abr 06 2023
Chega de mortes nas estradas…
Por Dr. Armando Alí Amade Não passa uma semana sem quepela rádio, jornais ou pelo Facebook, passem notícias sobre acidentes rodoviários ou atropelamentos de peões nas estradas moçambicanas. Quantas mortes, choros e luto nas famílias se poderiam evitar! Pela ganância assistimos a espectáculos das piores tragédias humanas: chapas superlotados e carregados com todo o tipo de mercadoria, velocidade como aquela da luz para chegar mais depressa. Parece-me que muitos motoristas não têm consciência e responsabilidade da vida dos seus passageiros. Enfim, quem é que nos pode defender desta “guerra”, visto que todos queremo-nos movimentar de um lado para outro? (Mário Sabonete – Nampula). Um acidente de viação ou de trânsito é um acto muitas vezes despropositado, não intencional que ocorre na via (estrada) envolvendo veículos, entre veículos, com peões, animais ou ainda veículo contra obstáculo fixo (postes, árvores, muros, casas e outros). O Código da Estrada do nosso país define acidente de viação como sendo toda a lesão externa ou interna e toda a perturbação nervosa ou psíquica ou dano patrimonial e moral que resulta da acção de uma violência exterior súbita produzida por qualquer veículo ou meio de transporte em circulação na via pública. E, então, quais são as maiores e mais frequentes causas dos acidentes nas estradas? Ora, uma série de factores contribuem para a ocorrência dos acidentes de viação desde o estado mecânico da viatura, o estado da estrada, o clima, o ambiente da estrada (muitas pessoas nos mercados e escolas nas bermas das estradas), estado do condutor ou motorista (alcoolizado ou drogado), excesso de velocidade, ultrapassagem irregular, má travessia de peão e animais, excesso de carga, fadiga do motorista (sobretudo o de longo curso), etc. Um outro factor causador de acidentes deviação é a distracção. Muitas vezes a distracção é provocada pelo uso de dispositivos móveis, sobretudo na troca de mensagens de texto enquanto se conduz. Os motoristas que “teclam“, enquanto conduzem, têm maior probabilidade de se envolver em acidente de viação do que os que não enviam mensagem de texto ao volante. Usar telemóvel enquanto se conduz é tão perigoso! O álcool e outras drogas ilícitas têm um efeito severo no desempenho do motorista, pois estas drogas provocam a disfunção da capacidade de discernimento. Parece que os acidentes de viação provocados pelo consumo, acima das quantidades recomendadas de bebidas alcoólicas, ocorrem mais aos finais de semana. Por outro lado, a maior parte dos acidentes provocados pelos autocarros de transporte de passageiros ou “chapas” ocorrem com maior incidência devido ao excesso de velocidade, ultrapassagem irregular e o estado mecânico das viaturas. A fadiga, a privação de sono ou número de horas de condução, pode aumentar o risco de acidente de viação por parte dos motoristas de longo curso. Não podemos deixar de referir que as estradas têm uma contribuição significativa no que toca aos factores para ocorrência de acidentes de viação, se tomarmos em consideração a qualidade do piso, os buracos, a falta de manutenção, a irregularidade, etc. Resumindo, podemos afirmar que as principais causas dos acidentes de viação são: Excesso de velocidade; Condução sob efeito de álcool ou drogas; Manobras irregulares e/ou perigosas; Condução sob estado de fadiga; Má travessia de peão. Assim, para evitar, reduzir e, quiçá, minimizar os acidentes de rodoviários, livrando as estradas de serem “banhadas” de sangue dos nossos concidadãos, e não poucas vezes com luto nas famílias, elencamos algumas medidas primárias a ter em conta. A primeira forma de evitar acidentes na estrada por parte dum motorista: “Se beber, não conduza e se conduzir não beba”; Não consumir substâncias que alterem a capacidade de condução; Evitar o uso do telemóvel enquanto conduz; Para os motoristas de longo curso, evitar o estado de fadiga e procurar descansar. Evitar ultrapassagens irregulares e perigosas. (Observância das regras de trânsito) Só assim podemos ver minimizados os acidentes, sangue e luto nas famílias. O passageiro é o primeiro polícia de trânsito, ele tem o dever de alertar e chamar atenção ao motorista em relação à sua qualidade de condução.
