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fev 18 2022

Empossada nova equipa formadora do Seminário Filosófico Interdiocesano de São Carlos Lwanga de Nampula

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) declarou hoje (18/02) aberto o ano lectivo e formativo do Seminário Filosófico Interdiocesano de São Carlos Lwanga de Nampula, congregando um total de 107 seminaristas entre diocesanos e religiosos. Na ocasião foi empossado para Reitor o Pe. Avelino Arlindo, e os padres Benvindo Tápua, como Director Espiritual, Trindade Alaneque para Prefeito dos estudos, e Estevão Ângelo para Ecónomo do Seminário. O Bispo de Gurúe e Referente dos Seminários ao nível da CEM, Dom Inácio Lucas, que presidiu a missa de abertura, sublinhou a necessidade de comunhão expressando a mesma linguagem e que os estudantes sejam conduzidos a assimilar conteúdos da Filosofia Escolástica. “É preciso ter fé em Jesus, para encontrarmos a razão de estarmos no Seminário, não obstante a diversidade dos dons espirituais e dos ministérios. É preciso ser um só corpo para os irmãos e para a Igreja, pois o Espírito é o mesmo. Aquilo que se pretende é que os seminaristas aprendam a filosofia da escolástica, que conduz à salvação” referiu a fonte. O Reitor cessante, Pe. Francisco Augusto, disse ter sido “uma experiência maravilhosa a sua estadia no Seminário” e salientou a sua disposição em colaborar para a Igreja no que ele for necessário. Por seu turno, o novo Reitor que tomou posse na manhã de hoje, Pe. Avelino Arlindo, mostrou-se preocupado por causa de algumas dificuldades que grassam a vida do Seminário em alusão: a falta de Bíblias de estudos e Breviários para seminaristas, a escassez de água, a conclusão do novo edifício do Seminário Filosófico, a insuficiência de transportes, a falta de biblioteca e salas condignas, a invasão do terreno do Seminário pela população, a insuficiência de camas, entre outros. Contudo, garantiu que, de forma incansável, a sua equipa buscará soluções dos problemas para tornar eficaz a formação, ao mesmo tempo que pediu a colaboração dos bispos. Nas ocasião, o Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, agradeceu a disponibilidade da nova equipa formadora e apelou aos seminaristas que tomem a peito a santidade de vida, o amor ao trabalho intelectual e manual. De referir que o Seminário Filosófico em Nampula nasceu como salas anexas do Seminário Filosófico de Santo Agostinho da Matola em 2013 e um ano depois passou a funcionar como Seminário autónomo sob tutela da Arquidiocese de Nampula (2014). A partir de hoje passa a ser propriedade da CEM com a designação de Seminário Filosófico Interdiocesano de São Carlos Lwanga de Nampula. Por Pe. Serafim João Muacua

fev 18 2022

Paulo Vahanle burlado e enganado pela ZAC construções

Paulo Vahanle, Edil da cidade de Nampula, exige que a ZAC construções, empresa responsável na asfaltagem da estrada que liga ao Hospital Geral de Marrere a devolução do valor pela má qualidade das obras. Trata-se da estrada que sai da EN1 ao Hospital Geral de Marrere que estava orçada em mais de 40 milhões de meticais, valor proveniente das receitas do município, que uma semana após a sua inauguração a via ficou completamente destruída por conta da fúria da tempestade tropical Ana que fustigou a região norte e Nampula de forma particular. Até ao momento a via foi interrompida para ser reconstruída, por conta da degradação que a mesma apresenta. Em virtude desta triste realidade que abalou internamente o Município, Paulo Vahanle juntou na mesma sala os representantes da ZAC construções e seus fiscais para distanciar-se do fracasso e exigir a devolução do valor aplicado para a construção da infra-estrutura que por alguns dias já foi cartão-de-visita nos olhos dos munícipes da cidade de Nampula. “Vocês enganaram os munícipes da cidade de Nampula e mancharam o nome de Paulo Vahanle e a governação da RENAMO. Nós queremos a devolução do valor, menos da ponte” rematou Vahanle tendo-se referido que a ZAC construções e o fiscal vão pagar por danos materiais e morais causados ao município de Nampula e aos seus munícipes. A ZAC construções na voz dos seus representantes, referiu que no acto da construção não tinha feito estudo ambiental, dai que depois da construção foi descoberta uma nascente nas margens da rodovia. “Pedimos desculpas aos munícipes da cidade de Nampula, pela vergonha prometemos melhorar a transitabilidade dentro de dias”, disse o representante da ZAC construções. Doravante, Paulo Vahanle visivelmente agastado com a situação, lançou o dedo acusador aos gestores da construtora de não saberem como se faz uma estrada, dai que voltou a exigir que devolvam o valor aplicado para a colocação do asfalto, exceptuando a ponte que foi construída em perfeitas condições. Importa referir que até ao momento a transitabilidade de pessoas e bens foi interrompida por conta da retoma da reabilitação da mesma estrada. (Júlio Assane)

