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mar 29 2026

𝗗𝗼𝗺 𝗜𝗻𝗮́𝗰𝗶𝗼 𝗦𝗮𝘂́𝗿𝗲 𝗱𝗲𝗻𝘂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘁𝗿𝗮́𝗳𝗶𝗰𝗼 𝗱𝗲 “𝘀𝗮𝗹” 𝗲 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗷𝘂𝘃𝗲𝗻𝘁𝘂𝗱𝗲 𝗲𝗺 𝗡𝗮𝗺𝗽𝘂𝗹𝗮

Na celebração do Domingo de Ramos, na Sé Catedral de Nampula, marcada por uma procissão bastante concorrida de fiéis que, com ramos nas mãos, entoavam “Hosana, Filho de David”, o Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, lançou uma forte denúncia contra os males que, segundo afirmou, estão a corroer a sociedade moçambicana, com destaque para a droga conhecida localmente por “sal”, associada à met*nfet*min*. Na homilia, Dom Inácio recordou que a liturgia deste dia une o triunfo e a glória de Cristo ao sofrimento e à humilhação da sua paixão, sublinhando que o verdadeiro discípulo é chamado a seguir o caminho de Jesus, que “doa a sua própria vida” pelos outros. O prelado apelou ainda à conversão sincera nesta recta final da Quaresma, advertindo que práticas exteriores como jejum, oração e peregrinação perdem sentido sem reconciliação interior com Deus e com os irmãos. Trazendo a reflexão para a realidade concreta de Nampula e de Moçambique, Dom Inácio Saúre condenou com firmeza os que promovem e lucram com a circulação do “sal”, afirmando que esta droga foi introduzida para “dizimar sobretudo os adolescentes e os jovens” e destruir a sociedade pela raiz. O Arcebispo classificou este fenómeno como uma “nova guerra silenciosa” contra o povo moçambicano e afirmou que quem persiste em vender esta substância “é verdadeiramente um anticristo”. Num tom profético, exortou os fiéis a não “lavarem as mãos como Pilatos” perante os males que ferem a sociedade, mas a assumirem a responsabilidade de agir em defesa da vida, da juventude e dos valores humanos e

mar 27 2026

VI DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR – 29/03/2026

Is 50,4-7; Filip 2,6-11; Mt 26,14-27,66 ou Mt 27,11-5 Vida Cristã, Caminho do “Hosana ao Crucifica-O Neste domingo de Ramos, a liturgia da palavra convida-nos a entrarmos com Jesus em Jerusalém. Ao mesmo tempo que nos insere na Semana das semanas, a Semana Santa. É nesta semana que se resume a história da nossa Salvação com o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. O povo agita ramos, canta, louva. Mas pouco depois, o mesmo povo, manipulado pelos líderes, grita: “Crucifica-O!” Um grito cada vez mais actual para a nossa sociedade: um povo frequentemente manipulado por discursos políticos, por promessas de campanha, por mensagens de ódio tribal, por influências externas, por propaganda que cria ilusões. O Cântico do Servo de Isaías demostra força interior: “O Senhor Deus veio em meu auxílio; por isso não me deixei abater”. A carta aos Filipenses recorda-nos que Jesus não procurou poder, mas baixou-se, serviu, deu a vida. Este é o modelo de liderança que o nosso mundo precisa: líderes que lavem os pés do povo, líderes que não façam da política um negócio familiar, líderes que pensem no bem comum, líderes que não governem por medo, mas por serviço. A paixão de Jesus mostra que a injustiça tem um sistema, os inocentes podem ser condenados, os bons podem ser calados, a verdade pode ser distorcida. Mas também mostra que Deus não abandona quem é fiel. A ressurreição está à frente. Compromisso – A fé cristã é profundamente social e política, porque Deus se fez homem num mundo cheio de injustiças. – Sigamos Jesus não só com ramos na mão, mas com compromisso na vida.

