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jan 30 2020

VOLTAMOS AO MONOPARTIDARISMO. DE QUEM É A CULPA?

Geralmente chama-se de monopartidário o regime vigente em países que são governados apenas pela influência ou domínio absoluto ou relativo de um único partido na gestão pública. Nesses países, não existem, pelo menos de forma expressiva, outros partidos políticos. Geralmente neles não há liberdade, há apenas ditadura. Em 1994 as primeiras eleições quebraram o monopartidarismo e o cenário político nacional passou a ser multipartidário, o que estabeleceu a democracia. Desde lá, há partilha de lugares na Assembleia da República pelos partidos políticos que se supõe representarem o povo. Com essa configuração supõe-se que haja debate para a construção do país, as arbitrariedades diminuam, a liberdade dos cidadãos cresça e o bem-estar e a justiça sejam igualitários para todos. 6ªs eleições gerais Ora, as últimas eleições trouxeram reultados pouco animadores para esse modelo já estabelecido. A Frelimo ganhou (segundo os resultados oficiais) de forma retumbante, conseguiu a eleição de dez governadores para todas as províncias, bem como a eleição de 184 deputados. De acordo com analistas conhecedores do direito, com este número de deputados e o controlo quase absoluto das Assembleias provinciais, a Frelimo poderá agir como no periodo entre 1975-1990, ouseja, sozinha poderá fazer o quorum para deliberar em sessões da AR, aprovar o plano do governo, alterar (querendo) a Constituiçãoda República e tomar muitas outras medidas necessárias sem precisar de debate multipartidário. Poderíamos muito bem dizer que o que aconteceu é resultado de um processo eleitoral e que é normal e, por isso, confiarmos no bom senso da Frelimo para assumir essa hegemonia no espírito democrático. Entretanto, a nossa memória não nos permite ser ingénuos e pelo modo de gestão arbitrária e pouco transparente a que a Frelimo nos habituou, temos que duvidar sobre a prevalência da genuína democracia neste quinquénio. Mas a quem podemos atribuir a culpa por este retrocesso democrático? Quase toda a gente, ao falar da viciação dos resultados culpa a Frelimo pela sua desonestidade ao influenciar os órgãos de administração eleitoral e pelos constantes processos eleitorais não credíveis. Estamos de acordo! Mas o que muita gente não colocou em questão nem mesmo os partidos derrotados assumiram é se é possível um partido como Frelimo, tendo margens de manobra que lhe são facilitadas pelos seus adversários poder assistir o seu próprio prejuízo. Algum partido moçambicano que almeja o poder faria isso? Por que motivos 25 anos depois da democracia eleitoral, já nas sextas eleições, o que nos permitiu ter adquirido certa maturidade, a Frelimo continua a viciar resultados de forma fácil, básica, sem esforço e ganhá-las sem que ninguém se dê conta apresentando provas verídicas de viciação? Que capacidades os partidos políticos da oposiçãoe a sociedade civil não têm para contrariar a questionável manutenção no poder da Frelimo? Acho que isto tem a ver com dois problemas.   Primeiro Problema: o medo se sobrepõe ao profissionalismo Em primeiro lugar acho que temos uma sociedade civil cobarde. A nossa democracia não se vai desenvolver enquanto os organismos da sociedade civil e os intelectuais que temos continuarem isolados entre si. São dominados pelo medo e pelo interesse porque agem separados, por isso não denunciam maus tratos, violação de direitos, detenções arbitrárias por medo de represálias. É o medo que faz com que funcionários públicos vistam a camisete vermelha e façam campanha eleitoral contra a sua vontade; é o medo que faz com que agentes da polícia ajam contra a lei e contra a sua consciência, obedecendo a ordem imoral; é o medo que leva magistrados a arquivar processos ou a arrastá-los por longo tempo, a aplicar pena suave ou a ilibar pessoas em tribunais mesmo que tenham manifesta culpa. Em suma, o medo se sobrepõe ao profissionalismo. Onde há medo não há cidadania nem democracia. É ridículo que membros da sociedade civil tenham sido mortos, encarcerados, espancados e ameaçados e ninguém ou nenhum grupo tenha feito nada. Uma sociedade civil forte e que age em bloco seria a protecção contra as arbitrariedades. Separados, continuaremos a assistir aarbitrariedades e a única coisa que conseguiremos fazer serão comentários que não vão mudar nada. Segundo Problema: Interesse próprio Outro problema da sociedade civil é o interesse próprio. A nossa sociedade civil está cheia de pessoas interesseiras capazes de trocar o seu patriotismo pela promessa de somas de dinheiro ou um cargo público. São críticos activos ao regime injusto, apresentam boas propostas de solução, mas apenas tenham frustrações financeiras, basta que lhes façam propostas aliciantes para trair a sua consciência e a causa patriótica.Por isso são raros críticos patriotas a favor do bem-estar social colectivo.A maior parte dos intelectuais e académicos fala e escreve a favor do partido no poder independentemente das injustiças que este tenha cometido contra o país e outros falam contra o partido no poder independentemente do bem que tenha feito em favor do Estado. Uma sociedade civil assim, sem compromisso patriótico, é incapaz de fazer uma reclamação capaz de mudar o rumo das coisas. Portanto, por causa do medo e do interesse dos cidadãos, este país já teve as piores injustiças, as péssimas arbitrariedades, os mais graves crimes de corrupção, as mais graves violações de direitos humanos e nenhuma sociedade civil foi capaz de fazer nada para devolver a moralidade. Por que motivo poderíamos pensar que essa sociedade civil seria capaz de impugnar simples eleições injustas? Terceiro Problema: fragilidade dos partidos políticos O terceiro problema que acho mais grave é que temos partidos políticos frágeis. As últimas duas eleições vieram provar, de entre várias coisas, que a cada vez o povo está mais democraticamente maduro do que os partidos políticos. Mudam os tempos, mudam as leis, muda a consciência dos cidadãos, mas os partidos políticos continuam os mesmos, suas acções permanecem iguais as do passado, ineficientes. É incompreensível que partidos políticos não consigam fazer a coisa básica como obedecer à lei nas suas reclamações sobre as eleições. Os partidos estão conscientes da partidarização das instituições do Estado e que por via disso osseus recursos podem ser chumbados se falharem num único detalhe na instrução do processo.Ainda não

