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ago 25 2021

O CONTEXTO MAIS AMPLO DA CONJUNTURA DO IMPERIO ROMANO

Frei Carlos Mesters, Carmelita O CONTEXTO MAIS AMPLO DA CONJUNTURA DO IMPERIO ROMANO Depois da morte e ressurreição de Jesus, o evangelho foi se espalhando. Em pouco tempo, a Boa Nova atravessou as fronteiras da Palestina e entrou pelo império romano a dentro: Ásia Menor, Grécia, Itália, Roma. Não foi uma caminhada fácil. Houve muitas dificuldades e perseguições, mas, apesar de tudo, o sol brilhava. O vento era favorável. Aquelas primeiras comunidades tinham uma espiritualidade muito viva, forte e resistente. Eram comunidades pequenas, muito pequenas, perdidas na imensidão do império romano que abarcava o mundo, havia mais de 200 anos. Aos poucos, porém, o céu se cobria de nuvens. Uma tempestade se armava. Um conflito aberto com o império não podia demorar. A nova maneira de viver e conviver em comunidade, iniciada pelos cristãos, querendo ou não, ameaçava o sistema do império (Cf. At 17,6-7). Uma espiritualidade centrada na partilha de bens ameaça a quem só quer acumular! A vivência da fraternidade mina por baixo o sistema de quem só pensa em si. De fato, uns trinta anos depois da morte de Jesus, o imperador Nero decretou a primeira grande perse­guição. Foi apenas o início dos males! Em torno do ano 90, o imperador Domiciano decreta uma nova perseguição. Desta vez mais violenta e mais organizada. Domiciano torturava os cristãos para que abandonassem a fé. Como explicar essa mudança? Quando as comunidades cristãs iniciam sua caminhada, o império romano ainda não tinha atingido seu apogeu. O império, que estava sendo construído com muita violência, era um aglomerado imenso de reinos, províncias, etnias, povos, cidades, tribos, todos congregados na submissão ao imperador. Em caso de rebeldia não havia perdão. O exército, formado pelas bem treinadas legiões, intervinha e matava sem piedade. O império era uma grande panela de pressão, cuja temperatura começou a subir na segunda metade do primeiro século com risco de explosão. Tudo isto influía na maneira de os cristãos viverem e anunciarem a Boa Nova de Jesus. O Apocalipse de João surgiu neste período entre os anos 70 e 100. Enumeramos aqui sete fatores que mais de perto interferiram na vida das comunidades cristãs e que estimularam o surgimento de uma nova espiritualidade, capaz de sustentar a fé, a esperança e o amor do povo durante a tempestade e a crise da mudança. Variedade de grupos e tendências nas comunidades De um eucalipto cortado nascem inúmeros galhos e ramos. Do tronco do Crucificado ressuscitaram inúmeros brotos e flores. Desde a sua origem, o cristianismo nasce diversificado. A origem desta variedade está na própria natureza da encarnação e na liberdade do Espírito que atua nas comunidades. A variedade revela a beleza do rosto de Deus. Os fatores que contribuíram para fazer aparecer as diferenças eram muitos: a variedade das culturas em que a Boa Nova se encarnava; a diversidade dos costumes dos povos; as distâncias geográficas; a variedade da história de cada comunidade; os vários centros de irradiação: Jerusalém na Judéia, Antioquia na Síria, Éfeso na Ásia Menor, Roma na Itália, Alexandria no Norte da África, Corinto na Grécia; o jeito diferente dos missionários e das missionárias: Tiago, Pedro, Paulo, Lídia, Apolo, Maria Madalena, o casal Priscila e Aquila, e tantos outros; a variedade dos problemas que pediam respostas diferentes; as diferenças de classe; as diferentes tomadas de posição frente à política do império romano; a enorme variedade de doutrinas e religiões que invadiam o império. Além disso, as várias tendências existentes entre os judeus reapareceram nas comunidades cristãs: piedosos (hassidim ou hassideus), essênios, zelotes, fariseus. Por exemplo, alguns ex-fariseus da comunidade de Jerusalém, ligados a Tiago, irmão de Jesus, se mantinham na observância da Lei, sem se misturar com os pagãos (At 15,1-2; Gl 2,7-8; 1,6-10; 9,12). Outros, como Apolo de Alexandria e os doze discípulos que apareceram na comunidade de Éfeso, combinavam o batismo de João Batista com a mensagem de Jesus (At 18,24-26; 19,1-7). Outros como Paulo deixavam para trás a observância rigorista da Lei e com um ardor missionário muito grande tentavam atrair o maior número possível de pagãos. Mas nem sempre a variedade nascia da vontade de manifestar o Reino. Às vezes, ambições pessoais, medo de ser perseguido, visões diferentes, conflitos e tantas outras tensões e problemas levavam pessoas ou comunidades a acomodar a mensagem às vantagens do momento e a anunciar o Reino conforme tendências e medos não confessados. Isto começou a aparecer sobretudo depois dos anos setenta, quando a infiltração crescente da ideologia do império ia mostrando a fragilidade das comunidades dispersas e fazia sentir a necessidade de uma organização mais consistente para elas poderem sobreviver. Esta variedade, ao mesmo tempo rica e ambígua, transparece no Apocalipse de João, sobretudo nas cartas (Ap 2-3). A revolta dos Judeus e a destruição de Jerusalém Ainda durante a vida de Jesus e sobretudo depois, as explosões populares contra a ocupação romana foram crescendo (Lc 13,1; 23,19; At 5,37; 21,38), novos partidos foram surgindo ou se organizavam: zelotes, sicários. A situação se radicalizava. A incapacidade e a brutalidade dos governadores romanos junto com a corrupção e a luta pelo poder da classe dirigente da Judéia, deixou o povo sem proteção e sem alternativa, e no ano 66 explodiu numa revolta generalizada. Roma perdeu o controle da situação. Estimulados pelas idéias do movimento apocalíptico, muitos viam no levante contra Roma a chegada do Dia de Javé! Sacerdotes, saduceus e anciãos, forçados a entrar na revolta contra Roma, faziam o possível pa­ra manter o controle da situação. Mas pouco adiantou. As legiões romanas vieram e foram reconquistando a Galiléia e a Judéia, à espera do momento oportuno para o assalto final contra Jerusalém. Enquanto isso, dentro da cidade de Jerusalém, grupos rivais lutavam entre si pelo poder. Dois grupos de judeus, porém, não quiseram participar da rebelião: os judeus da linha farisaica e os judeus que tinham aderido à fé em Jesus. Tanto para os fariseus como para os cristãos, a revolta contra Roma não era expressão da chegada do Dia de Javé. Pouco depois da Páscoa do

