Eliminação do ensino nocturno levanta preocupações sobre inclusão educativa em Moçambique
A proposta de eliminação do ensino nocturno tem suscitado preocupações entre educadores, analistas sociais e encarregados de educação, num contexto nacional marcado por conflitos armados, raptos de professores e alunos, bem como por deslocações forçadas de populações do meio rural para os centros urbanos. Para muitos cidadãos que, no passado, não tiveram acesso à escolarização regular, o ensino nocturno constitui a principal — e em muitos casos a única — oportunidade de continuidade dos estudos. A sua eventual extinção é vista por diversos especialistas como um retrocesso no esforço de inclusão educativa num país ainda marcado por profundas desigualdades sociais. Dados e experiências no terreno indicam que o ensino nocturno tem desempenhado um papel relevante na promoção da justiça social, acolhendo trabalhadores, pais e mães de família que, devido a compromissos laborais e responsabilidades domésticas, não conseguem frequentar aulas durante o dia. A eliminação desta modalidade poderá conduzir ao abandono definitivo do sistema educativo por parte de milhares de estudantes, com impactos diretos na taxa de escolarização e na empregabilidade. A aposta no ensino à distância como alternativa também levanta reservas, sobretudo devido às limitações de acesso à internet, à escassez de equipamentos tecnológicos e às condições socioeconómicas que caracterizam grande parte da população estudantil. Perante este cenário, permanece a interrogação central: a eliminação do ensino nocturno contribuirá para a melhoria da qualidade do ensino ou aprofundará os mecanismos de exclusão de jovens e adultos do sistema educativo em Moçambique?
jan 06 2026
𝗕𝗶𝘀𝗽𝗼𝘀 𝗩𝗲𝗻𝗲𝘇𝘂𝗲𝗹𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗖𝗹𝗮𝗺𝗮𝗺 𝗽𝗼𝗿 𝗨𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗣𝗮𝘇 𝗲𝗺 𝗠𝗲𝗶𝗼 𝗮̀ 𝗖𝗿𝗶𝘀𝗲 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹
Diante dos graves acontecimentos vividos na Venezuela, os bispos do país apelam ao povo para perseverar na oração pela unidade, pela paz e pelo bem comum, pedindo a Deus que conceda serenidade, sabedoria e força a todos os venezuelanos. O episcopado manifesta solidariedade para com os feridos e as famílias enlutadas, rejeita firmemente toda forma de violência e exorta a população a viver a esperança com mais intensidade, promovendo o encontro, o apoio recíproco e decisões que sirvam sempre os interesses do povo. Confiando o país à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto, os bispos reforçam o apelo por paz nos corações e na sociedade.
jan 06 2026
𝗚𝘂𝗶𝗻𝗲́-𝗕𝗶𝘀𝘀𝗮𝘂 𝗲𝗺 𝗰𝗿𝗶𝘀𝗲 𝗮𝗽𝗼́𝘀 𝗱𝗲𝘁𝗲𝗻𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼 𝗣𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗿
Militares deteram esta quarta-feira o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, após confrontos armados junto ao palácio presidencial, assumiram o controlo do país, suspenderam o processo eleitoral e fecharam as fronteiras, segundo anunciou a France-Presse. Além do chefe de Estado, foram também detidos os responsáveis máximos das Forças Armadas e o ministro do Interior, num contexto de forte tensão política surgido três dias depois das eleições, em que tanto o Presidente como o opositor Fernando Dias da Costa reclamam vitória, enquanto a oposição denuncia uma tentativa de golpe para manipular os resultados eleitorais.
jan 06 2026
𝗘𝘅𝗮𝗺𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲𝗶𝗺𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗮𝗽𝗼́𝘀 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗻𝗱𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝗴𝗲𝗿𝗮𝗺 𝗰𝗮𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗮 𝗱𝗲 𝗡𝗮𝗰𝗮𝗹𝗮-𝗣𝗼𝗿𝘁𝗼
Momentos de tensão marcaram a Escola Secundária CCI, na cidade de Nacala-Porto, norte de Moçambique, onde exames foram queimados no recinto escolar após o segundo dia de realização das provas e da afixação das pautas de admissão, num acto de vandalismo que está a chocar a comunidade escolar, havendo fortes suspeitas de envolvimento de alunos descontentes com os resultados, enquanto a direcção da escola manifesta profunda preocupação e garante tratar-se de um episódio inédito naquela instituição da zona económica especial.
