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“𝗡𝗘𝗡𝗛𝗨𝗠𝗔 𝗙𝗘́ 𝗝𝗨𝗦𝗧𝗜𝗙𝗜𝗖𝗔 𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔” 𝗣𝗔𝗥𝗢𝗟𝗜𝗡 𝗔𝗗𝗩𝗘𝗥𝗧𝗘 𝗘𝗠 𝗖𝗔𝗕𝗢 𝗗𝗘𝗟𝗚𝗔𝗗𝗢

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, reuniu-se na última terça-feira (09/12) com o Centro Inter-Religioso para a Paz (CIPAZ), num encontro que juntou líderes muçulmanos, cristãos e representantes de outras confissões religiosas. Segundo a página oficial da Diocese de Pemba no Facebook, Parolin destacou que “a religião não é, nem deve ser, pretexto para a violência”, sublinhando que a fé autêntica rejeita o ódio, a exclusão e qualquer forma de discriminação. Reforçou ainda que religião e paz “devem caminhar juntas” e reafirmou o compromisso da Igreja em manter um diálogo inter-religioso sincero e respeitoso. Ainda de acordo com a Diocese de Pemba, o Presidente do Conselho Islâmico de Cabo Delgado, Domingos Arlindo, agradeceu a presença do Cardeal, afirmando que a sua visita ocorre num momento em que as comunidades clamam pela paz e harmonia social. Sublinhou que a presença de Parolin fortalece a união entre as religiões e encoraja o esforço conjunto para pôr fim à violência extremista. O encontro terminou com um apelo para que o Cardeal visite mais vezes a província, gesto que, segundo o líder muçulmano, honra profundamente as comunidades locais. Imagens: Pagina da Diocese Pemba

Dom Lúcio Andrice Muandula nomeado novo bispo de Chimoio

O Papa Leão XIV nomeou, esta quarta-feira, 17 de dezembro, Dom Lúcio Andrice Muandula como novo bispo da Diocese de Chimoio, segundo informação divulgada pela Santa Sé. Até então bispo da Diocese de Xai-Xai, Dom Lúcio Andrice Muandula nasceu a 9 de outubro de 1959, em Maputo. Possui formação em Filosofia e Teologia pelo Seminário São Pio X e é doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Gregoriana de Roma. Ordenado sacerdote em 1989 para a Arquidiocese de Maputo, foi nomeado bispo de Xai-Xai em 2004, diocese onde exerceu o seu ministério episcopal até à nova missão pastoral agora confiada em Chimoio.

𝗙𝗶𝗱𝗲𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗰𝗲𝗿𝗱𝗼𝘁𝗮𝗹 𝗾𝘂𝗲 𝗖𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗼́𝗶 𝗼 𝗔𝗺𝗮𝗻𝗵𝗮̃ 𝗱𝗮 𝗜𝗴𝗿𝗲𝗷𝗮

Na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, publicada por ocasião dos 60 anos dos Decretos conciliares Optatam totius e Presbyterorum Ordinis, o Papa Leão XIV reafirma que o futuro da Igreja passa por uma vivência fiel, renovada e missionária do ministério presbiteral. Partindo do encontro pessoal com Cristo como base da vocação, o Papa sublinha a importância da formação permanente, da fraternidade entre os sacerdotes, da sinodalidade e do discernimento responsável no uso das mídias, num mundo marcado por rápidas mudanças culturais e tecnológicas. Longe de ser mera comemoração, o documento é um forte apelo à conversão quotidiana, à caridade pastoral e ao serviço humilde da evangelização, lembrando que o sacerdócio é dom, compromisso e amor eucarístico vivido para que Cristo seja conhecido e amado por todos.