ago 23 2021

PERSPECTIVAS PARA O FUTURO DAS ZONAS RECONQUISTADAS PELA TROPA DA SADC EM CABO DELGADO

Caro leitor, no presente artigo pretende-se perspectivar o futuro das zonas atacadas e reconquistadas pela tropa da SADC em Cabo Delgado nos vários domínios do desenvolvimento Sociopolítico, Cultural, Económico e religioso, numa altura em que a região está completamente destruída, para não nos referirmos das infraestruturas escolares, da Saúde, Agricultura e de modo em geral o êxodo rural da população. Na actualidade, a província de Cabo Delgado é um território que tem galvanizado as atenções mundiais, com a descoberta dos recursos naturais, o maior investimento privado de África para exploração de gás natural. Esta província é palco de ataques armados supostamente pertencentes a grupos radicais islâmicos desde 05 de Outubro de 2017. Já há mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, assim consideram as autoridades moçambicanas e internacionais e classificam este fenómeno como uma ameaça terrorista. Declaração do Estado de Alerta Face a evolução deste conflito foi lançado pelas autoridades governativas no dia 09 de Agosto deste ano, a Força em Estado de Alerta para o combate aos grupos armados na província de Cabo Delgado. E desde a sua implementação, às operações conjuntas em curso entre as forças governamentais de Moçambique e do Ruanda, já há resultados visíveis na luta contra os rebeldes em Cabo Delgado, pois já se pode caminhar livremente dos distritos de Mueda até Palma, o que se notabiliza a reconquista de Mocímboa da Praia-Sede, e postos Administrativos (Mbau, Diaca, Quelimane) outras zonas atacadas, destacou o ministro da Defesa de Moçambique, (Jaime Neto, 2021-19:8). Não constitui novidade para muitos de nós que Moçambique é dos países mais pobres do mundo. Este é um problema ainda longe de ser resolvido, especialmente agora em que as bolsas de fome em Moçambique aumentaram com a intensificação do actual conflito violento no norte da Província de Cabo Delgado. Situação Pré-Terrorismo Com uma população maioritariamente rural, o país conseguia minimizar os problemas de insegurança alimentar com as pequenas produções de subsistência de algumas famílias que por possuir terra fértil para produção agrícola, recorria às suas machambas para contornar uma das necessidades básicas do ser humano que é a alimentação. No entanto, o acesso a outras necessidades fundamentais do ser humano como a saúde e a educação continuavam e continuam a ser o calcanhar de Aquiles da nossa governação especialmente no actual contexto de pandemia que se vive a nível global, e que não se sabe ainda até quando poderá isto acabar. Isso nos lembra o famoso provérbio indiano que diz “Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro.” Contexto geral e social Num contexto geral e social, perspectivar o futuro das zonas atacadas e reconquistadas pelas tropas da SADC, no cenário actual que a província de Cabo Delgado vive, é uma tarefa de total complexidade porque por conta do conflito, vem engrossando o número de bolsas de fome no país dada crise humanitária que se agrava naquele ponto do país. Portanto, não deixa de saltar a vista o “dilema” que vive o governo moçambicano em uma situação em que tem estado a solicitar a solidariedade de outras comunidades pobres e com sérios problemas de acesso a infraestruturas e serviços para que possam acolher a outras comunidades que vêm de um contexto onde viviam os mesmos problemas e em alguns casos agravados por serem afectadas por projectos de exploração de recursos, tal como é o caso das comunidades da Península de Afungi de onde são provenientes alguns dos deslocados, onde as pessoas enfrentavam o problema de perda de terras agrícolas para a multinacional Total. A título de exemplo, neste momento, os distritos de Metuge, Chiúre, Ancuabe, Mecufi e Montepuez têm estado a ceder parte de suas terras agrícolas para a construção de casas e de machambas para os deslocados, o que é muito bom e demonstra uma solidariedade que é de se louvar. No entanto, não descartamos as hipóteses e não nos podemos esquecer que ao ceder tais terras estas pessoas reduzem a sua capacidade de produção de comida aumentando desta forma os níveis de insegurança alimentar no país, por outro lado, a violência estrutural a que são expostos, onde os deslocados têm direito a receber kits de alimentação, limpeza e dignidade. No entanto, as comunidades acolhedoras estão sendo simplesmente oferecido um “muito obrigado” e a promessa de que suas aldeias hoje irão desenvolver devido ao aumento de fluxo de pessoas e bens a circularem no local. Desta forma, ainda podemos chegar analisar que os vários deslocados das zonas atacadas e actualmente já reconquistadas pela tropa da SADC, que outrora perderam as suas terras, casas e outros recursos de carácter patrimoniais, materiais, financeiros e humanos, poderão um dia voltar as suas origens? Mesmo sabendo que nas zonas por onde actualmente foram acolhidos ainda não se superaram com as suas crises? Ora, o único problema é que mais uma vez, diante de mais uma crise os mais sacrificados continuam sendo os mais pobres, onde é sobejamente sabido que as elites políticas poderiam perfeitamente ceder as centenas de hectares reservados a “futuros projectos” que já se encontram reservados há décadas. Futuro incerto nas zonas reconquistadas Concluindo, a ser verdade, o futuro das zonas atacadas e já reconquistadas graças às operações conjuntas entre as forças governamentais de Moçambique e do Ruanda (SADC), pode e continua ser incerto, numa altura em que nos avançam em grandes e enormes desafios frente a reconstrução da desastrosa destruição que o conflito causou nestes 04 anos. Porém, entre os quais destacam-se basicamente com o reassentamento de centenas de milhares de indivíduos vai representar um grande desafio em termos de infraestruturas e serviços públicos, relacionados com água e saneamento, educação e saúde, mas também electrificação e rede comercial. Mais acima de tudo, as populações deslocadas constatam-se múltiplas perspectivas em relação ao futuro. Para uns, o reassentamento representa a esperança de reinício de actividades socioeconómicas (produção agrícola, pesca ou pecuária, etc.),