fev 18 2022

INGD de Nampula recebe 65 toneladas de produtos alimentares da Nacala Logistics para as famílias residentes ao longo da linha férrea

É uma acção que se enquadra na responsabilidade social da Nacala Logistics, empresa responsável na exploração de carvão mineral no distrito de Moatize na Província de Tete. Dos produtos canalizados ao Instituto Nacional de gestão de Desastres (INGD) destacam-se arroz, óleo, farinha de milho entre outros produtos que serão oferecidos às famílias residentes nas proximidades da linha férrea que perderam os seus produtos alimentares por conta das chuvas que se fazem sentir na província de Nampula, segundo fez saber Tomás Mucovela da Nacala Logistics. “Depois de um trabalho no terreno com a equipa do Secretário de Estado da província de Nampula, e nós como empresa com responsabilidades sociais, nos juntamos a causa humanitária onde providenciamos vários kits, como forma de fazer assistência as famílias que residem nas extremidades do corredor do desenvolvimento do norte” avançou Mucovela que garantiu realizar iniciativa de género também na província de Niassa. Por seu turno, Alberto Armando, Delegado do INGD daquela parcela do País, agradeceu pelo gesto e garantiu que os produtos serão entregues aos legítimos destinatários e espera que iniciativas similares sejam feitas pelas demais organizações. “Este apoio vem num momento oportuno para atender as famílias que se encontram a viver nas proximidades da linha férrea que perderam os seus produtos por conta das chuvas” disse a fonte. Na sequência deste infortúnio, a fonte referiu que mais de 38 mil pessoas foram afectadas pelas intempéries nos distritos costeiros e alguns do interior. (Júlio Assane)

fev 15 2022

Cresce o número de crianças envolvidas no trabalho infantil

A Lei de Promoção e Protecção dos Direitos da Criança, no seu artigo 47, não há sombras de dúvidas que existe apenas no papel, e o seu cumprimento está longe de se concretizar. O exemplo deste triste cenário é o registo de índices alarmantes de exploração infantil desta classe social, facto que é notório no dia-a-dia na cidade de Nampula e arredores. Esta realidade disparou com a eclosão da pandemia mundial da Covid-19, que impactou de forma negativa em algumas famílias, parte destes que até perderam os seus postos de trabalho, que eram garante de sustento. São petizes que ao invés de abraçar as aulas são forçados pelos seus progenitores a trabalhar para assegurar sustento dos seus irmãos. Nas nossas andanças diárias, encontramos Albino Abacar e Mariamo Abdala residentes no bairro de Namicopo, ali próximo da residência oficial do Bispo de Nampula, depois de percorrer longas distâncias com uma bacia na cabeça cheia de lanho (Coco) contaram-nos que trabalham para ajudar os seus encarregados de educação a manter equilibrio nas despesas de casa. “Se nós não sairmos para vender, não teremos direito a nenhuma refeição diária em casa” disseram os petizes visivelmente agastados, os quais referiram que não têm como se não obedecer os seus progenitores. Assim como Albino Abacar e Mariamo Abdala, encontramos Janeth António e Suzana Armando duas menores de idade que vivem no bairro de Mutauanha arredores da cidade de Nampula, que também exercem a actividade comercial nas ruas e avenidas daquela circunscrição geográfica para manter as despesas de casa. “Por dia nós conseguimos ganhar com as mossas vendas cerca de 500 a 700 meticais, que é usado para comprar comida e outro nossas mães usam para comprar capulana”. Referiram os nossos entrevistados. Importa referir que para além do comércio realizado por estas crianças, outras são sujeitas a trabalho de exploração de pedras preciosas e semi-precisas. (Júlio Assane)

fev 15 2022

Hospital Central de Nampula mostra-se preocupado com o aumento de pacientes que dão entrada padecendo de Diarreias

