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out 08 2020

A desnutrição

Por Paulino José de Castro Desnutrição é a falta de nutrientes no corpo. Esses nutrientes podem ser específicos, como ferro ou zinco, ou in específicos, como a falta de calorias. Esta doença é responsável por ⅓ das mortes infantis de cada ano. Entre as mais comuns faltas de nutrientes estão a glicose, proteínas, ferro, iodo e deficiência de vitamina A. Algumas dessas são comuns durante a gravidez. A desnutrição pode causar diversos problemas de crescimento, neurológicos, psicológicos e, até mesmo, levar à morte. É especialmente comum em países como Moçambique, mas qualquer um em qualquer lugar pode ficar desnutrido. Mesmo pessoas que parecem gordinhas podem sofrer com a falta de nutrientes em seu corpo. Causas: Diversas situações podem causar a desnutrição. São elas: Distúrbios alimentares: Anorexia nervosa, bulimia nervosa e ortolexia são alguns dos distúrbios alimentares que podem causar desnutrição. Elas levam a pessoa a reduzir a sua alimentação e às vezes até parar com ela por completo, causando falta grave de nutrientes. Dieta sem nutrientes: Não são apenas pessoas que comem pouco que podem ficar desnutridas. Uma alimentação completamente voltada para carboidratos como pães, massas, refrigerantes, salgadinhos, pode deixar uma pessoa gorda e desnutrida ao mesmo tempo. Factores de risco: Alguns factores podem facilitar o desenvolvimento da desnutrição e pessoas que se encaixam nele devem se cuidar. São eles: Dificuldades socioeconómicas; Idade avançada; Má alimentação; Doenças crónicas; Alcoolismo; Perda excessiva de peso em pouco tempo. Sintomas Os diversos sintomas de desnutrição são os seguintes:Fraqueza; Irritabilidade; Falta de concentração; Desmaios; Emagrecimento acelerado; Pele grossa; Perda de massa muscular; Cicatrização lenta; Recuperação de infecções lenta; Diarreia persistente; Dificuldade de se aquecer; Letargia; Inchaços; Anemia; Crescimento abaixo do esperado para a idade; Mudanças de comportamento; Mudanças na cor da pele, cabelo e olhos. Os nutrientes em falta podem causar mudanças físicas na criança. Seus olhos podem ficar acinzentados, assim como os cabelos, que podem ganhar um tom de cinza, avermelhado ou loiro. Desnutrição tem cura? Sim, adesnutrição tem cura. Entretanto, não é em todos os casos que ela pode ser curada. É necessário lidar com duas situações: a falta de nutrientes em si e a causa da desnutrição. Quando a desnutrição é primária, o processo de cura é mais intuitivo, mas não necessariamente mais fácil. Mudar a dieta para uma que possua todos os nutrientes necessários ao corpo é a solução, mas nem sempre isso é possível numa situação económicadifícil, por exemplo. O tratamento para a desnutrição consiste em renutrir a pessoa e tratar a causa. As causas podem variar de falta de alimentos e alimentação inadequada a infecções por vermes e câncer. Cada tipo de causa da desnutrição requer seu próprio tratamento específico. Entretanto, a renutrição costuma seguir os mesmos processos em todos os casos e só varia de acordo com a severidade da desnutrição do paciente.

