jul 15 2020
DEUS É PAI E MÃE AO MESMO TEMPO
DEUS É PAI E MÃE AO MESMO TEMPO (Is. 49, 14-15; 1Cor. 4, 1-5; Mat. 6, 24-34) Nos tempos do profeta Isaías, quando um marido rejeitasse a mulher, já não podia voltar a recebê-la na sua casa. Ou se um pai expulsasse um filho de casa, ele ficava amaldiçoado para sempre e não podia recebê-lo de novo. Depois da derrota e destruição de Jerusalém (quando o povo foi levado preso para Babilónia) Israel sentiu que Deus o tinha amaldiçoado e expulso de casa. Por isso a 1ª leitura de hoje começa dizendo: “O Senhor abandonou-me de vez; o Senhor esqueceu-se de mim”. Vejam qual foi a resposta de Deus: “Pode uma mãe esquecer aquele que cresceu na sua barriga”? Afinal, Deus é muito diferente daquilo que nós pensamos! No Evangelho, Jesus diz que Deus ama tanto os ricos como os pobres. Por amar os ricos é que Jesus procura abrir-lhes os olhos para o perigo que eles correm, agarrando-se ao dinheiro mais do que a Deus. É que o dinheiro pode tornar-se num deus falso (ídolo). Quem ama a Deus acima de tudo usa o dinheiro para ajudar os pobres. Aos pobres, Jesus aconselha que confiem em Deus e fiquem calmos, nos momentos de dificuldade. Confiar não é um convite à resignação ou à preguiça, mas a pensar com calma o que fazer, sabendo que Deus abençoa os esforços dos que nele confiam. Ricos e pobres, a viver juntos o amor de Deus, podem-se ajudar muito uns aos outros.
jul 15 2020
SER SANTOS COMO DEUS É SANTO
SER SANTOS COMO DEUS É SANTO (Lev.19, 1-2.17-18; 1Cor. 3, 16-23; Mat. 5, 38-48) “Santo” em hebraico quer dizer “separado”. Deus, no A.T. é chamado “santo” porque é completamente diferente de tudo o que existe. Vive num mundo à parte, no céu, ou no lugar muito reservado do Templo de Jerusalém. Por isso, os Israelitas achavam que, para serem santos, não podiam misturar-se com outros povos e culturas. Tinham que viver separados, para não se contaminarem. No entanto o livro do Levítico já fala de uma santidade que consiste em não guardar ódio nem rancor contra o irmão e em amar o outro como cada um se ama a si mesmo. Mas, como no Evangelho do Domingo passado, Jesus pede mais aos seus seguidores: não basta amar (não odiar) os irmãos da própria família ou da própria nação. É preciso amar a todos, mesmo os inimigos. Também considera que não é bom punir o criminoso com a mesma violência que ele cometeu (olho por olho, dente por dente), porque violência gera mais violência. Se alguém te bate numa face, não lhe pagues com a mesma moeda. Não respondas. Desse modo a violência acaba ali. Isso é o que significa oferecer a outra face.
jul 15 2020
A antiga Lei é boa, mas não é suficiente
A antiga Lei é boa, mas não é suficiente (Ecl. 15, 16-21; 1Cor. 2,6-10; 5, 17-37) Diante da Lei de Moisés é fácil comportarmo-nos como escravos: cumprimos só o que está exigido, por medo do castigo. A Lei também só impõe o mínimo que se deve fazer para não receber castigo, mas não estimula a liberdade para amar sem limites. Só o Espírito de Jesus abre novas possibilidades para fazer mais e melhor – como nos ensina o Evangelho de hoje. E a liberdade leva-nos a assumir as nossas responsabilidades no bem ou no mal que escolhemos fazer, com todas as suas consequências – como diz a primeira leitura. Jesus cumpriu tudo o que mandava a Lei de Moisés, mas com um espírito novo, com um coração super generoso. Por isso é que qualquer cristão precisa de interpretar a Lei (e todo o Antigo Testamento) não à letra, mas à luz de Jesus. Cuidado, então, para não pensar que estamos a fazer o bem, quando não. Não é verdade que muitas vezes ficamos tranquilos depois de cometer adultério, depois de roubar, depois de dizer mentiras, só porque ninguém descobriu o mal que fizemos? Isso é liberdade? Isso é responsabilidade? Será que já somos bons por não matarmos nem roubarmos, por não faltarmos à missa nem andarmos com a mulher do vizinho? Será que Jesus se contentou em fazer só isso? Não deu ele a vida por aqueles que o maltratavam? Talvez não seja questão de arrancar um olho ou de cortar uma mão, mas o coração ainda precisa de mudar muito.
jul 15 2020
Qual é o papel do cristão no mundo?