Só no primeiro mês do ano em curso, o Hospital Central de Nampula registou 93 pacientes que deram entrada padecendo de diarreias. Falando em conferência de imprensa na cidade de Nampula, Mariamo Ussene, médica Clinica Geral do Hospital Central de Nampula, fez saber que a maioria de casos que deram entrada na maior unidade sanitária da região norte do pais, são de pacientes oriundos dos bairros de Muahivere e Namutequeliua arredores da cidade de Nampula. Mariamo Ussene associa a causa da doença, a prática do fecalismo a céu aberto, consumo de água não tratada e de alimentos contaminados nas comunidades desta circunscrição geográfica. Aliás, a fonte entende que nesta época chuvosa frequentemente ocorrem doenças de origem hídrica, dai que avança algumas acções com vista a reduzir o fenómeno. “Nós como sector de saúde estamos a dar palestras ao nível das enfermarias onde estão os doentes com os seus respectivos acompanhantes” Disse Mariamo Ussene a medica clinica geral do Hospital Central de Nampula, referiu que as palestras têm como conteúdo as medidas de prevenção das doenças diarreicas, como a lavagem frequente das mãos e tratamento da água. Doravante, Mariamo Ussene avançou que no período em alusão, o Hospital Central de Nampula, recebeu e atendeu pacientes padecendo de outras patologias com maior destaque para a mordedura canina, agressões físicas e acidentes de viação. (Júlio Assane)

fev 15 2022

Agricultores de hortícolas na cintura verde da cidade de Nampula queixam-se de roubos dos seus produtos

Trata-se de um caso recorrente, facto que esvazia todo esforço empreendido por alguns agricultores, que vêem a actividade como sustento para os seus dependentes. Segundo Maurício Jaime produtor de hortícolas localizada na cintura verde do bairro de Napipine, o esquema tem surtido efeitos na calada da noite, onde os supridores se fazem as machambas tirando toda a produção, cujo destino supõe-se que seja a venda. “Alguns roubos de hortícolas são feitos por nossos colegas e por pessoas que se fazem de compradores” afirmou o nosso entrevistado, o qual sublinhou que, como forma de combater o imbróglio, montou-se lâmpadas em todos os cantos da horta como forma de persuadir os amigos do alheio. A fonte sublinhou que nas três épocas deste ano, já perdeu cinco canteiros que equivale a dez mil meticais. Quem compartilha as lamentações de furto, é o senhor Avelino Armando que também depende desta actividade, que só neste ano já perdeu cinco canteiros de couve e alfasse que equivale a 11 mil meticais. Estes soltam o grito de socorro para as autoridades de direito, com vista a travar este negro cenário que assola a área verde da cidade de Nampula. (Júlio Assane)

fev 13 2022

Paróquia do Imaculado Coração de Maria do Anchilo conta com o novo Pároco

Trata-se do Padre Jacinto Augusto, do Clero Diocesano de Nampula, que tomou posse na manhã de hoje, VI Domingo do Tempo Comum (13/2) durante a Missa celebrwtiva. O Director do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, Pe Pinho dos Santos Martins Afonso, que presidiu a Eucaristia e a tomada de posse do novo pároco exortou aos fiéis para que se unam à nova equipa missionária para a edificação de uma pastoral ao espírito da sinodalidade desejada pela Igreja. “A vós membros do Conselho Paroquial e fiéis cristãos exorto-vos à comunhão e trabalho zeloso ao serviço do Reino de Deus unidos aos vosos padres que hoje tomam posse”. Ao novo Pároco, Pe Pinho exortou a servir-se de três (3) pilares no exercício do seu ministério pastoral: “a Palavra de Deus, a Tradição e o Magistério da Igreja”, explicou o clérigo. Durante a cerimónia de juramento e confissão de fé, o novo Pároco mostrou-se disponível de servir ao rebanho do Senhor com zelo e espirito sinodal e em conformidade com os ditames da Santa Igreja. Na ocasião, o Decano do Clero Diocesano, o Pe Avelino Arlindo, leu a provisão do Vigário Paroquial, o Pe Serafim João Muacua igualmente do Clero Diocesano de Nampula. Refira-se que o novo Pároco toma posse em substituição do Pe Cantífula de Castro que serviu a Paróquia do Anchilo por três anos (2019-2021). Por Kant de Voronha