jan 01 2020

A ILUSÃO DA ROUPA BRANCA

Boas vindas ao ano 2020. Tenho fé que transitamos todos com novas energias e forças para “lutar” por um Moçambique sempre melhor e apostado na promoção da Paz e Reconciliação nacional. O costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário não é nada novo. Existe há mais de 4 mil anos. Mas, naquela época, em vez de um “ano” novo, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano. O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra de plantação. Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite do dia 31 de Dezembro para 1º de Janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de Março, data do início da primavera no Hemisfério Norte. Foi somente com a introdução de um novo calendário no Ocidente, em 1582 – o calendário gregoriano, adoptado pelo Papa Gregório XIII no lugar do calendário Juliano – que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de Janeiro. Assim como acontece nas comemorações de Ano Novo actualmente, as celebrações de passagem também representavam Esperança. Já o termo Réveillon, usado em várias partes do mundo para descrever a festa de véspera de Ano Novo, é mais recente: surgiu no século XVII, na França, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda. A palavra Réveillon deriva do verbo “acordar” em francês. No século XIX, essas festas foram adoptadas pela nobreza de outros lugares do mundo. Nestas ocasiões de passagem de ano, muitas famílias (supostamente urbanas e civilizadas) gastam mares e rios de dinheiro em compras de bebidas alcoólicas e roupas diversificadas. Provavelmente, você também faz o mesmo para mudar o seu look e aposto que na transição do ano usou roupa branca. Mas você sabe por que as pessoas escolhem roupa branca no Réveillon? As pessoas anseiam pela Paz. E esta (Paz) é simbolicamente representada pela cor branca. Assim, usar roupas brancas na festa de Ano Novo tornou-se comum porque as pessoas associam essa cor com harmonia, calma e Paz. Por essa razão, as barracas, restaurantes, passeios das estradas e avenidas, os bairros etc. no último dia do ano, ficam repletos de pessoas vestidas de branco. Por outro lado, pessoas há que julgam que a roupa branca representa a purificação espiritual. Aliás, a cor branca transmite pureza. Além disso, o branco é a união de todas as cores. Quando vemos essa cor, pensamos em inocência e esperança. Assim, ela se tornou ideal para trazer sensações que, psicologicamente, nos livram das “energias pesadas”, dissabores, espíritos impuros e nos dão forças para começar coisas novas. Por conta disso, acredita-se que usar roupa branca no Ano Novo traz protecção contra conflitos nos próximos 12 meses do ano. Portanto, pensa-se que usando roupa branca no Réveillon as pessoas terão um ano repleto de harmonia. Ou seja, nada de traições no relacionamento, brigas no lar e desentendimentos na família e stress no trabalho. Essa é a cor que traz a tranquilidade e renovação de energias positivas na vida. Mas isso não é ilusão dos sentidos? É a cor de roupa que muda a vida? Enganam-se os que pensam que por se vestirem de branco atraem a Paz para ano inteiro. É preciso mudar de atitudes. Deixar de fazer o mal e praticar o bem. Deixar guerras para promover a Paz. Deixar ódios para semear o amor. Deixar vinganças para espalhar solidariedade e compreensão. Deixar brigas e disseminar entendimento e diálogo. Assim, o que muda uma pessoa não é aquilo que ela veste ou come. Conheço muitas pessoas que vivem no luxo mas o coração é selvagem; pessoas com muito dinheiro mas comem “minhocas”; camas torneadas mas os donos vivem com insónia; casais aparentemente felizes, mas vivendo um autêntico inferno. Conheço pessoas simplíssimas, morando em casas de capim, alimentando-se de Karakata, mas felizes do mundo. Logo, a felicidade, a alegria, as energias positivas, o lar abençoado, o trabalho bem sucedido dependerão do modo como você pensa e age diariamente. Já li no livro “O Segredo” que semelhante atrai semelhante. Ou seja, quem pensa negativo e alimenta isso como a única regra que norteia sua vida tudo lhe cairá negativo. Mas quem pensa positivo e age positivamente, investe todas suas energias nisso, consequentemente atrai o positivo para si. Deste modo, para este novo ano não basta a roupa branca que você trajou na transição do ano. Sente-se, planifique-se, decida-se, deixe-se interpelar, mude-se e avance com PERSISTÊNCIA. Cruzar os braços face ao primeiro obstáculo não resolve os problemas do seu lar, do seu sector de trabalho, do seu relacionamento, dos seus propósitos. Outrossim, se você quer mudar o mundo em sua volta, comece mudando a si em primeiro lugar. Eu percebo que, às vezes, os problemas se agudizam porque descarregamos tudo no outro. É preciso ler os problemas que se tem como se fosse num espelho. Isto é, quem cria problemas no seu trabalho não é o seu director; quem começa com brigas no seu lar não é o seu marido/esposa; quem impede o desenvolvimento do país não são os governantes. Deixe de culpar os outros. Em nenhum espelho se reflecte outra imagem senão a minha própria imagem se for eu a me espelhar. Mude o seu coração, o seu pensamento, as suas acções e tudo será branco e reluzente. Se apenas mudar de roupa e não mudar o coração vai-se iludir e passará a vida pensando que o azar lhe persegue e que nasceu para sofrer. Mas não é esse o propósito de Deus. Todos nós nascemos para viver felizes. Não alimente ilusões; não viva de aparências. Seja você mesmo e acredite no seu potencial. Por Kant de Voronha, in Anatomia dos Factos