abr 05 2023
Padre não pode, nem deve difamar ou caluniar o outro
“A boca de um sacerdote não pode e nem deve ser usada para difamar ou caluniar os outros”. – adverte Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula. Dom Inácio Saure fez esta advertência, na noite desta terça-feira, 04/04, durante a homilia da missa crismal, onde sublinhou que é triste ouvir que há padres que se caluniam entre si. Dom Inácio não quer sacerdotes caluniadores e nem difamadores no seu clero, por isso apela aos seus padres a profetizarem e anunciarem o evangelho de cristo. O Arcebispo de Nampula quer ver padres a caminharem juntos e unidos, dai que exortou-os a serem humildes e nunca arrogantes. Dom Inácio Saure também quer sacerdotes dedicados, empenhados na missão e respeitosos, que usam as mãos para abençoar e não para bater pessoas. Igualmente, apela aos padres a serem disponíveis, compassivos, amorosos e não ambiciosos em coisas passageiras. Por Gelácio Rapieque
abr 05 2023
Os Sacerdotes são verdadeiros heróis do evangelho
O Arcebispo de Nampula fez saber que apesar das dificuldades e desafios que os sacerdotes de Nampula enfrentam, eles são verdadeiros heróis do evangelho. Segundo Dom Inácio Saure, muitos dos padres da Arquidiocese de Nampula trabalham em condições difíceis, por isso, agradece aos que se empenham e dedicam-se a sua missão. A arquidiocese de Nampula conta com 71 padres, entre diocesanos e missionários, número considerado ínfimo para uma diocese com muitas paróquias, centenas de comunidades e com pouco mais de cinco milhões de habitantes. Ao povo de Deus que afluiu em massa naquela missa de oração aos sacerdotes, Dom Inácio Saure pediu mais orações para os bons padres, mas também para os menos bons. “Caríssimos fiéis, continuemos orando pelos nossos padres, para que continuem verdadeiros servidores do povo de Deus, mesmo com as dificuldades que enfrentam”. – instou Dom Inácio Saure, na missa crismal, uma missa que normalmente acontece na quinta-feira santa, mas que por motivos pastorais, na arquidiocese de Nampula, aconteceu terça-feira santa, antecedido de um encontro presbiteral. Participaram do evento mais de 50 padres, maior parte deles, diocesanos de Nampula. Por Gelácio Rapieque
abr 05 2023
Antigo Belenenses, em Muhala, jovens drogados tiram sossego
Os moradores da zona residencial do antigo Belenenses, bairro de Muhala na cidade de Nampula, estão preocupados com o aumento do número de jovens consumidores de drogas, sob um olhar negligente de quem de direito. Alguns moradores daquela zona, mostraram a Rádio e Televisão Encontro, uma vivenda abandonada, onde os jovens consomem vários tipos de drogas, para depois, na calada da noite, protagonizarem roubos nas casas circunvizinhas. Cansados de sofrerem roubo, quase todos os dias, aqueles moradores pedem ao proprietário da casa abandonada, para destruir a infraestrutura, ou então vedar o recinto, porque os larápios dormem e consomem as drogas naqueles escombros. Esta situação tirar sono aos moradores do antigo Belenenses, há já muitos anos, e acreditam que é do conhecimento das autoridades locais, incluindo a Polícia, mas que não fazem nada para desmantelar aquele grupo de drogados. Raja Chaure Choca, é um dos vizinhos da casa abandonada que está a sofrer roubos no seu quintal, mas, na sua opinião, os jovens que cometem esse crime, são do mesmo bairro, apesar de não aparecer ninguém com coragem para denunciá-los. Raja Choca, pede a quem