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Cheias e inundações afectam mais de 700 mil pessoas em Moçambique

As cheias e inundações que se abateram sobre várias regiões de Moçambique entre os dias 10 e 22 de Janeiro de 2026 já afectaram, de forma cumulativa, 723.532 pessoas, correspondentes a 154.472 famílias, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD). O balanço provisório aponta para 124 óbitos, 99 feridos e 6 pessoas desaparecidas. No sector habitacional, foram registadas 11.519 casas parcialmente destruídas, 4.989 casas totalmente destruídas e 82.634 casas inundadas. As infra-estruturas sociais também sofreram danos significativos, com 169 unidades sanitárias afectadas e 44 casas de culto danificadas. No sector da educação, 320 escolas foram impactadas, envolvendo 592 salas de aula e 57 blocos administrativos, afectando directamente 135.031 alunos e 2.625 professores. De acordo com o INGD, as cheias danificaram ainda 7 pontes, 27 aquedutos e cerca de 2.957 quilómetros de estradas. No sector produtivo, registou-se a morte de 64.743 animais (bovinos, caprinos e aves), além de 166.308 hectares de área agrícola afectada, dos quais 74.769 hectares correspondem a área perdida. No total, 115.092 agricultores foram impactados. Os dados referem igualmente danos em 94 embarcações, 338 tanques piscícolas, 3.933 artes de pesca, 193 postes tombados e 27,30 quilómetros de linhas eléctricas quebradas. Sete sistemas de abastecimento de água foram afectados, embora não se tenham registado torres de telecomunicações tombadas. No âmbito da resposta humanitária, 17.524 pessoas foram resgatadas e encaminhadas para centros de acomodação. Actualmente, estão abertos 96 centros, que acolhem 106.053 pessoas, enquanto 97.325 encontram-se em centros activos. Outros 11 centros já foram encerrados, depois de terem acolhido 8.728 pessoas. Paralelamente, o INGD apresenta também um balanço específico apenas das cheias e inundações, que indica 585.627 pessoas afectadas, correspondentes a 127.486 famílias, com 13 óbitos, 2 feridos e 4 desaparecidos. Neste período, foram registadas 2.867 casas parcialmente destruídas, 743 totalmente destruídas e 71.560 casas inundadas. O impacto estendeu-se igualmente ao sector da educação, com 146 escolas afectadas, 88 salas de aula e 23 blocos administrativos, atingindo 75.656 alunos e 1.665 professores. No sector produtivo, morreram 58.621 animais e cerca de 60.544 hectares de área agrícola foram afectados, dos quais 58.670 hectares correspondem a área perdida, impactando 83.370 agricultores. As províncias do Centro e Sul do país, com destaque para Sofala, Manica, Gaza e Inhambane, figuram entre as mais afectadas, segundo o mapa de impacto humano divulgado pelo INGD.

jan 22 2026

𝗦𝗘𝗠𝗔𝗡𝗔 𝗗𝗘 𝗢𝗥𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗣𝗘𝗟𝗔 𝗨𝗡𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗢𝗦 𝗖𝗥𝗜𝗦𝗧𝗔̃𝗢𝗦 𝟮𝟬𝟮𝟲 𝗗𝗘𝗖𝗢𝗥𝗥𝗘 𝗗𝗘 𝟭𝟴 𝗔 𝟮𝟱 𝗗𝗘 𝗝𝗔𝗡𝗘𝗜𝗥𝗢

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, que decorre de 18 a 25 de Janeiro, é um momento forte de reflexão, oração e compromisso com a unidade entre todos os cristãos. De acordo com o Padre Massimo Robol, presidente da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso. Celebrada há mais de 100 anos, esta iniciativa resulta do trabalho conjunto entre a Comissão Fé e Constituição e o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Igreja Católica. As datas têm um significado especial: 18 de Janeiro assinala a festa da Cátedra de São Pedro e 25 de Janeiro celebra a conversão de São Paulo, dois pilares fundamentais da fé cristã. Os textos e o tema deste ano foram preparados pelos fiéis da Igreja Apostólica Arménia, em colaboração com a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas Arménias, inspirados em antigas tradições de oração. O tema escolhido, retirado da Carta de São Paulo aos Efésios (4,4) “Há um só corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados a uma só esperança”, destaca a unidade profunda da Igreja. A Semana de Oração é, assim, um convite à vivência concreta da fé, do diálogo, da fraternidade e do amor mútuo entre todos os cristãos.