Qual é o papel do cristão no mundo? Por Pe José Júlio Marques Para responder a esta pergunta, o Evangelho de Mateus usa duas comparações: o sal e a luz. Uma das coisas que o sal faz é dar sabor à comida. Neste caso, o sal significa a sabedoria de Deus que dá sentido à vida. O cristão “salgado” aprendeu de Jesus que a vida não acaba neste mundo, mas desemboca na vida eterna. Esta começa já neste mundo, na vida de quem ama. O sal tem outra função: não deixar que a carne ou o peixe apodreçam. O cristão “salgado” tem a missão de impedir que a sociedade caia na corrupção e nos vícios: imoralidade, ódios, vinganças, violências, ofensas, calúnias… Mas, não é verdade que há muitos cristãos corruptos e metidos nos vícios? Claro! Esses são como o sal que perdeu a força. São batizados, mas não vivem segundo de acordo com a maneira de ser de Jesus. A outra comparação é a da luz: função da luz é mostrar as coisas. A luz não se vê: faz ver o que está à nossa volta. Dizer que o cristão é luz significa que, nas boas obras que tenta praticar, ele faz ver que o verdadeiro autor delas é Deus, que atua nele. O cristão “iluminado” não atrai as atenções para si, mas para Aquele que trabalha nele. Se as obras do cristão não falam de Deus e não O mostram ao mundo, para que o mundo creia e O louve, é um cristão “apagado”.
jul 15 2020
VERDADES SOBRE A RADIOGRAFIA DO TÓRAX
VERDADES SOBRE A RADIOGRAFIA DO TÓRAX Por: Éden Mucache Radiografia de tórax, comumente chamada de raio-X de tórax, é uma imagem semelhante a uma fotografia do coração e dos pulmões, que usa uma pequena dose de radiação para criar uma imagem. Esse é um dos exames médico mais realizado. O exame de raios-X fornece imagens rápidas, de alta qualidade e são relativamente baratas. O tempo médio para os exames de filmes simples não leva mais do que 10-15 minutos e não requerem preparação especial do paciente. A imagem dos raios-X é estocada em um pedaço de filme que é chamada de radiografia. As partes do corpo envolvidas são coração, vasos sanguíneos próximos ao coração, pulmões e costelas e outros ossos. O raio X do tórax é feito para verificar doenças ou anormalidades do coração, dos pulmões, dos ossos ou vasos sanguíneos no tórax. O médico pode solicitar um raio X do tórax em resposta a determinados sintomas ou para ajudar a diagnosticar um problema médico. Entre os sintomas que podem requerer um raio X do tórax estão: Tosse intensa ou persistente; dor no peito; tosse com sangue e falta de ar. Os seguintes problemas podem ser diagnosticados por um raio X do tórax: Doença cardíaca congênita; insuficiência cardíaca, fraturas das costelas; cancro de pulmão;pneumonia e tuberculose. A radiação ionizante utilizada na produção das imagens de raios-X é carcinogênica e a exposição contínua a estes raios ao longo do tempo pode causar dano ao corpo e aumentar o risco de câncer. Entretanto, especialistas consideram que os benefícios de um diagnóstico e tratamento precisos compensam o pequeno risco envolvido no exame. Os riscos dos raios-X são maiores para crianças pequenas e bebês em gestação e o médico deve ter isso sempre em mente quando decidir sobre a necessidade de um exame por imagem utilizando raios-X. Se você estiver grávida ou com suspeita de gravidez, informe seu médico ou técnico de radiografia. Então? Já percebe porque o seu médico pede a radiografia do tórax?