dez 29 2019

Festa da Sagrada Família

Festa da Sagrada Família Sir. 3, 3-17; Cl. 3, 12-21; Mt. 2, 13-15.19-23 O Filho de Deus cresce numa família humana Deus preparou uma família adequada para que o seu Filho, enquanto homem, pudesse crescer harmoniosamente. É na família que todos aprendemos a ser pessoas de bem. A primeira leitura fala dos deveres dos filhos para com os pais. Mas, como é que um pai pode merecer respeito, se com frequência se embebeda, gasta o dinheiro sozinho e maltrata a família, cria problemas com os vizinhos e não se mostra responsável em nenhum trabalho? Nas nossas comunidades não há muitas situações dessas? Não basta casar na Igreja para formar um bom casal. É necessário criar espaço para o diálogo sobre as questões familiares, deixar cada um de fazer o que lhe apetece, partilhar os trabalhos, compreender e perdoar as fraquezas um do outro e saber apreciar o que o outro tem de bom. É importante também saber oferecer a Deus o marido, a esposa e os filhos que temos, como fizeram Maria e José com Jesus. Colocando nas mãos de Deus os que nos são queridos, asseguramos o nosso amor por eles. A comunidade cristã é uma família. Tal como os pais têm tendência a castigar severamente os filhos descomandados, também a comunidade cristã tende a pôr fora os seus filhos que se comportam mal, abandonando-os ao seu descontrolo. Isso não é bom. Bom é oferecer à pessoa fraca um clima de confiança que a anime a vencer as suas fraquezas. É preciso ser fortes nas exigências que propiciam a mudança mas, ao mesmo tempo, usar de muita paciência e acompanhar a pessoa com muito amor, de modo que ela possa reerguer a sua vida. A Igreja deve-se considerar a si mesma como um hospital onde os que já foram curados tomam conta dos que estão convalescentes e a recuperar dos seus pecados e não como um clube de santos que expulsam os pecadores.

dez 25 2019

Festa do Nascimento de Jesus

Festa do Nascimento de Jesus Missa da noite: Is. 9, 2-7(1-6); Tt. 2, 11-14; Lc. 2, 1-14 Missa da Aurora: Is. 62, 11-12; Tt. 3, 4-7; Lc. 2, 15-20 Missa do Dia: Is. 52, 7-10; Hb. 1, 1-6; Jo. 1, 1-18 Acabou a noite: nasceu o dia! As leituras das celebrações de Natal falam da escuridão, do sofrimento e da morte que envolviam o mundo, antes do nascimento de Jesus. O Natal do Salvador é como se, inesperadamente, o sol começasse a nascer, transformando a noite em dia: é o princípio do fim do sofrimento, do luto e da tristeza. É o princípio do mundo novo! A transformação do mundo não acontece de repente, de um momento para o outro. Não é num instante que se muda um coração de pedra, num coração bondoso, compassivo e justo. Não é de repente que se mudam as estruturas injustas e corruptas de uma sociedade. Não é de um dia para o outro que se acaba uma guerra. Mas aquele que crê em Jesus já encontrou a forma de se ir libertando do mal, na medida da sua fé. É preciso ressaltar que nem todos se deixaram iluminar pela presença do Messias de Deus: os simples, os que não estavam agarrados a nada, porque nada tinham, os pastores, deixaram-se conquistar por essa luz e foram alegrados por ela: dirigiram-se para ela, adoraram-na e regressaram iluminados. Outros, como Herodes, agarrados ao poder e às riquezas, sentiram Jesus como uma ameaça. É que ele vem reforçar o direito e a justiça. Quem se tornou forte e enriqueceu sem respeitar o direito e a justiça olha para o Salvador como um inimigo. O Natal é festa de grande alegria porque, quem aceita Jesus e acredita nele torna-se, como ele, filho de Deus. O Filho de Deus fez-se Homem, para que todo o homem pudesse possuir a herança de Deus, a vida no amor, a vida que a morte não atinge. Deste modo é injetada na humanidade a vacina que cura o mal de Adão: o egoísmo. Abre-se assim, de novo, o paraíso e volta a esperança da felicidade para sempre.

