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Archive for janeiro, 2020

jan 30 2020

VOLTAMOS AO MONOPARTIDARISMO. DE QUEM É A CULPA?

Geralmente chama-se de monopartidário o regime vigente em países que são governados apenas pela influência ou domínio absoluto ou relativo de um único partido na gestão pública. Nesses países, não existem, pelo menos de forma expressiva, outros partidos políticos. Geralmente neles não há liberdade, há apenas ditadura. Em 1994 as primeiras eleições quebraram o monopartidarismo e o cenário político nacional passou a ser multipartidário, o que estabeleceu a democracia. Desde lá, há partilha de lugares na Assembleia da República pelos partidos políticos que se supõe representarem o povo. Com essa configuração supõe-se que haja debate para a construção do país, as arbitrariedades diminuam, a liberdade dos cidadãos cresça e o bem-estar e a justiça sejam igualitários para todos. 6ªs eleições gerais Ora, as últimas eleições trouxeram reultados pouco animadores para esse modelo já estabelecido. A Frelimo ganhou (segundo os resultados oficiais) de forma retumbante, conseguiu a eleição de dez governadores para todas as províncias, bem como a eleição de 184 deputados. De acordo com analistas conhecedores do direito, com este número de deputados e o controlo quase absoluto das Assembleias provinciais, a Frelimo poderá agir como no periodo entre 1975-1990, ouseja, sozinha poderá fazer o quorum para deliberar em sessões da AR, aprovar o plano do governo, alterar (querendo) a Constituiçãoda República e tomar muitas outras medidas necessárias sem precisar de debate multipartidário. Poderíamos muito bem dizer que o que aconteceu é resultado de um processo eleitoral e que é normal e, por isso, confiarmos no bom senso da Frelimo para assumir essa hegemonia no espírito democrático. Entretanto, a nossa memória não nos permite ser ingénuos e pelo modo de gestão arbitrária e pouco transparente a que a Frelimo nos habituou, temos que duvidar sobre a prevalência da genuína democracia neste quinquénio. Mas a quem podemos atribuir a culpa por este retrocesso democrático? Quase toda a gente, ao falar da viciação dos resultados culpa a Frelimo pela sua desonestidade ao influenciar os órgãos de administração eleitoral e pelos constantes processos eleitorais não credíveis. Estamos de acordo! Mas o que muita gente não colocou em questão nem mesmo os partidos derrotados assumiram é se é possível um partido como Frelimo, tendo margens de manobra que lhe são facilitadas pelos seus adversários poder assistir o seu próprio prejuízo. Algum partido moçambicano que almeja o poder faria isso? Por que motivos 25 anos depois da democracia eleitoral, já nas sextas eleições, o que nos permitiu ter adquirido certa maturidade, a Frelimo continua a viciar resultados de forma fácil, básica, sem esforço e ganhá-las sem que ninguém se dê conta apresentando provas verídicas de viciação? Que capacidades os partidos políticos da oposiçãoe a sociedade civil não têm para contrariar a questionável manutenção no poder da Frelimo? Acho que isto tem a ver com dois problemas.   