ONU declara escravidão como o crime mais grave contra a humanidade

A Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução histórica que classifica a escravidão transatlântica como o “crime mais grave contra a humanidade”. A proposta, apresentada por Gana, também abre espaço para debates sobre reparações aos povos africanos, destacando que milhões de pessoas foram deportadas e exploradas entre os séculos XV e XIX, cujos efeitos ainda se fazem sentir, sobretudo na desigualdade racial. A votação revelou divisões entre os países. Um total de 123 Estados votou a favor, enquanto os Estados Unidos e outros poucos países votaram contra, e vários membros da União Europeia optaram pela abstenção. O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu que é preciso agir com mais coragem para enfrentar as injustiças do passado, sublinhando a necessidade de medidas concretas. A resolução incentiva os países a iniciarem diálogo sobre reparações, incluindo pedidos formais de desculpas, compensações financeiras e devolução de bens históricos. Enquanto África pressiona por justiça, alguns países ocidentais continuam a rejeitar a ideia, alegando que não devem responder por erros históricos, o que mantém o debate internacional aceso.

mar 23 2026

V Domingo da Quaresma – 22/03/2026

Ez 37,12-14; Rom 8, 8-11; Jo 11,1-45 ou Jo 11,3-7.17,20-27.33b-45 Jesus liberta-nos dos nossos túmulos A liturgia deste Domingo convida-nos a acolher a libertação que Jesus nos traz, a de sairmos dos nossos túmulos. A visão de Ezequiel, na primeira leitura, mostra um povo que perdeu a esperança, um povo que se sentia num sepulcro. Hoje, muitos irmãos dizem: o mundo, a sociedade não muda, os jovens não têm futuro, só vive quem rouba, as promessas são eternas, mas os resultados são poucos. Esse é o “túmulo” de nossa consciência. No evangelho (Jo 11,1-45) Jesus chega ao túmulo de Lázaro e chora. Isto revela uma verdade forte: Cristo sente a dor do povo. Ele vê as mães que perdem filhos na estrada, os jovens que morrem na droga, os deslocados que abandonam aldeias, os trabalhadores explorados sem salários dignos, as famílias destruídas pelo álcool, etc. Mas Jesus não se limita a chorar. Ele dá uma ordem: “Lázaro, vem para fora!” É uma ordem para todos os “Lázaros” da nossa sociedade: Lázaro que vive amarrado pelo medo; Lázaro que vive amarrado por vícios; Lázaro amarrado por má governação; Lázaro amarrado pelo desânimo; Lázaro amarrado por falta de oportunidades. Depois Ele diz: “Desatai-o e deixai-o ir.” Ou seja: libertem-no das estruturas injustas, dos sistemas opressores, dos hábitos que o escravizam. A nossa sociedade precisa ressuscitar. Mas a ressurreição começa quando alguém tem coragem de remover a pedra. A pedra da corrupção, da mentira, da violência, da injustiça, da pobreza. Cristo é mais forte do que todos os túmulos. Compromisso Cada um de nós identificar o túmulo da sua vida, da sua família, da sua comunidade, e obedecer a ordem de Jesus: “Lázaro, vem para fora!”.

mar 23 2026

Leis de Comunicação geram polémica em Moçambique

O Parlamento moçambicano aprovou, quinta-feira (19.03), em definitivo, as propostas de lei da comunicação social, radiodifusão e do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), após cerca de 20 anos de debate. No entanto, as novas leis estão a gerar forte contestação, com críticas de que podem limitar a liberdade de imprensa, sobretudo por incluírem medidas como a restrição do número de profissionais que órgãos estrangeiros podem acreditar no país. Falando a DW, o jornalista e activista Borges Nhamirre considera que as leis não são progressistas e podem prejudicar o exercício do jornalismo em Moçambique. Segundo ele, o artigo 20.º da Lei da Comunicação Social foi criado para limitar a actuação de órgãos internacionais, podendo reduzir o acesso à informação e enfraquecer a liberdade de expressão, num contexto que descreve como de crescente controlo sobre a imprensa.