ago 23 2021

RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO

Frei Carlos Mesters, Carmelita 15ª Chave RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO Tirar o véu dos olhos, da Bíblia e da história O povo está impaciente e diz: “Até quando, Senhor?” (Ap 6,10). Se Deus é o dono do mundo, como Ele permite esta perseguição tão demorada? Desmascarando a falsa propaganda do império (Ap 12,16; 13,1-18; 17,1-18), o Apocalipse tira o véu dos olhos e aponta os sinais da vitória de Jesus. Usando textos do Antigo Testamento para descrever a situação (Ap 4,2.8; 5,10; etc), tira o véu da Bíblia e mostra que o mesmo Deus de ontem conti­nua conosco hoje. Mostrando “as coisas que devem acontecer muito em breve” (Ap 1,1), tira o véu da história e situa a perseguição dentro do conjunto do plano da Salvação (cf. Subsídio 10) Deus Pai, Juiz Supremo, Senhor do Tempo e do Espaço, Defensor da vida Perseguidos pelo Império, os cristãos estão morrendo. A mensagem central do Apocalipse é a fé na ressurreição (Ap 1,17-18). O fundamento desta fé é a certeza de que Deus é o Criador do céu e da terra, Senhor da vida e da morte (Ap 11,17-18). A ele nada é impossível. Esta fé vitoriosa transparece na visão majestosa do Trono do Juíz, onde Deus toma assento como Senhor da história e Criador do Universo (Ap 4,2-8). É graças ao poder deste Deus que Jesus venceu (Ap 5,6-10) e que os fiéis têm coragem de crer em Jesus (Ap 1,5-6). Por isso, desde já, eles participam na vitória e podem reinar junto com ele (Ap 20,4-6). Jesus Cristo, Vencedor da morte, Defensor do povo, Senhor da História Jesus é o Go´êl, o parente mais próximo, o irmão mais velho, aquele que, pela entrega de si, resgata seus irmãos perseguidos (Ap 5,9). Ele é o Defensor do povo. Pela sua morte e ressurreição enfrentou e venceu o Satanás, o Acusador do povo (Ap 12,10). Deus, o Juiz, ratificou a vitória de Jesus e o Satanás foi jogado fora (Ap 12,7-11). Jesus tornou-se o Senhor da história (Ap 5,7). Um resumo desta mensagem central está na visão inaugural (Ap 1,9-20). O seu lembrete repetido está nos títulos dados a Jesus e nas frequentes aclamações de vitória (Ap 2,1.8.12.18; 3,1.7.14; 5,5.9-10.12; 7,10. 17; 11,15; 12, 5.10; etc.). São como postes que conduzem o fio da mensagem ao longo das páginas do Apocalipse até à visão final da Jerusalém celeste (Ap 21-22). Co­municam às comunidades perseguidas a certeza da presença de que Jesus ressuscitado está vivo no meio delas. O Espírito e a Esposa dizem: “Vem!” Os sete espíritos são de Deus (Ap 4,5) e também do Cordeiro (Ap 3,1). Eles estão diante do Trono (Ap 1,4). Como fiéis mensageiros, são enviados por toda a terra para executar o plano de Deus (Ap 5,6). O Espírito se comunica com as comunidades e lhes faz saber qual a vontade de Deus: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às comunidades!” (Ap 2,7.11.17.29.; 3,6.13.22). Ele fala pelos profetas (Ap 19,10; 22,6), arrebata o vidente para comunicar as visões (Ap 1,10; 4,2; 17,3; 21,10) e suscita no ser humano o desejo de Deus e da união com Ele (Ap 22,17). O número sete indica a plenitude da presença de Deus no meio das comunidades. Perseguição e martírio Perseguição e sofrimento, insegurança, medo e perigo de morte, falta de horizonte, cansaço, eram o pão de cada dia do povo das comunidades (Ap 2,10; 6,9-11; 7,13-14; 12,13.17; 13,7; 16, 6; 17,6; 18,24; 20,4). Como sobreviver nesta situação e testemunhar a Boa Nova de Deus? O Apoca­lipse é mensagem de esperança para o povo perseguido (Ap 1,9-18). Através de imagens e símbolos, faz outra leitura dos fatos. Aquilo que aparentemente é derrota, fraqueza e morte, na realidade, é expressão da vitória de Jesus, é pedra na construção do Reino, etapa na realização do plano de Deus (Ap 5,6-10). Assim, a perseguição perde a sua virulência e invencibilidade e assume a dimensão de teste­munho, de martírio. Símbolos do passado O uso do Antigo Testamento caracteriza o Apocalipse. Um uso marcado pela familiaridade de quem se sente em casa no Antigo Testamento, pela liberdade de quem se sente herdeiro da tradição e pela fidelidade de quem quer ser fiel ao compromisso da Aliança. Sobre o sentido e o alcance dos símbolos, veja o Subsídio 6. Sobre o uso do Antigo Testamento, veja o Subsídio 10) O Específico: a fé na ressurreição O que marca o Apocalipse e o diferencia dos outros apocalipses é o alcance e a centralidade da fé na ressurreição. A ideologia persa admitia dois princípios absolutos que governam o mundo ou interferem na história, o bem e o mal. Os apocalipses judeus e cristãos não admitem este dualismo. Para eles, o que existe é o projeto de Deus e o desvio dos que se colocam contra o projeto. O poder do mal é real e é respon­sável pelo que faz, mas não é dono da história nem tem autonomia total. É um poder dependente e limitado. No fim todo o mal será totalmente eliminado. A vitória final será de Deus, será do bem.