dez 22 2019

4º Domingo do Advento – Ano A

4º Domingo do Advento – Ano A Is. 7, 10-14; Rm. 1, 1-7; Mt. 1, 18-24 Jesus é o Emanuel: Deus connosco O rei Acaz sentiu-se ameaçado pelos seus inimigos e, embora fosse descendente de David, não quis confiar em Deus, que tinha prometido a David: o teu reinado não terá fim. Preferiu antes pedir ajuda a uma grande nação: a Assíria. O profeta Isaías vê nessa decisão um grande perigo: a Assíria viria ajudar mas, depois, colonizaria e tiraria a liberdade aos Israelitas, impondo a sua religião e as suas leis pagãs. Por isso diz ao rei que não tenha medo, que confie em Deus e não na Assíria, e até o desafia a pedir um sinal a Deus. Mas o rei não quis voltar atrás na sua decisão. Então o profeta diz ao rei porque é que deveria ter confiança: a sua jovem esposa (virgem) estava para ser mãe e, no seu filho, Deus iria mostrar a sua força, como Emanuel. O filho de Acaz, Ezequias, foi de facto um bom rei, mas não conseguiu evitar que as escolhas do pai levassem o povo para o exílio de Babilónia. No entanto a promessa de Deus ficou de pé. Uma outra jovem, Maria de Nazaré, seria a virgem que haveria de dar à luz o verdadeiro Emanuel. O nascimento daquele que, de verdade, seria ‘Deus connosco’ aconteceu de modo admirável. Foi gerado, não pela força de um homem, mas pela força de Deus. José era o esposo prometido a Maria, mas ainda não a tinha junto de si. Sendo justo, não queria ser de obstáculo à ação de Deus e, por isso, pensou em dispensar Maria do seu casamento. Deus, porém, fez-lhe compreender que ele não estava a mais na história. Sendo José da descendência de David, seria ele a dar o nome a Jesus, para que se cumprisse a promessa de que o Messias seria descendente de David. Todos somos importantes, como Maria e José, para permitir que Deus se torne o Emanuel do nosso povo.

dez 15 2019

3º Domingo do Advento – Ano A

3º Domingo do Advento – Ano A Is. 35, 1-10; Tg. 5, 7-10; Mt. 11, 2-11 És tu o Messias? João Batista imaginava o Messias como um novo Elias. O profeta Elias tinha tentado reconduzir o Povo outra vez para Deus e fez isso de forma violenta, matando várias centenas de profetas de Baal, que tinham arrastado Israel para a idolatria (1Re. 18,20-40). Por isso, é também de maneira violenta, com castigos severos, que o Batista pensava que o Messias iria fazer voltar para Deus os pecadores do seu tempo. Ele tinha tentado fazer isso com muitas ameaças. Mas sem grande resultado. Por isso ele diz: “Está a vir quem é mais poderoso do que eu” (Mat. 3,11), como que a ameaçar: haveis de ver o que vos vai acontecer! João deve ter ficado confuso quando viu que Jesus não usava o machado para cortar o mal pela raiz, não quebrava a cana rachada, não condenava os fracos, não queimava com fogo os pecadores, mas procurava transformar a vida deles e curava as suas doenças: punha os coxos a andar, os surdos a ouvir e os mudos a falar. Isaías já tinha profetizado que essa seria a atuação do Messias (Is.35, 4-6), mas João gostava mais da radicalidade de Elias. Quantos de nós também não gostaríamos que Deus fosse mais severo com tantos malandros, corruptos, ladrões, assassinos, que tanto mal fazem ao mundo? E ficamos desorientados com a paciência de Deus que, com tanta misericórdia, deixa andar o mundo cada vez pior! Afinal, que Deus é este? Tiago anima os cristãos a não desistirem, mesmo se parece que Deus não faz nada para os livrar do sofrimento e da opressão dos poderosos porque, a seu tempo, Ele há-de intervir. Do mesmo modo, de maneira pacífica, os cristãos também devem intervir na sociedade para a mudar e transformar, porque paciência não significa resignação. Diante dos impacientes, como João Baptista, Jesus mostra que o verdadeiro Messias está ao serviço das pessoas e não desanima perante a maldade delas, mas procura pegar no pouco de bom que elas têm para as animar a entrar num caminho novo. Ele não vem para condenar e castigar: vem como médico, para curar o mal. Os verdadeiros discípulos do Messias são aqueles que não se limitam a criticar e condenar o mal do mundo, mas se empenham a trabalhar para curar as causas da injustiça e da opressão.