jan 06 2026
𝗖𝗮𝗻𝗰𝗲𝗹𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗲𝘅𝗮𝗺𝗲𝘀 𝗱𝗮 𝟵.ª 𝗰𝗹𝗮𝘀𝘀𝗲 𝗮𝗽𝗼́𝘀 𝗱𝗲𝘀𝗮𝗽𝗮𝗿𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗮𝘀 𝗻𝗮 𝗭𝗮𝗺𝗯𝗲́𝘇𝗶𝗮
O presente documento aborda a questão dos exames da 9.ª classe que foram cancelados após o desaparecimento de provas na Zambézia. Essa situação levanta preocupações significativas sobre a integridade do sistema educacional em Moçambique, especialmente numa época em que a transparência nas avaliações é crucial para a confiança da comunidade. Diversos pais e alunos expressaram suas preocupações em relação à situação, questionando a capacidade das instituições educacionais em garantir a segurança e a integridade das provas. É imperativo que a administração educacional tome ações imediatas para garantir a transparência e a confiabilidade dos processos de avaliação. A comunidade escolar aguarda esclarecimentos e soluções adequadas para evitar futuras ocorrências semelhantes, e a Direcção Provincial da Educação em Nampula tem um papel fundamental nesse processo. Informações obtidas indicam que o Ministério da Educação e Cultura cancelou os exames da 9.ª classe, previstos para os dias 26 e 27 de Novembro, devido ao desaparecimento de algumas provas no distrito de Milange, província da Zambézia. Este incidente não apenas prejudica os alunos que se prepararam para as avaliações, mas também levanta questões sobre a gestão e supervisão das provas em toda a região. Portanto, é essencial que as autoridades educacionais implementem medidas rigorosas de segurança e controle para prevenir a repetição de situações semelhantes no futuro, como a criação de protocolos de segurança mais eficazes e treinamento para os envolvidos na logística das provas. Na sequência da decisão, todos os supervisores, chefes de centros, técnicos, professores e demais intervenientes devem regressar às suas procedências e aguardar novas orientações. É um momento delicado que requer uma resposta organizada e eficiente das instituições envolvidas. A instituição apela à calma, serenidade e colaboração de todos neste momento de elevada responsabilidade institucional. A transparência nas comunicações é vital para minimizar a ansiedade dos alunos e dos pais. A Direcção Provincial da Educação deve garantir que informações claras e precisas sejam divulgadas para que todos os envolvidos tenham um entendimento adequado da situação. Além disso, a implementação de uma linha direta de comunicação onde os alunos e os pais possam tirar suas dúvidas poderá ajudar a aliviar a tensão. Este incidente deve servir como um alerta para as autoridades, reforçando a importância de um sistema de avaliação que não só seja justo, mas também seguro. Medidas como a revisão dos procedimentos de distribuição e supervisão das provas são fundamentais para restaurar a confiança na avaliação educacional. Além das medidas mencionadas, é crucial que haja uma análise aprofundada dos fatores que levaram ao desaparecimento das provas. Uma investigação completa não só ajudará a identificar falhas no sistema, mas também servirá como uma oportunidade para implementar melhores práticas na administração de avaliações. A participação da comunidade, incluindo pais e alunos, deve ser incentivada para que todos se sintam parte do processo de melhoria educacional. A importância da educação na formação de cidadãos conscientes e informados não pode ser subestimada, e incidentes como este não devem comprometer o esforço coletivo em busca de um ensino de qualidade. O diálogo entre escolas, governos e a sociedade civil é essencial para construir um sistema educacional robusto que possa resistir a crises e desafios. Portanto, é necessário um compromisso contínuo com a qualidade e a integridade no setor educacional, para que as futuras gerações possam ter acesso a uma educação digna e eficaz.