mar 19 2026

CIP ALERTA PARA FALTA DE TRANSPARÊNCIA NO DIÁLOGO NACIONAL

O Centro de Integridade Pública (CIP) manifestou preocupação com o arranque da segunda fase das auscultações públicas conduzidas pela Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE), sem que tenham sido divulgados os relatórios da primeira fase, realizada entre Outubro e Dezembro de 2025, nem os relatórios de progresso dos grupos de trabalho. Para o CIP, esta omissão compromete a transparência e levanta dúvidas sobre a credibilidade do processo, numa altura em que o país enfrenta desafios ligados à estabilidade política no período pós-eleitoral. A organização considera que a falta de divulgação de informação limita o acompanhamento público e impede que os cidadãos compreendam como as suas contribuições estão a ser tratadas. Além disso, alerta que este vazio de informação pode abrir espaço para a influência de interesses políticos, enfraquecendo a qualidade e a legitimidade das reformas que poderão resultar deste diálogo, incluindo possíveis alterações legislativas e constitucionais. Perante este cenário, o CIP defende a adopção urgente de medidas que reforcem a transparência, como a publicação dos relatórios em falta, a divulgação regular de informações técnicas e a criação de mecanismos de prestação de contas. A organização sublinha que só com um processo aberto e transparente será possível garantir confiança pública e assegurar que as decisões finais reflitam verdadeiramente as contribuições da sociedade. (Por: Cremildo Alexandre)

mar 19 2026

Como identificar a diarreia em crianças?

Por: Celina Paulo DIARREIA EM CRIANÇAS BOX É muito comum que nas épocas chuvosas, em Moçambique, se ouça falar do aumento dos casos de diarreias. Estes casos afectam, principalmente, crianças e estão, muitas vezes, ligados a saneamento precário, água contaminada e alimentos inseguros, levando a surtos de doenças como cólera.   A diarreia é uma evacuação frequente, solta ou líquida que difere do padrão normal de uma criança. É um problema muito comum em crianças.   Como identificar a diarreia em crianças? Identificar a diarreia pode ser difícil, porque em crianças saudáveis, o número e a consistência das evacuações variam com a idade e a dieta. Bebés amamentados que ainda não estão recebendo alimentos sólidos, por exemplo, com frequência têm evacuações soltas que são consideradas normais. Um súbito aumento no número e na consistência pode indicar diarreia nesses bebês. Contudo, ter evacuações líquidas por mais de 24 horas nunca é normal. Às vezes, a diarreia contém sangue ou muco. Crianças com diarreia podem perder o apetite, vomitar, perder peso ou ter febre. Se a diarreia for grave ou durar muito tempo, as crianças provavelmente perderão uma quantidade significativa de líquido corporal (desidratação). Bebês e crianças pequenas podem ficar desidratadas mais rapidamente, às vezes em menos de um dia. A desidratação grave pode causar convulsões, danos cerebrais e morte. Breve: Certos sintomas são motivo de preocupação. Incluem: Sinais de desidratação, como aumento da micção, letargia ou apatia, choro sem lágrimas, sede extrema, boca seca e perda de peso; aparência doentia; febre alta; sangue nas fezes; dores abdominais e, quando o abdômen é tocado, sensibilidade extrema; sangramento na pele.   Tipos de diarreia – Diarreia aguda: quando dura menos do que duas semanas; – Diarreia crónica: quando dura mais de duas semanas. NB: A maioria dos casos que se têm registado é de diarreia aguda.   Causas A diarreia aguda é em geral causada por Gastroenterite infecciosa (bactérias ou parasitas), Intoxicação alimentar (ingestão de alimentos contaminados), uso de antibióticos, alergias alimentares. A diarreia crônica é em geral causada por factores da dieta, como intolerância à lactose ou consumo exagerado de certos alimentos; Infecções (especialmente aquelas causadas por parasitas); doença celíaca; doença inflamatória intestinal. Às vezes, a diarreia resulta da constipação. Quando fezes endurecidas se acumulam no reto, fezes moles podem vazar ao redor delas e chegar à roupa de baixo da criança.   Tratamento O correcto é sempre dirigir-se a unidade sanitária mais próxima para o tratamento.