jul 15 2020
A PARÁBOLA DO PATRÃO MAIS POBRE DO QUE O SEU EMPREGADO
A PARÁBOLA DO PATRÃO MAIS POBRE DO QUE O SEU EMPREGADO Por: Oreste Muatuca Numa certa cidade deste planeta, vivia um senhor que tinha muitos filhos, muitos parentes e, igualmente, muitos bens para gerir. Vendo que sozinho não dava conta de tudo, abriu um concurso para admitir várias pessoas qualificadas para ocuparem certas vagas, de acordo com as necessidades que o patrão identificara. Abriu-se o concurso e os concorrentes começaram a entregar as suas cartas de manifestação de interesse e os seus currículos. Marcou-se o dia da entrevistae o patrão confiou algumas pessoas para o representar, com o intuito de encontrar, dentre os concorrentes, aqueles que melhores qualidades apresentavam para ocupar as vagas existentes. Não se sabe ao certo que medidas ou critérios os membros do júri daquela sessão de entrevista usaram para a seleção dos concorrentes. Mas o patrão recomendara que a seleção devia ser feita com base nas competências, idoneidade, honestidade, sentido de responsabilidade, entre outros valores. O que se sabe é que, depois daquela sessão de entrevista, os membros do júri apresentaram um conjunto de candidatos apurados, cada um com a proposta de vaga a ocupar. O cargo mais importante era o de Gestor Geral. As responsabilidades, sobretudo do Gestor Geral, eram de coordenar todas as atividades desenvolvidas por outros empregados com vista a providenciar melhores condições de vida para o patrão e para os seus filhos, aumentar a sua riqueza e elevar o seu nome para patamares invejáveis. Aquele patrão alertara, também, que não queria gestores arrogantes, egoístas, desonestos, nepotistas, trogloditas, pechinchas ou gananciosos como os que acabava de demitir. Face a estas recomendações, no dia de tomada de posse para os diversos cargos daquela empresa, cada empregado devia prestar um juramento, no qual se comprometia em trabalhar abnegadamente, sem poupar energias, para o bem do seu patrão e de todos os que dele dependessem. Houve então essa linda cerimónia de juramento. O Gestor Geral jurou honestidade, idoneidade, responsabilidade, entrega e abnegação no trabalho. Jurou ética, moral e justiça. Disse que só pensava no seu patrão e nas suas necessidades. Jurou cumprir e fazer cumprir as regras daquela empresa; prometeu que o patrão, os seus filhos e bens seriam bem protegidos de todas as pragas, ladrões ou salteadores. Disse que apenas na sua cabeça cabia a Paz e tranquilidade do seu patrão e tudo faria para não o decepcionar. O patrão aplaudiu, alegrou-se, dançou, festejou. Mas o drama começou… Depois de um ano de gestão o drama começou. O patrão começou a perceber que os seus empregados viajavam sempre em aviões de primeira classe e em helicópteros, comprovam para si carros de luxo, comida para verdadeiros banquetes, roupa de qualidade, ao mesmo tempo que o patrão nem pão tinha. Caiu de três refeições por dia para uma única. Quando ele ou um dos filhos quisesse andar de carro, ou não havia combustível ou este era-lhe arrancado por salteadores. Começaram a vir na empresa pessoas de longe para exigir pagamento de dívidas contraídas pela empresa, aliás, contraídas por pessoas singulares, em nome da empresa. As dívidas eram em valores que, mesmo vendendo aquela empresa, não chegavam para saldá-las salvo vendendo o próprio patrão e seus filhos e parentes. O Gestor Geral e os colaboradores disseram ao patrão que realmente havia aquela dívida, mas que tinha sido contraída antigamente em nome da empresapara beneficio pessoal dos antigos gestores. Os novos gestores obrigaram o patrão a pagar aquela dívida pois não podiam responsabilizar as pessoas que a contraíram em virtude de que estes tinham sido recomendados para os cargos que ocupavam pelos mesmos antigos gestores e, por isso, deviam-lhes“favores”. Ou seja, os novos gestores pertenciam à mesma tribo dos gestores antigos e também eles iriam continuar os mesmos saques dos predecessores. Hoje, o patrão não pode mais circular livremente, porque se o fizer será perseguido e morto por indivíduos que dizem ter problemas com os gestores, mas caçam apenas o patrão, os seus filhos e os poucos bens que continuam em sua posse. O patrão ficou na miséria plena e está condenado à dor e à morte. Então alguém me responde, quem é “o patrão”daquela parábola?