jan 06 2026
𝗧𝗼𝘁𝗮𝗹𝗘𝗻𝗲𝗿𝗴𝗶𝗲𝘀 𝗔𝗰𝘂𝘀𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗘𝗻𝘃𝗼𝗹𝘃𝗲𝗿-𝘀𝗲 𝗲𝗺 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗚𝘂𝗲𝗿𝗿𝗮 𝗲𝗺 𝗖𝗮𝗯𝗼 𝗗𝗲𝗹𝗴𝗮𝗱𝗼
A organização europeia ECCHR apresentou uma queixa-crime em França contra a TotalEnergies, acusando a empresa de cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimentos forçados ligados ao megaprojeto de gás em Cabo Delgado. Segundo a denúncia, entre julho e setembro de 2021, a Força-Tarefa Conjunta, composta por militares moçambicanos e alegadamente apoiada financeiramente e com meios pela petrolífera terá detido e torturado dezenas de civis em contentores metálicos nas portas das instalações da TotalEnergies, após ataques insurgentes em Palma.Há relatos de execuções, maus-tratos e detenções arbitrárias, inicialmente revelados pelo jornal Politico em 2024. Em setembro de 2021, apenas 26 detidos foram libertados com vida.
jan 06 2026
Crónica: O Orgulho do Sapo Mata
Por: Giovanni Muacua O orgulho é uma erva daninha que nasce sem ser cultivada. Cresce silenciosa, infiltra-se entre relações humanas e, quando menos se espera, já está a corroer amizades, destruindo laços familiares e envenenando ambientes de trabalho e comunidades inteiras. Em Moçambique, onde os desafios sociais exigem hoje mais união do que nunca, o orgulho funciona como um muro invisível que impede diálogos, bloqueia reconciliações e alimenta conflitos evitáveis. É comum ouvir que “quem cumprimenta primeiro perde”, como se o simples gesto de saudar um vizinho fosse uma abdicação da dignidade humana. Este modo de pensar, profundamente enraizado na cultura urbana contemporânea, é um sintoma de um problema maior: a dificuldade de assumir vulnerabilidades, reconhecer erros e valorizar o outro. Paradoxalmente, é precisamente essa recusa de humildade que nos enfraquece enquanto sociedade. Nas cidades moçambicanas, sobretudo nos bairros suburbanos onde as casas estão praticamente coladas umas às outras, a convivência diária deveria facilitar a proximidade. No entanto, muitas vezes acontece o oposto. Vizinhos que não se falam por questões banais, famílias divididas por mal-entendidos, colegas de trabalho que se ignoram por disputas pequenas, condutores que se ofendem na estrada e transportam a raiva como se fosse um troféu. A cultura do “orgulho” tem um preço, e esse preço é o enfraquecimento do tecido social. Em qualquer canto de Maputo, Beira, Nampula ou Pemba, pode-se observar este fenómeno. As pessoas passam umas pelas outras como se fossem invisíveis. Uma saudação, que deveria ser a ponte mais simples entre duas pessoas, torna-se um campo de batalha silencioso. Quem cumprimenta primeiro? Quem se dobra? Quem demonstra “fraqueza”? E assim vamos construindo paredes, tijolo por tijolo, até que se tornam tão altas que ninguém mais vê o outro lado. Mas afinal, o que se perde quando alguém saúda primeiro? Nada. O que se ganha? Mais do que parece. Em tempos de tensão social crescente, marcados por desigualdade económica, conflitos no norte, desemprego e frustração