mar 15 2023

O corpo no espaço litúrgico

O nosso SER é o melhor instrumento de comunicação do mundo. Nenhum equipamento, por mais sofisticado que seja, seria capaz de substituir o nosso SER no processo comunicacional. A comunicação interpessoal ou grupal é presencial, tem calor humano e é afetiva. A afetividade estava presente em toda a pedagogia de Jesus, quando Ele estava no meio do povo. Foi assim com Zaqueu, com Lázaro e suas irmãs, com o cego de Jericó, com as criancinhas, etc. O SER de cada um é concreto e abstrato. Concreto porque é visualizável, palpável e materializado. Abstrato porque é composto de sentimentos, emoções, manifestações espirituais, pensamentos, memórias, inteligências e capacidade de criar. Ao comunicarmo-nos devemos agir combinando o nosso ser concreto com o ser abstrato. Quanto mais conseguirmos agir assim, mais aperfeiçoado será o nosso desempenho e mais qualificada será a nossa comunicação. O equilíbrio entre o concreto e o abstrato do nosso ser possibilita alcançarmos os objetivos desejados no ato comunicacional. O corpo é a manifestação concreta do SER, a exteriorização do que somos e o cartão de visita; é a morada do espírito, da essência humana e o sacrário da mente. O corpo deve estar sempre bem cuidado, asseado, são e em forma. A saúde do corpo é importante para a saúde do espírito, assim como a saúde do espírito é importante para a saúde do corpo. Um não pode viver dissociado do outro. Para que o corpo comunique bem, é preciso: Estar livre das tensões – Desinibir e naturalizar os movimentos do corpo, comunicando através de gestos equilibrados. As tensões vêm da insegurança, do mau humor, da constante vigilância do poder, do policiamento para mascarar as deficiências e não admiti-las para superá-las, do estresse provocado pelo trabalho excessivo em detrimento do lazer. Ser bem colocado em eixo – para que tenha presença marcante no ambiente, numa postura de ânimo e firmeza: Ombros levantados; Tórax aberto (peito para frente. Ele faz parte da nossa caixa de ressonância); Cabeça erguida, olhando para todos os lados, quando estiver comunicando em público, em movimentos moderados e equilibrados; Mãos e braços que se movimentam livres e harmônicos. No caso dos proclamadores da Palavra e comentaristas, não há necessidade de muitos movimentos com os braços. Porém, estes devem estar relaxados. Pernas e pés firmes e apoiados. “Inteligir” (conscientizar: ter noção), o mais possível, todos os gestos – para que sejam expressão consciente e voluntária, no contexto da comunicação que se quer fazer. A comunicação gestual é feita de movimentos soltos, harmônicos e tranquilos, combinando a fala do corpo com a fala da mente e a oralidade; Valorizar a comunicação facial – toda a região que está acima dos olhos tem forte poder de comunicação. O bom comunicador trabalha com a expressão facial, interpretando o significado do que fala com os músculos do rosto. Olhar olho no olho no momento da comunicação interpessoal ou grupal é fundamental para chamar a atenção, envolver os ouvintes e engajá-los no que estamos dizendo. Muitas platéias se dispersam por falta de comunicação gestual e facial dos expositores. A fala sem o auxílio destes recursos se torna monótona. Jesus Cristo conseguia concentrar multidões que O ouviam o dia inteiro, a ponto de escutá-lo com fome, no final de uma tarde. Sua comunicação atraía; Utilizar as mãos – como importante instrumento de comunicação, no auxílio da fala. Há comunicadores confusos na hora de falar em público porque não sabem o que devem fazer com as mãos. Ao invés de as utilizarem no reforço do que está sendo dito, atrapalham-se em gestos desconexos em relação ao acto da comunicação: colocando as mãos nos bolsos, apertando-as umas nas outras ou usando muletas para ocupá-las. Dão a impressão de que as mãos estão atrapalhando. Quase sugerem a amputação. Esse é o tipo de comunicador “maneta”, embora possua as duas mãos. No caso dos leitores, é aconselhável que as mãos fiquem sobre o texto. Quando for olhar para a assembleia, coloque o dedo indicador sobre o texto, evitando, assim, perder-se na leitura; Os olhos – devem estar sempre atentos à leitura. Nos pontos finais, ou seja, nas pausas, olhar para a assembleia. Evite olhar apenas para um dos lados. Caso tenha dificuldades de olhar para a assembleia, no meio da leitura, faça isto no início, quando estiver dizendo “Leitura do Livro do Profeta Isaías” (por exemplo) e no final, ao dizer “Palavra do Senhor”; Cuidar da aparência – cabelos penteados (quem ainda os possui), barba bem feita (ou bem arrumada e asseada, para os que a têm), fossas nasais limpas (inclusive, para facilitar a respiração), ouvidos higienizados, roupa adequada ao nível social do ambiente (limpas, bem passadas, e devidamente arrumadas sobre o corpo: gola, botões, etc.). Isso é sinal de auto-estima. Kant de Voronha