dez 08 2019

2º Domingo de Advento – Ano A

2º Domingo de Advento – Ano A Is. 11, 1-10; Rm. 15, 4-9; Mt. 3, 1-12 “Convertei-vos… Mudai o vosso coração” Numa visão, como nos relata a 1ª leitura, o profeta Isaías vê gazelas ao lado de leões, crianças a brincar com víboras, vitelos a pastar com ursos bravos. Significado: com a chegada do Reino de Deus, as pessoas que antes não conseguiam sentar-se ao lado umas das outras, porque se odiavam e matavam, conseguem conviver em paz e tranquilidade. Isto é fácil de conseguir? Não, não é. Um coração cheio de orgulho, de egoísmo, de cobiça, de inveja, de ódio, de vingança não pode viver em paz com os outros. É impossível! Como conseguir, então? 1ª coisa: acreditar que, do tronco velho de Jessé – o pai de David – Deus pode fazer brotar um rebento novo. A Humanidade é um tronco velho, bichoso, podre, com muitos vícios, que cada um de nós também sente, em si mesmo. A ameaça do machado, feita pelo Batista, não é em vista do castigo, mas em vista da mudança de vida, fruto do Espírito trazido por Jesus, o Espírito que perdoa e dá nova vida. A Humanidade, sozinha, não pode produzir nada de bom, de justo, de alegre. Mas, dessa humanidade, com a colaboração de uma simples rapariga de Nazaré (Nova Eva), surge o Homem novo (Novo Adão): assim começa a Nova Criação, onde Deus volta a ser o dono do coração. E, quando Deus começa a ser dono do coração de uma pessoa, ela começa a ser capaz de perdoar, de querer bem e até de dar a vida pelos seus inimigos. Então, mudar o coração, como pede João Batista, é possível? Sim. Só é preciso acreditar que o caminho de Jesus é o caminho certo e segui-lo. Sim. Basta despir-se de interesses pessoais e partidários, como Jesus, nu, na Cruz e aprender com Ele a dar a vida por todos, com generosidade e alegria, sem favorecer só aqueles que nos apoiam. Cada um de nós, de tribos diferentes, do norte ou do sul, deste ou daquele partido, trabalhador ou patrão… está convidado a percorrer este mesmo caminho. É um caminho lento, de contínuas pequenas mudanças… e que exige perseverança porque, no Reino de Deus, vamos entrando aos poucos, confiados na misericórdia e no poder de Deus que, para isso, vem ao nosso encontro.