generalizada, a humildade pode ser um instrumento revolucionário. Um chefe pode pedir desculpas ao funcionário; um professor pode reconhecer o erro perante o aluno; um marido pode dar o primeiro passo para o diálogo; um vizinho pode desejar um “bom dia” mesmo sabendo que nunca recebe resposta. Gestos pequenos, sim, mas de impacto enorme. A humildade restaura dignidade, aproxima pessoas e desbloqueia relações congeladas. Moçambique é um país multicultural e multilingue, onde a coexistência sempre foi uma riqueza. No meio rural, por exemplo, ainda é comum encontrar comunidades que preservam a tradição da saudação calorosa, onde ninguém passa por alguém sem dizer ao menos “Bom dia, mano/a”. Mas nas cidades, onde a modernidade chegou carregada de pressa, individualismo e comparação social, este valor humano foi ficando para trás. É como se o país vivesse duas realidades paralelas: uma moçambicanidade antiga, profundamente comunitária, e uma modernidade orgulhosa, onde muitos têm medo de parecerem pequenos. O problema é que o orgulho não nos torna grandes, apenas nos afasta. Torna-nos frios, desconfiados, tensos. E, numa sociedade marcada por desafios estruturais, a falta de diálogo é um luxo que não podemos permitir. Nas reuniões de trabalho, muitas vezes o orgulho impede que se reconheça uma má decisão, uma falha de gestão ou a necessidade de colaboração. Nos bairros, impede reconciliações simples que poderiam evitar discussões, rixas e até violência. Nas famílias, o orgulho é responsável por silêncios que duram anos, perpetuando mágoas que poderiam ser resolvidas com uma única conversa. E, no entanto, todos reclamam da falta de união. Todos querem um país mais solidário, mais justo, mais harmonioso. Mas como construir união se cada um se agarra ao orgulho como se fosse um direito inalienável? A humildade, ao contrário do orgulho, não diminui ninguém. Pelo contrário, engrandece. Quem dá o primeiro passo não é fraco — é forte o suficiente para romper o ciclo da indiferença. Num ambiente onde quase ninguém quer ceder, ser o primeiro a cumprimentar é um acto de coragem. Talvez seja necessário reaprender o óbvio: relações humanas não se constroem com braços cruzados. Não se fortalecem com “orgulho do sapo”, aquele orgulho teimoso que impede o gesto mais simples. Não há desenvolvimento social possível onde falte diálogo. E não há diálogo sem humildade. Que mal há em dizer “bom dia” primeiro? Em reconhecer que também erramos? Em ligar para um familiar com quem não falamos há tempo? Em perdoar quando a vida é curta demais para guardar rancores? Moçambique precisa mais do que nunca desta revolução silenciosa. Uma revolução que não começa nas assembleias nem nos gabinetes, mas na porta de cada casa, na estrada, nos transportes, nas escolas, nos mercados, nos locais de trabalho. Afinal, grandes mudanças começam com pequenos passos. E talvez o primeiro passo seja simplesmente baixar a guarda, abrir o coração e cumprimentar alguém. Porque a humildade não custa dinheiro.
jan 06 2026
Diálogo Nacional Inclusivo: o que é?