de direito para colocar um ponto de ordem naquela situação, que não deixa sossegados os moradores. “Estou cansado de sofrer roubos, todos os dias na minha casa, por jovens que se drogam neste quintal que um estrangeiro comprou e deixou abandonado”. – desabafou Raja implorando para que o proprietário venha fazer vedação do recinto. Ancha João, outra moradora do Antigo Belenenses, lamentou o facto de esta situação acontecer em plena via pública, pese embora os drogados serem provenientes de vários bairros desta cidade. “Estamos a pedir socorro, não conseguimos dormir em paz nas nossas casas, porque quando eles se drogam, arrombam as nossas portas”. – referiu Ancha, que para ela, “esses jovens roubam para alimentarem os seus vícios”. Albertina António, outra moradora, disse que assiste todos os dias, jovens a se drogarem a seu belo prazer, a qualquer período do dia, no quintal abandonado, próximo da sua casa. “Essa situação compromete o meu negocio, porque já não tenho clientes na minha barraca, aqui no antigo mercado dos Belenenses”. – Lamentou Albertina, acrescentando que, “São gatunos e roubam tudo que encontram, em plena luz do dia e sem medo porque andam drogados”. Outro morador que não quis se identificar, lamentou esta situação que na sua opinião, poderá comprometer o futuro das crianças naquela Unidade Comunal, sob um olhar negligente de quem de direito. “Se o governo intervir, tenho a certeza que esta situação vai acabar”. – disse o nosso entrevistando, sublinhando que gostaria de ver a polícia a actuar, ao mesmo tempo que pede ao seu vizinho para vedar os seus escombros que neste momento estão a ser usados como esconderijo de marginais, os quais tiram sossego dos moradores. As autoridades administrativas locais ainda não se pronunciaram sobre o assunto, mas a nossa reportagem tem conhecimento de que naquela Unidade Comunal, nos últimos dias, os casos de roubo em residências estão a aumentar. Recorde-se que, ano passado, a Rádio e Televisão Encontro publicou uma reportagem sobre venda e consumo de drogas numa das barracas abandonadas no antigo mercado dos Belenenses, que depois da intervenção das autoridades, o problema parecia estar resolvido. Enganou-se quem pensou assim, porque os drogados apenas mudaram de local. O quintal abandonado em referência, está localizado nas bermas da rua 2.269, que parte do Prédio Lopes, fazendo ligação com o bairro de Muahivire, através da rua dos viveiros. Uma Rua que estava nos planos de pavimentação no mandato do falecido Amurane, mas que depois da sua morte, esse plano também morreu, estando neste momento quase intransitável, como consequência do arrasto pelas águas da chuva, dos solos que tinham sido colocados para o início da pavimentação. Motivo suficiente, para dizer que para além de os moradores da zona do antigo Belenenses lamentarem pelo recrudescimento da criminalidade, também olham com muita tristeza, o estado avançado de degradação daquela rua, que num passado recente, serviu como alternativa para os transportadores semi- colectivos, a quanto da construção da ponte sobre o rio Muhala. Por Elísio João
abr 05 2023
Conto do cágado e o leopardo