mar 16 2026

Cada comunidade, uma machamba

Por: Pe. Sérgio M. Vilanculo Moçambique é conhecido pela sua rica potencialidade agrícola. O País conta com pouco mais de 36 milhões de hectares de terra arável que até já atraiu megaprojetos como SUSTENTA e PROSAVANA. De acordo com o Inquérito Agrário Integrado (IAI 2023) do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, a área cultivada foi de cerca de 6.9 milhões de hectares nas pequenas e médias explorações, onde 5,7% das explorações usaram pesticidas nos seus campos, 5,2% usaram estrume, 9,1% usaram fertilizantes químicos e 7,7% usaram a rega.  Estes dados indicam que até então, Moçambique não tinha ainda conseguido passar dos 20% na exploração agrária do seu solo, apesar do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA 2030), em harmonia com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE), orientar-se para o alcance de grandes objectivos estratégicos, nomeadamente: (1) Segurança Alimentar; (2) Aumento do Rendimento Familiar; (3) Criação de Emprego/Inclusão Social e (4) Aumento da Produção e Produtividade. A agricultura exerce um papel dominante na vida da população moçambicana e, particularimente, das nossas comunidades cristãs nas zonas rurais, peri-urbanas, constituindo a sua principal fonte de emprego e rendimento familiar para a maioria delas. Entre as principais culturas nas diversas explorações indicadas pelo IAI 2023 encontram-se o Milho, Arroz, Mapira, Amendoim, Feijão Nhemba, Feijão Boer, Mandioca, Gergelim e Cana-de-açucar. Contudo, o Milho continua a dominar, sendo cultivado em 82,8% das explorações. O que nos pode transmitir este indicador? A maioria das nossas comunidades cristãs do interior pratica a agricultura, nela encontra a sua renda e dela sobrevive. Compreender e impulsionar a sustentabilidade delas passaria necessariamente por compreender, antes de mais nada, o seu modo de vida e as suas fontes de receitas. Em muitas das nossas comunidades rurais, actualmente, também encontramos certas iniciativas locais de autossustentabilidade que são de louvar e deveriam ser encorajadas. Hoje em dia, podemos observar iniciativas como: Uma comunidade, uma machamba. Trata-se de projectos que assistimos surgindo no meio rural, sobretudo, que consiste em cada comunidade local ou um grupo da comunidade possuir pelo menos uma machamba, na qual pratica uma determinada cultura, geralmente a dominante no local ou a que é mais fácil de comercializar. O valor que se adquire da campanha é aplicado pelas comunidades para levar em frente os seus projectos e demais iniciativas locais ou para suprir as necessidades previamente identificadas. Em alguns lugares, temos observado comunidades que se tem desenvolvido com estas iniciativas locais. Cont.

mar 13 2026

IV Domingo da Quaresma – 15/03/2026

1 Sam 16, 1b.6-7.10-13a; Ef 5,8-14; Jo 9,1-41 ou Jo 9,1.6-9.13-17.34-38 Curar a cegueira colectiva: ver como Deus vê Neste Domingo IV da Quaresma somos convidados a curar a cegueira individual e colectiva para ver como Deus vê. Na primeira leitura, Deus manda Samuel ungir um novo rei. Todos os irmãos de David passam à frente, homens fortes, altos, preparados. Mas Deus diz: “O homem vê as aparências, mas Deus vê o coração.” Quantas vezes, nas nossas nações, fazemos escolhas pelas aparências, só porque alguém fala bonito, pertence à nossa etnia, faz promessas, tem dinheiro ou porque distribui camisetes. E depois, lamentamos os resultados. No Evangelho, Jesus cura o cego de nascença. Mas há uma ironia: quem não vê é quem se acha iluminado. Os fariseus recusam a verdade, tapam os olhos, distorcem os factos. Esta é a cegueira que também atinge a nossa sociedade: cegueira à pobreza extrema em que milhões da população ainda vivem; cegueira política que impede de reconhecer erros; cegueira económica que faz das riquezas naturais uma maldição em vez de bênção; cegueira social que ignora a violência contra mulheres e crianças; cegueira espiritualmente perigosa: a de achar que estamos bem quando estamos longe de Deus. O Apóstolo Paulo diz “Outrora éreis trevas; agora sois luz no Senhor.” Ser luz é denunciar o que está mal e anunciar o que pode ser transformado. Compromisso A Quaresma é tempo de recuperar a visão, não apenas para ver com os olhos, mas ver com o coração.