nov 24 2022

Maputo acolhe em 2025 a III Jornada Nacional da Juventude Moçambicana

Maputo acolhe em 2025 a III Jornada Nacional da Juventude Moçambicana Com a Celebração eucarística, no último domingo (20/11), solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia Mundial da Juventude, encerrou na cidade de Nampula, a II Jornada Nacional da Juventude, e a III terá lugar em Maputo, em 2025. Foi na voz de Dom Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), que os jovens Católicos participantes na II Jornada Nacional da Juventude (JNJ) em Nampula, receberam a emocionante notícia, especialmente para os jovens da arquidiocese de Maputo, durante a Missa do encerramento e envio dos peregrinos, no domingo, 20 de Novembro, na solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia Mundial da Juventude. Depois de saber que a cidade de Maputo será a próxima a colher o maior evento da juventude católica do País, o coordenador da delegação desta arquidiocese, Hamilton Caetano, explicou que a delegação que representa acolhe a notícia com júbilo, acrescentando que a mesma constitui uma grande responsabilidade. Participantes na II Jornada Nacional da Juventude, ouvidos pela equipe da Emissora católica da Beira em Nampula, dizem-se satisfeitos e com os olhos postos para as próximas jornadas. Para além dos jovens peregrinos e os demais fiéis de Nampula, estiveram presentes na Missa de encerramento, membros do Governo local, com destaque para Manuel Rodrigues, Mety Gondola e Paulo Vahanle, este último Presidente da autarquia de Nampula, e uma delegação do Comité Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, oriunda de Portugal para convidar os jovens moçambicanos a aderirem ao evento mundial da juventude. (Rogério Maduca – Radio Pax, Moçambique, Vaticanews)

out 19 2022

III Vigília Missionaria Nacional

Descarrega a apresentação e o guião da III Vigília Missionaria Nacional  aqui: III Vigília Missionária Nacional_221019_073224

“Sereis minhas testemunhas”

Aqui propomos alguns subsídios úteis para viver o mês Missionário   1) MENSAGEM DE SUA SANTIDADE  PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2022 «Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8) Queridos irmãos e irmãs! Estas palavras encontram-se no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (1, 8) … DMM2022 PAPA   2) Palavra Hoje especial mês Missionário da VIDA NOVA VN PH outubro22   3) Novena Missionária Novena-Missionaria-2022   4) Oração dos Fieis missionárias Oracao-dos-Fieis-2022

12 HORAS DE ORAÇÃO POR OCASIÃO DOS 30 ANOS DO ACORDO GERAL DE PAZ EM MOÇAMBIQUE

12 HORAS DE ORAÇÃO POR OCASIÃO DOS 30 ANOS DO ACORDO GERAL DE PAZ EM MOÇAMBIQUE Dia 1 de Outubro de 2022 “BUSCANDO A VERDADEIRA PAZ EM MOÇAMBIQUE” Este é o roteiro de oração, preparado pela CEM – Conferência Episcopal de Moçambique, que pode ser usado integralmente ou ser enriquecido localmente pelas paróquias, comunidades religiosas, grupos e movimentos eclésias.    Folheto Oração 1 de Outubro de 2022_220929_163217