jul 15 2020
CARTA A TITO
CARTA A TITO Por: Judith Hanauer Esta carta é dirigida a Tito e aos pastores da Igreja por volta dos anos 64-65 d. C., onde Paulo apresenta normas e regulamentos de como deve ser o comportamento do ministro cristão. Paulo confia a Tito a organização das Comunidades. Orienta sobre os critérios a ser usado na escolha dos responsáveis das Comunidades. Que não serve qualquer pessoa, mas deve ser alguém com comportamento exemplar em todos os sentidos, ter uma vida digna, ser fiel e coerente com o que for anunciar. Assim como hoje, havia naquele tempo, falsos anunciadores, pessoas que se aproveitavam da fé dos cristãos para proveito próprio. Paulo alerta Tito para que tenha cuidado neste sentido, pois estava a surgir falsos mestres entre eles e que geravam confusão na mente dos fiéis. Dá orientações a Tito como orientar a todos, sejam velhos ou jovens, homens ou mulheres.Todos deviam mostrar a partir da vida prática, no dia a dia, que realmente tinham se convertido para Cristo. Ninguém estaria dispensado de ter uma boa conduta e uma boa vivência da fé. Para Paulo o relacionar-se bem com pessoas de todas as idades dentro da Igreja era muito importante. Lembra a Tito que ele como responsável, tem obrigação de chamar atenção de quem não se comportar bem como convém a um cristão. Ao lermos esta carta havemos de perceber que esta Palavra é dirigida, principalmente, aos responsáveis das Comunidades, aqueles que deviam conduzir de maneira exemplar o povo. O mesmo, Paulo continua a pedir de maneira insistente, aos responsáveis da Igreja nos tempos atuais. Pois há muitos que assumem serviços, ministérios na Igreja, como uma promoção pessoal, um emprego, para se manter e não há uma preocupação com o crescimento da fé dos cristãos das Comunidades. Há muitos falsos evangelizadores em nossas Comunidades, Paróquias e Dioceses que precisam ser advertidos, a fim de, assumirem com maior responsabilidade o compromisso que seu ministério exige. Boa reflexão e um bom exame de consciência para todos nós!
jul 15 2020
CENTRO CATEQUÉTICO “PAULO VI” DO ANCHILO
CENTRO CATEQUÉTICO “PAULO VI” DO ANCHILO “50 anos ao serviço da evangelização” Por Pe Massimo Robol O Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula a finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral. A proposta tornou-se realidade a 14 de Setembro do mesmo ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, com o decreto do Bispo da Diocese de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto.Ele idealizava o Centro Catequético como motor de arranque para uma pastoral encarnada no povo e caraterizada pela participação ativa dos leigos. Para a coordenação das várias atividades do Centro, pensou-se numa equipa intercongregacional, com a presença dos Missionários Combonianos, da Sociedade Missionária (Boa Nova), das Irmãs da Apresentação de Maria, das Irmãs Vitorianas, das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima e das Irmãs Missionárias Combonianas. O Pe. Graziano Castellari, missionário comboniano, primeiro director do Centro, numa entrevista, recordava que os objectivos do Anchilo constituíram uma autêntica “profecia do futuro”.Ele sublinhava a importância“da formação de leigos que assumissem a responsabilidade do crescimento desta Igreja e descobrissem as formas particulares e próprias de uma Igreja enraizada na própria cultura e no próprio povo. Naquele momento o Centro Catequético movia-se em três dimensões: catequistas, inculturação, liturgia. Cada uma destas três opções era um grande capítulo… Catequistas como sujeitos próprios de evangelização, e não simples delegados. Estudo da própria cultura e preparação dos novos missionários para amarem e respeitarem esta cultura, como um novo Belém onde Cristo continuava a incarnar-se. Colocar na mão dos cristãos a