ago 22 2021

APOCALIPSE E A VINDA DE JESUS NO FIM DOS TEMPOS

Frei Carlos Mesters, Carmelita 14ª Chave APOCALIPSE E A VINDA DE JESUS NO FIM DOS TEMPOS A palavra Apocalipse significa re-velação. O Apocalipse re-vela (desvela) a vinda de Jesus e a descreve de várias maneiras: como já presente nas comunidades (Ap 1,9-20); como apelo à conversão (Ap 2 e 3);  como libertador do povo perseguido (Ap 4-11); como Juiz que vem destruir as forças do mal que oprimem as comunidades (Ap 12-22). A vinda deve acontecer em breve (Ap 1,1). Ou melhor, já está acontecendo e, em breve, será revelada. No fim do livro, as comunidades pedem com insistência, para que Jesus não demore, e gritam: Vem! (Ap 22,17). O próprio Jesus responde: Sim, venho logo! (Ap 22,20). São várias maneiras de se entender a vinda de Jesus, mas todas elas são como galhos variados que nascem do mesmo tronco. Este tronco tem quatro aspectos importantes misturados entre si: 1) Centro e raiz de tudo: O centro e a raiz de tudo é o nome de Deus É-Era-Vem (Ap 1,4.8; 4,8). Ele vem e virá por fidelidade ao próprio Nome (cf. Sl 91,14-15; 52,9). Em tudo que acontece Deus está vindo até nós. Ao longo dos séculos, a sua vinda se intensifica e só terminará no fim da história. Aí ele se chamará Era-É (Ap 11,17; 16,5), e já não vem mais, pois já veio e a sua presença será total, tudo em todos (1Cor 15,28). 2) Experiência da ressurreição: As comunidades viviam a experiência forte da presença do Ressuscitado no meio delas, “no meio dos candelabros” (Ap 1,13.20). Ao mesmo tempo, viviam a expectativa intensa da sua manifestação plena no fim dos tempos e queriam saber como e quando seria esta vinda: “Senhor, é agora que vai restaurar o Reino de Israel?” (At 1,6) Jesus responde que, em vez de perguntar pela data da vinda futura, devem testemunhar a Boa Nova da vinda de Deus hoje no meio de nós (At 1,7-8). Irrigando esta semente da presença da vinda hoje, apressamos o amadurecimento da hora da vinda futura (2Pd 3,11-13; 4,7-11). 3) Interpretação dos fatos: A maneira dos primeiros cristãos falarem da vinda de Deus e de Jesus era uma forma de eles lerem e interpretarem os fatos da história e da vida. Era para dizer que não existe neutralidade. Todos nós, de uma ou de outra maneira, estamos contribuindo para a chegada do fim, ou a favor ou contra. Estamos todos jogando no campo. Não há arquibancada para assistir à história do lado de fora. Falar da vinda era uma forma de provocar compromisso e engajamento nas pessoas (2Ts 3,10-11). 4) Limitações inerentes a toda percepção: Finalmente, deve-se levar em conta o aspecto particular dos primeiros cristãos que, inicialmente, esperavam a chegada do Dia de Javé e a vinda de Jesus para logo. Foi a experiência concreta da presença libertadora de Jesus Ressuscitado, que os ajudou a perceber melhor o alcance e o significado mais profundo da vinda de Jesus. Mas isto foi um processo longo que levou muitos anos, toda a segunda metade do primeiro século (2Pd 3,8-10). O verdadeiro ecumenismo A comunidade de Filadélfia era perseguida pelos judeus fariseus, mas, conforme a afirmação da carta, estes acabarão por converter-se (Ap 3,9). Reconhecerão que Deus ama não somente a eles, os judeus fariseus, mas também aos irmãos cristãos. Aqui está o fundamento do verdadeiro ecumenismo: não brigar para um ter razão contra o outro, nem querer converter o outro para ele aderir ao grupo da gente, mas sim, sem nenhuma segunda intenção, viver de tal modo o amor de Deus, a ponto de tornar-se para o outro uma Boa Notícia do amor de Deus. Viver de tal modo que o outro terá que reconhecer: Deus te ama. Quando o outro diz a mim: “Reconheço que Deus te ama!”, ele fala a partir do Deus que ele adora. Se ele reconhece que o Deus dele ama também a mim, deverá reconhecer que somos irmãos. Este é o significado profundo da afirmação da carta: Vou entregar-te alguns da sinagoga de Satanás que se afirmam judeus, mas não são, pois mentem. Farei com que venham prostrar-se a teus pés e reconheçam que eu te amo!” (Ap 3,9) Não é proselitismo. Não é superioridade. É vivência gratuita do amor! A mesma intuição, Jesus a transmite no fim da oração-testamento, conservada no evangelho de João (Jo 17,20-26). Esta atitude ecumênica leva a sério a experiência de Deus dos que pensam diferente de nós.