Os contos africanos são narrativas curtas e com linguagem simples, que transmitem ensinamentos e memórias da cultura de vários povos da África. São transmitidos oralmente e a autoria de muitos deles é desconhecida. As lendas africanas contam várias histórias que retractam a cultura do continente ensinando valores importantes. As lendas são narrativas de carácter fantasioso transmitidas através da tradição oral. Conto do cágado e o leopardo “De repente o cágado caiu numa armadilha. Um buraco profundo coberto por folhas de palmeiras que havia sido cavado na trilha, no meio da floresta, pelos caçadores da aldeia para aprisionar os animais. O cágado, graças a seu grosso casco, não se machucou na queda, mas … como escapulir dali? Tinha que encontrar uma solução antes do amanhecer se não quisesse virar sopa para os aldeões … Estava ainda perdido em seus pensamentos quando um leopardo caiu também na mesma armadilha! O cágado deu um pulo, fingindo ter sido incomodado em seu refúgio, e berrou para o leopardo: “- Que é isto? O que está fazendo aqui? Isto são modos de entrar em minha casa? Não sabe pedir licença?!” E quanto mais gritava. E continuou… “- Não vê por onde anda? Não sabe que não gosto de receber visitas a estas horas da noite? Saia já daqui! Seu pintado mal-educado!” O leopardo bufando de raiva com tal atrevimento, agarrou o cágado… e com toda a força lançou-o para fora do buraco! O cágado, feliz da vida, foi andando para sua casa tranquilamente! Ah! Espantado ficou o leopardo”. (Ernesto Rodríguez Abad) Resumo: Este texto narra a astúcia de um cágado para escapar dum buraco profundo onde tinha caído. O que este conto ensina? Que diante de uma situação difícil, devemos usar nossa inteligência para encontrarmos uma solução. Lenda da Galinha-do-mato Essa é uma lenda que conta como a galinha-do-mato foi criada. Conta-se que há muito tempo as aves viviam todas juntas, no mesmo ambiente. Mas, aos poucos, foi crescendo o sentimento de inveja entre elas e a convivência ficou muito difícil. O pássaro mais invejado era o corvo. O macho tinha uma aparência muito bela com penas negras; já a fêmea tinha o corpo em tons de preto e pardo-claro. Todos queriam ser bonitos como essa espécie. O corvo sabia que era muito bonito e invejado e prometeu aos outros pássaros que usaria seus poderem mágicos para transformar suas plumagens em brilhantes tons de negro se todos eles o obedecessem. Entretanto, nem todos os pássaros foram obedientes. O corvo então ficou muito bravo e alterou as características das espécies das aves. Sendo assim, a galinha-do-mato foi transformada em um animal magro com uma fraqueza constante. Seu corpo tornou-se pintado assim como o do leopardo com manchas. Dessa maneira, o leopardo devoraria a galinha-do-mato pois não suportaria ver outro animal tão belo como ele. Essa foi a lição que a galinha-do-mato recebeu por sua inveja.
abr 05 2023
Violação de domicílio
Por Dr. Armando Ali Amade A semana passada, duas minhas vizinhas, começaram a brigar entre elas porque uma delas acusava a filha da outra de ter-lhe roubado uma peneira de amendoim. A filha conseguiu fugir e a acusadora começou a correr atrás dela sem conseguir apanhá-la. Quando chegou à frente da minha casa começou a dizer que eu tinha escondido a menina fugitiva dentro da casa. Eu neguei firmemente. E assim tudo parou até que, depois de pouco tempo, apareceu na minha porta um polícia que pretendeu entrar dentro da minha casa à procura da menina. Apesar de eu proibir, porque ele não tinha nenhum documento que autorizava a entrada na minha casa, ele entrou na mesma, verificou e não encontrando ninguém, foi embora. Eu acho que este foi um grande abuso. O que é que diz a lei nestas situações e como é que se deve comportar em situações