set 05 2022

Sagrada Escritura, Tradição e Magistério

Vamos reflectir sobre a relação existente entre a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério. Para melhor percebermos a importância deste tema, importa começarmos, em jeito de introdução, por fazer a seguinte pergunta: qual é o fundamento da fé e da moral cristã? Para alguns, o fundamento da fé e da moral cristã é unicamente a Bíblia (Sola Scriptura), interpretada livremente por qualquer pessoa (método do exame livre). Para a Igreja Católica não é assim; a fé e a moral têm três bases ou pilares, a saber: a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja (cf. DV. 21). Ou seja, sem negar a grande importância da Bíblia, a Igreja ensina que, além desta, é necessário também ter em conta a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério para a fundamentação da doutrina e da moral da mesma. A nossa reflexão de hoje, portanto, tem, como objectivo, falar de cada uma destas realidades e mostrar a estreita relação que existe entre elas. Visto que nos encontros anteriores falamos abundantemente da Sagrada Escritura, hoje vamos dar particular atenção à Tradição e ao Magistério. Muitas são as passagens do Novo Testamento que nos revelam a importância da Tradição oral e do Magistério. Escutemos: “Muitas coisas tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16,12). “O que ouvistes de mim, em presença de muitas testemunhas, confiai-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar ainda a outros”(2 Tm 2, 2). “Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus…” ( Mt 16, 18-19). “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. Sei que depois de minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que irão proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Vigiai!” (At 20,28-31).   A Tradição Apostólica A palavra “tradição” vem do latim traditio que significa “entrega”, ” “transmissão”. Ela pode indicar tanto o “processo” de transmitir quanto o “conteúdo” transmitido. Por sua vez, a palavra “apostólica” é um adjectivo qualificativo que, primariamente, diz respeito a algo que procede dos apóstolos, ou seja, do grupo dos seguidores de Cristo, composto pelos doze Apóstolos. Por Tradição Apostólica, portanto, entende-se a transmissão oral, pelo exemplo e pelas instituições daquelas coisas que os Apóstolos ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam por inspiração do Espírito Santo (Cf. CIC § 76; cf. DV 7). Enquanto tal, a Tradição Apostólica distingue-se da Sagrada Escritura porquanto esta última é a transmissão “por escrito” feita por “aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação” (Cf. CIC § 76). A Tradição Apostólica distingue-se igualmente das “tradições” teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais surgidas ao longo do tempo, nas Igrejas locais. Estas últimas são expressões adaptadas da Tradição Apostólica aos diversos lugares e às diferentes épocas, sob a orientação do Magistério da Igreja (Cf. CIC, §83). As leituras que acabamos de escutar mostram-nos que a própria Bíblia fala-nos da necessidade, existência e importância da Tradição Apostólica, enquanto transmissão oral da Palavra de Deus feita pelos apóstolos. Nesta primeira leitura, tirada do Evangelho segundo S. João, Jesus, numa das últimas conversas com os Seus discípulos, deixa claro que tinha ainda muitas coisas por ensinar. Entretanto, dada a incapacidade dos Apóstolos de suportar tais ensinamentos, Ele mandaria o Espírito Santo para que este os transmitisse ao longo dos tempos (cf. Jo 16,12). A Igreja entende que aquelas verdades que os Apóstolos foram aprendendo do Espírito Santo são as que, em parte, foram formando a Tradição Apostólica. O mesmo Evangelista João atesta a necessidade de uma transmissão oral da Palavra de Deus, de geração em geração, quando afirma que “Jesus fez, diante dos seus discípulos, muitos outros sinais ainda, que não se acham escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome”(Jo 20,30s) e que “Há muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam”(Jo 21,25). Nos dois textos acima citados, o Evangelista João deixa claro que nem todas as coisas que Jesus ensinou aos seus discípulos, com actos e palavras, encontram-se na Bíblia. Aquilo que os Apóstolos e os evangelistas escreveram é só o essencial da mensagem de Jesus. Por isso, não podemos reduzir a pessoa e os ensinamentos de Jesus àquilo que foi escrito sobre Ele, porque a sua mensagem é muito mais do que isso, é Ele próprio. Jesus é mais do que um livro ou um conjunto de livros. Do que acima dissemos, é lógico concluir que muitas outras coisas a respeito da pessoa e dos ensinamentos de Jesus continuaram a ser transmitidas oralmente de geração em geração. Aliás, é o que nos mostra S. Paulo em 2Tm 2,2, ao recomendar vivamente a Timóteo para que aquilo que ele “ouviu” do próprio Paulo, na presença de muitas testemunhas, o confiasse a homens fieis, capazes de, por sua vez, ensiná-lo a outros homens. Estamos aqui, claramente, diante da tradição oral do depósito da fé. Muitas outras passagens bíblicas atestam a existência da transmissão oral da Revelação, de geração a geração. S. João, na sua segunda e terceira epístolas, diz que há ensinamentos que gostaria de confiar aos seus interlocutores de viva voz, e não por escrito: “Embora tenha muitas coisas a vos escrever, não quis fazê-lo com tinta e papel. Mas espero estar convosco e vos falar de viva voz…” (2Jo, 12; cf. 3Jo, 14). S. Paulo,