fev 07 2022

Seminário Mater Apostolorum abre ano lectivo com 70 formandos

O Reitor do Seminário Propedêutico Mater Apostolorum de Nampula, o Reverendo Pe Simone Adriano, falando na manhã desta segunda-feira (7/2) em Nampaco, diz esperar que o novo ano letivo e formativo seja consuzido pela força e luz do Espírito Santo. O ensejo foi expresso ao longo da celebração eucarística da Festa das Cinco Chagas do Senhor na Capela do referido Seminário. Pe Simone referiu que o Seminário que dirige tem 70 seminaristas sendo 56 da Arquidiocese de Nampula e 14 da Diocese de Lichinga. Dom Inácio Saure, que presidiu a Eucaristia, encorajou os jovens seminaristas oriundos das dioceses de Nampula e Lichinga e das congregações dos missionários combonianos, São João Baptista, Sagrada Familia e Claretianos. O prelado ficou entusiasmado pelo número elevado de formandos do primeiro ano. Os seminaristas são convidados a revestir-se de simplicidade de vida em todos os contextos porque “A humildade é uma virtude necessária para os ministros sagrados” disse Dom Inácio em sua homilia. Se lhe faltar humildade durante todo tempo formativo depois torna-se um padre arrogante porque não se deixou moldar à semelhança de Cristo que foi trespassado e ferido, mas sem se exaltar valendo-se de sua divindade. “Somos todos discípulos na escola de Cristo” explicou a fonte. Refira-se que a equipa formadora do Seminário Propedêutico Mater Apostolorum de Nampula é constituída pelos padres Simone Adriano (Reitor), Saide Ângelo (Ecónomo), Adelino Lopes Alfredo (Director Espiritual).

nov 05 2021

“EU NÃO TENHO MEMÓRIA DE ELEFANTE”