similares? (Eduardo Macário –Nampula) Para o caso em análise, vamo-nos alhear à causa do suposta “briga” e focarmo-nos tão-somente na questão que incomoda o nosso caro leitor, por sinal legítima. Da subjunção dos factos narrados pelo nosso leitor e o enquadramento jurídico dos mesmos podemos afirmar que estamos perante uma violação de domicílio. Define-se por domicílio voluntário geral da pessoa como sendo o lugar da sua residência habitual, isto é, a sua casa ou habitação – número 1 do artigo 82º do Código Civil. Ora, o domicílio geral, habitação ou casa se quisermos, é um lugar “sagrado” sujeito a protecção, para cuja entrada e permanência carecem duma autorização prévia do seu proprietário (dono da casa). Só para ficar com ideia da importância e inviolabilidade duma habitação, o Estado, com todo seu poder, não pode intervir na organização ou composição dos imóveis da casa, a quantidade e tipo de quartos número de salas, quem dorme onde, como, etc., pois isso só cabe ao proprietário decidir. Aliás o domicílio é de tal sorte importante, que o Estado o protege ao ponto de indicar na Lei Mãe que, o domicílio (casa) de alguém não pode ser violado salvo nos casos especialmente previstos na lei – número 1 do artigo 68º da Constituição da República de Moçambique. Mas como não há regra sem excepção, a entrada no domicílio dos cidadãos contra a sua vontade só pode ocorrer quando, excepcionalmente, ser ordenada pela autoridade judicial competente, nos casos e segundo as formas especialmente previstas na lei, em atenção ao disposto no número 2 do mesmo artigo da Constituição da República de Moçambique. Portanto, o agente da autoridade (polícia), pese embora estar devidamente uniformizado, portar uma arma de fogo e algemas na cintura, não tinha absolutamente nenhum poder/autorização para entrar na casa do caro leitor. Podia sim, se tivesse uma ordem judicial emitida por um juiz, ordem a ser executada de dia e nunca de noite. Doutra forma estaria a violar a lei e a Constituição da República de Moçambique que ele mesmo jurou respeitar e fazer respeitar. A violação do domicílio faz parte dos crimes contra a reserva da vida privada a sua punição está tipificada no artigo 250º da Lei n.º 24/2019 de 24 de Dezembro – Código Penal, que dispõe o seguinte: n.º 1 – Quem, sem consentimento, se introduzir na habitação de outra pessoa ou em pátios, jardins ou espaços vedados anexos àquela habitação ou nela permanecer depois de intimado a retirar-se, é punido com pena de prisão até 1 ano e multa correspondente. n.º 2 – Se o crime previsto no número anterior for cometido por meios de violência ou ameaça de violência, com uso de arma ou por meio de arrombamento, escalamento ou chave falsa, de noite ou em lugar isolado ou por duas ou mais pessoas, o agente é punido com pena de 1 a 2 anos de prisão e multa correspondente, se pena mais grave não couber por força de outra disposição legal. Como pode ver, independentemente da posição social, política, religiosa ou económica do individuo, ou mesmo Polícia, Procurador, Governador, Ministro, etc. não pode entrar no domicílio, habitação de alguém sem o seu consentimento ou autorização por parte do seu proprietário salvo se portar uma ordem judicial para o efeito. Veja que ordem judicial não é notificação da esquadra, notificação da esquadra não habilita a pessoa de entrar em casa alheia.
abr 05 2023
Qualidade da oposição moçambicana: que futuro se pode esperar para a democracia?