mar 09 2026

O Direito de Resistência: Fundamentos, Importância e Aplicação Prática

Por: Aurélio Jumbe Nos dias que correm, é frequente muitas pessoas e autoridades, no nosso meio, praticarem acções que contrariam a lei, ferirem a dignidade da pessoa humana ou deixarem de o fazer conscientemente com a justificação de estarem a cumprir “ordens superiores”. Em face a estas situações, podemos questionar-nos sobre o que fazer e como reagir diante das “ordens/instruções superiores”. O artigo 80 da Constituição da República de Moçambique consagra o chamado direito de resistência, reconhecendo que toda pessoa tem o direito de não se submeter a ordens ou actos ilegais, arbitrários ou que violem os seus direitos enquanto pessoa. São as chamadas “ordens superiores” que em geral não têm uma justificação válida. Este direito não nasce do desejo de desobediência, mas da própria ideia de que a autoridade só é legítima quando actua dentro da lei e ao serviço do bem comum. Fundamento do direito de resistência O fundamento principal deste direito está na dignidade da pessoa humana. Antes de qualquer função, cargo ou posição social, cada indivíduo é uma pessoa com consciência, liberdade e responsabilidade. Nenhuma hierarquia, seja administrativa, política, social ou comunitária, pode anular o dever que cada ser humano tem de dizer “não” à injustiça, ao abuso e à violação da legalidade. Assim, o direito de resistência protege a pessoa contra a obediência cega e contra o uso arbitrário do poder. Assim, o direito de resistência funciona como um limite ao dever de obediência. Importância do direito de resistência O direito de resistência é importante porque protege as pessoas contra abusos de poder. Em palavras simples, ele significa que: i) Quando um governo ou autoridade age de forma injusta, violenta ou contra os direitos humanos, as pessoas têm o direito de não obedecer cegamente; ii) as leis existem para proteger o povo, e não para oprimir; iii) ajuda a manter a liberdade, a justiça e a democracia, pois impede que o poder seja usado sem limites; iv) ensina que os cidadãos não são passivos: eles podem questionar, protestar e se organizar de forma responsável para defender seus direitos. Assim, o direito de resistência garante que ninguém seja obrigado a aceitar injustiças e ajuda a construir uma sociedade mais justa e consciente. O que significa resistir, na prática? Resistir não é lutar com violência, nem criar confusão. Resistir é dizer “não” às injustiças; recusar participar em actos ilegais; proteger a própria consciência e os direitos dos outros bem como a dignidade humana. Porém, a resistência deve ser pacífica, consciente e responsável. Este direito serve como um escudo de protecção. Numa linguagem simples: “Ninguém pode mandar fazer o que é errado, mesmo que seja o seu chefe.” Isso vale para todos. O direito de resistência ajuda a combater subornos pedidos por agentes públicos, cobranças ilegais, discriminação em serviços públicos, abuso de autoridade por polícias ou fiscais, entre outros. Aliás, este direito ainda protege contra expulsão injusta de terras familiares, distribuição de benefícios apenas a amigos ou parentes, decisões injustas de líderes comunitários, exclusão no acesso à água, escola ou posto de saúde. Um líder comunitário tenta dar a machamba de uma família a outra pessoa sem explicação legal. A família pode resistir pacificamente e procurar apoio nas autoridades distritais. Para os funcionários e agente do Estado, o direito de resistência é também um dever profissional. Neste âmbito, em especial, o Estatuto dos Funcionários e Agentes do Estado, aprovado pela Lei n.º 4/2022, de 11 de Fevereiro, no seu art. 63/a deixa claro que o funcionário não deve cumprir ordens ilegais. Uma ordem é ilegal quando: viola a Constituição; vai contra a lei; vem de quem não tem poder para ordenar; ignora os procedimentos legais; tenta enganar ou esconder a verdade. Este direito garante a protecção contra o abuso de poder por parte de superiores como também de qualquer autoridade administrativa em relação à população em geral. Por exemplo, se um chefe manda um funcionário alterar um documento para beneficiar um parente ou a si mesmo, o funcionário pode e deve recusar, pedir a ordem por escrito e comunicar o caso ao chefe máximo ou à procuradoria. Em poucas palavras, o direito de resistência existe para equilibrar o poder com a consciência, proteger a pessoa humana contra a arbitrariedade e fortalecer o Estado de Direito. Resistir não é destruir, mas corrigir; não é desobedecer por orgulho, mas por consciência; não é criar o caos, mas ajudar a restaurar a justiça. Assim, o artigo 80 não é apenas um direito, mas também uma responsabilidade: cada cidadão é chamado a ser guardião da legalidade, da dignidade humana e do bem comum. Dizer “não” ao que é errado é uma forma de dizer “sim” à justiça, à dignidade e ao bem comum.

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