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Archive for abril, 2021

abr 28 2021

A cultura do cuidado como percurso de paz

Por Vatican News Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, o Papa Francisco lança um apelo para que todos se tornem “profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Todos remando juntos no mesmo barco, cujo leme é a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana. Em síntese, esta é a ideia que o Papa Francisco expressa na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, celebrado em 1° de Janeiro. Solidariedade às vítimas da pandemia A mensagem não deixa de analisar a marca deste 2020: a pandemia. A crise provocada pelo novo coronavírus “se transformou num fenómeno plurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”. O pensamento do Pontífice foi às pessoas que perderam um familiar ou uma pessoa querida ou a quem ficou sem emprego. E um agradecimento especial a quem trabalha em hospitais e centros de saúde, com um renovado apelo às autoridades para que as vacinas sejam acessíveis a todos. Sou o guardião do meu irmão? Com certeza! No longo texto, o Papa faz uma “génese” da cultura do cuidado desde os primórdios da criação, como narram vários episódios bíblicos. No Antigo Testamento, talvez o mais emblemático seja a relação entre Caim e Abel, e a famosa resposta depois do assassinato: Sou eu, porventura, o guardião do meu irmão? “Com certeza”, responde o Papa sem pestanejar. Já no Novo Testamento, Jesus encarna o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade. “No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte.” Esta cultura do cuidado se aprimorou na Igreja nascente com as obras de misericórdia corporal e espiritual, que no decorrer dos séculos ficaram visíveis em hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças e abrigos para forasteiros. O Cristianismo, portanto, ajudou a amadurecer o conceito de pessoa, a ponto que hoje podemos dizer que “toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos.” Bússola para um rumo comum Se o ser humano tem direitos, tem também deveres, como o cuidado dos mais vulneráveis e também da criação. Para Francisco, todos esses princípios elucidados na mensagem constituem uma bússola para dar um rumo comum ao processo de globalização, “um rumo verdadeiramente humano”. “Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Aqui o Papa chama em causa um “forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais”. Como converter nosso coração? O Pontífice recorda que esta “bússola dos princípios sociais” vale também para as relações entre as nações. E pede o respeito pelo direito humanitário em conflitos e guerras. “Infelizmente, constata o Santo Padre, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança.” “As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?” Mais uma vez o Santo Padre lamenta o desperdício de dinheiro com armamentos, quando poderia ser utilizado “para prioridades mais significativas”, relançando a ideia de São Paulo VI de criar um “Fundo mundial” com a utilização dos recursos da corrida armamentista para o desenvolvimento dos países mais pobres. Outro elemento fundamental para a promoção da cultura do cuidado é a educação. Neste projecto, estão envolvidos famílias, escolas, universidades e os líderes religiosos. Francisco se dirige a quem trabalha neste campo “para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva”, fazendo votos de que neste contexto o Pacto Educativo Global “encontre ampla e variegada adesão”. Não há paz sem a cultura do cuidado Toda a mensagem do Pontífice, enfim, é estruturada para afirmar o princípio de que não há paz sem a cultura do cuidado. “Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela-do-mar e Mãe da Esperança.” “Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis”, é o apelo final do Papa.

abr 21 2021

Moçambique prepara-se para o CAN de futebol de praia

Depois da presença inédita no CAN de futebol de praia, Moçambique procura fazer história. A selecção de futebol de praia apurou-se pela primeira vez para o Campeonato Africano Senegal 2021, ao golear os Comores, por 10-3, em jogo da segunda mão da primeira e única eliminatória. O CAN vai decorrer no Senegal em Maio próximo. Face a este marco, o combinado nacional está a fazer de tudo para trazer melhores resultados desta  prova no maior evento continental. Para o efeito, estão a trabalhar a todo vapor para que tal objectivo seja alcançado. Ainda esta semana, esta colectividade foi homenageada por empresas de telefones que operam no país, um gesto que tem em vista encorajar a rapaziada, nos desafios que lhes esperam. A selecção nacional garantiu a qualificação com um agregado de 17-8, visto que na primeira mão ganhou fora de portas por 7-5. (Júlio Assane)