Por Dr. Deolindo Paúa Numa das edições desta revista, no contexto da morte dos protagonistas da oposição política moçambicana, referi-me ao factoque já não tínhamos alternativa política. A Frelimo já mostrou a sua incapacidade de governar e de levar os moçambicanos aos mais básicos objectivos de um Estado. Por exemplo, 48 anos depois da independência sob a quase exclusiva governação do partido Frelimo, ainda não há segurança em Moçambique: as pessoas são roubadas à luz do dia e na via pública, as guerras nunca acabam. O sistema de saúde: os medicamentos de qualidade são propositadamente contrabandeados; muitas vezes só é atendido quem desembolsa suborno, os partos nos hospitais são feitos apenas se se subornar a parteira de serviço; os pobres vão aos hospitais públicos e os ricos e políticos para as clínicas privadas. O sistema de educação continua um desastre e o respeito pelos direitos humanos continua não interessando às instituições e à política. Tudo isto indica que há motivos suficientes para os moçambicanos querem desesperadamente mudar de governação. Mas o problema que aflige a quase todos é: mudar para onde? Existe uma alternativa política viável e segura? Que alternativas para a mudança? As pessoas decidem sempre mudar se houver, do outro lado, uma melhor alternativa em relaçãoàquela que pretendem abandonar. Ninguém muda para escolher a mesma coisa ou coisa pior do que a anterior. No nosso jogo democrático, mudar de alternativa significaria trocar o partido que governa por um outro. Essa troca normalmente é feita quando se tem a certeza de que o partido a escolher assume os anseios do povo. Ora, a experiência da nossa democracia nos manda aprender que, pelo menos ao nível de comportamento político, os partidos políticos da oposição comportam-se como se fossem cópias da Frelimo, pelo menos em termos de políticas de gestão pública. Nesta nossa história recente de democracia, é fácil notar o comportamento dos membros da oposição que demonstram seu interesse e apego mais ao poder do que aos interesses do povo, o mesmo comportamento do partido que governa. Lembre-se que as maiores reclamações sobre a governação da Frelimo prendem-se com a corrupção, o clientelismo, o nepotismo e o indisfarçável tribalismo. Igualmente, pode-se notar que desde que o MDM começou a governar territórios autárquicos, surgem reclamações de nepotismo, clientelismo, regionalismo, etc.; assim também, na Renamo, logo após os presidentes municipais eleitos tomarem poder, relatos não faltam sobre a expulsão de funcionários para no seu lugar serem contratados membros do partido, ou pessoas chegadas a quem é membro do partido. O nepotismo caracteriza a governação ao se preferir sempre militantes do partido para empregos de gestão em detrimento de pessoas tecnicamente formadas para o efeito e, infelizmente, este problema afecta todos os partidos que experimentaram a gestão pública. Tudo funciona à base da militância e do clientelismo. Aliás, o interesse de mais poder em detrimento da boa democracia podem ser observados na atitude dos membros dos partidos da oposição, ao exigirem a implementação das eleições distritais mesmo conscientes de que o sistema de governação descentralizada está viciado de incongruências que deviam ser, antes, corrigidas. Este comportamento dos partidos da oposição mostra que não se interessam com o modo como a máquina funciona, estão mais interessados em acomodar seus membros em cargos de chefia para ganhar dinheiro. Sei que alguém vai pensar que trago de forma leviana especulações para sustentar a minha tese. Entretanto acho que uma visão sobre a política da governação local do nosso país pode confirmar as minhas alegações. A minha preocupação é, sobretudo, de ver uma democracia genuína implantada. Para isso, tenho o direito de exigir boa qualidade dos partidos da oposição. O comportamento dos partidos da oposição deixa a impressão de que seu interesse ao assumir o poder não é de mudar as coisas, mas simplesmente de serem eles a fazer as mesmas coisas que a Frelimo faz! Oposição sem qualidade O que me torna reticente sobre a qualidade da nossa oposição são factos e oportunidades que a oposição teve de agir em favor do povo mas não o fez. O exemplo que dei acima sobre a governação nas autarquias controladas pela oposição, uma governação baseada também no