Primeiro Problema: o medo se sobrepõe ao profissionalismo Em primeiro lugar acho que temos uma sociedade civil cobarde. A nossa democracia não se vai desenvolver enquanto os organismos da sociedade civil e os intelectuais que temos continuarem isolados entre si. São dominados pelo medo e pelo interesse porque agem separados, por isso não denunciam maus tratos, violação de direitos, detenções arbitrárias por medo de represálias. É o medo que faz com que funcionários públicos vistam a camisete vermelha e façam campanha eleitoral contra a sua vontade; é o medo que faz com que agentes da polícia ajam contra a lei e contra a sua consciência, obedecendo a ordem imoral; é o medo que leva magistrados a arquivar processos ou a arrastá-los por longo tempo, a aplicar pena suave ou a ilibar pessoas em tribunais mesmo que tenham manifesta culpa. Em suma, o medo se sobrepõe ao profissionalismo. Onde há medo não há cidadania nem democracia. É ridículo que membros da sociedade civil tenham sido mortos, encarcerados, espancados e ameaçados e ninguém ou nenhum grupo tenha feito nada. Uma sociedade civil forte e que age em bloco seria a protecção contra as arbitrariedades. Separados, continuaremos a assistir aarbitrariedades e a única coisa que conseguiremos fazer serão comentários que não vão mudar nada. Segundo Problema: Interesse próprio Outro problema da sociedade civil é o interesse próprio. A nossa sociedade civil está cheia de pessoas interesseiras capazes de trocar o seu patriotismo pela promessa de somas de dinheiro ou um cargo público. São críticos activos ao regime injusto, apresentam boas propostas de solução, mas apenas tenham frustrações financeiras, basta que lhes façam propostas aliciantes para trair a sua consciência e a causa patriótica.Por isso são raros críticos patriotas a favor do bem-estar social colectivo.A maior parte dos intelectuais e académicos fala e escreve a favor do partido no poder independentemente das injustiças que este tenha cometido contra o país e outros falam contra o partido no poder independentemente do bem que tenha feito em favor do Estado. Uma sociedade civil assim, sem compromisso patriótico, é incapaz de fazer uma reclamação capaz de mudar o rumo das coisas. Portanto, por causa do medo e do interesse dos cidadãos, este país já teve as piores injustiças, as péssimas arbitrariedades, os mais graves crimes de corrupção, as mais graves violações de direitos humanos e nenhuma sociedade civil foi capaz de fazer nada para devolver a moralidade. Por que motivo poderíamos pensar que essa sociedade civil seria capaz de impugnar simples eleições injustas? Terceiro Problema: fragilidade dos partidos políticos O terceiro problema que acho mais grave é que temos partidos políticos frágeis. As últimas duas eleições vieram provar, de entre várias coisas, que a cada vez o povo está mais democraticamente maduro do que os partidos políticos. Mudam os tempos, mudam as leis, muda a consciência dos cidadãos, mas os partidos políticos continuam os mesmos, suas acções permanecem iguais as do passado, ineficientes. É incompreensível que partidos políticos não consigam fazer a coisa básica como obedecer à lei nas suas reclamações sobre as eleições. Os partidos estão conscientes da partidarização das instituições do Estado e que por via disso osseus recursos podem ser chumbados se falharem num único detalhe na instrução do processo.Ainda não