jan 22 2026

Bispos apelam à solidariedade nacional face às cheias em Moçambique

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) divulgou esta quarta-feira uma mensagem de solidariedade com as vítimas das cheias e inundações que têm afectado várias regiões do país com especial gravidade nas zonas Centro e Sul. Assinada pelo presidente da CEM, D. Inácio Saure, a nota combina solidariedade pastoral, apelo à acção e um chamado à esperança cristã. Na mensagem, os bispos manifestam proximidade espiritual e solidariedade fraterna para com as famílias enlutadas, desalojadas e todas aquelas que viram comprometida a sua dignidade e futuro. Os bispos lembram a passagem do apóstolo Paulo: «Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram» (Rm 12,15), sublinhando que a palavra de Deus interpela a comunidade a não permanecer indiferente perante o sofrimento alheio. A CEM apela com «sentido de urgência» à mobilização conjunta de fiéis, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil, confissões religiosas e parceiros internacionais, a fim de garantir apoio imediato às populações afectadas e recursos para a recuperação e reconstrução das comunidades. A mensagem destaca igualmente o papel da Cáritas Moçambicana, presente com delegações em todas as dioceses, como uma estrutura já empenhada na assistência às populações. Para além da resposta imediata, os bispos renovam o apelo a um compromisso sério com a prevenção, protecção da vida e cuidado da casa comum, para que o país esteja cada vez mais preparado para enfrentar cheias semelhantes no futuro.

Apresentação da Capa de Janeiro

Rumo a uma paz “desarmada e desarmante” O ano 2026 começa com um convite audacioso do Papa Leão XIV, pela paz no mundo. De facto, o 59º Dia Mundial da Paz deste ano é celebrado sob o tema: «A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz “desarmada e desarmante”». Num mundo dilacerado pelas guerras, divisões e discórdias, o Papa Leão ergue a voz para propor ao mundo uma peregrinação rumo a uma paz “desarmada e desarmante”. Trata-se dum apelo à reconciliação e ao diálogo, uma paz que encontra em Cristo a sua essência e fundamento, uma paz que constrói pontes dando voz a todos; uma paz que vai além do cessar-fogo das armas e alcança também as palavras: “desarmemos as palavras para desarmar a Terra”.

jan 14 2026

GIRAPAZ: Iniciativa Inter-Religiosa para a Promoção da Paz, Estabilidade Social e Convivência Harmoniosa