abr 21 2021

O Executivo de Nampula vai reforçar o seu staff com mais recursos humanos

Para responder as exigências dos utentes, executivo de Nampula vai reforçar o seu staff com mais recursos humanos Este efectivo visa responder uma melhor prestação de serviço ao público. Estes dados foram tornados públicos, esta terça-feira, no decurso da sessão do órgão executivo provincial liderado por Manuel Rodrigues. Por outro lado, Leo Jamal, porta-voz da sessão, anotou que ainda no ano em curso foi confirmada a construção de 18 novas escolas que serão adicionadas a 2345 escolas reabertas no presente ano lectivo, face ao novo normal. A sessão vai igualmente passar em revista o estágio actual da covid-19, onde de Janeiro a esta parte, Nampula registou mais de 2000 novas infecções, com 245 óbitos, e um número não especificado de internados. (Júlio Assane)

abr 21 2021

Estudo multidisciplinar para compreender Moçambique e o seu povo

MOÇAMBIQUE E MOÇAMBICANA/O Moçambique e moçambicanos são um mistério a ser desvendado. Para ser desmistificado o que muitos não sabem sobre este país, sugiro que haja uma equipa de especialistas de várias áreas de saber para se dedicar no estudo sobre Moçambique e também de forma detalhada sobre cada moçambicana e moçambicano. Tenho acompanhado várias tentativas de pesquisas, leio várias obras, sinto o esforço de vários homens e mulheres, dotados de genialidade, mas parece que nenhum entende quem é este povo e o que é este país. Pode parecer exagerado, mas se cada um ficar atento poderá perceber que de facto há um grande mistério a ser revelado. Se vier como antropólogo e sociólogo, podes perceber que é um povo a mais dentro do contexto africano. Pode encontrar semelhanças que irão te atrapalhar e não terás conclusão sobre este povo muito menos seu país, Moçambique. A sociedade não irá te ajudar a entender nada porque apesar da semelhança, o moçambicano, é um povo muito diferente doutros africanos. Poderá o filósofo, o teólogo e o místico se unirem mas cada vez mais haverá algo a ser filosofado, algo a ser questionado e a ser comtemplado. Se for cantor ou poeta, as canções serão lindas e os poemas serão maravilhosos mas nunca dirão o que é ser moçambicano/a. A história nos apresenta uma coisa, a geografia divide, por exemplo, Nampula de outra província como Cabo Delgado, mas na fronteira a diferença será o rio Lúrio porque o povo irá ser o mesmo. Apresento alguns traços que me levam a afirmar que deve haver uma investigação de carácter multidisciplinar. 1. Quinhentos anos de colonização Foram quinhentos anos de colonização, dominação e imposição de culturas diferentes, mas até hoje, tem moçambicanos que não sabem falar a língua portuguesa e resistem se expressando unicamenteem idiomas locais. A dita civilização europeia ficou no papel porque até hoje, Moçambique se pratica a poligamia, algo dito como um crime em países nórdicos. 1.1. Guerras tribais Para maior controle de territórios e para a imposição da autoridade e poder, os chefes tribais faziam guerras entre si, mas no final do campeonato, tomavam juntos suas bebidas, como a Othéka (bebida tradicional feita na base de mapira). Os chefes tribais mantinham laços de amizades e também de vizinhança não se lembrando das guerras. Seus filhos praticavam casamentos inter étnicos e a intimidade crescia. 1.2. A escratura Com o início do comércio de escravos, uns tios vendiam seus sobrinhos principalmente os mais indisciplinados mesmo sabendo que o mesma daria a continuidade da família e do clã ou da tribo. Quando faltasse o que vender, alguns homens preparados para esse tipo de missão, iam roubar meninos noutras regiões. Enquanto a escravidão continuava, crescia também o povo e aos poucos foi povoando o país todo. 1.3. Religiões tradicionais e religiões monoteístas Desde cedo esse povo tinha sua religião e sabia dialogar com Deus. Ao usar diferentes nomes fruto de muitas línguas, o povo foi acusado de animista. Porém, o monoteísmo é mais forte em Moçambique que no Ocidente. Com a dominação