CEM: Justiça e Paz A Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Igreja Católica oferece às comunidades cristãs e a todos os moçambicanos de boa vontade o subsídio “Cartilha Política para o diálogo nacional inclusivo” como forma de se prepararem para participar ativamente do processo de Diálogo Nacional Inclusivo, lançado oficialmente no dia 10 de Setembro em Maputo. O decreto presidencial no 17/2025 de 5 de Maio aprovou o Regulamento da Organização e Funcionamento da Comissão Técnica criada para a materialização do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo. Este Regulamento, no seu artigo 21o, cria dez Grupos de Trabalho, de acordo com os seguintes dez temas: assuntos constitucionais, assuntos eleitorais, assuntos fiscais, assuntos económicos, administração pública e despartidarização, recursos naturais, defesa e segurança, justiçam, reconciliação e unidade nacional, e descentralização e desconcentração. Como forma de tornar mais perceptíveis todos estes temas, a Cartilha Política da comissão Justiça e Paz da CEM destacou temáticas referentes à revisão constitucional (sobre a reforma do Estado e sobre a reforma do sistema eleitoral) e temáticas referentes à governação (sobre a reforma da política de exploração dos recursos naturais, sobre a adoção de medidas de inclusão económica, sobretudo para mulheres e jovens, e sobre a reconciliação e unidade nacional). Reformas referentes à revisão constitucional Reformas do Estado: aqui são debatidos assuntos li gados ao nosso sistema político, aos poderes do Presidente da República, à questão da despartidarização das instituições do Estado, à questão da descentralização e desconcentração política, económica e financeira. Quais são as propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? a) Limitar as competências do Presidente quanto à designação dos titulares dos órgãos dos poderes públicos: Tribunal Supremo e Vice-Presidente; Conselho Constitucional; Tribunal Administrativo. Que estes os titulares sejam eleitos entre os pares que compõem o Conselho Superior das Magistraturas; b) Que a nomeação dos Reitores e Vice-Reitores das Universidades Públicas seja feita entre os pares que compõem os Conselhos Académicos e Científicos. c) Que igualmente seja banida a figura do Secretário do Estado nas Província. Isso evitaria a duplicação de estruturas de governação e pouparia no orçamento do Estado. Reformas do sistema eleitoral O debate gira em torno da definição de um novo modelo do sistema eleitoral, da composição dos órgãos da administração eleitoral, da legislação eleitoral, dos órgãos de justiça eleitoral, entre outros aspetos que contribuam para a integridade de todo o processo eleitoral. Quais são as propostas concretas da Igreja sobre tais reformas? A fonte dos nossos conflitos eleitorais é conhecida. Assim, aproveitando o Diálogo Político Nacional Inclusivo em curso, para resolver definitivamente os problemas que nos induzem a conflitos eleitorais, seria bom: a) Despartidarizar a CNE e o STAE e investir de honestidade e idoneidade as pessoas que os compõem: A ideia de paridade, além de não ter resolvido o problema, multiplicou os conflitos, bem como piorou a exclusão dos partidos extraparlamentares que não são representados. O país possui pessoas que, pertencendo ou não a certos partidos, possuem integridade e idoneidade comprovadas para conduzir processos com honestidade e justiça. Mas isso também pressupõe a honestidade, integridade e idoneidade de quem escolhe tais pessoas. b) Introduzir votação electrónica ou outra forma que não dê espaço de manobras ilícitas: o nosso país é vasto. Compilar dados eleitorais de forma manual e nas etapas estabelecidas por lei pode levar a actos tendenciosos. Uma votação com contagem automática pode reduzir a desconfiança nas pessoas que actualmente manuseiam o processo. Além disso, não existe garantia para um processo eleitoral íntegro que demora dias a ser analisado. Os votos não devem ser analisados, mas apenas contados, para evitar interpretações legais tendenciosas que induzam a resultados enganosos, tal como aconteceultimamente. c) Garantir um apuramento de MMV’s (Membros das mesas de Votos) com honestidade e responsabilidade: o processo eleitoral é um acto patriótico. Por isso, não se deve optar por pessoas cuja conduta e escolaridade não permitem aferir o seu grau de responsabilidade em relação a um exercício de soberania. O processo de recrutamento, selecção, formação e aplicação de MMV’s deve garantir que as pessoas a aplicar sejam cabalmente responsáveis de seus actos. É necessário que a sua transparência, integridade e honestidade sejam objectivamente comprovados. A lei deve ser, objectiva, dura e implacável para casos de viciação de resultados nas mesas de votação. (1-cont.).