jan 01 2020

A ILUSÃO DA ROUPA BRANCA

Boas vindas ao ano 2020. Tenho fé que transitamos todos com novas energias e forças para “lutar” por um Moçambique sempre melhor e apostado na promoção da Paz e Reconciliação nacional. O costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário não é nada novo. Existe há mais de 4 mil anos. Mas, naquela época, em vez de um “ano” novo, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano. O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra de plantação. Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite do dia 31 de Dezembro para 1º de Janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de Março, data do início da primavera no Hemisfério Norte. Foi somente com a introdução de um novo calendário no Ocidente, em 1582 – o calendário gregoriano, adoptado pelo Papa Gregório XIII no lugar do calendário Juliano – que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de Janeiro. Assim como acontece nas comemorações de Ano Novo actualmente, as celebrações de passagem também representavam Esperança. Já o termo Réveillon, usado em várias partes do mundo para descrever a festa de véspera de Ano Novo, é mais recente: surgiu no século XVII, na França, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda. A palavra Réveillon deriva do verbo “acordar” em francês. No século XIX, essas festas foram adoptadas pela nobreza de outros lugares do mundo. Nestas ocasiões de passagem de ano, muitas famílias (supostamente urbanas e civilizadas) gastam mares e rios de dinheiro em compras de bebidas alcoólicas e roupas diversificadas. Provavelmente, você também faz o mesmo para mudar o seu look e aposto que na transição do ano usou roupa branca. Mas você sabe por que as pessoas escolhem roupa branca no Réveillon? As pessoas anseiam pela Paz. E esta (Paz) é simbolicamente representada pela cor branca. Assim, usar roupas brancas na festa de Ano Novo tornou-se comum porque as pessoas associam essa cor com harmonia, calma e Paz. Por essa razão, as barracas, restaurantes, passeios das estradas e avenidas, os bairros etc. no último dia do ano, ficam repletos de pessoas vestidas de branco. Por outro lado, pessoas há que julgam que a roupa branca representa a purificação espiritual. Aliás, a cor branca transmite pureza. Além disso, o branco é a união de todas as cores. Quando vemos essa cor, pensamos em inocência e esperança. Assim, ela se tornou ideal para trazer sensações que, psicologicamente, nos livram das “energias pesadas”, dissabores, espíritos impuros e nos dão forças para começar coisas novas. Por conta disso, acredita-se que usar roupa branca no Ano Novo traz protecção contra conflitos nos próximos 12 meses do ano. Portanto, pensa-se que usando roupa branca no Réveillon as pessoas terão um ano repleto de harmonia. Ou seja, nada de traições no relacionamento, brigas no lar e desentendimentos na família e stress no trabalho. Essa é a cor que traz a tranquilidade e renovação de energias positivas na vida. Mas isso não é ilusão dos sentidos? É a cor de roupa que muda a vida? Enganam-se os que pensam que por se vestirem de branco atraem a Paz para ano inteiro. É preciso mudar de atitudes. Deixar de fazer o mal e praticar o bem. Deixar guerras para promover a Paz. Deixar ódios para semear o amor. Deixar vinganças para espalhar solidariedade e compreensão. Deixar brigas e disseminar entendimento e diálogo. Assim, o que muda uma pessoa não é aquilo que ela veste ou come. Conheço muitas pessoas que vivem no luxo mas o coração é selvagem; pessoas com muito dinheiro mas comem “minhocas”; camas torneadas mas os donos vivem com insónia; casais aparentemente felizes, mas vivendo um autêntico inferno. Conheço pessoas simplíssimas, morando em casas de capim, alimentando-se de Karakata, mas felizes do mundo. Logo, a felicidade, a alegria, as energias positivas, o lar abençoado, o trabalho bem sucedido dependerão do modo como você pensa e age diariamente. Já li no livro “O Segredo” que semelhante atrai semelhante. Ou seja, quem pensa negativo e alimenta isso como a única regra que norteia sua vida tudo lhe cairá negativo. Mas quem pensa positivo e age positivamente, investe todas suas energias nisso, consequentemente atrai o positivo para si. Deste modo, para este novo ano não basta a roupa branca que você trajou na transição do ano. Sente-se, planifique-se, decida-se, deixe-se interpelar, mude-se e avance com PERSISTÊNCIA. Cruzar os braços face ao primeiro obstáculo não resolve os problemas do seu lar, do seu sector de trabalho, do seu relacionamento, dos seus propósitos. Outrossim, se você quer mudar o mundo em sua volta, comece mudando a si em primeiro lugar. Eu percebo que, às vezes, os problemas se agudizam porque descarregamos tudo no outro. É preciso ler os problemas que se tem como se fosse num espelho. Isto é, quem cria problemas no seu trabalho não é o seu director; quem começa com brigas no seu lar não é o seu marido/esposa; quem impede o desenvolvimento do país não são os governantes. Deixe de culpar os outros. Em nenhum espelho se reflecte outra imagem senão a minha própria imagem se for eu a me espelhar. Mude o seu coração, o seu pensamento, as suas acções e tudo será branco e reluzente. Se apenas mudar de roupa e não mudar o coração vai-se iludir e passará a vida pensando que o azar lhe persegue e que nasceu para sofrer. Mas não é esse o propósito de Deus. Todos nós nascemos para viver felizes. Não alimente ilusões; não viva de aparências. Seja você mesmo e acredite no seu potencial. Por Kant de Voronha, in Anatomia dos Factos

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