ago 21 2021

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM B

LITURGIA DA PALAVRA LEITURA I – Jos 24,1-2a.15-17.18b SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34) LEITURA II – Ef 5,21-32 EVANGELHO – Jo 6,60-69 TEMA: ESCOLHER A CRISTO COMO MAIOR VALOR A Palavra de Deus neste 21º Domingo do Tempo Comum fala-nos de opções. Recorda-nos que a nossa existência pode ser gasta a perseguir valores efémeros e estéreis, ou a apostar nesses valores eternos que nos conduzem à vida definitiva, à realização plena. Cada homem e cada mulher têm, dia a dia, de fazer a sua escolha. O que escolheste hoje? Qual é a tua maior escolha na tua vida? Tens dificuldades de fazer escolhas? Crer em Jesus é uma escolha e por sinal é a melhor escolha num mundo sem referências e com mais evidência cada dia de que os fãs de plantão se decepcionam. Jesus não quer nenhum fã mas quer um discípulo, isto é, alguém capaz de crer, acolher e testemunhar o Jesus de Nazaré. Na primeira leitura, Josué convida as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre “servir o Senhor” e servir outros deuses. O Povo escolhe claramente “servir o Senhor”, pois viu, na história recente da libertação do Egipto e da caminhada pelo deserto, como só Jahwéh pode proporcionar ao seu Povo a vida, a liberdade, o bem-estar e a paz. O Evangelista João coloca diante dos nossos olhos dois grupos de discípulos, com opções diversas diante da proposta de Jesus. Um dos grupos, prisioneiro da lógica do mundo, tem como prioridade os bens materiais, o poder, a ambição e a glória; por isso, recusa a proposta de Jesus. Outro grupo, aberto à acção de Deus e do Espírito, está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida; os membros deste grupo sabem que só Jesus tem palavras de vida eterna. É este último grupo que é proposto como modelo aos crentes de todos os tempos. Escolher e aderir a Cristo é uma adesão incondicional. A opção no meio de tantas alternativas é a adesão a Cristo a opção que salva: “Tu tens palavra de vida eterna”. Na segunda leitura, Paulo diz aos cristãos de Éfeso que a opção por Cristo tem consequências também ao nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja.   Compromisso Pessoal Rezar para saber fazer as escolhas na vida Escutar Jesus para realizarmos nossa vocação Seguir Jesus como a melhor opção Aderir ao projecto salvífico de Jesus.

ago 21 2021

APOCALIPSE E LITURGIA

Frei Carlos Mesters, Carmelita 13ª Chave APOCALIPSE E LITURGIA O uso do Apocalipse na Liturgia, o uso da Liturgia no Apocalipse. As duas afirmações são verdadeiras. O autor do Apocalipse se inspirou nas liturgias das comunidades e, ao mesmo tempo, o seu livro era usado para animar as celebrações das comunidades. Canta-se muito no Apocalipse, do começo ao fim. Até parece um livro de canto, um manual de liturgia, a descrição de uma grande celebração comunitária. Invocações, súplicas, lamentos, aclamações, gritos de vitória, saudações, preces, louvores, felicitações, procissões, ações de graças, elas ocupam grande parte das páginas do Apocalipse. Eis algumas: *  a liturgia cósmica diante do Trono de Deus, envolvendo toda a criação (Ap 4,4-11), *  a celebração da vitória do Cordeiro, envolvendo os anjos e a humanidade toda (Ap 5,8-14), *  o lamento dos perseguidos que sai debaixo do altar (Ap 6,9-11), *  a procissão imensa da humanidade em direção às fontes da água viva (Ap 7,9-17), *  a solene abertura do sétimo selo com muito incenso e oração (Ap 8,2-5), *  a liturgia que acompanha a sétima trombeta anunciando a chegada do Reino (Ap 11,15-18), *  a celebração de louvor e ação de graças por ocasião da vitória do menino (Ap 12,10-12), *  o cântico de vitória dos 144.000 assinalados ao redor do Cordeiro no Monte Sião (Ap 14,2-3), *  a tríplice Boa Nova trazida por três anjos que anunciam a queda de Roma (Ap 14,6-13) *  o cântico de Moisés sobre um mar de vidro, anunciando as últimas pragas (Ap 15,2-8), *  a aclamação que canta a justiça de Deus por ocasião da terceira praga (Ap 16,5-7), *  o jogral, que lamenta, canta e celebra, por antecipação, a queda do império Romano (Ap 18,1 até 19,8) *  a descrição litúrgica da chegada do novo céu e da nova terra (Ap 21,3-7). Quem canta, seus males espanta. O jeito de orar revela o jeito de crer. A liturgia é a expressão da fé, da esperança e do amor da comunidade. Nela se revelam e se transmitem a imagem e a expe­riência que o povo tem de Deus, de Jesus e de si mesmo. Olhando pela janela destas celebrações, descobrimos dimensões da vida daquele povo que têm grande atualidade para nós.

ago 20 2021

DIVISÃO DO TEXTO DO APOCALIPSE

Frei Carlos Mesters, Carmelita 12ª Chave DIVISÃO DO TEXTO DO APOCALIPSE A divisão do texto 1,1-3: PORTÃO DE ENTRADA Título e resumo do livro Ap 1,4 até3,22: AS CARTAS PARA AS SETE COMUNIDADES 1,4-20:    A entrada para o livro * 1,4-8             Saudação inicial para as sete comunidades * 1,9-20                      Origem do livro: a Visão Inaugural de Jesus 2,1-3,22: As sete Cartas para as sete Comunidades, isto é, para todas * 2,1-7             para Éfeso * 2,8-11                      para Esmirna * 2,12-17        para Pérgamo * 2,18-29        para Tiatira * 3,1-6             para Sardes * 3,7-13                      para Filadelfia * 3,14-22        para Laodicéia   Ap 4,1 até11,19: DEUS LIBERTA O SEU POVO 4,1-11: Visão do Trono de Deus 5,1-14: Visão do Cordeiro com chaga de morte 6,1-7,17: Abertura dos primeiros seis selos do livro de sete selos * 6,1-8:         o passado: abertura dos primeiros quatro selos * 6,9-11:       o presente: a abertura do quinto selo * 6,12-7,17:  o futuro: abertura do sexto selo * 6,12-17:     derrota dos opressores do povo * 7,1-17:       missão do povo perseguido 8,1-10,7: Abertura do sétimo selo: visão de seis das sete pragas 10,8-11,13: Intervalo que prepara o segundo roteiro (costura) * 10,8-11:     o livrinho doce e amargo * 11,1-13:     as duas testemunhas, Moisés e Elias 11,14-19: Sétima praga que marca a chegada definitiva do Julgamento de Deus Ap12,1 até22,21: DEUS JULGA OS OPRESSORES DO POVO 12,1-17:    O Passado:      a luta entre a Mulher e o Dragão 13,1-14,5:  O Presente:     os dois campos em luta: Besta-fera e Cordeiro * 13,1-18:        a besta fera: o Império Romano * 14,1-5:          Cordeiro e exército: o povo das Comunidades 14,6-20,15: O Futuro:      julgamento e condenação dos opressores do povo * 14,6-13:          três anjos anunciam o que vai acontecer * 14,14 a 20,15:      realiza-se o anúncio feito dos três anjos *14,14-20:  do 1º anjo:    chegada do julgamento *15,1-19,10:      do 2º anjo: queda de Babilônia *19,11-20,15:    do 3º anjo: derrota final do mal 21,1-22,5:   A festa final da caminhada do povo de Deus Ap 22,6-21   Conclusão com recomendações finais.