dez 01 2019

1º Domingo do Advento – Ano A

1º Domingo do Advento – Ano A Is. 2, 1-5; Rm. 13, 11-14; Mt. 24, 37-44 Estar atentos “às vindas” do Senhor Deus visita-nos muitas vezes mas, como no tempo de Noé, como quando os ladrões assaltam, como aconteceu quando Jerusalém foi destruída, nós somos apanhados de surpresa, não estamos preparados para O receber e perdemos a ocasião que poderia tornar a nossa vida numa vida espetacular. Imaginemos o caso de um pai que precisa muito de um emprego para sustentar a sua família. Um dia, um patrão vai à sua casa para o convidar para um trabalho bom, mas ele pai estava a beber nas barracas. Perdeu tudo! O Evangelho de hoje diz-nos que devemos estar sempre à espera, atentos, porque o Senhor vem, de facto, ao nosso encontro nas pessoas que nos ensinam, que nos amam, que nos dão ideias novas, que nos chocam com o seu sofrimento, que se sacrificam por um mundo sem guerras, sem fome, sem doenças. Quem não descobre que Jesus está e atua nessas pessoas perde a oportunidade de se encontrar com Ele e de ver a sua vida transformada. Pelo contrário, até se pode pôr contra Ele, só porque não estava à espera dEle e não O reconheceu. Paulo, na sua carta, fala das pessoas que só vêem trevas à sua volta e andam desanimadas. Se estivessem atentas e abrissem bem os olhos, poderiam descobrir tantos sinais luminosos que mostram um novo dia a despontar. Nós esperamos o Reino de Deus, mas ele já começou a brilhar no meio de nós, pela ação de Cristo e de tanta gente que O segue. O profeta Isaías fala do sonho de Deus de um mundo sem ódio e sem violência, em que as pessoas transformam as armas em utensílios que promovem o bem-estar de todos. Quando virá o dia em que os carros de combate transportarão comida, remédios, livros e tudo o que facilita o desenvolvimento? Quando é que os rendimentos do gaz, do petróleo, da agricultura, do turismo promoverão uma sociedade justa, sem desigualdades chocantes entre os muito ricos e os muito pobres? O profeta responde: Quando toda a gente se encaminhar para Jerusalém e subir ao monte do Senhor, isto é, quando toda a gente se orientar para Cristo e aceitar a sua Lei: o amor. Irmão(ã), esta é a proposta do Senhor para ti, neste Advento.

nov 29 2019

O PAIS DOS “OCULTOS”

O PAÍS DOS “OCULTOS“ Por Alberto António Carlos Moçambique é um país em franco desenvolvimento. Tem recursos que se invejam pelo mundo fora. Recursos da flora, recursos minerais, e, sobretudo petrolíferos, os quais mexem com o mundo. Desde a independência, o país passou por única governação mas com variadas manifestações. Tornou-se independente em fase crítica, economicamente e num preparativo humano/social. Quer dizer, faltava quase tudo e apenas havia liberdade colonial. Isso era o melhor ganho, o ganho dos moçambicanos. Repito “moçambicanos”. Porque todos moçambicanos estavam confortáveis pois sentiam que estavam libertos do poder opressor colonial, o colono português ou de suas influências. Esse era o desejo de todos os que se identificavam como moçambicanos. Há um dado importante neste assunto, talvez seja esse mesmo dado que se tenha esquecido da sua essência “libertar o país da opressão para o bem de todos”. Aqui não