out 07 2020

O Estado de direito precisa da Oposição

Por Deolindo Paua Na nossa jovem democracia, o termo “oposição” muitas vezes é usado de forma pejorativa. Quando se diz que alguém é da oposição, entende-se logo que essa pessoa não gosta do governo ou não ama o seu país. É essa uma compreensão incorrecta É comum entender que pertencer a partidos políticos diferentes é sinonimo de inimizade como acontece nas campanhas eleitorais onde, em lugar de serem ocasiões de discussão e de confrontação de ideias para a construção do País, transformam-se em guerras sangrentas! Na verdade, ser oposição é colocar-se contra qualquer atitude contrária ao normal ou ao que é correcto, por exemplo, os pais podem e devem opor-se ao comportamento errado dos filhos, por isso os repreendem, não porque não os amam, mas pelo contrário, para que eles mudem e orgulhem os seus pais. E assim deveria acontecer na vida politica da nação. Amor a Pátria Portanto, na política ser oposição deveria ser o contraste à corrupção ou contra tudo aquilo que prejudica o desenvolvimento do país e compromete a construção do bem-estar social. Ser oposição resulta, portanto, do amor à pátria e não dum servilismo estéril. Nesta compreensão, ser oposição é cidadania activa e nem sempre precisa necessariamente de pertencer a um partido político, porque um verdadeiro cidadão não deixa que seu país fique parado. Dialogo e Reconciliação Mas como é que chegamos a esta compreensão destorcida do termo oposição? Em cada nação as actividades políticas não devem ser completamente entregues, pelos cidadãos, exclusivamente aos partidos políticos. Os partidos políticos são grupos de interesses que perseguem os objectivos dos seus apoiantes e patrocinadores. Por exemplo no EUA os Republicanos terão dificuldades em limitar a livre venda de armas aos cidadãos, apesar das centenas de vítimas jovens e inocentes, porque as industrias que produzem armas os apoiam. Passamos também a esta má compreensão, do termo oposição, desde que começamos a olhar como opostos dois partidos com histórico de beligerantes. Em Moçambique bem sabemos que historia da inimizade dos dois maiores partidos nacionais durou 16 anos, a guerra civil, para depoisser transferida a frio para a luta política e processo democrático que fazem hoje para a posse do poder. Dialogo e Reconciliação nacional são as duas verdadeira colunas que sustentam a casa comum. Quando falhar uma delas continuaremos a entender a oposição politica como inimigos do pais em lugar de entender que quem critica também tem amor pátrio e quer viver num pais onde a escuta reciproca traz fruto de bem estar para todos. O que nos espera As últimas eleições vieram provar que nós, cidadãos comuns, nos enganamos da pior forma ao deixar a política apenas para os partidos políticos. Estamos redondamente errados ao confiarmos, apáticos, o futuro do país às lutas partidárias para nos trazerem como fruto as liberdades e a justiça social. Confiar a oposição apenas a partidos políticos é arriscado demais. Estes podem fazer oposição apenas nas questões que lhes interessam como grupo. E quanto aos interesses do povo, quem a favor deles vai fazer oposição? Reparemos que por distracção, incompetência ou por qualquer que seja o motivo, esses partidos políticos da oposição não conseguiram o que se esperava. Se amamos o nossos país e queremos que a democracia sobreviva, nós cidadãos comuns, que ainda não temos opção política, precisamos de ficar atentos para evitar que interesses de um só partido, controlador dos recursos de todos nós,arruínem pela injustiça os nossos sonhos como Nação. Precisamos de ficar atentos desde a base, desde as localidades mais longínquas, para constituirmos uma nova visão política diferente da pregada até agora, onde parece que a função pública sirva como oportunidade para afirmar-se financeira e economicamente à custa das nossas distracções políticas. Isto sim, é ser oposição!