Para a PAZ e a ESTABILIDADE SOCIAL Apresentamos a iniciativa de um grupo de líderes de diferentes confissões religiosas da Província de Nampula, membros de Igrejas do Conselho Cristão de Moçambique, Igrejas Pentecostais, Igreja Católica e do Conselho Islâmico de Moçambique, unidos pelo propósito de fomentar o diálogo inter-religioso e fortalecer o papel das religiões na construção da paz e estabilidade social combatendo a intolerância religiosa e os desafios sociais que impactam a convivência pacífica entre comunidades de distintas crenças. Este grupo surge como resposta aos desafios identificados durante a II Conferência Provincial das confissões religiosas, realizada em Setembro de 2024, onde se destacou a importância da liberdade religiosa e do combate ao terrorismo como pilares fundamentais para uma sociedade estável, aliado a onda de manifestações violentas decorrentes após a realização das eleições gerais em Outubro passado, onde alguns irmãos que professam várias religiões tiveram a sua fé tentada e se envolvendo em comportamentos inadequados à postura religiosa. Programa de acção O objectivo do GIRAPAZ é criar e operacionalizar um grupo inter-religioso de reflexão e acção que promova o diálogo contínuo entre diferentes confissões religiosas e a sociedade civil, fortalecendo as relações entre elas e colaborando para estabilidade social nos distritos da Província. Este projecto será implementado num período de 12 meses, de Setembro de 2025 a Agosto de 2026, com o foco especial na criação de espaços de debate e colaboração inter-religiosa. Os temas de reflexão escolhidos são: Paz e estabilidade social; Liberdade religiosa e Cooperação Inter-religiosa; Combate a intolerância e ao Extremismo; Promoção de valores Comunitários e Respeito pelas Diferenças. Os encontros de reflexão serão apresentados em diferentes Distritos, garantindo que a iniciativa alcance diversas comunidades e estimule a cultura do diálogo como caminho; a colaboração comum como conduta; o conhecimento mútuo como método e critério; para além da tolerância e respeito. Estratégias de trabalho a) Criação e coordenação de grupos para promover a troca de conhecimentos e experiências. b) Diálogo comunitário nos Distritos: Os grupos inter-religiosos realizarão debates periódicos nos Distritos. c) Parcerias institucionais: Será estabelecida colaboração com órgãos governamentais, organizações não-governamentais, organizações da sociedade civil e instituições académicas. d) Capacitação dos líderes religiosos: Oficinas e formações serão promovidas para fortalecer a abordagem de tolerância e resposta entre as confissões religiosas. Reflexões em duas perspectivas, sendo uma cristã e outra islâmica. e) Campanhas de sensibilização: Utilização de meios de comunicação, redes sociais e outros, para o reforço de mensagens de paz e coexistência. f) Monitoramento e avaliação: O projecto será avaliado continuamente para garantir seu impacto e ajustar estratégias conforme necessário ao longo dos 12 meses de implementação. Resultados esperados Dentre vários resultados esperados com a implementação deste projecto há que destacar os seguintes: a) Compreensão mais profunda dos conceitos de paz, estabilidade social e convivência harmoniosa nas comunidades abrangidas; b) Maior compreensão do papel da religião na promoção da paz e mediação de conflitos, assim como o fortalecimento do espírito de tolerância religiosa e respeito pela diversidade cultural, étnica e social; c) Redução de discursos de ódio, preconceitos e práticas discriminatórias entre e dentro das comunidades religiosas; d) Compromisso com a disseminação de mensagem de paz, respeito e solidariedade nas suas comunidades de fé; e) Integração de temas de paz e direitos humanos nos sermões, palestras e actividades religiosas; f) Contribuição dos líderes religiosos para a implementação de políticas locais de inclusão e desenvolvimento sustentável

jan 09 2026

“Nenhuma fé justifica a guerra”, adverte o cardeal Pietro Parolin em Cabo Delgado

A Igreja Católica, através da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Nampula, manifestou profunda preocupação com as mortes registadas recentemente nas zonas de garimpo de Mogovolas e Moma, na província de Nampula. O caso é marcado por versões contraditórias quanto ao número e à identidade das vítimas. Enquanto a Polícia da República de Moçambique (PRM) afirma que morreram seis civis e um agente da polícia, organizações da sociedade civil e fontes da Igreja no terreno indicam que o número de vítimas poderá ser significativamente superior, envolvendo sobretudo jovens civis que recorriam à exploração artesanal de recursos naturais como meio de sobrevivência. Segundo o padre Benvindo Tapua, coordenador da Comissão de Justiça e Paz, a origem do conflito está ligada à falta de verdade, à exclusão sistemática dos jovens no acesso aos recursos naturais e a práticas de corrupção. O sacerdote sublinha que a Igreja não pode permanecer em silêncio perante a perda de vidas humanas. A Igreja Católica apela, por isso, à realização de investigações sérias, transparentes e independentes, defendendo que apenas com verdade, justiça e respeito pela dignidade humana será possível restaurar a confiança social e construir uma paz duradoura em Moçambique. Se quiser, posso:

“𝗡𝗘𝗡𝗛𝗨𝗠𝗔 𝗙𝗘́ 𝗝𝗨𝗦𝗧𝗜𝗙𝗜𝗖𝗔 𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔” 𝗣𝗔𝗥𝗢𝗟𝗜𝗡 𝗔𝗗𝗩𝗘𝗥𝗧𝗘 𝗘𝗠 𝗖𝗔𝗕𝗢 𝗗𝗘𝗟𝗚𝗔𝗗𝗢

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, reuniu-se na última terça-feira (09/12) com o Centro Inter-Religioso para a Paz (CIPAZ), num encontro que juntou líderes muçulmanos, cristãos e representantes de outras confissões religiosas. Segundo a página oficial da Diocese de Pemba no Facebook, Parolin destacou que “a religião não é, nem deve ser, pretexto para a violência”, sublinhando que a fé autêntica rejeita o ódio, a exclusão e qualquer forma de discriminação. Reforçou ainda que religião e paz “devem caminhar juntas” e reafirmou o compromisso da Igreja em manter um diálogo inter-religioso sincero e respeitoso. Ainda de acordo com a Diocese de Pemba, o Presidente do Conselho Islâmico de Cabo Delgado, Domingos Arlindo, agradeceu a presença do Cardeal, afirmando que a sua visita ocorre num momento em que as comunidades clamam pela paz e harmonia social. Sublinhou que a presença de Parolin fortalece a união entre as religiões e encoraja o esforço conjunto para pôr fim à violência extremista. O encontro terminou com um apelo para que o Cardeal visite mais vezes a província, gesto que, segundo o líder muçulmano, honra profundamente as comunidades locais. Imagens: Pagina da Diocese Pemba

Dom Lúcio Andrice Muandula nomeado novo bispo de Chimoio

O Papa Leão XIV nomeou, esta quarta-feira, 17 de dezembro, Dom Lúcio Andrice Muandula como novo bispo da Diocese de Chimoio, segundo informação divulgada pela Santa Sé. Até então bispo da Diocese de Xai-Xai, Dom Lúcio Andrice Muandula nasceu a 9 de outubro de 1959, em Maputo. Possui formação em Filosofia e Teologia pelo Seminário São Pio X e é doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Gregoriana de Roma. Ordenado sacerdote em 1989 para a Arquidiocese de Maputo, foi nomeado bispo de Xai-Xai em 2004, diocese onde exerceu o seu ministério episcopal até à nova missão pastoral agora confiada em Chimoio.

𝗙𝗶𝗱𝗲𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗰𝗲𝗿𝗱𝗼𝘁𝗮𝗹 𝗾𝘂𝗲 𝗖𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗼́𝗶 𝗼 𝗔𝗺𝗮𝗻𝗵𝗮̃ 𝗱𝗮 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮

Na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, publicada por ocasião dos 60 anos dos Decretos conciliares Optatam totius e Presbyterorum Ordinis, o Papa Leão XIV reafirma que o futuro da Igreja passa por uma vivência fiel, renovada e missionária do ministério presbiteral. Partindo do encontro pessoal com Cristo como base da vocação, o Papa sublinha a importância da formação permanente, da fraternidade entre os sacerdotes, da sinodalidade e do discernimento responsável no uso das mídias, num mundo marcado por rápidas mudanças culturais e tecnológicas. Longe de ser mera comemoração, o documento é um forte apelo à conversão quotidiana, à caridade pastoral e ao serviço humilde da evangelização, lembrando que o sacerdócio é dom, compromisso e amor eucarístico vivido para que Cristo seja conhecido e amado por todos.

𝗘𝗻𝗰𝗲𝗿𝗿𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗼 𝗔𝗻𝗼 𝗝𝘂𝗯𝗶𝗹𝗮𝗿: 𝗔𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗮̀ 𝗘𝘀𝗽𝗲𝗿𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗲 𝗮𝗼 𝗖𝗼𝗺𝗽𝗿𝗼𝗺𝗶𝘀𝘀𝗼 𝗣𝗮𝘀𝘁𝗼𝗿𝗮𝗹 𝗲𝗺 𝗡𝗮𝗺𝗽𝘂𝗹𝗮

No encerramento do Ano Jubilar 2025, vivido como tempo de graça, reconciliação e renovação da fé, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, apelou a um balanço espiritual profundo, sublinhando que o Jubileu, celebrado num contexto marcado pelo Natal e pelo fim do ano, recordou que todos, sem distinção de profissão, condição social ou percurso de vida, são filhos de Deus e destinatários da Sua misericórdia. Ao longo do ano, as celebrações jubilares envolveram diversos grupos sociais e eclesiais, reforçando o lema “Peregrinos da Esperança”, mas o prelado alertou para desafios sérios na sociedade, como famílias fragilizadas por conflitos, irresponsabilidade parental e perda de valores, bem como o consumo de drogas entre adolescentes e jovens, descrito como um verdadeiro veneno que ameaça o futuro das crianças, desestrutura os lares e alimenta a violência, interpelando a Igreja em Moçambique a reforçar a sua presença, proximidade e acção pastoral junto das famílias e da juventude.

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