há espaço para discriminação. Neste trecho, se entendi, não dá oportunidade para certos grupos, como “o último ou o primeiro moçambicano” de certas personalidades. Portanto, tudo era para o bem-estar socioeconómico, cultural, etc, etc, de todos moçambicanos. O assunto torna-se complicado na medida em que o moçambicano particularizou as coisas colectivas. Na medida em que começou a usar muitas camisolas: camisola politica, camisola económica, social de entre outras cores que envenenam esta sociedade. Daí nasce o problema. O problema tem o nome de “EU”, tem o nome de “MEU”. Aquele plano comum começou a ganhar outras proporções, proporções que até certo ponto desmistificam o nosso ser. O particular substituiu as intenções da independência. A ganância pelos bens materiais confundiu ainda mais os moçambicanos. Me parece que logo que espreitamos a Europa para nos escolarizarmos transformamo-nos em colonos naturais. Tudo passou a necessidades mais pessoais em detrimento do comum. Até este ponto o assunto não estava grave mas não bem. Tudo se complica quando o país enche de coisas ocultas. Adianto a dizer que não importa a posição dos factos nesta descrição mas dos mesmos. O governo tem um desafio de implantar a paz verdadeira em todo país. Devem ser calados os insurgentes de Cabo Delgado e seus acólitos e discípulos. Já vão pelo menos dois anos que se morre de forma brutal, desumana, inaceitável nos distritos do norte da Província de Cabo Delgado. Quem mata? Porque mata? O governo que adquiriu meios para a vigilância do país, num valor muito elevado, não conhece? Os órgãos da justiça espalhados pelo país, os agentes de investigação dos secretos do Estado, igualmente dispersos pelo país, ainda não conseguem identificar os rostos desses criminosos? A polícia de protecção que se encontra em quase todos povoados do país, cai na mesma sorte de vista oculta. Todos com dever de esclarecer não o fazem porque estão penumbrados pelas vontades. Enquanto os inocentes morrem os jornalistas são presos, privados de exercer o seu dever. E quem prende é aquele que tinha de esclarecer o que acontece, como acontece, porque acontece. O alarme é de o facto estar a ganhar proporções elevadas. A sua evolução tende a arrastar-se a fronteiras não só distritais mas também provinciais. Devemo-nos preparar para travar eventual segunda guerra civil. Mas desta vez sem rosto do inimigo? Se for o caso, a quem o governo vai combater? Segundo: O país é orientado pela Assembleia da República, quer dizer, nada pode acontecer, sobre a gestão legal e económica do país, sem o consentimento daquele órgão. Afinal são os representantes do povo. E tudo realizado à sua margem é ilegal, é oculto. O engraçado é que há parlamentares que desafiam consigo mesmos. Defendem ilegalidades. São amigos da ilegalidade. Em suma, são ilegais, são ocultos. Aplaudem o erro porque têm benefícios nisso. Num momento em que o país espreita portas de desenvolvimento mais coisas ocultas enchem. Há indivíduos que se endividam e penhoram o país inteiro e o governo fica taciturno ainda com promessas de pagar a dívida com as divisas de hidrocarbonetos. Será uma tentativa de recuperar as desgraças e voar com duas asas?