Palavra e a celebração dominical”. Como opção pastoral, foi dada prioridade:à Palavra de Deus traduzida em lingua macua; à catequese com conteúdos atentos aos sinais dos tempos; à reorganização do caminho catecumenal; à caridade; à justiça epaz e à formação na Doutrina Social da Igreja; à liturgia; à organização das pequenas comunidades cristãs; à informação; à pastoral da saúde e à prevenção das doenças; ao diálogo com o Islão e com a religião tradicional; ao ecumenismo; à iniciação tradicional em contexto cristão. O primeiro curso de dois anos para catequistas e suas esposas iniciou em 1970. No mesmo ano, foi fundado, no Centro Catequético do Anchilo, o Centro de Adaptação Missionária. O objectivo era preparar os missionários para o trabalho pastoral, através do estudo da língua, história, crenças religiosas, usos e costumes do povo macua, da história do país e da Igreja moçambicana, e das linhas da pastoral diocesana. A 3 de Janeiro de 1971, fez-se o lançamento da primeira pedra do bairro dos catequistas. O projecto previa a construção de 40 casas. Anchilo podia igualmente valer-se de um instrumento privilegiado de formação, informação e difusão das novas diretivas de renovação eclesial: a revista Vida Nova, fundada emMeconta, em 1960, com o nome de Boa Nova, por obra dos Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova). Quando foi aberto o Centro Catequético no Anchilo, a revista passou a ser alí editada, com o atual nomeVida Nova.Em breve tempo tornou-se um importante meio de comunicação para os cristãos. Os assuntos foram desde o princípio temas bíblicos, de catequese, de formação cristã, de liturgia, de promoção da mulher, de justiça e paz, de educação, contando sempre com a participação ativa dos leitores através de cartas e contribuições pessoais enviadas à revista.Ao longo destes 60 anos de actividade, na revista Vida Nova sucederam-se vários directores, os Padres: Graziano Castellari, Cornélio Prandina, Francisco Antonini, Pier Maria Mazzola, António Bonato, João de Deus Martinez González, António Manuel Constantino Bogaio, Tiago Palagi, Victor Hugo Garcia Ulloa. Atualmente, a equipa de redação é composta pelo Pe.António Bonato, missionário comboniano e Pe. Cantífula de Castro, do clero diocesano de Nampula. Importantes colaboradoras foram também as Irmãs Missionárias Combonianas: Pina Scanziani, Daniela Maccari e Marcela Moncayo. Posteriormente, colaboraram na revista as Irmãs de Nossa Senhora da Paz e Misericórdia: Deolinda Maria Edmundo Pires,Aida Gonçalves do Rosário e Natália José Toqueleque. Lembramos também a figura do Ir. Edgar Costa Marques, dos Missionários da Boa Nova, pelo incansável trabalho de impressão da Vida Nova. Juntamente com a revista, conquistaram também grande importância as edições do mesmo Centro. Foram imprimidos em língua macua textos sagrados e devocionais, catecismos e documentos da Igreja e subsídios para os vários ministérios das comunidades cristãs. Principal organizador destas traduções foi o Pe. Gino Centis, coadjuvado por alguns colaboradores, entre os quais os Padres Ambrogio Reggiori, Cornélio Prandina, Pier Maria Mazzola e o Sr. Daniel Sitora, que merece um agradecimento particular, pela sua dedicação e fidelidade ao serviço do Centro. Entretanto, nasceu tambémo Centro de Saúde do Anchilo, para responder às necessidades de assistência sanitária das famílias dos catequistas em formação. Em seguida, esta assistência estendeu-se também às populações vizinhas. O Centro de Saúde contou desde o princípio com a presença das Irmãs Missionárias Combonianas, entre as quais merecem um particular agradecimento as Irmãs Giulia Costa, Maria Pedron, Laura Malnati e Gabriella Visentin, que garantiram um apóio solícito e constante à população local. O Centro Catequético tornou-se um ponto de referência para a pastoral da Diocese, graças à presença e ao trabalho incansável de muitos missionários, missionárias e leigos comprometidos que colaboraram nas várias actividades e âmbitos de trabalho próprios desta realidade diocesana. No que diz resepito ao Centro Catequético, desde 1969 até 1975 estiveram presentes os Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova): Pe. José Maria Luís da Silva, Pe. António Pires Prata e Pe. José dos
