanhar o povo moçambicano nas suas transformações políticas, sociais, económicas e religiosas. Nas próximas edições da Vida Nova iremos acompanhar e apresentar os trabalhos realizados durante a Assembleia para que sirvam de luz e guia para a pastoral das nossas comunidades.

Deus, é o Deus da Paz e não da Guerra

Celebramos 10 anos de pontificado do Papa Francisco (13/3/2013). Foram 10 anos durantes os quais ele trabalhou muito para fazer com que toda a família humana se tornasse cada vez mais humana graças ao Espírito de Deus presente na nossa história. Aqui queremos lembrar alguns dos mais significativos ensinamentos (Exortações Apostólicas) que papa Francisco nos deixou. “Evangelii Gaudium” (2013): papa Francisco chama-nos a ser uma Igreja em saída, uma Igreja-povo de Deus, onde todos e todas sejam sujeitos da evangelização. Nessa dimensão da Igreja em saída, ele fala também dum laicado em saída, que constitui um novo modo de ser Igreja, de ser presença em todos os lugares onde ninguém mais chega aonde nem o padre, o bispo, até o Papa pode ir, mas, nesses lugares, o leigo e a leiga já estão lá porque lá eles moram. Portanto, são sinais desta Igreja presente no mundo. “Laudato Sii” (2015): é a carta que nos convida a cuidar da casa comum, a cuidar do ambiente, da mãe terra como, ao mesmo tempo, cuidar da sociedade para que se consiga chegar a um desenvolvimento integral. Cuidar da casa comum não é simplesmente não cortar as plantas ou não poluir o ambiente em que vivemos, mas é renovar aquilo que está sendo destruído seja a nível ecológico que humano. “Amoris laetitia” (2016): Ele trouxe a família para o centro da atenção pastoral, um olhar para um modo de ser Igreja que é como a família: de co-responsabilidade, de cuidado, de amor, de ternura, de gratuidade. “Fratelli Tutti” (2020): se quisermos viver a fraternidade, devemos reconhecer a verdade fundamental que Deus é nosso Pai. E se Deus é nosso Pai, somos filhos e filhas, todos, sem distinção, e somos irmãos e irmãs. Essa é a raiz, é a verdade central. É a certeza que fecunda o compromisso, o dom da fraternidade. Além disso ele nos convida a recomeçar; se vamos recomeçar a reconstrução da fraternidade temos que recomeça-la a partir dos pobres, para que ninguém fique de lado.   IV Assembleia Nacional de Pastoral Nampula de 17 à 21 de Maio 2023 “Reavivar o Anuncio e o Testemunho da Palavra de Deus hoje”. A Igreja Católica em Moçambique celebra este mês a sua IV ANP: ontem como hoje, à luz da Palavra de Deus, ela quer perceber os sinais dos tempos e acompanhar o povo moçambicano nas suas transformações políticas, sociais, económicas e religiosas. Nas próximas edições da Vida Nova iremos acompanhar e apresentar os trabalhos realizados durante a Assembleia para que sirvam de luz e guia para a pastoral das nossas comunidades.

Crianças felizes, um mundo feliz!

“As crianças são flores que nunca murcham”, declarava o saudoso presidente da República Popular de Moçambique, Samora Moisés Machel. Consta nos anais históricos que Junho é o mês da criança, sobretudo no dia 01 comemora-se o Dia Mundial da Criança. Uma efeméride assinalada pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com intenção de chamar a atenção para os problemas que as crianças enfrentavam naquele tempo. De facto, o mês de Junho tem sentido quando todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, gozam do seu direito a afecto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, protecção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de paz e fraternidade. Chegou o dia e o mês da criança. Nada de como pais, irmãos, tios ou encarregados delas abandoná-las à sorte da ventania. Por mais que haja na família dificuldades económicas, nada justifica os maus tratos às crianças. Não são poucas as crianças que hoje vivem dilaceradas por causa da indiferença, ódio, desentendimento dos próprios pais. Muitas delas vivem órfãs com pais vivos. De facto não são poucas as que vivem com pais crocodilos. Pandemia que mais corrói a filhos enteados. Como flores que nunca murcham, as crianças são o presente e o futuro desta sociedade moribunda. Nada de os pais esquecerem-se da sacralidade dos próprios filhos. Eles são um presente que Deus deu à família. Mesmo os enteados merecem atenção. Havendo condições, não é mal comprar-lhes roupa e alimentá-los dignamente. Não são poucas as vezes que encontramos filhos com pais que trabalham e recebem salários mas com roupa rasgada, amarrotada, a cheirar a chulé como se sabão e Omo tivessem fugido do mercado. Os pais podem comprar boa roupa para si mesmos, mas se não investem nos próprios filhos (legítimos ou enteados), não passam de um demónio revestido de carne. De um lobo em carne de cordeiro. Este é o mês para nunca se esquecer que existem homens e mulheres que não conseguem ter filhos. Então, se tem filhos, agradeça a Deus! Não espere ter milhões de meticais para cuidar deles. Basta o mesmo dinheiro com que compra a sua roupa. Nunca esperar dinheiro escrito “filhos legítimos, enteados, empregados”, não. Na verdade, um mundo melhor é possível com crianças felizes, que são adultos felizes de amanhã. Não esquecer de assinar à VN para ficar sempre informado e formado