ago 19 2021

DESTINATÁRIOS, AUTOR E HISTÓRIA DO TEXTO DO APOCALIPSE

Frei Carlos Mesters, Carmelita 11ª Chave DESTINATÁRIOS, AUTOR E HISTÓRIA DO TEXTO DO APOCALIPSE Época e Destinatários O Apocalipse foi escrito e redigido entre os anos 60 e 100. Lendo nas entrelinhas das sete cartas e colhendo as informações do resto do livro, obtém-se o seguinte quadro da situação em que se encontravam as sete comunidades: perseguição por parte do império, infiltração da ideologia imperial nas comunidades, invasão de doutrinas estranhas, divisões internas causadas por falsas lideranças, conflito crescente e doloroso com os irmãos judeus e, por fim, cansaço da caminhada. É para este povo que João escreve o seu livro. Como vimos, entre eles havia os fracos e os pobres que continuavam firmes na fé e na luta; havia os que estavam perdidos, sem enxergar o rumo; havia os que misturavam as religiões sem entender direito o seu sentido; havia os acomodados e os ricos que tinham caído na rotina. Mas todos precisando de uma palavra de esclarecimento, de conforto, de crítica ou de coragem! Autor e Motivos da carta O autor se apresenta: “Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação” (Ap 1,9). Ele não invoca nenhum título, nem de bispo, nem de sacerdote, nem de evangelista, nem de apóstolo. O título que vale é: “Irmão e companheiro na tribulação”. Sendo ele mesmo um perseguido, conhece por dentro o drama dos companheiros e das companheiras. Por isso tem condições de animá-los. O nome João aparece 4 vezes: três vezes na introdução (Ap 1,1.4.9) e uma vez na conclusão (Ap 22,8). Quem é este João? É o Apóstolo? É o autor do quarto Evangelho? Uma tradição do II século identi­fica-o com o Apóstolo do mesmo nome. Este seria o autor do quarto Evangelho e do Apocalpse. Outra tradi­ção, relatada por Eusébio, historiador do IV século, diz que se trata de um “ancião” (presbítero), e dis­tingue-o do Apóstolo e do Evangelista. É difícil chegar a uma conclusão. Talvez seja o seguinte. Como vimos, é uma característica do gênero literário apocalíptico o autor se esconder atrás do nome de alguma persona­lidade importante do passado. É possível que o autor tenha se escondido atrás do nome do apóstolo João. Pois a memória deste apóstolo era bem viva na Ásia Menor, onde foi escrito o nosso Apocalipse. Ao que tudo indica, “João” era coordenador das comunidades, pois, conforme transparece nas car­tas, ele está bem por dentro da situação de cada uma delas(Ap 2-3). Tem consciência de ser porta­dor de uma profecia por parte de Deus para as Comunidades(Ap 22,9-10). Ele mesmo encarnou a Palavra de Deus em sua vida(Ap 10,8-11) e sofre por causa do testemunho (Ap 1,9). Por isso tem autoridade para falar. Porém, apesar da sua autoridade, João não tem medo de confessar o que não sabe(Ap 5,4; 7,13-14). Na polêmica com os adversários, ele usa palavras duríssimas(Ap 2,9; 3,9) que certamente não usaria fora da polêmica. O editor do livro apresenta a palavra de João como sendo uma profecia e pede obediência(Ap 1,1-3; 22,18-19). João escreve para os irmãos  perseguidos das sete comunidades que estão na Ásia (Ap 1,4.11). O número sete simboliza todos. Escrevendo para as sete, João quer é animar a todas as comunidades, inclusive as de hoje. Condição para a pessoa ser atingida pela sua mensagem é sentir-se “irmão e companheiro na tribulação”. A história do texto O texto do Apocalipse é difícil não só por causa das imagens estranhas, mas também por causa das costuras e rupturas que nele existem. Não é um texto com uma unidade harmoniosa. Parece não ter um plano claro. Ele dá a impressão de ter sido escrito em várias etapas. Um pedreiro experimentado é capaz de descobrir as etapas da construção de uma casa. Ele examina o prédio e diz: “A varanda da frente foi feita depois. Veja só os sinais na janela e na porta. A cozinha foi alargada. Olhe o piso e aquela viga lá no teto. Para o quarto de dormir dos meninos, ele puxou o telhado e aproveitou aquele ângulo morto. No começo só havia mesmo dois quartinhos, uma cozinha apertada e um banheiro”. O Apocalipse é como uma casa popular. Cresceu aos poucos, de acordo com as necessidades da família. Alguns exegetas examinaram os sinais nas paredes, no piso e no teto do Apocalipse. Analisaram as rupturas e costuras que existem no texto, e concluíram o seguinte: A parte mais antiga são os capítulos 4  a 11. Foi escrita, provavelmente, durante a perseguição de Nero (64) ou, conforme outros, na época da destruição de Jerusalém (70). A caminhada das comunidades é vista como um Novo Êxodo. A Boa Nova é apresentada como um anúncio de libertação para o povo oprimido. No fim do governo de Domiciano (81-96), a perseguição voltou. Os problemas cresceram. Era necessária uma reflexão mais aprofundada sobre a perseguição e sobre a política do império romano. Para responder a esta nova problemática dos anos 90 foram escritos os capítulos 12 a 22, concebidos como continuação e alargamento da sétima praga do fim da primeira parte (Ap 11,14-19). A história da humanidade é vista como revelação progressiva do julgamento de Deus. A Boa Nova é apresentada como condenação progressiva dos opressores do povo. Em seguida, foram acrescentados os capítulos 1-3, que dão ao livro o aspecto de uma carta carinhosa com endereço certo. São como que a varanda acolhedora da frente, onde João recebe o povo perseguido. A cartacomeça com um preâmbulo (Ap 1,4-20), que serve de introdução a todo o livro do Apocalipse. A Boa Nova é apresentada como exigência de fidelidade e de compromisso. No fim, um editor juntou tudo, fez o portão de entrada (Ap 1,1-3), ajeitou o quintal dos fundos, que é a conclusão (Ap 22,6-21), e a casa ficou pronta! Esta é apenas uma entre as muitas teorias que existem em torno do Apocalipse. A melhor teoria será aquela que melhor explique as dificuldades literárias que o texto apresenta, e melhor revele a mensagem do Apocalipse para os pobres e perseguidos de hoje. Conhecer a história da construção da casa é útil e importante para a compreensão