out 07 2020

Bíblia: Palavra de Deus para todos os dias

Por Koinonia livros Para celebrar São Jerónimo que, a pedido do papa Dâmaso traduziu a Sagrada Escritura dos originais hebraico e grego para o latim, língua universal daquela época, foi instituído o Ano da Bíblia. A versão latina da Bíblia ficou conhecida como Vulgata. Vamos responder a algumas perguntas comuns sobre a Bíblia. Quem escreveu a Bíblia? A Bíblia foi escrita por muitas pessoas. Não foi escrita de uma só vez. Ela traz as experiências da caminhada de um povo, o povo do Livro, por isso é a reflexão sobre a vida do homem e a resposta aos problemas existenciais ligando-os a Deus. É a reflexão sobre a vida humana e sobre Deus. O povo escolhido, o povo da Bíblia, discutia suas experiências, obtinha respostas iluminadas pela fé, que depois, ao longo do tempo foram escritas. Deus era sempre a referência, o ponto de partida, o centro da vida desse povo. Por isso, foram muitos os autores que, iluminados por Deus, escreveram a Bíblia com estilos literários diferentes. Quando a lemos, percebemos a acção de Deus na caminhada humana que quer o bem de todos os homens e mulheres. Enfim, foram muitas as pessoas que a escreveram, todas elas iluminadas por Deus, inspiradas por Deus, então, o grande Autor das Sagradas Escrituras é Deus que usou de mãos humanas para escrevê-la. Quando foi escrita? Os estudiosos consideram que a Bíblia começou a ser escrita a partir do século IX antes de Cristo. O último livro a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinquenta anos antes de Cristo. Portanto, não temos uma data com dia, mês e ano, porque sua escrita ocorreu lentamente e muito bem preparada por Deus. Porquê se chama Bíblia? Embora a Bíblia, na concepção de livro que temos hoje, se constitua num único volume, seu nome indica que ela não é apenas um livro, mas uma colecção de livros, alguns mais longos, outros muito curtos. Daí a palavra Bíblia, em grego livros, isto é um conjunto de 73 livrosque trazem diversos temas. Porem tratando sempre do mesmo assunto: a reflexão crítica sobre a vida, a caminhada de Deus com seu povo e a religião deste povo.   Porquê dizemos Bíblia Sagrada? Consideramos a Bíblia como sagrada porque ela é a Palavra de Deus. Tudo o que foi criado é obra de Deus, a natureza fala a linguagem de Deus, o universo com suas leis naturais também fala a linguagem de Deus. Ele fala ao ser humano por meio de acontecimentos.A Bíblia nasceu com o próprio homem, pois o homem percebeu, nos fatos e nas experiências da vida, que Deus sempre lhe falou. Em todas as culturas encontramos a religião como forma do homem se relacionar com Deus, de se ligar a Deus. Para o povo da Bíblia, ela começou a ser entendida como Palavra de Deus, a voz de Deus cerca de mil e oitocentos anos antes de Cristo, quando nosso pai Abraão experimentou Deus e entendeu que Ele lhe falava pelos acontecimentos. A partir desta experiência de Deus, a vida de Abraão mudou completamente. Ele passou a interpretar os sinais do Senhor nos acontecimentos e a segui-los. Começa então a ter importância as tradições e experiências religiosas que constituirão parte fundamental da Bíblia. Surgiram os Patriarcas do povo de Deus e com eles toda a experiência deste povo compilada bem mais tarde como livro. A Bíblia é Sagrada porque relata toda essa experiência do homem com Deus, relata a caminhada do homem com seu Deus, construindo a história… História da Salvação.   Porquê a Bíblia católica é diferente da Bíblia protestante? A Palavra de Deus acolhida pelo homem, a Bíblia católica e a dos nossos irmãos separados, protestantes, é a mesma. A diferença aparece quanto ao número de livros que cada uma possui. A Bíblia católica possui setenta e três livros.A Bíblia “evangélica” tem sete livros a menos: Judite, Tobias, 1o Macabeus, 2o Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácides) e Sabedoria. Mais diferenças aparecem nos livros de Ester (10, 4-16, 24) e de Daniel (13-14), onde pequenos trechos destes livros faltam na Bíblia“evangélica. Os sete livros que citamos acima não constam da Bíblia hebraica original, só bem mais tarde é que eles passaram a ser considerados como inspirados por Deus quando da primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, atendendo as necessidades dos judeus da Diáspora. Esses livros são chamados “Deuterocanónicos”, isto é, livros que foram aceite como inspirados bem mais tarde ou em segundo lugar. Apesar desta diferença os cristãos católicos e protestantes reconhecem que na Bíblia Sagrada está presente a Palavra de Deus que nos interpela, que nos convida a segui-lo, que quer o nosso amor de filhos e filhas, que nos ama muito mais do que nós a Ele. A Bíblia, Palavra de Deus para todos os dias, deve ser nosso livro de cabeceira. Não pode ficar fechada numa estante como um simples adorno empoeirando-se. Ela deve ser lida e praticada dia a dia.