abr 26 2020
3º Domingo de Páscoa
Act. 5, 27-41; Ap. 5, 11-14; Jo. 21, 1-19 Jesus ressuscitado guia o trabalho da pesca Pescar é a missão da Igreja. Ao chamar os Apóstolos, Jesus tinha-lhes dito: farei de vós, pescadores de homens. Pescar peixes é matá-los. Pescar homens é salvá-los. No Evangelho de hoje vemos alguns Apóstolos em missão. Andam no meio do mar (o lugar do perigo, do sofrimento, do mal e da morte, para os humanos). Tinham visto o trabalho de Jesus de libertar as pessoas do mal (em todas as suas manifestações); viram-no vencer a morte… e, agora, também eles se metem no mar da vida, enfrentam a morte e se entregam generosamente, como Jesus, para tirar da morte os que, na vida, andam prisioneiros do mal. Pedro diz: vou pescar! E os outros seguem-no corajosamente. No barco estão 7 discípulos (número simbólico que representa a totalidade dos verdadeiros discípulos de Jesus, de todos os tempos). Jesus não está na barca (a Igreja). De facto já não estava visivelmente no meio dos discípulos. O Apocalipse mostra-o sentado no trono da sua realeza, cheio de glória, com os sinais do seu amor pela humanidade, como Cordeiro imolado. No entanto, Jesus não está longe da barca. Nem sempre a fé da Igreja é suficiente para sentir a presença de Jesus. Por isso ela se vê muitas vezes incapaz de ser salvadora da humanidade: a pesca não rende. Mas a fé da Igreja nunca morre totalmente: alguém vê que Jesus está perto – o discípulo predilecto. E, quando os 7 pescadores obedecem à Palavra de Jesus, com fé, a pesca torna-se abundante. Esta catequese é muito válida também para nós: tantas vezes temos a sensação que estamos sozinhos na realização da missão: não se vêem os frutos do nosso trabalho; o mal parece que aumenta cada vez mais e a salvação do mundo está mais longe (ver as dificuldades dos primeiros cristãos, na 1ª leitura). Mas não é verdade: não estamos sós. Podemos ser salvadores. Basta que também nós, hoje, sigamos a Palavra de Jesus. Esta, tal como a Pedro, nos pede que deixemos os projectos de glória, de honra e de grandeza pessoal, para nos convertermos ao amor desinteressado aos irmãos, tornando-nos seus pastores, ou melhor, seus pescadores.
mar 16 2020
A ESPIRITUALIDADE DO TEMPO DA QUARESMA
Por: Pe. Fonseca Kwiriwi, CP Iniciamos a abordagem sobre o tempo da Quaresma apontando o mistério que celebramos na Igreja Católica que com alegria todo cristão é convidado a vivenciar: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o ponto mais alto da fé cristã. É a partir desse mistério da nossa salvação que podemos mergulhar na espiritualidade da Quaresma. O que não deve ser confundido com a Quaresma como tempo litúrgico é o seguinte: Não é tempo de tristeza. Não é tempo de sofrimento. Não é tempo de viver alguma dieta alimentar em busca de um corpo “fitness”. Não são quarenta dias de luto pela morte de um familiar ou amigo. Que não haja confusão como muitas vezes se observa em várias comunidades cristãs que chamam quaresma o término da cerimónia de luto. Parece ser uma compreensão vinda de outras religiões ou costumes. O que é, então, Quaresma para a Igreja Católica? A partir do Evangelho de Mateus 6,1-18, encontramos o ensinamento de Jesus sobre os temas de Caridade, Oração e Jejum que a Igreja desde cedo busca viver na Quaresma. Quaresma é tempo de Oração: orar ao Pai em segredo. Participar da Santa Missa. Participar dos exercícios da