Uma sociedade de pessoas maduras, bem-educadas e responsáveis é aquela em que cada um assume a responsabilidade pelos seus actos. Não existe maturidade sem responsabilidade. A capacidade de dizer que “eu fiz isso. Eu sou culpado!” Perde-se ao mesmo tempo que desaparece a moral que orientava nossas existências como africanos. Hoje, diante do tribunal, as pessoas são capazes de invocar a embriaguez e os maus espíritos para fugir da responsabilidade da agressão aos seus filhos e sua esposa. Por falar em tribunal, assistimos nestes dias o julgamento do caso das dívidas ocultas. E, como não podia deixar de ser, como pessoas pertencentes a nova geração de jovens moçambicanos sem hábito de assumir a responsabilidade pelos seus actos, certos arguidos preferem dizer simplesmente que não se lembram dos factos que os envolvem ao caso. E quem pensa que quem adopta esta estratégia são apenas eles está enganado! Há jovens dizendo aos seus pais que se esqueceram que deviam fazer uma certa actividade para fugir da responsabilização; há inclusive alunos em tenra idade que são capazes de dizer aos seus professores que se esqueceram do caderno para não ter o castigo de não terem feito o trabalho de casa. Quer dizer que agora também, a negação absoluta de factos tornou-se uma forma de escapar da responsabilidade. Mas como chegamos até aqui? A nova geração, constituída maioritariamente por cidadãos irresponsáveis, pode ser resultado de factores combinados que, pelo hábito, não estamos interessados em assumir. A nossa educação tradicional está em agonia porque achamos que os valores mais aceitáveis e altos são os acidentais. A nossa educação formal desligou-se da realidade porque segue princípios estranhos a realidade. Os melhores valores já não são os nossos, mas são aqueles que proclamam mais os direitos e menos os deveres. Com efeito, nas famílias, as crianças não são mais ensinadas a lutar pelo seu bem. São acostumadas a receber de graça sem conquistar pelo seu esforço. Exigir algo de uma criança já se tornou violência doméstica porque o novo conceito de amor implica dar tudo às crianças. Esta pode ser a situação que criou as condições da amnésia dos ndambis e langas. Se continuarmos a criar uma sociedade de gente com amnésia e irresponsável, em breve teremos uma lei inaplicável, uma sociedade sem orientação e, pior ainda uma geração de cobardes que nunca estará disposta a assumir um papel fundamental no serviço à pátria. Formar pessoas adultas significa instruir nossos filhos para que não se tornem folgados. As nossas escolas, as famílias e as nossas instituições tradicionais precisam de reformular seus critérios para não construir uma sociedade de pessoas que esquecem tudo por conveniência, para fugir da responsabilidade pelos seus actos. Sempre disse que a falta de hospitais e escolas no nosso país não tinha nada a ver com falta de dinheiro nos cofres do Estado. A má qualidade das estradas e de serviços públicos que se insiste aliar à exiguidade de recursos não passa de mentira. Os nossos hospitais não têm profissionais suficientes, as nossas escolas não têm professores com qualidade e quantidade desejáveis não porque falte dinheiro para contrata-los, mas simplesmente porque a nossa gestão Estatal é feita de forma egoísta. Nosso país não é pobre. Criam essa percepção em nós para não reclamarmos, não exigirmos demais. Há anos que assistimos pequenas pontes serem construídas, carros do Estado serem reparados, pequenos blocos de salas de aulas a serem erguidos com a declaração de terem custado altas somas de dinheiro quando na verdade custaram pouco. Os gestores aumentam os valores do custo, sobre-facturam para se beneficiarem dos trocos. É assim que nossos dirigentes enriquecem. Para eles não importa a qualidade de serviços e de infra-estruturas oferecidas ao povo. O que importa para eles é o ganho que terão nessas obras. O mesmo acontece com o aumento de salários. Há anos que o aumento do salário não passa de míseros 500 meticais. A justificação para não aumentar mais, apesar do peso do custo de vida sobre os trabalhadores é que o Estado não tem dinheiro. Mas ouvimos que o governo anunciou novos ajustes salariais. Estes ajustes variaram entre 5 a 10%, tendo havido, deforma triste e vergonhosa, um aumento de 100 meticais para o sector do turismo e hotelaria. Curiosamente, ficamos sabendo que o governo aumentou salários e subsídios dos altos funcionários do Estado em mais de 100%. O maior aumento foi do empregado do povo, o Presidente da República, que chegou aos cerca de 390%. Ora, se por um lado o Estado está em crise, graças a COVID-19 e não tem capacidade de aumentar o salário de funcionários subalternos do Estado, eis que de repente, tem dinheiro suficiente não apenas para aumentar salários, mas também os subsídios de altos funcionários e agentes do Estado como o Presidente, deputados, ministros, procuradores, juízes, governadores e secretários de Estado. Não há dúvidas de que um governo assim nunca esteve e nunca estará empenhado no bem-estar do povo. Um governo assim trabalha para o benefício próprio e de seus amigos. Enquanto ainda ruminamos a desgraça causada por uma dívida feita para engordar os bolsos de alguns cidadãos, eis que sem medo, tranquilos, de consciência limpa, os mesmos aumentam seus próprios salários de forma criminosa e insensível. A ser verdade, a reinvenção do nosso Estado e de nossos valores é urgente. Mais urgente que isto é a aquisição da nossa consciência de cidadania para podermos não apenas reclamar das condições péssimas do país nos chapas e debaixo das mangueiras ao sabor da cabanga e da cerveja, mas também e sobretudo, agir como cidadãos, reclamar, impor nossas vontades como povo. Somos explorados pelos nossos próprios irmãos que ganharam o poder porque continuamos adormecidos, conformados na nossa pobreza que nos é imposta por líderes gulosos e egoístas.   Por Deolindo Paúa, in “A nossa Geração”