out 07 2020

O Desemprego em Moçambique hoje

Por Isac Velica Maio é o mês dos trabalhadores. Para acompanhar as comemorações atinentes a essa efeméride trazemos para si o contexto actual do desemprego em Moçambique. O nível de desemprego actual A sociedade moçambicana é banhada por chuvas torrenciais de lágrimas de gente que, dia e noite, gasta assuas energias à procura de emprego,porque o desemprego em Moçambique, hoje, é uma realidade e um problema bastante sério. De acordo com o IV Censo de 2017, Moçambique tem uma população de cerca de 28.861.863 habitantes, sendo que 15.061.006 são mulheres, representando 52%, e 13.800.857 homens, correspondentes a 48%. Deste universo, a Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM), em 2019, atesta que o índice do desemprego no nosso país é bastante alto, situando-se em cerca de 24% e atingindo principalmente a camada juvenil. No entanto, a dificuldade de acesso ao emprego formal não é motivada apenas pelas exigências do mercado (como fraca qualificação, empregos limitados), mas também pela falta de transparência no processo de absorção da força de trabalho (corrupção: contratos via familiares ou amigos, exigência de pelo menos cinco anos de experiência, língua inglesa, etc). Políticas públicas de Moçambique O facto curioso é que o emprego é uma palavra chave nas políticas públicas de Moçambique. Como se pode constatar, um dos objectivos da Política de emprego em Moçambique consiste na promoção da criação de emprego contribuindo para o desenvolvimento económico e social do país e bem-estar dos moçambicanos . Além disso, o Plano Quinquenal do Governo 2015-2019 enfatiza a prioridade de criar emprego como caminho para redução da pobreza . Outrossim, o primeiro número do artigo 122 da CRM reza que “o trabalho é a força motriz do desenvolvimento e é dignificado e protegido”. Ora, na realidade, vê-se que o emprego é uma palavra frequentemente usada para justificar políticas, estratégias e defender projectos de investimento e quaisquer que sejam as decisões; os mecanismos de criação de emprego decente, mais produtivo e que promove o desenvolvimento da sociedade e das pessoas, permanecem não descutidos. Consequências do desemprego Desta maneira, a falta de emprego propicia o aumento de criminalidade, o consumo de álcool e drogas, o aumento de marginalidade, a prostituição e os casamentos prematuros . Estudos feitoscomprovam também que o desemprego aumenta osproblemas relacionados com a saúde física e mental do trabalhador; impulsiona a radicalização política, tanto à direita como à esquerda, bem como a desorganização familiar e social; faz aumentar os divórcios, etc . O que fazer? Portanto, como via de minimização dessa praga, é preciso que haja incentivo ao investimento privado, implementação de políticas fiscais e monetárias adequadas, aumento das despesas públicas, flexibilização do mercado de trabalho, trabalho compartilhado, treinamento e requalificação de recursos humanos, além de outras possibilidades.   BOX A cultura do trabalho “O camponês é preguiçoso, o produtor tradicional é sinal de subsistência e favorece uma mentalidadede dependência!”, são estas algumas falsas afirmações que geralmenteindicam que os trabalhadores agrícolas moçambicanos, e africanos em geral, não têm uma cultura do trabalho. Mas isto não é  teoricamente defensível em termos de ciências sociais. Todos têm uma cultura do trabalho; ou seja, a maneira como as pessoas trabalham reflecte as normas e as representações culturais relativamente ao trabalho. Quando se afirma que os camponeses moçambicanos não têm uma cultura do trabalho, usa-se geralmente a expressão de modo pejorativo e muitas vezes relacionadas com formas de pensar “tradicionais”, mas a proposição cobre um leque ambíguo de significados. Há quem afirme que muitos moçambicanos, particularmente os das zonas rurais, não gostam de trabalho árduo, que são preguiçosos ou indisciplinados no modo como trabalham e que não estão habituados às condições do trabalho assalariado. Se têm emprego, chegam tarde, quando chegam, e saem cedo. Como tem sido observado por críticos, a proposição de que “os africanos não têm uma cultura do trabalho” é uma reminiscência de velhos estereótipos amplamente utilizados no mundo colonial, e não apenas em Moçambique, para explicar conflitos de trabalho nas plantações. A ausência de uma cultura do trabalho continua, de facto, a ser usada para explicar conflitos laborais actuais. (Bridget O’Laughlin, IESE 2017)