nepotismo e regionalismo pode ser ilustrativo. Mas também na Assembleia da República (AR), as bancadas da oposição mostraram o seu apego ao dinheiro, traindo a vontade popular várias vezes. Quando se trata de dinheiro que beneficia aos deputados, todas as bancadas tornam-se aliadas, mesmo que tal acto prejudique o povo. Igualmente, em 2008, em pleno final de mandato, a AR decidiu aprovar para os deputados, um conjunto de regalias para os seus deputados. Essas regalias incluíam férias, pensões, subsídios, etc., mesmo que o deputado estivesse já fora do mandato. O curioso foi observar que tal lei foi aprovada por unanimidade. A oposição que sempre chumba propostas de lei do governo nem se deu ao trabalho de analisar, simplesmente aprovou porque a lei beneficiava os seus interesses financeiros. Finalmente, mais recentemente, concretamente em 2021, a AR aprovou uma lei que alterava o regime do funcionário parlamentar. Mais uma vez, apesar dos valores criminosos que eram propostos para salários e regalias de tais funcionários, todos os deputados da AR, incluindo os da oposição, calaram-se, aprovaram. As duas leis só não entraram em vigor graças a intervenção da sociedade civil que sentiu que o Estado e o povo estavam a ser assaltados pelos seus próprios representantes, os deputados. Este ano, mais uma vez, o governo propôs a nova Tabela Salarial Única, também chamada TSU. É de domínio público que apesar das expectativas que criou no seio dos funcionários públicos, a TSU, na prática, apenas aumentou de forma escandalosa os salários dos altos funcionários e agentes do Estado, incluindo todos os deputados, que viram o seu salário dobrar. E, mais uma vez, como a tabela os beneficiou, os deputados aprovaram a lei da TSU por unanimidade, sem a analisarem ao detalhe Que deputados representam realmente o interesse do povo? O povo precisa de alternativas para mudar e melhorar o país e o próprio processo
abr 04 2023
Vivam intensamente os momentos cruciais na história da nossa salvação
Em preparação da missa crismal, que acontece em cada quinta feira Santa, os Padres de todas as Paróquias da Arquidiocese de Nampula, reuniram-se esta terça-feira nesta cidade, num encontro anual, para depois participarem de forma antecipada, na missa crismal. O Arcebispo de Nampula Dom Inácio Saúre, explicou que a missa desta terça-feira, foi antecipada, para permitir que os sacerdotes que vivem distante da cidade de Nampula, participem na missa crismal de quinta-feira Santa, nas suas respetivas comunidades. Na missa, dessa terça-feira, segundo recordou o número 1 da Igreja Católica em Nampula, serviu para benzer os óleos para os enfermos e catecúmenos para além da consagração do crisma. No encontro, os padres dessa arquidiocese, falaram também das actividades da pastoral e o nível de preparação da IV Assembleia Nacional da Pastoral que vai acontecer em Nampula de 17 a 21 de Maio deste ano. Dom Inácio Saure anunciou que no mesmo encontro foi renovado o Conselho presbiteral que trabalhava há 5 anos. “Foi também ocasião para renovação do mandato do Conselho presbiteral, que é um conjunto de sacerdotes que funciona como um senato de conselheiros directos do Arcebispo”. – Acrescentou Dom Inácio, que também é Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, o qual apelou aos fiéis católicos para que “vivam intensamente esses momentos cruciais na história da nossa salvação”. Os Padres participantes do Encontro, disseram que foi muito importante, pelo facto de o Arcebispo ter recordado muita coisa, com destaque para a necessidade de formação permanente dos Párocos nas componentes económica, patrimonial e humana, a luz da palavra de Deus. Por Elísio João
abr 04 2023
Motorizadas vão reforçar acção governativa nos distritos