ago 18 2021

É de Lei a apresentação dum teste negativo da Covid-19 no momento da retoma do trabalho?

Por Dr. Alí Armando Amade “Sou um trabalhador numa empresa privada. Ficámos em casa durante 3 meses por causa da pandemia do COVID-19. Agora já alguns de nós podem regressar ao serviço mas a direcção da empresa está a pedir o teste do COVID-19 negativo como condição para poder regressar ao serviço. Me parece que este pedido não esteja certo”. Na verdade, tanto os Decretos Presidências que declaravam o Estado de Emergência bem como o actual Estado de Calamidade, em nenhum momento indicam a apresentação do teste negativo do COVID-19, comocondição para aretoma de actividades laborais nas empresas. Aliás, o Director-geral adjunto do INS, Dr. Eduardo Samo GudoJr. já veio a público clarificar que “quem daquela forma procede, viola os protocolos emanados pelas autoridades de saúde” (cf. Jornal a Verdade 2/3/21). Vamos emprestar um princípio legal do Direito Penal que diz: “nullumcrimen, nullapoena sine praevialege” ou seja não há crime sem lei anterior que o defina. Por isso, a obrigatoriedade de apresentação dum teste Covid-19 negativo é ilegal e de nenhum efeito.   Em que momento é obrigatório o teste negativo do Covid-19? O único momento em que se exige um teste negativo da Covid-19 é nos casos de passageiros queestejam a chegar ao país e são recomendados a apresentar um comprovativo de teste com resultado negativo ao SARS COV-2, realizado no país de origem nas últimas 72 horas antes da partida, ficando isentos de regime de quarentena, atentos a alínea a) n.° 2 do Artigo 5 do Decreto 1/2021 de 13 de Janeiro e a) n.° 2 do Decreto n.°   2/2021 de 4 de Fevereiro.   Que legislação existe em Moçambique para a defesa do meio ambiente? Em Janeiro do presente ano, 2021, li num jornal que mais de 82 contentores contendo madeira em toro contrabandeada, apreendidos em Agosto de 2020 no porto de Pemba, desapareceram e, provavelmente exportados clandestinamente. Podemos dizer que continuamente assistimos a uma verdadeira pilhagem das nossas riquezas naturais desde o corte indiscriminado de árvores nas florestas até à pesca abusiva no nosso mar e a caça furtiva ou abate de espécies animais protegidas. Agora, gostaria desaber que legislação de defesa do meio ambiente existe em Moçambique com vista à preservação do mesmo para as gerações futuras? (Gervásio Daniel) Para responderà inquietação do nosso leitor, diríamos que sim, existem, a começar pela Constituição da República de 2004 (CRM) e Leis especificas até aos Diplomas Ministeriais. A CRM indica na alínea f) do artigo 45 que “todo o individuo tem o dever de defender e conservar o ambiente” essa posição é reforçada pelo n.º 1 do artigo 90 da CRM – “todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente equilibrado e o dever de o defender” e mais ainda pelo n.º 2 do artigo 90 da CRM que recomenda: “O Estado e as autarquias locais com a colaboração das associações na defesa do ambiente, adoptam políticas de defesa do ambiente e velam pela utilização racional de todos os recursos naturais”. Cabe ao Estado o dever de promover o conhecimento, inventariação e a valorização dos recursos naturais e determina as condições do seu uso e aproveitamento com a salvaguarda dos interesses nacionais – artigo 102 da CRM. Promove ainda, iniciativas para garantir o equilíbrio ecológico e a conservação e preservação do ambiente visando a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, por conseguinte, prevenir e controlar a poluição e a erosão de acordo com a alínea a) n.º 2 do artigo 117 da CRM. A norma contida no n.º 1 do artigo 9 da Lei n.º 20/97, de 1 de Outubro (Lei do Ambiente) proíbe categoricamente acções que prejudiquem o meio ambiente na medida em que “não é permitida, no território nacional, a produção, o depósito no solo e no subsolo, o lançamento para a água ou para a atmosfera, de qualquer substâncias tóxicas e poluidoras, assim como a prática de actividades que acelerem a erosão, a desertificação, o desflorestamento ou qualquer outra forma de degradação do ambiente, fora dos limites legalmente estabelecidos”. E, em caso de desflorestamento, o infractor é obrigado a efectuar a recuperação da área degradada independentemente de outros procedimentos civis e criminais que couberem – n.º 2 do artigo 27 da Lei n.º 10/99, de 7 de Julho (Lei de Florestas e Fauna Bravia). Sendo que aquele que, de qualquer forma, provocar o declínio da fauna bravia é obrigado a efectuar o repovoamento das espécies afectadas, independentemente de outras sanções a que derem lugar. (n.º 2 do artigo 29 da Lei de Florestas e Fauna Bravia). Constituem infracção, punível com pena de multa: a realização de quaisquer actos de exploração florestal sem autorização, ou em desacordo com as condições de exploração; caça sem licença ou em desacordo com as condições legalmente estabelecidas; importação ou exportação de recursos florestais ou faunísticos sem licença;   Box Legislação sobre o meio ambiente Constituição da República de Moçambique de 2004 (CRM); Lei do Ambiente: n.º 20/97, de 1 de Outubro; Aprova a Política Nacional do Ambiente: Resolução n.º 5/95, de 3 de Agosto;   Lei de Floresta e Fauna Bravia: n.º 10/99, de 7 de Julho; Aprova o Regulamento de Lei de Floresta e Fauna Bravia: Decreto n.º 12/2002, de 6 de Junho; Altera algumas disposições do Regulamento da Lei de Florestas e Fauna Bravia: Decreto n.º 11/2003, de 25 de Março;   Lei das Minas: n.º 14/2002, de 26 de Junho; Aprova o Regulamento Ambiental para a Actividade Mineira: Decreto n.º 26/2004, de 20 de Agosto; Aprova as Normas de Procedimento para a Extracção de Materiais de Construção: Diploma Ministerial n.º 124/99, de 17 de Novembro; Aprova as Normas Básicas de Gestão Ambiental para a Actividade Mineira Diploma Ministerial n.º 189/2006, de 14 de Dezembro;   Lei das Águas: n.º 16/91, de 3 de Agosto; Determinavarias medidas de protecção contra a poluição das águas, praias e margens do ultramar: Decreto n.º 495/73, de 6 de Outubro; Aprova o Regulamento para a Prevenção da Poluição e Protecção do Ambiente Marinho e Costeiro: Decreto n.º