out 07 2020

ESTA TERRA PERTENCE AO POVO

Moçambique é uma terra abençoada. Actualmente cresce a onda de descobertas e redescobertas de recursos minerais em diversas províncias. Na bacía do Rovuma, por exemplo, enormes reservas de gás e ouro subjazem no solo. Mas quem se beneficia destas riquezas naturais? Será a maioria da população? Quem do povo simples (os eternos excluídos) sabe das quantidades e volumes desses jazigos naturais? O máximo que pode acontecer é beneficiar de reassentamento para viver em casotas cheias de rachas e muito calor. Empresas de grande vulto fazemos seus investimentos na corrida ao carvão, areias pesadas, pedras preciosas, ouro, diamantes, gás, madeira e pescado de primeira qualidade e ocupação de terras férteis para a prática da agricultura. Ora, os milhares de milhões de dólares que as empresas investem porque não podem beneficiar o povo? Não seria um meio que lhe permitiria sair da miséria? Para onde vai esse dinheiro? Numa ocasião, li um texto que dizia: “É arriscado criticar a hierarquia de um país que desde a independência é governado de forma autoritária”. E quando se ousa “tossir um pouco”. uma bala é destinada para calar eternamente o autor da “tosse”. Não é o caso de dizer que somos “os condenados da terra” de Frantz Fanon. Os Bispos de Moçambique em 2017 escreveram: “A terra em Moçambique está em agonia profunda! De todos os países africanos, o nosso país é um dos mais cobiçados pelas empresas e países estrangeiros nestes últimos anos. Em todas as províncias do país estão a surgir conflitos por causa da terra. Não devemos aceitar um modelo de desenvolvimento que privilegia o lucro individual em detrimento da dignidade do ser humano e dos direitos das comunidades. Não devemos aceitar uma sociedade cuja economia está centrada na idolatria do dinheiro. Assim, cuidemos das relações com os nossos irmãos e com toda a criação” (Carta Pastoral). Nós somos os abençoados da terra. Sim! Deus cumulou a nossa terra de muitas riquezas. Mas cabe a nós criar mecanismos de distribuição equitativa dos recursos existentes. Neste mês dedicado aos trabalhadores de diversas espécies e categorias é preciso tomar consciência de quantos desvalorizados, mesmo com profundo suor que vem do seu trabalho, dos marginalizados, dos garimpeiros que morrem soterrados nas minas de Moçambique, dos empregados domésticos, e de tantos outros trabalhadores que ao romper do sol se predispõem à labuta, mas para receberemoseu salário é preciso tocar latas até rebentar as mãos, vertendo sangue escuro. Ao celebrar o mês dos trabalhadores devemos recordar alguns pecados no trabalho: Inveja, intolerância, ganância, preguiça, soberba, gula, impaciência, insatisfação, etc. Por vezes, essas doenças ofuscam a capacidade de reconhecer as qualidades e competências do outro. Se a terra é nossa, lutemos para que juntos possamos construir um país de que temos direito de nos orgulharmos. Por Kant de Voronha