O Conselho Executivo Provincial de Nampula está a reforçar a sua Acção governativa ao nível local, com a disponibilização de meios circulantes. Ontem, segunda feira, o chefe do Executivo Provincial Manuel Rodrigues, procedeu a entrega de 10 motorizadas, para igual número de distritos. Para Manuel Rodrigues, as motorizadas poderão apoiar a implementação das actividades nas áreas de abastecimento de água, saneamento do meio e higiene, no âmbito do PRONASAR na Província de Nampula. Com essas motorizadas, no entender do Governador da Província, os governos distritais vão ter capacidades para fazer a monitoria e fiscalização dos sistemas de abastecimento de água, conhecido que, esse precioso líquido, é um bem essencial para a população. Manuel Rodriguês assumiu a responsabilidade de o governo, ter a obrigação de prover água em quantidade e qualidade às populações, sendo daí que o seu executivo, segundo deu a entender, tem vindo a trabalhar com vários parceiros. A intenção do governo Provincial é fazer com que até 2024, os níveis de abastecimento de água subam dos actuais 58 para 80 porcento. Manuel Rodriguês voltou a pedir aos técnicos do sector de água e saneamento ao nível dos distritos beneficiários, para que usem de forma racional os meios disponibilizados, reportando em tempo real sobre o funcionamento dos 200 sistemas de abastecimento de água construídos na província, incluído outras infraestruturas da área. “Apelamos para usarem corretamente esses meios porque, mal usados, podem trazer desgraça”. – disse Manuel Rodriguês, pedindo para que os usuários “respeitem a velocidade e não conduzirem em estado de embriagues”. O governador de Nampula está ciente que a quantidade das motorizadas não cobre toda a província, por isso disse que “vamos caminhar até que todos os distritos sejam equipados de meios circulantes que possam permitir a fiscalização e monitoria dos sistemas de abastecimento de água”. Os beneficiários acreditam que os meios circulantes que receberam, vão solucionar o problema relacionado com a falta de monitoria e fiscalização das infraestruturas dos sistemas de abastecimento de água, uma vez que, segundo observaram, “existem comunidades onde não se pode chegar de carro, mas que com a motorizada, pode se fazer a monitoria e fiscalização”. Refira-se que a Província de Nampula tem 23 distritos, e com a alocação das 10 motorizadas, faltam ainda 13, que precisam desses meios. Os distritos beneficiários nesta primeira fase, são: Nacala, Mossuril, Nampula, Meconta, Mogincual, Larde, Liúpo, Ilha de Moçambique, Nacarôa e Memba. Por Elísio João
abr 04 2023
Por que a igreja guarda o domingo e não o sábado?
Vamos falar sobre o domingo e o sábado, dias sagrados para duas tradições religiosas importantíssimas para a vida da humanidade: o sábado, dia sagrado ao Judaísmo, e o domingo, dia sagrado ao Cristianismo. Leia mais em – https://veritatiscatholicus.com.br/guardar-domingo-ou-sabado-dia-do-senhor/ Segundo a Bíblia, no livro do Génesis, Deus criou o mundo em seis dias consecutivos. Essa narrativa poética da Criação é belíssima e termina com a convocação ao descanso. Todo trabalhador merece ter um dia reservado para descansar e louvar a Deus. Para o judeu, esse dia é o shabat, o sétimo dia da Criação. Nele Deus repousou. Ora, se até Deus descansou um dia, quanto mais eu, pobre mortal; preciso ter a dignidade de um dia para repor minhas energias físicas e espirituais. Mas onde entra o domingo? Como houve essa mudança do dia de descanso de sábado (sétimo dia), para o domingo (primeiro dia)? A tradição cristã de santificação do domingo repousa suas raízes no evento maravilhoso da Ressurreição de Jesus Cristo. Esse mistério insondável de amor, o maior de todos, fez com que a atenção cristã se voltasse para o primeiro dia da semana como o mais santo de todos, afinal era o primeiro dia da semana (domingo) quando as mulheres foram ao túmulo e o encontraram vazio. Os Apóstolos celebravam a Missa “no primeiro dia da semana”; isto é, no Domingo, como vemos em At 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão…” Em Mt 28, 1 vemos: “Após o Sábado, ao raiar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ao Sepulcro…” Em Ap 1, 10, São João fala que “no dia do Senhor, fui movido pelo Espírito…” e a coleta era feita “no primeiro dia da semana” (1Cor 16,2). Nenhum outro dia é mais santo do que este, no qual Jesus venceu a morte e nos libertou definitivamente do pecado. Santificar esse dia foi decisão unânime da comunidade cristã, que desde o começo passou a se reunir para rezar sempre aos domingos. Até mesmo o nome desse dia vem dessa experiência pascal – dies domini – o dia do Senhor, o Domingo! Com isso, a tradição religiosa judaico-cristã conversa a necessidade de ter um dia reservado para o louvor do Senhor e para nosso descanso físico e espiritual. Aproveite e aprenda a lição do domingo: é preciso ter tempo para Deus!