set 05 2022

O corpo no espaço litúrgico

O nosso SER é o melhor instrumento de comunicação do mundo. Nenhum equipamento, por mais sofisticado que seja, seria capaz de substituir o nosso SER no processo comunicacional. A comunicação interpessoal ou grupal é presencial, tem calor humano e é afetiva. A afetividade estava presente em toda a pedagogia de Jesus, quando Ele estava no meio do povo. Foi assim com Zaqueu, com Lázaro e suas irmãs, com o cego de Jericó, com as criancinhas, etc. O SER de cada um é concreto e abstrato. Concreto porque é visualizável, palpável e materializado. Abstrato porque é composto de sentimentos, emoções, manifestações espirituais, pensamentos, memórias, inteligências e capacidade de criar. Ao comunicarmo-nos devemos agir combinando o nosso ser concreto com o ser abstrato. Quanto mais conseguirmos agir assim, mais aperfeiçoado será o nosso desempenho e mais qualificada será a nossa comunicação. O equilíbrio entre o concreto e o abstrato do nosso ser possibilita alcançarmos os objetivos desejados no ato comunicacional. O corpo é a manifestação concreta do SER, a exteriorização do que somos e o cartão de visita; é a morada do espírito, da essência humana e o sacrário da mente. O corpo deve estar sempre bem cuidado, asseado, são e em forma. A saúde do corpo é importante para a saúde do espírito, assim como a saúde do espírito é importante para a saúde do corpo. Um não pode viver dissociado do outro. Para que o corpo comunique bem, é preciso: Estar livre das tensões – Desinibir e naturalizar os movimentos do corpo, comunicando através de gestos equilibrados. As tensões vêm da insegurança, do mau humor, da constante vigilância do poder, do policiamento para mascarar as deficiências e não admiti-las para superá-las, do estresse provocado pelo trabalho excessivo em detrimento do lazer. Ser bem colocado em eixo – para que tenha presença marcante no ambiente, numa postura de ânimo e firmeza: Ombros levantados; Tórax aberto (peito para frente. Ele faz parte da nossa caixa de ressonância); Cabeça erguida, olhando para todos os lados, quando estiver comunicando em público, em movimentos moderados e equilibrados; Mãos e braços que se movimentam livres e harmônicos. No caso dos proclamadores da Palavra e comentaristas, não há necessidade de muitos movimentos com os braços. Porém, estes devem estar relaxados. Pernas e pés firmes e apoiados. “Inteligir” (conscientizar: ter noção), o mais possível, todos os gestos – para que sejam expressão consciente e voluntária, no contexto da comunicação que se quer fazer. A comunicação gestual é feita de movimentos soltos, harmônicos e tranquilos, combinando a fala do corpo com a fala da mente e a oralidade; Valorizar a comunicação facial – toda a região que está acima dos olhos tem forte poder de comunicação. O bom comunicador trabalha com a expressão facial, interpretando o significado do que fala com os músculos do rosto. Olhar olho no olho no momento da comunicação interpessoal ou grupal é fundamental para chamar a atenção, envolver os ouvintes e engajá-los no que estamos dizendo. Muitas platéias se dispersam por falta de comunicação gestual e facial dos expositores. A fala sem o auxílio destes recursos se torna monótona. Jesus Cristo conseguia concentrar multidões que O ouviam o dia inteiro, a ponto de escutá-lo com fome, no final de uma tarde. Sua comunicação atraía; Utilizar as mãos – como importante instrumento de comunicação, no auxílio da fala. Há comunicadores confusos na hora de falar em público porque não sabem o que devem fazer com as mãos. Ao invés de as utilizarem no reforço do que está sendo dito, atrapalham-se em gestos desconexos em relação ao acto da comunicação: colocando as mãos nos bolsos, apertando-as umas nas outras ou usando muletas para ocupá-las. Dão a impressão de que as mãos estão atrapalhando. Quase sugerem a amputação. Esse é o tipo de comunicador “maneta”, embora possua as duas mãos. No caso dos leitores, é aconselhável que as mãos fiquem sobre o texto. Quando for olhar para a assembleia, coloque o dedo indicador sobre o texto, evitando, assim, perder-se na leitura; Os olhos – devem estar sempre atentos à leitura. Nos pontos finais, ou seja, nas pausas, olhar para a assembleia. Evite olhar apenas para um dos lados. Caso tenha dificuldades de olhar para a assembleia, no meio da leitura, faça isto no início, quando estiver dizendo “Leitura do Livro do Profeta Isaías” (por exemplo) e no final, ao dizer “Palavra do Senhor”; Cuidar da aparência – cabelos penteados (quem ainda os possui), barba bem feita (ou bem arrumada e asseada, para os que a têm), fossas nasais limpas (inclusive, para facilitar a respiração), ouvidos higienizados, roupa adequada ao nível social do ambiente (limpas, bem passadas, e devidamente arrumadas sobre o corpo: gola, botões, etc.). Isso é sinal de auto-estima. Kant de Voronha

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