colonial e a vinda dos árabes, instalaram as religiões cristã e islâmica, respectivamente. No entanto, quer o cristão quer o muçulmano, continua sendo moçambicano e a viver no dia a dia o ser religioso africano, usando os curandeiros e feiticeiros etc. 2. Dez anos de luta pela independência Após anos de negociação para que Portugal abandonasse o país, não havendo sucesso e com a insistência de que Moçambique era província ultramarina de Portugal, os moçambicanos tomaram nas armas para libertarem o país. Para a surpresa de todos, o tal inimigo passou a ser parceiro de cooperação e hoje os filhos dos dirigentes, os assimilados são mais “tugas” que os nativos. No país, graças a Deus e pelo espírito acolhedor do moçambicano, encontramos muitos amigos portugueses e muitos com nacionalidade moçambicana. Veja como deve haver de facto um estudo multidisciplinar! 3. Dezasseis anos de guerra civil Na guerra que durou 16 anos foi vergonhosa. Irmão lutando contra o irmão, em nome da dita democracia, arruinaram o país e mataram seus próprios familiares e vizinhos. A mesma terra que lhe viu a nascer, é a mesma que ele destrói. Ao se tornar chefe na mesma terra que ele próprio vandalizou, vai a União Europeia pedir empréstimo para reconstruir o país. Para a surpresa dos demais, no final da guerra, os irmãos continuaram a conviver e festejar juntos. Aí está a razão porque Moçambique deve ser estudado por gente de diferentes saberes. 3.1. A nudez e a fome Hoje, cada mulher que tem vida boa, acumula armários de roupa fina. Mas durante o governo de Samora Machel, ter uma única saia era sinónimo de ser esposa de um militar. Nas aldeias chegaram de vestir sacos de sisal. A fome era frequente e provocou as bichas ou filas desde a madrugada para a compra de um pão. Hoje, encontramos crianças que não comem pão do dia anterior. Quem comia pão quente naquele tempo era o comandante. Alguns professores não sabiam o que é ter salário mas recebiam boa comida do Programa Mundial da Alimentação e os mais pobres foram salvos pela Cáritas. Apesar da fome, da nudez e da falta de salário, quer os professores quer os alunos se dedicavam para tornar a Educação de qualidade. 3.2. O cadonqueiro e operação produção A actividade económica mais valorizada na era do tio Samora era a agricultura. Qualquer pessoa que tentasse optar, por exemplo, na venda de roupa usada, vulgarmente chamada de “calamidade”, recebia o nome de candonqueioro. O comércio informal não era bem visto. Por isso, embora não houvesse lucro na venda dos produtos agrícolas, os camponeses se dedicavam bastante. Os chamados preguiçosos eram recolhidos e submetidos ao programa “operação produção ” que consistia em tirar à força alguém, por exemplo, de Inhambame para a província do Niassa. Teve alguns resultados positivos nessa operação? Como terminou esse programa? 4. O Cabrito come onde está amarrado Em certo momento, na era de Joaquim Chissano, houve atraso de salário.

abr 21 2021

Encerramento de fábricas de processamento da castanha põe em causa mais de 30 mil postos de trabalho

Mais de cinco fábricas de processamento de castanha de caju instaladas um pouco por toda a província de Nampula, encontram-se encerradas, e outras em número não especificado trabalham a meio gás, colocando em causa pouco mais de 30 mil postos de emprego entre fixo e sazonais. Face a esta situação, a Associação dos Industriais de Caju, está a fazer de tudo, com vista a salvar este sector, e recolocar a província e o país em particular, na rota dos mais produtores e exportadores da África. Mahumed Yunus Abdul Gani, presidente da AICAJU, falando em entrevista, assegurou que decorrem negociações com o governo, para a concessão de financiamentos través créditos para aquisição da matéria-prima. De sublinhar que nos últimos três anos, os níveis de produção da castanha de caju na província de Nampula, registaram uma queda significativa, passando das 70 mil toneladas anuais para perto de 20 mil toneladas.

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