out 07 2020

A Dignidade da pessoa humana

A dignidade da pessoa humana é um conjunto de princípios e valores que têm a função de garantir que cada cidadão tenha os seus direitos respeitados pelo Estado. O principal objectivo é garantir o bem-estar de todos os cidadãos. O princípio está ligado a direitos e deveres e envolve as condições necessárias para que uma pessoa tenha uma vida digna, com respeito a esses direitos e deveres. Também se relaciona com os valores morais porque tem por objectivo garantir que o cidadão seja respeitado em suas questões e valores pessoais. A dignidade da pessoa humana e os direitos fundamentais Muitos direitos básicos do cidadão (direitos fundamentais) estão relacionados como princípio da dignidade da pessoa humana, principalmente osindividuais e colectivos e os direitos sociais. O respeito aos direitos fundamentais é essencial para garantir a existência da dignidade. E é justamente por esse motivo que a dignidade da pessoa humana é reconhecida como fundamental pela Constituição da República de Moçambique.Os Artigos 35; 36 e 44 (CR) atestam isso de forma conjunta. Osdireitos individuais e colectivossão os direitos básicos que garantem a igualdade a todos os cidadãos. Os mais importantes são:direito à vida,direito à segurança,igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres,liberdade de manifestação do pensamento,liberdade de crença em sua religião; protecção da intimidade, liberdade para o trabalho, liberdade de locomoção e liberdade de exercer actividades artísticas ou intelectuais. Já osdireitos sociaissão os direitos relacionados com o bem-estar do cidadão. Alguns exemplos:direito à educação e ao trabalho,garantia de acesso à saúde, transporte, moradia, segurança, previdência social,protecção às crianças, à maternidade e aos mais necessitados.   A dignidade da pessoa humana e o Estado Democrático de Direito A dignidade da pessoa humana é um princípio do Estado Democrático de Direito, que é o Estado que respeita e garante os direitos humanos e os direitos fundamentais dos seus cidadãos. Assim, ela pode ser entendida como um princípio que coloca limites às acções do Estado. Dessa forma, a dignidade da pessoa humana deve ser usada para basear decisões tomadas pelo Estado, sempre considerando os interesses e o bem-estar dos cidadãos. Isso significa que, além de garantir às pessoas o exercício dos seus direitos fundamentais, o Estado também deve agir com cuidado suficiente para que esses direitos não sejam desrespeitados. É uma obrigação do Estado, através do governo, tomar medidas para garantir osdireitos e obem-estar dos cidadãos. Da mesma maneira, também é tarefa do Estado cuidar que osdireitos fundamentais não sejam violados.

out 07 2020

EU SOU UM NEGRO MUITO CARO

Por Kant de Voronha Em muitas ocasiões, famílias há que se dizem civilizadas e, portanto, portadoras da cultura do outro continente estrangeiro. Esse tipo de pessoas não se identifica nem tão pouco com a cultura dos seus pais e antepassados. Vivem como se fossem oriundas de Portugal ou Espanha ou Brasil. Tudo quanto as caracteriza é a cultura doutro mundo. Única coisa que estimam é a cultura da Televisão. Lembra-me, igualmente, aquilo que um senhor disse emcerta altura ao afirmar que: “Existe a civilização de não saber nem querer falar a língua Emakhuwa. Um fenómeno estranho verifica-se entre alguns membros que são mas não querem identificar-se como pertencentes à etnia Makhuwa: não sabem falar a língua; e isso chamam de “civilização”; repreendem os seus filhos se os apanham a falar essa língua; expulsam empregados que se atrevem a falar Emakhuwa no recinto da casa. Será Auto negação?” Ao ler esta afirmação que é verdadeira, caiu-me um oceano de lágrimas escorregando sobre o meu rosto macio. Parecia ter visto uma legião de fantasmas rodeando a minha presença. Chorei porque conheço inúmeras pessoas que realmente pensam ser civilizadas. São pessoas que nos envergonham porque elas próprias se envergonham da nossa cultura. Nasceram cá, no meio duma floresta e cresceram no clima ambiental de muitos de nós. Mas porque leram um pouco, tentam esquecer não só a sua cultura, como também os seus pais e familiares. É uma autêntica vergonha cultural. São pessoas que vivem sem identidade, carregadas de falsidade porque vivem de aparências. Tudo quanto fazem é aparentar-se com aparência, mas o coração está vazio, desprovido daquilo que lhe é essencial. Talvez esqueceram que “as aparências enganam”. Na verdade, há muitas pessoas que não falam a língua materna; proíbem seus filhos de aprender e falar a língua local com seus amigos e fingem de viver como estrangeiros. Enganam-se a si próprios e enganam a quantos acreditam em suas mentiras. Vivamos como nós e sejamos protagonistas da nossa cultura. Pois, aqueles de quem queremos imitar a língua e a cultura, torcem por manter a hegemonia da sua própria cultura e língua maternas. Não adianta tentar viver como não natural de cá enquanto o seu berço é negro e a sua cultura makhuwa ou maconde ou Sena ou ainda Nyungwe, Ndau, machangana, etc. Identifiquemo-nos connosco mesmos e uma verdadeira pessoa não se envergonha de ser o que é. Aliás, o desconhecimento da língua remete-nos à ignorância da sua cultura. Por isso mesmo, a língua é uma das manifestações culturais que fundamentam a identidade de um povo. É também um dos elementos essenciais na construção da subjectividade, possibilitando o elo das novas gerações com a herança cultural da comunidade a que pertencem.A oralidade, em especial, é a manifestação da língua viva e, como tal, é dinâmica, variando de acordo com o uso que fazem dela. Assim, é pela oralidade que a identidade de um povo se mostra com mais força, revelando a diversidade, os conflitos, as tendências presentes em sua sociedade. Tal como acontece em muitas famílias que vivem nas cidades, o casal de Malaquias Omar e Josina Mussa tem 3 filhos. Malaquias nasceu em Morrumbala e Josina teve a sorte de nascer na cidade de Maputo. Por ironia do destino, este casal fixou a sua residência na cidade de Nampula onde trabalham para combater a fome e ganhar o pão de cada dia. Juju, Fifi e Fufa (a tripla desse casal) não sabem outra língua moçambicana senão a língua de Camões (Português). Juju tem 25 anos. Depois de terminar a Faculdade teve a oportunidade de trabalhar como técnico agrónomo no distrito de Lalaua. Outra chance não havia senão falar com os camponeses em Emakhuwa que ele não sabia. Um mês depois, tentando enganar que sabia morder algumas palavras de makhuwa, voltou para dar relatório a seus pais com desejo ardente de abandonar o serviço. Assim que chegou a casa de seus pais disse: “Vocês são culpados. Se me tivessem ensinado ou se me deixassem aprender emakhuwa hoje não estaria a passar por esta vergonha. Estou quase para ser despedido no serviço porque não consigo comunicar-me com os camponeses”. Carregado de lágrimas nos olhos, Malaquias soluçou algumas palavras em jeito de resposta: “Filho, eu sou um negro muito caro. Já estou civilizado. Isso de falar língua local é rebaixar-se”. É assim como muitos moçambicanos se inferiorizam negando as suas origens culturais. E também é dessa mesma forma que alguns jovens perdem oportunidades de trabalho por falta de domínio da língua materna. Será o seu caso? E mais não disse!