Via Crucis (Via Sacra) todas as sextas-feiras. Rezar em família ou individualmente o Rosário (o Terço). Leitura e Meditação da Palavra de Deus em família ou na Comunidade. Quaresma é tempo de prática da Caridade: dar o que a pessoa tem sem tocar trombeta. Dar incondicionalmente a quem necessita. Dar ao outro o que na verdade lhe será útil. Abandonar o supérfluo para salvar a vida. Fazer dos bens uma ocasião de ser instrumento de Deus que aproxima os excluídos e os empobrecidos. Fazer o bem ao próximo com humildade. Quaresma é tempo de Jejum: permitir ao corpo sentir a fome como várias pessoas sentem a fome. No entanto, o cristão jejua para que depois partilhe com quem não tem o que comer. Dando exemplo: Se a pessoa jejua toda quaresma, a comida ou o dinheiro que serviria para si, partilha com alguém que passa fome por não ter nenhuma condição. Lembrar que durante o jejum ninguém deve saber, por isso, jejue em segredo. Jejue sem modificar o rosto. Um jejum bem feito traz paz interior. O jejum é uma das formas de penitência. O jejum traz benefícios ao corpo e a alma porque a pessoa pode torna-se paciente, calma, humilde, diminui a ansiedade, diminui a agressividade e torna a pessoa mais humana. Finalidade da Quaresma Toda caminhada quaresmal leva-nos a Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, viver bem a Quaresma significa fixar os olhos a Cristo Crucificado e Ressuscitado. Como Disse São Paulo da Cruz: “a Paixão de Cristo é o maior remédio para todos os males do mundo”. É nesta vertente que cada cristão é convidado a meditar a Paixão de Cristo no mínimo quinze minutos por dia durante a Quaresma ou mesmo todos os dias do ano porque irá obter o remédio para os males do mundo: as guerras, o ódio, a inveja, os ciúmes, todo tipo de pecado que ameaça a humanidade. Reiteramos que a Igreja não é uma instituição de sadomasoquistas. Não buscamos o sofrimento. Mas lutamos para um mundo melhor, justo, solidário e fraterno. Em Jesus Cristo e com Ele aprendemos e praticamos a Compaixão. Cristo nos convida a sermos misericordiosos como o Pai do Céu é Misericordioso. Todas as práticas do tempo da Quaresma, com maior relevância a penitência, devem ajudar o cristão a purificar-se. Por isso, no tempo da Quaresma cada cristão é convidado a confessar-se dos pecados e viver a penitência conforme a orientação do confessor. O que nos recomenda a Quaresma? O tempo da Quaresma deve lembrar na vida do cristão a experiência de Jesus no deserto que foi tentado mas venceu porque estava com o Pai. Cada cristão deve buscar fazer a vontade do Pai, confiar em Deus Pai. Não há nenhuma acção boa que seja distante de Deus, ou seja, todo bem que fazemos é Deus agindo em nós, seus filhos, instrumentos do seu Amor. Quaresma é tempo de reconciliação com Deus, com os outros, com o mundo e até connosco mesmo. Quaresma é de tempo de construirmos a Paz interior, na família, na sociedade e no mundo. Quaresma é tempo de lutarmos por uma sociedade justa. Quaresma é tempo de solidariedade e partilha de bens. Quaresma é tempo de abrirmos os nossos corações que Deus habite em nós. Quaresma é tempo de sermos “Cristos” hoje e aqui onde vivemos e trabalhamos. Quaresma é tempo de sermos Igreja, de sermos unidos, de sermos irmãos. Quaresma é tempo de superarmos as divisões e divergências. Quaresma é tempo de testemunharmos ao mundo o Cristo que continua sendo crucificado pelas grandes potências multinacionais que exploram aos pobres e suas riquezas. Quaresma é tempo de sermos luz das nações neste mundo que os poderosos procuram eliminar os fracos; os ricos continuam mais ricos e os pobres mais paupérrimos. Quaresma é tempo de Oração, de Jejum e de prática de Caridade. Mas tudo em segredo e dirigido a Deus, o Pai. Que a Quaresma de 2020 seja diferente na sua vida e na vida da Igreja e da sociedade.
