nov 29 2019
O PAIS DOS “OCULTOS”
O PAÍS DOS “OCULTOS“ Por Alberto António Carlos Moçambique é um país em franco desenvolvimento. Tem recursos que se invejam pelo mundo fora. Recursos da flora, recursos minerais, e, sobretudo petrolíferos, os quais mexem com o mundo. Desde a independência, o país passou por única governação mas com variadas manifestações. Tornou-se independente em fase crítica, economicamente e num preparativo humano/social. Quer dizer, faltava quase tudo e apenas havia liberdade colonial. Isso era o melhor ganho, o ganho dos moçambicanos. Repito “moçambicanos”. Porque todos moçambicanos estavam confortáveis pois sentiam que estavam libertos do poder opressor colonial, o colono português ou de suas influências. Esse era o desejo de todos os que se identificavam como moçambicanos. Há um dado importante neste assunto, talvez seja esse mesmo dado que se tenha esquecido da sua essência “libertar o país da opressão para o bem de todos”. Aqui não há espaço para discriminação. Neste trecho, se entendi, não dá oportunidade para certos grupos, como “o último ou o primeiro moçambicano” de certas personalidades. Portanto, tudo era para o bem-estar socioeconómico, cultural, etc, etc, de todos moçambicanos. O assunto torna-se complicado na medida em que o moçambicano particularizou as coisas colectivas. Na medida em que começou a usar muitas camisolas: camisola politica, camisola económica, social de entre outras cores que envenenam esta sociedade. Daí nasce o problema. O problema tem o nome de “EU”, tem o nome de “MEU”. Aquele plano comum começou a ganhar outras proporções, proporções que até certo ponto desmistificam o nosso ser. O particular substituiu as intenções da independência. A ganância pelos bens materiais confundiu ainda mais os moçambicanos. Me parece que logo que espreitamos a Europa para nos escolarizarmos transformamo-nos em colonos naturais. Tudo passou a necessidades mais pessoais em detrimento do comum. Até este ponto o assunto não estava grave mas não bem. Tudo se complica quando o país enche de coisas ocultas. Adianto a dizer que não importa a posição dos factos nesta descrição mas dos mesmos. O governo tem um desafio de implantar a paz verdadeira em todo país. Devem ser calados os insurgentes de Cabo Delgado e seus acólitos e discípulos. Já vão pelo menos dois anos que se morre de forma brutal, desumana, inaceitável nos distritos do norte da Província de Cabo Delgado. Quem mata? Porque mata? O governo que adquiriu meios para a vigilância do país, num valor muito elevado, não conhece? Os órgãos da justiça espalhados pelo país, os agentes de investigação dos secretos do Estado, igualmente dispersos pelo país, ainda não conseguem identificar os rostos desses criminosos? A polícia de protecção que se encontra em quase todos povoados do país, cai na mesma sorte de vista oculta. Todos com dever de esclarecer não o fazem porque estão penumbrados pelas vontades. Enquanto os inocentes morrem os jornalistas são presos, privados de exercer o seu dever. E quem prende é aquele que tinha de esclarecer o que acontece, como acontece, porque acontece. O alarme é de o facto estar a ganhar proporções elevadas. A sua evolução tende a arrastar-se a fronteiras não só distritais mas também provinciais. Devemo-nos preparar para travar eventual segunda guerra civil. Mas desta vez sem rosto do inimigo? Se for o caso, a quem o governo vai combater? Segundo: O país é orientado pela Assembleia da República, quer dizer, nada pode acontecer, sobre a gestão legal e económica do país, sem o consentimento daquele órgão. Afinal são os representantes do povo. E tudo realizado à sua margem é ilegal, é oculto. O engraçado é que há parlamentares que desafiam consigo mesmos. Defendem ilegalidades. São amigos da ilegalidade. Em suma, são ilegais, são ocultos. Aplaudem o erro porque têm benefícios nisso. Num momento em que o país espreita portas de desenvolvimento mais coisas ocultas enchem. Há indivíduos que se endividam e penhoram o país inteiro e o governo fica taciturno ainda com promessas de pagar a dívida com as divisas de hidrocarbonetos. Será uma tentativa de recuperar as desgraças e voar com duas asas?
nov 20 2019
“Não vos deixeis roubar a Esperança”
“Não vos deixeis roubar a Esperança” «A Conferencia Episcopal Moçambique (CEM) agradece todo o povo moçambicano que acolheu Papa Francisco tão calorosamente, desde os governantes, aos jovens que atentamente o escutaram: os tantos voluntários e pessoas que se envolveram nos diferentes serviços com disponibilidade e empenho, ate ao povo que se abeirou às ruas por onde o Papa passou e lhe manifestou o afecto que é capaz. Quem o acolheu, foi Moçambique! Façamos tesouro das palavras que o Papa Francisco nos dirigiu ao longo da sua visita: ˝Todos vós sois os construtores da obra mais bela a ser realizada: um futuro de paz e reconciliação como garantias do direito ao futuro dos vossos filhos˝…˝Guardai a esperança: não deixeis que vo-la roubem”… “Não deixar que interesses pessoais ou de grupos, intolerância ou vontade de vingança, roubem, particularmente aos jovens, o direito a um futuro de reconciliação e de paz em Moçambique˝. Obrigado, Papa Francisco. (Comunicado Conselho Permanente – CEM 25/9/19) A mais sangrenta de sempre! A Campanha eleitoral 2019 acabou revelando o lado obscuro da política dos País. Contamos com cerca de 36 vítimas, duas centenas de feridos (acidentes, de viação, agressões físicas, acidente durantes o show-micio em Nampula…) e cerca de 74 detidos, mais casas incendiadas, danificação de viaturas, motorizadas e bicicletas. O assassinato, na cidade de XAI XAI no dia 7/10 de Anastácio Matavel, membro da Sala da Paz, observador eleitoral e activista da sociedade civil, perpetrado por agentes da unidade especial da Polícia (como foi confirmado no dia 8/10 pelo porta-voz do Comando Geral da Polícia, Orlando Mudumane revelando que já foi criada uma comissão de inquérito especial para investigar no sucedido), criou um obstáculo intransponível à transparência das eleições e ao respeito pela participação dos cidadãos. O processo de apuramento parcial dos resultados eleitorais (até o dia 16/10) indica que a Frelimo e o seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, parecem estar a caminho da victória, que os partidos de oposição, definem como parcialmente “contaminada”. Enfim, estes resultados parciais indicam que será necessária uma grande responsabilidade e uma forte paixão, por parte dos vencedores, para fazer com que o País se sinta unido e “irmanado”, de Rovuma ao Maputo, procurando o bem-estar de todos os cidadãos conforme as promessas eleitorais.