out 06 2020

Visão Mundial implementa projecto “juntos educando a criança”

Cerca de 25 (vinte e cinco) milhões de meticais é o valor que será usado pela Visão Mundial na província de Nampula para a materialização do projecto “Juntos educando a criança” terceira fase. O Projecto “Juntos Educando a Criança” está ser implementado nos distritos de Muecate e Nacaroa em Nampula e, prevê-se abranger um total de 50 mil crianças dos dois distritos ate o termino do projecto. Na segunda fase do projecto que terminou no mês de Setembro último, estava orçado em 50 milhões de meticais e o mesmo tem como objectivo de melhorar a qualidade de aprendizagem de crianças em idade escolar e as boas práticas de saúde, higiene e nutrição. Até Setembro último, o projecto já construiu várias infra-estruturas escolares como 29 escolas, 435 blocos de latrinas melhoradas, 160 cozinhas e armazéns escolares e 57 novos furos de água para além de fornecimento de 45,671,038 refeições para alunos e professores, apoio ao sector de saúde na desparasitação e distribuição de vitaminas para 71,258 alunos, apoio a 90 grupos de pequenos agricultores em técnicas melhoradas de produção e fornecimento de insumos, capacitação de 1.322 professores e 245 Directores das Escolas em abordagens pedagógicas. O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues Alberto, explicou que as actividades realizadas pelo projecto “juntos educando crianças”, teve um grande impacto na construção de infra-estruturas escolares e no fornecimento de refeições e de material didáctico aos alunos das classes iniciais. Manuel Rodrigues disse que o projecto depois do seu término nos próximos anos, não deve morrer como tal, com tudo, as organizações envolvidas devem continuar a trabalhar junto do governo para a contínua materializarão do projecto dentro das escolas e comunidades desta parcela do país. O Director interino da Visão Mundial, Manuel Januário, explicou que durante a segunda fase do projecto juntos educando a criança, o sector que dirige já ajudou varias escolas dos distritos de Nacaroa e Muecate na construção de varias infra-estruturas e entregue diversas materiais didácticos aos alunos de ensino inicial dos distritos onde o projecto está a ser materializado. (Júlio Assane)