nov 20 2019

“Não vos deixeis roubar a Esperança”

“Não vos deixeis roubar a Esperança” «A Conferencia Episcopal Moçambique (CEM) agradece todo o povo moçambicano que acolheu Papa Francisco tão calorosamente, desde os governantes, aos jovens que atentamente o escutaram: os tantos voluntários e pessoas que se envolveram nos diferentes serviços com disponibilidade e empenho, ate ao povo que se abeirou às ruas por onde o Papa passou e lhe manifestou o afecto que é capaz. Quem o acolheu, foi Moçambique! Façamos tesouro das palavras que o Papa Francisco nos dirigiu ao longo da sua visita: ˝Todos vós sois os construtores da obra mais bela a ser realizada: um futuro de paz e reconciliação como garantias do direito ao futuro dos vossos filhos˝…˝Guardai a esperança: não deixeis que vo-la roubem”… “Não deixar que interesses pessoais ou de grupos, intolerância ou vontade de vingança, roubem, particularmente aos jovens, o direito a um futuro de reconciliação e de paz em Moçambique˝. Obrigado, Papa Francisco. (Comunicado Conselho Permanente – CEM 25/9/19) A mais sangrenta de sempre! A Campanha eleitoral 2019 acabou revelando o lado obscuro da política dos País. Contamos com cerca de 36 vítimas, duas centenas de feridos (acidentes, de viação, agressões físicas, acidente durantes o show-micio em Nampula…) e cerca de 74 detidos, mais casas incendiadas, danificação de viaturas, motorizadas e bicicletas. O assassinato, na cidade de XAI XAI no dia 7/10 de Anastácio Matavel, membro da Sala da Paz, observador eleitoral e activista da sociedade civil, perpetrado por agentes da unidade especial da Polícia (como foi confirmado no dia 8/10 pelo porta-voz do Comando Geral da Polícia, Orlando Mudumane revelando que já foi criada uma comissão de inquérito especial para investigar no sucedido), criou um obstáculo intransponível à transparência das eleições e ao respeito pela participação dos cidadãos. O processo de apuramento parcial dos resultados eleitorais (até o dia 16/10) indica que a Frelimo e o seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, parecem estar a caminho da victória, que os partidos de oposição, definem como parcialmente “contaminada”. Enfim, estes resultados parciais indicam que será necessária uma grande responsabilidade e uma forte paixão, por parte dos vencedores, para fazer com que o País se sinta unido e “irmanado”, de Rovuma ao Maputo, procurando o bem-estar de todos os cidadãos conforme as promessas eleitorais.

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