ago 18 2021

Leite materno para bebé é o melhor

A amamentação e outras acções alimentares contribuem para uma melhor saúde ao longo da vida. Os recém-nascidos sobrevivem, as crianças desenvolvem-se e crescem, e as mulheres bem alimentadas têm gravidezes saudáveis e vivem vidas mais produtivas. O Aleitamento Materno Exclusivo (AME), é a alimentação do bébé, só com o leite materno, durante os primeiros seis meses de vida, sem introduzir nenhum outro alimento líquido ou sólido, nem mesmo água e remédios tradicionais. Segundo a UNICEF, em Moçambique, embora as taxas de aleitamento materno sejam boas, a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses, ainda constitui um desafio, sendo que, algumas mães, muitas vezes, amamentam enquanto caminham ou estão a fazer trabalhos domésticos, e o bebé não consegue alimentar-se devidamente. E também quando o bebé chora, por exemplo, a avó diz tratar-se de fome e recomenda que se dê comida sólida ao lactente. Esta prática, de acordo com a mesma fonte,contribui em grande parte, para o fraco crescimento e desnutrição crónica, principalmente nas zonas rurais. Daí que, a importância de amamentação até aos seis meses, tem a ver também com a redução de mortalidade até aos cinco anos, contribui para uma melhor nutrição e ao mesmo tempo, evita as doenças diarreicas e infecções respiratórias.   Quatro tipos de aleitamento De igual modo, amamentar, é a melhor forma de proteger e demonstrar o amor pelo bebé. E por outro lado, o leite materno, possui todos os nutrientes, proteínas e vitaminas que um filho precisa, para ser saudável, em todas as etapas do seu crescimento. E por ser muito importante para os pequenos, é essencial que a mãe deixe o bebé sugar o peito até que ele se esvazie, pois isso vai garantir que os quatro tipos de aleitamento sejam aproveitados pela criança, a saber:   Colostro É o líquido maias espesso e amarelado que surge antes do parto e continua sendo produzido até por volta de sete dias após do nascimento da criança. Este leite contém inúmeras vitaminas que ajudam no desenvolvimento intestinal do bebé.   Leite materno anterior É produzido e libertado no momento em que o bebé inicia a mamada. É fluído, já que contém altos níveis de água. Também té rico em lactose. Leite materno intermediário É a transição entrebomleite anterior e o posterior e contém muita proteina.   Leite materno posterior Este líquido, surge apenas ao final de cada mamada e é rico em gordura e em proteína. Segundo estudos de fontes ligadas à saúde materno infantil, sem este leite, o bebé não fica saciado e não ganha peso. Só para ilustrarmos o descrito acima, citando fonte da UNICEF, na Província Nortenha de Nampula, especificamente nos Distritos de Muecate, Morrupula, Mecuburi, Angoche, Malema, Moma, Mugovolas, Monapo e Larde, são tidos como os mais críticos em desnutrição crónica. Todavia, esta Instituição, através do seu programa de sobrevivência materno-infantil, está a fortalecer mensagens ao nível comunitário sobre a importância do Aleitamento Materno.   Box1 Para ser “amigo dos bebés” Uma estratégia importante para resolver a questão das práticas de alimentação precoce das crianças nos serviços de saúde é a “Baby-Friendly Hospital Initiative”, apoiada pela OMS e pela UNICEF e lançada em 1991 que deve respeitar as seguintes medidas:   1.Terem uma política de amamentação documentada 2.Darem formação a todos os profissionais de saúde 3.Informarem todas as mulheres grávidas acerca das vantagens da amamentação 4.Ajudarem as mães a iniciar a amamentação dentro da primeira meia hora após o parto 5.Demonstrarem às mães como amamentar e manter a lactação 6.Não darem aos recém-nascidos qualquer alimento ou bebida que não seja o leite materno, a não ser por indicação médica Permitirem que as mães e os filhos permaneçam juntos 24 horas por dia 8.Incentivarem a amamentação em todos os momentos em que o bebé a peça 9.Não usarem chupetas ou biberões para amamentar as crianças 10.Incentivarem a criação de grupos de apoio à amamentação

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