out 01 2020

Cerca de três mil famílias vão beneficiar da corrente eléctrica em Niarro

Mais de três mil habitantes residentes no posto administrativo de Napipine localidade de Niarro na cidade de Nampula vão dentro de trinta dias beneficiar-se de um PT para o abastecimento da corrente eléctrica. A obra da expansão da corrente eléctrica para a localidade de Niarro, posto administrativo de Napipine,terá 600 metros de rede de média tensão e está orçada em 5 milhões e duzentos mil meticais. Numa primeira fase serão beneficiados um total de 300 consumidores e a previsão será de abastecer um total de 1000 casas. O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues Alberto, explicou que o abastecimento de energia para aquela zona residencial é o cumprimento da promessa feita pelo seu governo em trazer a energia para Niarro, localidade que há dez 10 anos atrás aquela comunidade tanto chorou para ter energia. Manuel Rodrigues disse que o governo de Moçambique reconhece que a energia eléctrica é o motor para o contínuo desenvolvimento da actividade económicas no país e em particular nos distritos e localidades da província económica da região norte de Moçambique. “Com a energia que será montada nesta zona residencial, vai melhorar as condições de vida dos moradores e, combater a pobreza no seio da comunidade de Niarro” sublinhou o governador de Nampula. A fonte prometeu que o seu executivo vai continuar a fornecer a energia eléctrica para mais localidades dos distritos de Nampula. Manuel Rodrigues exortou a comunidade de Niarro, para quando chegar a corrente eléctrica naquele bairro, todos sejam vigilantes para evitar a vandalização da rede, porque segundo suas palavras, existem pessoas que não gostam ver os outros a desenvolver. (Júlio Assane)

set 29 2020

Aumentam casos de mordedura canina em Nampula e Nacala

O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues Alberto, mostra-se preocupado com o aumento de casos de mordedura canina que está a ser registada na província económica da região Norte do país. Só nos primeiros seis meses deste ano em Nampula foram registados cerca de 1480 casos de pessoas mordidas por cães. Por conta disso, o governador da província de Nampula procedeu ontem (28/9) o lançamento da campanha de vacinação de cães, com a qual se pretende vacinar um total de 60 mil cães só na província de Nampula. A campanha de vacinação contra a raiva lançada ontem pelo governador de Nampula tem em vista a mobilização de recursos e aplicação de conhecimentos para melhor prevenção e controlo, com a finalidade última de eliminar a transmissão da raiva canina ao Homem. A dada que é celebrada anualmente, tem por objectivo consciencializar as pessoas de todo o mundo, sobre o impacto dramático da doença, pelas mortes que causa ao nível das comunidades e principalmente nas crianças. Para este ano, o dia foi celebrado com o lema “acabe com a raiva, colabore, vacine”. O governador da província de Nampula explicou que os números de mordedura canina a nível mundial é preocupante, porque segundo suas palavras, cerca de 59 mil pessoas morreram de mordedura canina em todo o mundo, e destes números, cerca de 95 por cento das mortes registadas ocorreram em África e Ásia cujas principais vítimas têm sido crianças. “No nosso país cerca de 100 pessoas por ano morrem por mordedura canina” – sublinhou Manuel Rodrigues. Deolandeu de Azevedo chefe provincial de pecuária explicou que os distritos que apresentam maiores índices de mordedura canina em Nampula, são os de Nampula e Nacala, pelo facto destes distritos terem um número elevado de cães vadios ou seja sem dono. A fonte disse que para reduzir o número elevado de mordedura canina em Nampula, a direção provincial de agricultura em parceria com o Conselho autárquico estão a levar a cabo a campanha de captura de cães sem dono e a sua respectiva conservação. (Júlio Assane)

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