Mais dois Sacerdotes na Arquidiocese de Nampula

Os Padres Jeremias José da congregação São João Baptista e Xavier Ligório, do clero diocesano, foram ordenados no domingo, 25 de Junho. Com a ordenação desses dois sacerdotes, a arquidiocese de Nampula passa a contar com 50 Sacerdotes, sendo 45 padres diocesanos e 5 da congregação São João Baptista. Os dois novos sacerdotes foram ordenados por Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula, o qual recordou que aquele que entra nessa missão, não pode nem deve ser orgulhoso e tem a obrigação de cumprir integralmente aquilo que disse na sua consagração, que se resume no bem servir o povo de Deus e fazer chegar a sua palavra a toda a humanidade. “Devem ser coerentes e testemunhos fieis de Deus perante o povo, através do vosso modo de viver e em todas as vossas actividades.” –  orientou Dom Inácio, apelando para que “procurem guiar os fieis num único caminho que conduz a Cristo sem os deixar perderem-se”. Recordou que tudo que esteja escondido virá a descoberta.  Numa clara alusão de que os padres, devem dar sempre um bom exemplo, para que o seu sacerdócio não seja desacreditado. “Jesus Cristo nos adverte: Não há nada que esteja coberto que não venha descobrir-se nem oculto que não venha conhecer-se”.- disse Dom Inácio, recordando que teria falado isso noutras homilias, mas que infelizmente sabe que ainda há problemas, mas, referiu, “o povo de Deus acabará sabendo tudo, por isso sejam pessoas de uma oração pessoal e intensa com a qual vos alimenteis espiritualmente e organizar belas celebrações com os fieis, que poderão ser de bom proveito para o povo de Deus mas não para vós mesmos, porque a ser assim serão teatros a baixo custo sem nenhum efeito espiritual sobre as vossas vidas”. Naquela homilia, o Arcebispo de Nampula lembrou que o povo quer ver Deus nos seus servos, numa altura em que o número de Padres continua insuficiente, olhando pelo povo que precisa de ser alimentado com a palavra de Deus.  A igreja precisa de sacerdotes de qualidade e não em quantidade “Vocês querem ter padres sem qualidade?” – questionou Dom Inácio, que dirigindo-se aos fieis e familiares dos dois novos Padres, pediu apoio incondicional como forma de eles conseguirem fazer o trabalho de Deus sem correrem o risco de caírem em tentação. “Não tenhais medo de vos aproximardes deles, para lhes dizer uma palavra de encorajamento quando eles estão no bom caminho mas também de correção fraterna quando se enganarem”. – Advertiu, pedindo atenção dos familiares, no sentido de as suas casas não servirem de esconderijos de filhos feitos as escondidas, pois, disse, “para quem a vida sacerdotal não serve, deve ir para outra vida, porque ninguém é obrigado a ser sacerdote para toda a vida”.   “Não queremos ouvir aquilo que se diz por aí: –Ah, os padres de hoje não prestam”. – disse Dom Inácio pedindo para que todos os fieis orem para os sacerdotes, sem os caluniar. Sejam promotores da paz que continua a ser um bicho de 7 cabeças Através de várias mensagens apresentadas na ocasião, as comunidades assumiram o compromisso de dar o seu apoio aos novos sacerdotes, para que sejam, na verdade, promotores da paz, que continua a ser muito necessária, numa altura em que a província de Cabo Delgado está a sofrer ações terroristas. A Mensagem do Clero Diocesano, por exemplo, apresentada pelo respetivo Secretário, Padre Serafim Muacua, refere que a ordenação dos dois padres, representa um presente que Deus concede ao povo de Nampula, numa altura em que o país, celebrava a sua independência. Dirigimo-nos a vos irmãos em cristo para desejar as nossas notas de boas vindas no ministério sacerdotal e de modo particular ao Padre Xavier Ligório do clero diocesano de Nampula, um clero que apesar dos vários desafios da vida busca viver e se manter na alegria do evangelho, no empenho pastoral com vista a salvação das almas do rebanho que lhe foi confiado”. – lê-se na mensagem, a qual sublinha que “em virtude da vossa ordenação, senhores padres, o espirito do senhor está sobre voz, porque vos ungiu para pregar o evangelho aos pobres”. “Ele vos enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação de vista aos cegos, para restituir a liberdade aos oprimidos”. – sublinha ainda a mensagem, destacando que “proclamar a libertação dos aprisionados, a recuperação a vista aos cegos e restituir a liberdade aos oprimidos no mundo, sobre tudo no país em que estamos, continua sendo um bicho de sete cabeças”. Recordando a mensagem de Jesus, segundo a qual “deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”, os padres diocesanos apontam que “por a paz ser um bem necessário, os novos Sacerdotes não podem pensar que seja um trabalho fácil semear a paz através do evangelho, quando ainda aqueles que simulam ser promotores dela, apenas se limitam a cantar – “Paz, paz, paz, paz, com mãos erguidas para o céu, mas com os pés pisando os outros”.   O Sacerdote Diocesano Xavier Ligório foi ordenado com o lema: – “Eis-me aqui, senhor, envia-me a mim”. Enquanto que o Padre Jeremias José, da congregação São João Baptista escolheu o lema –“ Como retribuirei ao senhor por tudo que ele me deu, elevarei o cálice da salvação invocando o nome do senhor”. Padre Xavier Ligório nasceu no distrito de Moma em 1992 e o padre Jeremias José, nasceu em 1983 no distrito de Pebane, na Província de Zambézia. Por Elísio João

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