nov 05 2021

DUAT: segurança para o futuro

Quero pedir a concessão do DUAT do terreno onde resido para tutelar o futuro dos meus filhos. Gostaria de saber quais são os passos a dar para a obtenção do DUAT e se é um documento que tem valor e que possa tutelar o futuro da minha família (Benjamim Luís – Quelimane) Caro leitor Benjamim Luís, como meio universal de criação de riqueza e do bem-estar social, o uso e aproveitamento da terra é direito de todo o povo moçambicano. A terra é propriedade do Estado e não pode ser vendida ou, por qualquer outra forma, alienada, hipotecada ou penhorada. De acordo com o n.º 1 do artigo n.º 10 da Lei n.º 19/1997 de 1 de Outubro – Lei de Terras, podem ser sujeitos do direito de uso e aproveitamento da terra as pessoas nacionais, colectivas e singulares, homens e mulheres, bem como as comunidades locais.   O direito de uso e aproveitamento da terra é adquirido por: a) Ocupação por pessoas singulares e pelas comunidades locais, segundo as normas e práticas costumeiras no que não contrariem a Constituição; b) Ocupação por pessoas singulares nacionais que, de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos dez anos; A ausência de título não prejudica o direito de uso e aproveitamento da terra adquirido por ocupação nos termos das linhas anteriores. Por outro lado, o direito de uso e aproveitamento da terra pode ser transmitido por herança (para os filhos e familiares), sem distinção de sexo.   Não está sujeito a prazo o direito de uso e aproveitamento da terra: a) Adquirido por ocupação pelas comunidades locais; b) Destinado à habitação própria; O direito de uso e aproveitamento da terra não pode ser concedido em zonas de protecção (definidas legalmente) por se tratar de zonas de domínio público, afectas à satisfação do interesse público. Nestas zonas, porém, são admissíveis o exercício de determinadas actividades mediante a concessão de licenças e autorizações especiais.   Para a aquisição do DUAT ao abrigo de uma autorização são necessários os seguintes documentos (Artigo 24 do Decreto 66/98 de 8 de Dezembro) Formulário devidamente preenchido (este documento pode ser obtido junto dos Serviços de Cadastro); Fotocópia de BI/DIRE/Estatutos (este último, se se tratar de pessoa colectiva ou sociedade); Esboço de localização do terreno pretendido pelo requerente; Plano de exploração e/ou projecto de investimento devidamente aprovado pela entidade competente (no caso de actividades económicas); Acta de consulta às comunidades locais; Cópia do edital; Guia de depósito; Recibo comprovativo de pagamento da taxa anual. Reunidos os requisitos, os Serviços de Cadastro submetem o pedido a entidade competente para o despacho. Autorizado o pedido, emite-se a autorização provisória, que tem a duração máxima de cinco anos para os nacionais e dois anos para os estrangeiros (art. 25 da Lei de Terra).   Competência para a atribuição do DUAT Em áreas não cobertas por planos de urbanização: consoante a área de terreno que se pretenda utilizar, o facto de estar inserido numa zona de protecção total ou parcial, e os pareceres que sejam necessários proferir, a competência para a atribuição do DUAT será do: – Governador Provincial; – Ministro da Agricultura e Pescas; – Conselho de Ministros;   Em áreas cobertas por planos de urbanização: – Presidente do Conselho Municipal; – Administrador de Distrito (nos locais onde não existam órgãos municipais); Na titularização do direito de uso e aproveitamento da terra o Estado reconhece e protege os direitos adquiridos por herança ou ocupação, salvo havendo reserva legal ou se a terra tiver sido legalmente atribuída a outra pessoa ou entidade.   Quando requerer o DUAT? A qualquer momento, tendo-se em consideração o seguinte: no caso de pessoas singulares, é necessário que o requerente do DUAT seja maior ou esteja legalmente representado pelo poder paternal (pai, mãe) ou tutor e no caso das pessoas colectivas, é necessário que estas estejam constituídas ou reconhecidas legalmente. O direito de uso e aproveitamento da terra para fins do desenvolvimento de uma actividade económica está sujeito ao prazo máximo de 50 anos, renovável por igual período. Mesmo findo o período da renovação (o que totaliza um período de 100 anos) o interessado pode apresentar novo pedido. Os pedidos para a obtenção do DUAT são apresentados junto dos Serviços de Cadastro da Província onde se localize o terreno pretendido, uma vez preenchidos os formulários exigíveis, este Serviço de Cadastro submete o pedido à entidade competente para a sua apreciação. O prazo máximo definido legalmente, para a tramitação dos pedidos do DUAT é de 90 dias. Por Dr. Armando Ali Amade

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