jan 03 2026
Novo Município de Mossuril na mira da Renamo
A presidente Nacional da Liga Feminina da Renamo, Maria Celeste, garantiu esta terça-feira, 13/06, que o Município de Mossuril, em Nampula, está na mira do Partido Renamo. Maria Celeste falava à margem de um seminário sobre as eleições municipais, direcionado as mulheres da Renamo de todos distritos da província de Nampula. Na capacitação que juntou numero considerável de membros da liga feminina da Renamo, a presidente Nacional do órgão, Maria Celeste avançou que o novato Município de Mossuril é motivo de perda de sono para o seu partido. Aliás, a chefe das mulheres da Renamo disse ter sido um seminário que permitiu as mulheres da Renamo saberem o que fazer no dia das eleições. Maria Celeste, apesar de ter considerado Nampula o campo em que houve mais sabotagem do processo de recenseamento eleitoral, certeza não lhe faltou que a cidade é, e será a casa da Renamo. Em Nampula houve registo de muitos ilícitos durante o recenseamento, em comparação com outras províncias.” – referiu a dirigente das mulheres da Renamo no país sublinhando que “o novo município de Mossuril é um alvo atingido”. Por Ernesto Tiago
out 06 2025
Por um Recenseamento humano e fiel
Por um Recenseamento humano e fiel O processo eleitoral é antecedido de recenseamento eleitoral que é atualizado nos anos de realização de eleições, tendo como necessidade abranger maior número de potenciais eleitores. De facto, o artigo 3, da Lei nº 5/2013, de 22 de Fevereiro, Lei do Recenseamento Eleitoral, refere que “é dever de todos os cidadãos moçambicanos, residentes no país ou no estrangeiro, com dezoito anos de idade completos ou a completar à data da realização de eleições, promover a sua inscrição no recenseamento eleitoral”. Após o recenseamento o cidadão recebe um cartão de eleitor que permite verificar se o cidadão está apto ou não para exercer seu direito ao voto, fazendo-se cumprir a lei eleitoral. Como se pode notar, o recenseamento eleitoral é muito importante porque habilita os cidadãos a votar ou ser eleitos tanto nas eleições autárquicas, quanto nas presidenciais ou nas eleições legislativas. Para participar desse processo, a Lei do Recenseamento Eleitoral refere que “O cidadão eleitor inscreve-se no posto de recenseamento eleitoral mais próximo da sua residência habitual”. A história ensinou-nos que os erros iniciais a partir deste momento de recenseamento afectam sobremaneira o decurso de todo processo eleitoral. Com efeito, os partidos políticos e coligações de partidos têm o direito de fiscalizar os actos do recenseamento eleitoral para verificar a sua conformidade com a lei. Devíamos ter aprendido com os erros do passado para melhorar, cada vez mais, a prestação dos serviços públicos. Promover e garantir um recenseamento humano e fiel impõe: «o exercício do poder como serviço do Bem Comum e não como serviço dos seus próprios interesses partidários (Lc 22, 26); um são patriotismo; a participação de todos na construção da Nação; o sentido e a exigência da unidade nacional a atenção particular aos mais pobres e marginalizados da sociedade; o respeito pelo adversário (Mt 5, 44-45); o reconhecimento do primado da dignidade da pessoa humana» (CEM, 03/02/2000). Portanto, o recenseamento será humano e fiel se for inclusivo e respeitando a lei eleitoral; se decorrer sem prejuízo de ninguém e sem preferir algum grupo de eleitores. Ou seja, será humano e fiel se não for manipulado para acomodar interesses obscuros e particulares. Será desumano quando os recenseadores forem instruídos para simular avaria de computadores; quando propositarem inscrever o eleitores de forma incorrecta ou duplicando o mesmo acto em vários postos. Cabe aos órgãos competentes garantir que o recenseamento eleitoral seja uma festa de patriotismo; alto sentido de cidadania activa e factor de desenvolvimento humano integral e de todo país. O recenseamento eleitoral não pode ser factor de agravamento do divisionismo reinante ou para alimentar sentimentos de ódio e vingança de uns contra outros. O recenseamento eleitoral deve abrir caminhos de Esperança, de um futuro promissor de Paz efectiva e de um processo eleitoral bem-sucedido. Lembremos que um dos factores de instabilidade sociopolítica em Moçambique são as eleições mal geridas. Não se pode continuar a atropelar a lei visando apenas acomodar interesses de um grupinho. Unidos na fé! Pe. Cantífula de Castro Não esquecer de assinar à Vida Nova. Ainda estás há tempo!
